domingo, 30 de novembro de 2008

O encontro do poeta e do ator

(Meus Oito Anos)
video
Casimiro de Abreu e Paulo Autran

Pouco antes de falecer, em outubro de 2007, aos 85 anos de idade, Paulo

Autran, em entrevista à TV Bandeirantes, declamou a conhecida poesia

"Meus Oito Anos", de Casimiro de Abreu.

Aparentemente, a declamação foi feita "de cor", sem recurso a telepronter.

Muita gente nova já teve que ralar para fazer a mesma coisa.

O trabalho divulgado vale a pena ser visto.

><><><><><><><><><><><><><><><><><><

sábado, 29 de novembro de 2008

Entenda a crise econômica pela ótica de Karl Marx


Atualmente, os Estados Unidos e muitos outros países enfrentam uma grande crise econômica cuja origem está no mercado de hipotecas norte-americano.
Mas as crises não são novidade no campo da economia. O pensador Karl Marx (1818-83) formulou algumas idéias sobre crises, medidas de valorização do capital e até sobre o comércio exterior e o mercado de ações, que podem ser encontradas em obras como "O Capital" e "Teorias da Mais-Valia".
No capítulo "Crises e Finanças", do livro "Folha Explica - Karl Marx" editado pela Publifolha, o autor Jorge Grespan explica de forma clara e sucinta o pensamento de Marx sobre crises econômicas. Leia abaixo trecho do capítulo do livro.

*

CRISES E FINANÇAS
Durante muito tempo, Marx foi um dos raros autores que se preocupou com o fenômeno das crises econômicas, considerando-as inevitáveis e inerentes ao sistema capitalista. A maioria dos economistas insistia na capacidade harmonizadora do mercado, relegando as crises a um segundo plano, como algo apenas casual e externo. Outros - mais respeitados por Marx, como Ricardo ou o suíço Sismonde de Sismondi (1773-1842) - até reconheciam a importância delas, mas as concebiam como um limite com o qual o sistema econômico deveria saber lidar. Depois, até em todo o século 20, registra-se um movimento pendular entre fases de predomínio teórico do harmonicismo e fases em que crises violentas, como a de 1929 ou a dos anos 1970, forçaram a incorporação delas ao pensamento econômico aceito pela tradição acadêmica e de instituições oficiais. Mesmo nesse caso, contudo, as crises se revestem de um caráter funcional, entendidas como mal necessário ou como crises de crescimento, ou ainda, na melhor das hipóteses, como indicadores da incapacidade do setor privado resolver seus problemas sem a intervenção do Estado. Na teoria de Marx, por outro lado, elas revelam a emergência da dimensão negativa de um sistema marcado pela contradição. Ao contrário do pensamento econômico tradicional, aqui a crise está intimamente associada à crítica. Mas não a uma crítica subjetiva de alguém que analisa de fora e condena, e sim a uma crítica objetiva: desnudando a dimensão negativa no mau funcionamento do sistema, indica-se como o próprio sistema realiza uma espécie de autocrítica. Se o capital é valor que se valoriza, os momentos em que ele desvaloriza o valor existente de maneira inevitável, comprometendo assim a base de seu crescimento, são momentos em que ele mesmo se contradiz, negando as condições de sua existência. Dito desse modo parece pouco problemático. Mas a teoria das crises de Marx permitiu leituras diversas e conflitantes até entre seus seguidores. Houve quem as atribuísse a meros desequilíbrios entre os setores da economia, ou a uma incapacidade crônica da produção criar mercados, devido às condições antagônicas da distribuição dos produtos no capitalismo; houve ainda os que as circunscreviam ao âmbito financeiro, como se o da produção já não fosse contraditório. A controvérsia surgiu da forma complexa de apresentação das categorias na teoria de Marx. Há passagens que justificam uma ou outra das interpretações, e na seqüência a desacreditam. O problema pode ser equacionado, no entanto, levando-se em conta o todo da obra e, principalmente, o projeto de Marx desdobrar cada forma do sistema como resultado da negatividade das formas anteriores, indo do mais geral ao mais específico e intrincado. Em primeiro lugar, então, é preciso retomar o aspecto geral. No final do capítulo 3 foi citado um texto que pode servir muito bem nesse sentido: "O capital é trabalho morto, que apenas se reanima, à maneira dos vampiros, sugando trabalho vivo e que vive tanto mais quanto mais trabalho vivo suga". Vimos como essa passagem sintetiza bem a contradição constitutiva do capital em sua relação com a força de trabalho. Mas um aspecto central deve agora ser acrescentado. É que, ao comprar e incorporar a força de trabalho, o capital está também se apropriando da capacidade de medir o valor, que o trabalho abstrato possui numa sociedade de troca de mercadorias. O capital adquire com isso não só a propriedade de se valorizar como a de medir essa valorização; ele se valoriza e se mede. Mas a sua relação com a mensuração é contraditória, como também sua relação com a valorização, porque ambas derivam da oposição entre capital e trabalho. Ao mesmo tempo que integra a força de trabalho, o capital também precisa negá-la, substituindo-a por máquinas; ou seja, ao mesmo tempo que adquire a capacidade de se medir, o capital reitera que essa capacidade pertence a um agente que ele mesmo põe como seu oposto. Perde então as suas medidas. Em todos os níveis da apresentação das categorias de O Capital, aparece essa determinação contraditória da medida e da desmedida. É por ela que vão se definindo em cada nível os distintos conceitos de crise. Se algum deles for isolado dos demais, pode parecer que oferece a única definição possível, invalidando as outras - caminho seguido por grande parte das intérpretes de Marx. Mas, de fato, também o conceito de crise obedece à forma da apresentação que vai do mais geral ao mais complexo, também ele vai enriquecendo seu conteúdo junto com o conceito de capital. Marx faz questão de indicar a possibilidade de crise já no nível da produção e circulação de mercadorias, refutando qualquer pretensão de que o mercado pudesse ser sempre harmônico. Aqui, a medida aparece na passagem fluida entre compras e vendas, quando há correspondência entre as quantidades do que se produz e do que se demanda; a desmedida, ao contrário, é quando não ocorre tal correspondência, interrompendo o movimento. A forma desse movimento é descrita por Marx em termos que valem também para as fases seguintes da apresentação: "[] o percurso de um processo através de duas fases opostas, sendo essencialmente, portanto, a unidade das duas fases, é igualmente a separação das mesmas e sua autonomização uma em face da outra. Como elas então pertencem uma à outra, a autonomização [] só pode aparecer violentamente, como processo destrutivo. É a crise, precisamente, na qual a unidade se efetua, a unidade dos diferentes". A compra e a venda de mercadorias, em primeiro lugar, são as "fases opostas" do processo em que se vende para comprar. Como se realizam pela mediação do dinheiro, elas assim se "separam e autonomizam uma em face da outra", podendo não coincidir. Mas a crise não assinala simplesmente o momento negativo, da não coincidência, e sim a impossibilidade de que essa situação permaneça por muito tempo. Como as fases de compra e venda se diferenciaram por força de um processo único, que dialeticamente tem de se realizar mediante sua diferenciação em duas fases, chega um momento em que essa autonomia não pode prosseguir. A unidade do processo se afirma, mas como reação violenta à autonomização das fases. No mercado como um todo, a discrepância possível entre compras e vendas precisa ser corrigida e, quando isso acontece, verifica-se a incompatibilidade entre os valores daquilo que se comprou e agora tem de pagar com o dinheiro de uma venda que pode não ocorrer. Segue-se um ajuste violento de contas, e valores simplesmente desaparecem. Essa forma geral da crise se reapresenta quando a finalidade é definida pelo capital como a de "comprar para vender". A discrepância ocorre no mercado de trabalho, ou nas compras e vendas recíprocas dos vários setores em que se divide a produção entre os capitalistas, ainda mais considerando que tudo isso se realiza pela concorrência. A discrepância de valores significa então que alguns terão prejuízo, talvez grande, vindo a falir. Parte do capital existente se desvaloriza, negando o próprio conceito de valor que se valoriza.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Engels - pensador e economista político alemão

Friedrich Engels

1 - Introdução

Friedrich Engels (1820-1895), pensador e economista político alemão fundador, junto com Karl Marx, do socialismo científico, o comunismo.

Nasceu em Barmen (atual Wuppertal) no seio de uma rica família protestante. Desde jovem esteve influido pelos trabalhos do poeta radical Heinrich Heine e do filósofo Georg Wilhelm. Friedrich Hegel em 1839 começou a escrever artigos literários e filosóficos para distintas revistas e publicações. Em 1842 se fez partidário das idéias comunistas graças ao socialista alemão Moses Hess. Nesse mesmo ano conheceu Karl Marx.

2 - Primeiras obras: colaboração com Karl Marx

Desde 1842 até 1844 trabalhou na empresa de tecidos que sua família tinha em Manchester e nesta cidade inglesa entrou em contato com o cartismo, movimento que defendia a ampliação do sufrágio aos trabalhadores. Colaborou com a revista Northern Star, entre outras, e realizou estudos de economia política. Sua experiência e seus estudos o levaram a convicção de que a história só podia explicar-se a partir do desenvolvimento econômico da sociedade, afiançando-se sua teoria de que os males sociais de seu tempo eram o resultado inevitável do aparecimento da propriedade privada, e de que aqueles somente poderiam eliminar-se mediante a luta de classes, que culminaria com a instauração de uma sociedade comunista. Estas conclusões foram expostas em um estudo histórico, La situación de la clase obrera en Inglaterra (1844), ensaio que lhe proporcionou fama de economista político revolucionário.

Em París, em 1844, Engels visitou Marx, que havia publicado uma série de escritos que simpatizavam com o comunismo. Os dois descobriram que haviam chegados, por caminhos separados, as mesmas conclusões, e decidiram trabalhar de forma conjunta. Esta colaboração se prolongou até a morte de Marx em 1883, e se realizou em dois sentidos: por um lado, levaram a cabo a exposição sistemática dos princípios do comunismo; por outro, organizaram um movimento comunista internacional. Ourtos aspectos de menor relevância relativos a sua colaboração incluem os artigos periodísticos para o New York Tribune e outras publicações.

Ao elaborar os princípios comunistas, Marx e Engels partiram da filosofia para depois adentrar-se em outros campos de estudos. Em concreto, Marx centrou-se no pensamento político, na economia política e na história política; os interesses de Engels se dirigiram as ciências físicas, as matemáticas, a antropologia, as ciências militares e a lingüística.

O Manifesto Comunista, que influiu em toda literatura comunista posterior e considerada como a exposição clássica do comunismo moderno, apareceu pela primeira vez em 1848. Foi escrito por Marx, baseando-se em um rascunho preparado por Engels.

3 - Últimas Obras

As contribuições de Engels para a exposição teórica do comunismo incluem os seguintes trabalhos: La subversión de la ciencia por Eugen Dühring (conhecido popularmente como Anti-Dühring, 1878), obra da qual se publicaram separadamente vários capítulos, com o título Del socialismo utópico al socialismo científico (1892), que se converteram numa das exposições básicas mais conhecidas do socialismo; e El origen de la familia, la propiedad privada y el Estado (1884). Engels fez o que se considera sua principal contribuição ao marxismo ao publicar, póstumamente, a partir de notas e rascunho, os volumes segundo e terceiro da principal obra de Marx, El capital.

Ademais de contribuir com a literatura e a teoria do marxismo, Engels participou ativamente nos primeiros passos do movimento revolucionário de seu tempo. Em 1848, depois do início da revolução na Alemanha, Marx e Engels viajaram a Colonia, onde publicaram um periódico comunista.

Depois do fracasso das revoluções de 1848 numa série de países europeus, Engels trabahou numa fábrica de tecidos em Manchester, convertendo-se, com os anos, na principal ajuda financeira de Marx e de sua família. Se uniu a empresa propietária da fábrica em 1864, e se aposentou cinco anos mais tarde.

Engels mudou-se para Londres em 1870 e, converteu-se em membro do Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT a Primeira Internacional) começou a substituir a Marx na direção do Conselho. Depois a ruptura entre marxistas e anarquistas no seio da AIT em 1872 (que conduziu a sua dissolução quatro anos mais tarde), Engels seguiu em contato com grupos revolucionários de todo o mundo. Não participou diretamente na criação da Segunda Internacional em 1889, mas teve uma considerável influência no desenho de seus programas e políticas.

APÊNDICE:
Friedrich Engels faleceu em Londres a 5 de agosto (24 de julho) de 1895. A seguir ao seu amigo Karl Marx (que morreu em 1883), Engels foi o mais notável sábio e mestre do proletariado contemporâneo em todo o mundo civilizado. Desde o dia em que o destino juntou Karl Marx e Friedrich Engels, a obra a que os dois amigos consagraram toda a sua vida converteu-se numa obra comum. Assim, para compreender o que Friedrich Engels fez pelo proletariado, é necessário ter-se uma idéia precisa do papel desempenhado pela doutrina e atividade de Marx no desenvolvimento do movimento operário contemporâneo. Marx e Engels foram os primeiros a demonstrar que a classe operária e suas reivindicações são um produto necessário do regime econômico atual que, juntamente com a burguesia, , cria e organiza inevitavelmente o proletariado; demonstraram que não são as tentativas bem intencionadas dos homens de coração generoso que libertarão a humanidade dos males que hoje a esmagam, mas a luta de classe do proletariado organizado. Marx e Engels foram os primeiros a explicar, nas suas obras científicas, que o socialismo não é uma invenção de sonhadores, , mas o objetivo final e o resultado necessário do desenvolvimento das forças produtivas da sociedade atual. Toda a história escrita até nossos dias é a história da luta de classes, a sucessão no domínio e nas vitórias de umas classes sociais sobre as outras. E este estado de coisas continuará enquanto não tiverem desaparecido as bases da luta de classes e do domínio de classe: a propriedade privada e a produção social anárquica. Os interesses do proletariado exigem a destruição destas bases, contra as quais deve, pois, orientada a luta de classe consciente dos operários organizados. E toda a luta de classe é uma luta política.
-(PV)-

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

CENTENÁRIO de Libertad Lamarque

Libertad Lamarque, a noiva da américa

Muitos nem sabem quem foi ela, mas o que importa é que ela fez a paixão e o encanto da minha geração e de meus pais. Falo de Libertad Lamarque, que era chamada de "a noiva da América". Se estivesse deste lado do Planeta, estaria completando 100 anos.

Libertad Lamarque de Bouza ( Rosário, 24 de novembro de 1908 — Cidade do México, 12 de Dezembro de 2000) foi uma atriz argentina radicada no México.

Filha de um uruguaio de origem francesa e de uma imigrante espanhola, desde os primeiros anos de vida Libertad mostrou grande talento para a atuação e principalmente para cantar.

Tem muita gente das antigas que vai se lembrar dela em filmes mexicanos puxado a muitas lágrimas e pieguices.

A atriz e cantora faleceu a 12 de dezembro de 2000 na cidade do México, depois de 75 anos de carreira. Ela protagonizou 61 filmes e gravou mais de 800 músicas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Fábrica de maus professores


Monica Weinberg Entrevista: Eunice Durham
Uma das maiores especialistas em ensino superior brasileiro, a antropóloga não tem dúvida: os cursos de pedagogia perpetuam o péssimo ensino nas escolas.

"Os cursos de pedagogia desprezam a prática da sala de aula e supervalorizam teorias supostamente mais nobres. Os alunos saem de lá sem saber ensinar”.

Hoje há poucos estudiosos empenhados em produzir pesquisa de bom nível sobre a universidade brasileira. Entre eles, a antropóloga Eunice Durham, 75 anos, vinte dos quais dedicados ao tema, tem o mérito de tratar do assunto com rara objetividade. Seu trabalho representa um avanço, também, porque mostra, com clareza, como as universidades têm relação direta com a má qualidade do ensino oferecido nas escolas do país. Ela diz: "Os cursos de pedagogia são incapazes de formar bons professores". Ex-secretária de política educacional do Ministério da Educação (MEC) no governo Fernando Henrique, Eunice é do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas, da Universidade de São Paulo – onde ingressou como professora há cinqüenta anos.

Sua pesquisa mostra que as faculdades de pedagogia estão na raiz do mau ensino nas escolas brasileiras. Como?
As faculdades de pedagogia formam professores incapazes de fazer o básico, entrar na sala de aula e ensinar a matéria. Mais grave ainda, muitos desses profissionais revelam limitações elementares: não conseguem escrever sem cometer erros de ortografia simples nem expor conceitos científicos de média complexidade. Chegam aos cursos de pedagogia com deficiências pedestres e saem de lá sem ter se livrado delas. Minha pesquisa aponta as causas. A primeira, sem dúvida, é a mentalidade da universidade, que supervaloriza a teoria e menospreza a prática. Segundo essa corrente acadêmica em vigor, o trabalho concreto em sala de aula é inferior a reflexões supostamente mais nobres.

Essa filosofia é assumida abertamente pelas faculdades de pedagogia?
O objetivo declarado dos cursos é ensinar os candidatos a professor a aplicar conhecimentos filosóficos, antropológicos, históricos e econômicos à educação. Pretensão alheia às necessidades reais das escolas – e absurda diante de estudantes universitários tão pouco escolarizados.

O que, exatamente, se ensina aos futuros professores?
Fiz uma análise detalhada das diretrizes oficiais para os cursos de pedagogia. Ali é possível constatar, com números, o que já se observa na prática. Entre catorze artigos, catorze parágrafos e 38 incisos, apenas dois itens se referem ao trabalho do professor em sala de aula. Esse parece um assunto secundário, menos relevante do que a ideologia atrasada que domina as faculdades de pedagogia.

Como essa ideologia se manifesta?
Por exemplo, na bibliografia adotada nesses cursos, circunscrita a autores da esquerda pedagógica. Eles confundem pensamento crítico com falar mal do governo ou do capitalismo. Não passam de manuais com uma visão simplificada, e por vezes preconceituosa, do mundo. O mesmo tom aparece nos programas dos cursos, que eu ajudo a analisar no Conselho Nacional de Educação. Perdi as contas de quantas vezes estive diante da palavra dialética, que, não há dúvida, a maioria das pessoas inclui sem saber do que se trata. Em vez de aprenderem a dar aula, os aspirantes a professor são expostos a uma coleção de jargões. Tudo precisa ser democrático, participativo, dialógico e, naturalmente, decidido em assembléia.

Quais os efeitos disso na escola?
Quando chegam às escolas para ensinar, muitos dos novatos apenas repetem esses bordões. Eles não sabem nem como começar a executar suas tarefas mais básicas. A situação se agrava com o fato de os professores, de modo geral, não admitirem o óbvio: o ensino no Brasil é ainda tão ruim, em parte, porque eles próprios não estão preparados para desempenhar a função.

Por que os professores são tão pouco autocríticos?
Eles são corporativistas ao extremo. Podem até estar cientes do baixo nível do ensino no país, mas costumam atribuir o fiasco a fatores externos, como o fato de o governo não lhes prover a formação necessária e de eles ganharem pouco. É um cenário preocupante. Os professores se eximem da culpa pelo mau ensino – e, conseqüentemente, da responsabilidade. Nos sindicatos, todo esse corporativismo se exacerba.

Como os sindicatos prejudicam a sala de aula?
Está suficientemente claro que a ação fundamental desses movimentos é garantir direitos corporativos, e não o bom ensino. Entenda-se por isso: lutar por greves, aumentos de salário e faltas ao trabalho sem nenhuma espécie de punição. O absenteísmo dos professores é, afinal, uma das pragas da escola pública brasileira. O índice de ausências é escandaloso. Um professor falta, em média, um mês de trabalho por ano e, o pior, não perde um centavo por isso. Cenário de atraso num país em que é urgente fazer a educação avançar. Combater o corporativismo dos professores e aprimorar os cursos de pedagogia, portanto, são duas medidas essenciais à melhora dos indicadores de ensino.

A senhora estende suas críticas ao restante da universidade pública?
Há dois fenômenos distintos nas instituições públicas. O primeiro é o dos cursos de pós-graduação nas áreas de ciências exatas, que, embora ainda atrás daqueles oferecidos em países desenvolvidos, estão sendo capazes de fazer o que é esperado deles: absorver novos conhecimentos, conseguir aplicá-los e contribuir para sua evolução. Nessas áreas, começa a surgir uma relação mais estreita entre as universidades e o mercado de trabalho. Algo que, segundo já foi suficientemente mensurado, é necessário ao avanço de qualquer país. A outra realidade da universidade pública a que me refiro é a das ciências humanas. Área que hoje, no Brasil, está prejudicada pela ideologia e pelo excesso de críticas vazias. Nada disso contribui para elevar o nível da pesquisa acadêmica.

Um estudo da OCDE (organização que reúne os países mais industrializados) mostra que o custo de um universitário no Brasil está entre os mais altos do mundo – e o país responde por apenas 2% das citações nas melhores revistas científicas. Como a senhora explica essa ineficiência?
Sem dúvida, poderíamos fazer o mesmo, ou mais, sem consumir tanto dinheiro do governo. O problema é que as universidades públicas brasileiras são pessimamente administradas. Sua versão de democracia, profundamente assembleísta, só ajuda a aumentar a burocracia e os gastos públicos. Essa é uma situação que piorou, sobretudo, no período de abertura política, na década de 80, quando, na universidade, democratização se tornou sinônimo de formação de conselhos e multiplicação de instâncias. Na prática, tantas são as alçadas e as exigências burocráticas que, parece inverossímil, um pesquisador com uma boa quantia de dinheiro na mão passa mais tempo envolvido com prestação de contas do que com sua investigação científica. Para agravar a situação, os maus profissionais não podem ser demitidos. Defino a universidade pública como a antítese de uma empresa bem montada.

Muita gente defende a expansão das universidades públicas. E a senhora?
Sou contra. Nos países onde o ensino superior funciona, apenas um grupo reduzido de instituições concentra a maior parte da pesquisa acadêmica, e as demais miram, basicamente, os cursos de graduação. O Brasil, ao contrário, sempre volta à idéia de expandir esse modelo de universidade. É um erro. Estou convicta de que já temos faculdades públicas em número suficiente para atender aqueles alunos que podem de fato vir a se tornar Ph.Ds. ou profissionais altamente qualificados. Estes são, naturalmente, uma minoria. Isso não tem nada a ver com o fato de o Brasil ser uma nação em desenvolvimento. É exatamente assim nos outros países.

As faculdades particulares são uma boa opção para os outros estudantes?
Freqüentemente, não. Aqui vale a pena chamar a atenção para um ponto: os cursos técnicos de ensino superior, ainda desconhecidos da maioria dos brasileiros, formam gente mais capacitada para o mercado de trabalho do que uma faculdade particular de ensino ruim. Esses cursos são mais curtos e menos pretensiosos, mas conseguem algo que muita universidade não faz: preparar para o mercado de trabalho. É estranho como, no meio acadêmico, uma formação voltada para as necessidades das empresas ainda soa como pecado. As universidades dizem, sem nenhum constrangimento, preferir "formar cidadãos". Cabe perguntar: o que o cidadão vai fazer da vida se ele não puder se inserir no mercado de trabalho?

Nos Estados Unidos, cerca de 60% dos alunos freqüentam essas escolas técnicas. No Brasil, são apenas 9%. Por quê?
Sempre houve preconceito no Brasil em relação a qualquer coisa que lembrasse o trabalho manual, caso desses cursos. Vejo, no entanto, uma melhora no conceito que se tem das escolas técnicas, o que se manifesta no aumento da procura. O fato concreto é que elas têm conseguido se adaptar às demandas reais da economia. Daí 95% das pessoas, em média, saírem formadas com emprego garantido. O mercado, afinal, não precisa apenas de pessoas pós-graduadas em letras que sejam peritas em crítica literária ou de estatísticos aptos a desenvolver grandes sistemas. É simples, mas só o Brasil, vítima de certa arrogância, parece ainda não ter entendido a lição.

Faculdades particulares de baixa qualidade são, então, pura perda de tempo?
Essas faculdades têm o foco nos estudantes menos escolarizados – daí serem tão ineficientes. O objetivo número 1 é manter o aluno pagante. Que ninguém espere entrar numa faculdade de mau ensino e concorrer a um bom emprego, porque o mercado brasileiro já sabe discernir as coisas. É notório que tais instituições formam os piores estudantes para se prestar às ocupações mais medíocres. Mas cabe observar que, mesmo mal formados, esses jovens levam vantagem sobre os outros que jamais pisaram numa universidade, ainda que tenham aprendido muito pouco em sala de aula. A lógica é típica de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Por que num país em desenvolvimento o diploma universitário, mesmo sendo de um curso ruim, tem tanto valor?
No Brasil, ao contrário do que ocorre em nações mais ricas, o diploma de ensino superior possui um valor independente da qualidade. Quem tem vale mais no mercado. É a realidade de um país onde a maioria dos jovens está ainda fora da universidade e o diploma ganha peso pela raridade. Numa seleção de emprego, entre dois candidatos parecidos, uma empresa vai dar preferência, naturalmente, ao que conseguiu chegar ao ensino superior. Mas é preciso que se repita: eles servirão a uma classe de empregos bem medíocres – jamais estarão na disputa pelas melhores vagas ofertadas no mercado de trabalho.

A tendência é que o mercado se encarregue de eliminar as faculdades ruins?
A experiência mostra que, conforme a população se torna mais escolarizada e o mercado de trabalho mais exigente, as faculdades ruins passam a ser menos procuradas e uma parte delas acaba desaparecendo do mapa. Isso já foi comprovado num levantamento feito com base no antigo Provão. Ao jogar luz nas instituições que haviam acumulado notas vermelhas, o exame contribuiu decisivamente para o seu fracasso. O fato de o MEC intervir num curso que, testado mais de uma vez, não apresente sinais de melhora também é uma medida sensata. O mau ensino, afinal, é um grande desserviço.

A senhora fecharia as faculdades de pedagogia se pudesse?
Acho que elas precisam ser inteiramente reformuladas. Repensadas do zero mesmo. Não é preciso ir tão longe para entender por quê. Basta consultar os rankings internacionais de ensino. Neles, o Brasil chama atenção por uma razão para lá de negativa. Está sempre entre os piores países do mundo em educação.


sábado, 22 de novembro de 2008

O "NOVO" ESTÁ CHEGANDO!

Crescimento Interior
Um dia, a Terra vai adoecer.
Os pássaros cairão do céu,
Os mares vão escurecer,
E os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios.
Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito,
Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco

a reverência pela sagrada terra.
Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris
para terminar com a destruição.
Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris.


Profecia feita há mais de 200 anos por “Olhos de Fogo”
uma velha índia Cree.

De: czymon

ONU abre sua 'Capela Sistina' em Genebra

Sala de reunião de US$ 30 milhões, em plena crise, causa mal-estar; Espanha custeia obra e diz que 'arte não tem preço'

"A obra já está ganhando o nome de "Capela Sistina do Século 21". Não apenas por sua beleza e significado artístico, mas também pela polêmica que abriu. Na quarta-feira, 19, na sede da ONU em Genebra, políticos de todo o mundo e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, inauguram a cúpula de uma das salas de reunião da entidade. O custo: quase US$ 30 milhões, em plena crise mundial e com o número de famintos no mundo aumentando a cada dia. A obra é do artista espanhol Miquel Barceló, a nova estrela da pintura mundial e comparado a Juan Miró e outros. Em seus andaimes, Barceló passou 13 meses para pintar uma área de mais de 1,4 mil metros quadrados. Mas se recusa a declarar quanto recebeu pela obra e fez questão de trazer da Espanha um cozinheiro para acompanhá-lo"...

E comparar "isso" com a obra de Michelangelo Capela Sistina, um dos maiores tesouros artísticos da humanidade, também não tem preço!!!.

Foto: Germano Schüür (clique para ampliar)
A Criação de Adão (detalhe)
Fonte: Blog da Santa

167 fotos criativas, realmente incríveis!

http://www.comunactivox.es/creative-photogrpahs/13.jpg
Incrível coleção de 167 fotografias criativas tomadas pelos melhores profissionais do mundo.
Aproveite o fim-de-semana e dê uma espiadela... Clique AQUI e veja..

Mural da História

Foto sem crédito.
Em 22 de novembro de 1963, o presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy foi morto com um tiro na cabeça. Ele estava fazendo uma visita à cidade texana de Dallas, com o objetivo de consolidar a unidade do Partido Democrata. O tiro teria sido disparado por Lee Harvey Oswald, morto dois dias depois.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Preservação ambiental

Caipira picando fumo, quadro de Almeida
Júnior (1850/1899).

Foram Remédios Miraculosos

Antigamente as drogas eram consideradas remédios miraculosos Cocaína, morfina e até heroína eram vistos como remédios miraculosos quando foram descobertos. As substâncias que hoje são proibidas estavam legalmente disponíveis no passado.
Os fabricantes de medicamentos, muitos dos quais existem até hoje, proclamavam até o final do século 19 que seus produtos continham estas drogas.

Abaixo, veja dez impressionantes propagandas antigas.

1. Heroína da Bayer

Entre 1890 a 1910 a heroína era divulgada comoum substituto não viciante da morfina e remédio contra tosse para crianças.
---------------------------------------
2. Vinho de coca

O vinho de coca da Metcalf era um de uma grande quantidade de vinhos que continham coca disponíveis no mercado. Todos afirmavam que tinham efeitos medicinais, mas indubitavelmente eram consumidos pelo seu valor "recreador" também.
------------------------------------------------
3. Vinho Mariani

O Vinho Mariani (1865) era o principal vinho de coca do seu tempo. O Papa Leão XIII carregava um frasco de Vinho Mariani consigo e premiou seu criador, Angelo Mariani, com uma medalha de ouro.
----------------------------------------------
4. Maltine

Esse vinho de coca foi feito pela Maltine Manufacturing Company de Nova York. A dosagem indicada diz:
"Uma taça cheia junto com, ou imediatamente após, as refeições. Crianças em proporção".
-------------------------------------------------
5. Peso de papel

Um peso de papel promocional da C.F. Boehringer & Soehne (Mannheim, Alemanha), "os maiores fabricantes do mundo de quinino e cocaína". Este fabricante tinha orgulho em sua posição de líder no mercado de cocaína.
-------------------------------------------
6. Glico-Heroína

Propaganda de heroína da Martin H. Smith Company, de Nova York. A heroína era amplamente usada não apenas como analgésico, mas também como remédio contra asma, tosse e pneumonia. Misturar heroína com glicerina (e comumente açúcar e temperos) tornada o opiáceo amargo mais palatável para a ingestão oral.
-------------------------------------------
7. Ópio para asma

Esse National Vaporizer Vapor-OL era indicado "Para asma e outras afecções espasmódicas". O líquido volátil era colocado em uma panela e aquecido por um lampião de querosene.
-----------------------------------------------
8.
Tablete de cocaína (1900)

Estes tabletes de cocaína eram "indispensáveis para cantores, professores e oradores". Eles também aquietavam dor de garganta e davam um efeito "animador" para que estes profissionais atingissem o máximo de sua performance.
-----------------------------------------
9. "Drops de Cocaína para Dor de Dente - Cura instantânea"

Drops de cocaína para dor de dente (1885) eram populares para crianças. Não apenas acabava com a dor, mas também melhorava o "humor" dos usuários.
-----------------------------------------
10. Ópio para bebês recém-nascidos

Você acha que a nossa vida moderna é confortável? Antigamente para aquietar bebês recém-nascidos não era necessário um grande esforço dos pais, mas sim, ópio.Esse frasco de paregórico (sedativo) da Stickney and Poor era uma mistura de ópio de álcool que era distribuída do mesmo modo que os temperos pelos quais a empresa era conhecida. "Dose - [Para crianças com] cinco dias, 3 gotas. Duas semanas, 8 gotas. Cinco anos, 25 gotas. Adultos, uma colher cheia." O produto era muito potente, e continha 46% de álcool.
Esta peguei AQUI

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Distorções Históricas

Distorções Históricas

Compulsando o livro “Campo Mourão – sua gente... sua história”, 3ª edição, de autoria de Edna Simionato, ontem lançado na Biblioteca Prof. Egydio Martello, deparamos com diversas distorções, não condizendo com os fatos. Na página 261 onde se tenta narrar a história do jornal “Tribuna do Interior”, a autora insere que o hebdomadário, na época, “... foi fundado em 10 de outubro de 1947 (com uma correção avulsa inserida, onde relaciona erratas da obra) pelo pioneiro Sérgio Sebastião Miguel” A fonte que lhe passou essa afirmativa está completamente equivocada, como está inserto no livro “Campo Mourão Centro do Progresso”, de minha autoria, pág. 165, no Capítulo “A Trilha do Jornalismo Mourãoense”, o jornal Tribuna do Interior, foi fundado em 1968 por Edilberto Parigot de Souza, diretor; Dicson Fragoso Veras, redator-chefe e tendo ainda na sociedade, Joel D’Aparecida Albuquerque, com Edição Inaugural nº 1, circulando no dia 10 de outubro, conforme se verifica no fac-símile dessa primeira edição, constante em meu acervo histórico.

Ainda a título de ilustração, Tribuna do Interior foi transferida pelos seus fundadores para Enésio Gomes Tristão, que transferiu para Reinaldo Soares, mais tarde adquirido por Sergio Miguel que, em meados dos anos 80, passou a pertencer a Editora PEP de Pedro da Veiga, Edevaldo Louzano e Pedro Hersen, que transferiu a propriedade do jornal a um grupo liderado pelo Senhor José Boiko e hoje, diário, TRIBUNA DO INTERIOR é de propriedade da empresa Jornal Tribuna do Interior Ltda., de Nery José Thomé e Dorlly Benthien Thomé, que é sua Diretora, tendo como jornalista responsável Marcus Vinícius Casagrande Ayres.

Correção seja feita, para não se deturpar os fatos históricos, dando-se crédito a quem realmente pertence.

Dia da Consciência Negra


Zumbi (Alagoas, 1655, 20 de novembro de 1695) foi o último dos líderes do Quilombo dos Palmares. A palavra Zumbi, ou Zambi, vem do africano quimbundo "nzumbi", e significa, grosso modo, "duende". No Brasil, Zumbi significa fantasma que, segundo a crença popular afro-brasileira, vagueia pelas casas a altas horas da noite. Atualmente, o dia 20 de novembro, feriado em mais de 200 cidades brasileiras, é celebrado como Dia da Consciência Negra. O dia tem um significado especial para os negros brasileiros que reverenciam Zumbi como o herói que lutou pela liberdade e como um símbolo de liberdade. Hilda Dias dos Santos incentivou a criação do Memorial Zumbi dos Palmares.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Presidentes americanos do Partido Democrata

O Partido Democrata, que elegeu Barack Obama para a presidência dos EUA, já teve 13 outros presidentes. Fundado em 1836 pelo presidente Andrew Jackson, estava longe do poder desde 2001, quando o republicano George W. Bush chegou à Casa Branca. Confira:

Andrew Jackson (1829-1837)
Martin Van Buren (1837-1841)
James Knox Polk (1845-1849)
Franklin Pierce (1853-1857)
James Buchanan (1857-1861)
Grover Cleveland (1885-1889 e 1893-1897)
Woodrow Wilson (1913-1921)
Franklin Delano Roosevelt (1933-1945)
Harry S. Truman (1945-1953)
John F. Kennedy (1961-1963)
Lyndon B. Johnson (1963-1969)
Jimmy Carter (1977-1981)
Bill Clinton (1993-2001)
Barack Obama (a partir de 2009)

domingo, 16 de novembro de 2008

LEITURA PARA DESCONTRAIR

reflexões bem humoradas sobre dinheiro
- Administrar dinheiro é fácil. Difícil é administrar a falta dele.
- Agiota é o sujeito que ganha a vida alugando dinheiro.
- Atrás de toda grande fortuna tem sempre algum crime.
- O cachorro só é o melhor amigo do homem porque não conhece o dinheiro.
- Casa de tolerância é um local onde se tolera tudo, menos a falta de dinheiro.
- Certas pessoas só fazem transações comerciais com lisura: nunca pagam, pois estão sempre lisos.
- O cheque não compensa.
- Com dinheiro à vista, toda gente é benquista.
- Devedor é o sujeito que tem a habilidade de nunca estar em lugar nenhum.
- Devo e não pago. Nego enquanto puder.
- Devo tanto, que se eu chamar a minha mulher de bem o banco toma.
- A diferença entre um credor e um devedor, é que o primeiro tem uma memória muito melhor.
- Dinheiro de pobre parece sabão: quando ele o pega, escorrega da mão.
- O dinheiro é apenas uma coisa de que você precisa para o caso de não morrer amanhã.
- Dinheiro e mulher bonita: até hoje só vi na mão dos outros.
- O dinheiro é sempre o mesmo. O que muda são os bolsos.
- Dinheiro na mão, calcinha no chão. Dinheiro sumiu, calcinha subiu.
- O Dinheiro não é tudo, e muitas vezes não é nem o suficiente.
- Dinheiro não é tudo, mas é 100 por cento (Falcão).
- O dinheiro não é tudo na vida. Além dele, também tem o cheque, o cartão de crédito, etc.
- O dinheiro não tem a mínima importância, desde que a gente tenha muito.
- Dinheiro não traz felicidade. Manda buscar.
- Dinheiro não traz felicidade, mas acalma os nervos.
- Dinheiro não traz felicidade, mas ajuda a sofrer em Paris.
- Dinheiro no banco é como a pasta de dentes: Fácil de tirar, mas muito difícil de voltar a pôr.
- Dinheiro sempre traz problema. Infelizmente, a recíproca não é verdadeira.
- Dívida é uma desculpa a longo prazo.
- Dívida pra mim é sagrada. Que Deus lhe pague.
- Dizem que dinheiro é coisa do diabo. Mas se você quiser ver o diabo, ande sem dinheiro.
- Duplicata é essa coisa que sempre vence. Nunca empata.
- É difícil abandonar tudo por um ideal. A menos que seja por bom dinheiro...
- É impossível ser ridículo dentro de um Mercedes.
- É pensando ser rico que se fica pobre.
- É sim, irmão, convém não esquecer que o dinheiro não é tudo na vida. Tudo na vida é a falta de dinheiro.
- Existe um mundo melhor, mas é caríssimo.
- Existem dois problemas que corrompem a humanidade, o dinheiro e o que se pode comprar com ele.
- Existem pessoas que só pensam em dinheiro, sexo e bebidas. Eu sou uma delas.
- Fazer dívida é como construir um submarino: pode até flutuar, mas foi feito para afundar.
- Fazer fortuna significa passar para o nosso bolso o dinheiro que estava no bolso dos outros.
- Filho de rico é playboy; de pobre é office-boy.
- Há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação.
- Importante não são as flores, mas o cartão. Inclusive o de crédito.
- Infelizmente, o dinheiro necessário é sempre o dobro do orçamento previsto, e o tempo para sua execução o triplo do imaginado.
- O intermediário é esse sujeito que faz a ligação entre dois interesses, visando exclusivamente ao seu.
- Melhor do que assaltar um banco é instalar um.
- Meu banco me deu mais um cartão: o vermelho!
- O milionário é uma pessoa que só passa fome antes das refeições.
- A morte também faz coisas boas: as viúvas ricas, por exemplo.
- Na situação em que me encontro, se puserem um revólver na minha frente eu o vendo imediatamente.
- Na vida é preciso sempre mudar, principalmente se levarmos em conta que os preços dos aluguéis são absurdos.
- Nada é bastante para quem considera pouco o suficiente.
- Não adianta ser rico e usar roupa de marca, pois o melhor da vida a gente faz pelado.
- Nas compras, é melhor ficar em dúvida do que em dívida.
- Para conseguir um empréstimo bancário, é fundamental provar que você não precisa dele.
- Pennies são moedas inglesas que valem um pau.
- Picasso ficou muito rico, mas as mulheres gostam mais dele duro.
- Pobre é como arame farpado: quando não está enrolado, está esticado.
- Pobre é como cachimbo: só leva fumo.
- A pobreza não é necessariamente vergonhosa: há muito pobre sem-vergonha.
- Os preços dos telescópios são astronômicos.
- Prestígio só dá dinheiro pra Nestlé.
- O Primeiro economista do mundo foi Cristovão Colombo: quando saiu, não sabia para onde ia; quando chegou, não sabia onde estava. E tudo por conta do governo.
- Promessa é dúvida, mas promissória é dívida.
- A promissória é uma questão “de…vida”. O pagamento é que é de morte.
- Quando chega a conta do celular, dá vontade da gente cortar os pulsos.
- Quando eu era menor, achava que dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje tenho certeza.
- Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem.
- Quando se trata de dinheiro, todos têm a mesma religião.
- Quarto duplo significa que duas pessoas podem ficar hospedadas pelo preço de uma, mas tem de pagar o dobro se estiver sozinha.
- As quatro melhores coisas do mundo são três: dinheiro e mulher.
- Quem vive de rendas é vendedor de calcinha e sutiã.
- Razão: faculdade daquele que tem a caneta e a chave do cofre na mão.
- Recessão é quando seu vizinho perde o emprego; depressão é quando você perde o seu.
- O rico pega o carro e sai. O pobre sai... e o carro pega.
- O sapato é a condução do pobre.
- Se o dinheiro fala, o meu sempre diz adeus.
- Se o dinheiro não acabasse, todos seriam ricos.
- Se você tem que perguntar quanto custa é porque não pode comprar.
- Sempre peça dinheiro emprestado a um pessimista. Ele nunca espera receber.
- A Suíça é um mundo de faz-de-conta numerado.
- Tempo é dinheiro. Vamos, então, fazer a experiência de pagar as nossas dívidas com o tempo.
- Tenha cuidado ao emprestar dinheiro a amigos, porque você pode acabar perdendo as duas coisas.
- Ter pai pobre é destino, mas ter sogro pobre é burrice.
- Testamento de pobre se escreve na unha.
- Todo homem tem seu preço. Uns até fazem desconto.
- Um sujeito pobre é o que mora em uma cabana na beira do rio e passa o dia pescando, para viver. Um sujeito rico é o que vive o ano inteiro dentro de um escritório, para poder passar uma semana numa cabana, na beira do rio, para pescar.
- Uma coisa que os pobres sempre têm mais que os ricos: filhos.
- Uma vantagem dos sem-teto é de nunca levar desaforo para casa.
- O único lugar para onde se pode ir quando se estamos no fundo do poço, é para cima ou então cavar mais ainda.
- Os únicos que pensam mais em dinheiro do que os ricos são os pobres.
Compiladas por Fernando Ktzinger Dannemann

sábado, 15 de novembro de 2008

OBAMA - se eleito na África seria boicotado



por Mia Couto (*)

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang intitulado: ,"E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no ou nos ZimbabweCamarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes.

O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda(que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano".
O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas - tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos.

Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política.

Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente.

É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.
tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.


Jornal "SAVANA" - 14 de Novembro de 2008


(*) Mia Couto (Beira, Moçambique, 1955) é um dos escritores moçambicanos mais conhecidos no exterior. António Emílio Leite Couto ganhou o nome Mia do irmãozinho que não conseguia dizer "Emílio". Segundo o próprio autor a utilização deste apelido tem a ver com sua paixão pelos gatos e desde pequeno dizia a sua família que queria ser um deles. Nasceu na Beira, a segunda cidade de Moçambique, em 1955. Ele disse uma vez que não tinha uma "terra-mãe" - tinha uma "água-mãe", referindo-se à tendência daquela cidade baixa e localizada à beira do Oceano Índico para ficar inundada. Iniciou o curso de Medicina ao mesmo tempo que se iniciava no jornalismo e abandonou aquele curso para se dedicar a tempo inteiro à segunda ocupação. Foi diretor da Agência de Informação de Moçambique e mais tarde fez o curso de Biologia, profissão que exerce até agora.