terça-feira, 23 de setembro de 2008

A morte em oito tempos

Hoje faz dois anos do falecimento de minha querida mãe e, 17 anos e alguns dias do meu saudoso pai.
Quantas saudades!
Lendo o 4º tempo - Alento - do belo poema abaixo, sinto que eles estão em casa e que jamais partiram.
A morte em oito tempos
Sônia Maria Carriel Brandão

1
Prenúncio

Pálido pássaro pousado
na tênue luz da manhã.

2
Vôo noturno

Agora sabemos o que nenhum anjo sabe.
Agora somos o tempo.
De nossos corpos outras noites nascerão
e juntos voaremos nosso vôo noturno
nas asas do desejo.

3
Os anjos

É inútil matar os anjos.
Onde jogar as asas?
Onde enterrar os corpos?

Anjos não têm asas.
Anjos não têm corpos.

Os anjos são eternos.
Cada vez mais fortes,
após cada morte
renascem dentro de nós.

4
Alento

Os mortos não estão mortos.
Os mortos não estão sob a terra.
Estão na árvore que treme.
Estão na chuva que cai.
Estão na água que corre.
Estão na casa, estão entre nós.
Os que morreram jamais partiram.

5
Antes da aurora

Busco a morte
como quem busca o sono.
Morrerei antes da aurora.
Tenho anjos sobre meus ombros.

6
Meninos de pedra

Na estrada da morte
meninos de pedra
quebram seus sonhos.

7
Réquiem

Arranquem meus olhos.
A flor está morta.

8
O cão da morte

Já não há luz
nem som
nem movimento.

Apenas o cão da morte
me faz companhia.

Espera impaciente
o momento de irmos juntos
para lugar nenhum.



segunda-feira, 22 de setembro de 2008

D I C A S

COMO BAIXAR VÍDEOS DO YOUTUBE:

No link do youtube, no lugar de youtube coloque:

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e ao final do link, adicione:

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domingo, 21 de setembro de 2008

PENSADORES BRASILEIROS-Olavo de Carvalho

Viva o fascismo!

Olavo de Carvalho

No Brasil de hoje, há três e não mais de três blocos ideológicos.

O primeiro é o neoliberalismo globalista. Ele proclama que a liberdade econômica é a condição necessária e suficiente de todas as outras liberdades, que toda interferência de valores extra-econômicos na vida econômica é uma ameaça ao progresso, que o enriquecimento de todas as pessoas é o objetivo moral supremo e que portanto as leis, os Estados, as religiões, as artes e os costumes devem ser julgados segundo sua maior ou menor capacidade de fomentar a prosperidade geral num ambiente de livre mercado.

Daí ele conclui que todas as barreiras nacionais, religiosas e culturais que se opõem à mundialização do mercado são obstáculos ao progresso humano. Para derrubá-los, ele cria a técnica da engenharia social que permite destruir os valores tradicionais, abolir as diferenças de culturas nacionais e religiosas por meio da educação em massa, da propaganda e das leis. Todos os atos, sentimentos e reações humanas, mesmo os mais íntimos, tornam-se então objeto de planejamento estatal – e, quando finalmente a liberdade econômica impera sobre o mundo, todas as demais liberdades desapareceram para sempre.

O segundo bloco é socialista. Ele proclama que a igualdade é o supremo valor. Não existe pior mal no mundo do que um homem ser rico e o outro pobre. Quando todos estiverem economicamente nivelados, um não poderá mais oprimir o outro pela ameaça da fome e do desemprego.

Para instituir a igualdade, é preciso quebrar a espinha dorsal do poder econômico, e o instrumento para fazer isso é o Estado. Mas como quem tem o poder econômico não o cede de mão beijada, o Estado, para tomá-lo, tem de ser forte, muito mais forte do que o ralo Estado liberal que se contentava em ser um árbitro entre mercadores. Os funcionários do Estado socialista investem-se então de poderes especiais. O poder não somente se centraliza, mas se eleva. Abolido o poder econômico, resta apenas o poder político. As diferenças entre os homens não desapareceram, mas agora só há uma diferença essencial: a diferença entre quem tem e quem não tem poder político, entre quem está dentro e quem está fora da Nomenklatura. Antigamente, o homem alijado do poder político podia usar do poder econômico, seu ou emprestado, para fazer face à autoridade do Estado. O poder econômico fazia a mediação entre os de cima e os de baixo. Agora não há mais mediação. Quem sobe, sobe dentro do Estado. Quem cai, cai pelo cano do esgoto do Estado. E como não há poder fora do Estado, é compreensível que quem está dentro não queira sair nunca, e quem está fora não tenha como entrar senão por especial concessão dos de cima. Quando finalmente se estabelece a perfeita igualdade econômica, a desigualdade de poder político é tamanha, que torna o governante socialista uma divindade inacessível aos clamores de baixo.

O terceiro bloco é o fascismo. Hoje ele não encanta senão a uma minoria, mas é uma minoria profética. Ele proclama que o liberalismo é a ditadura do poder econômico, o socialismo a ditadura do poder político. Quem tem de mandar, diz ele, não é este nem aquele: é a nação.

Para fortalecer a nação, ele propõe uma aliança do poder econômico com o poder político, do capital com o Estado. A nação é a unidade, a conciliação dos contrários, a superação de todas as divergências. Com os dois poderes irmanados e cantando em uníssono na harmonia do Estado-síntese, a nação ergue a cabeça entre as nações e, se alguém reclamar, pau nele. Se o neoliberalismo realizava a liberdade mediante a supressão das liberdades, se o socialismo realizava a igualdade mediante a absolutização da desigualdade, o fascismo encarna o terceiro ideal da modernidade. Ele realiza a fraternidade: no fascismo todos os que têm poder são irmãozinhos, e não gostam que a gente se meta nos assuntos de família deles.

Donde concluo fatalmente que só o fascismo, embora aparentemente minoritário, tem futuro, porque só ele pode tornar felizes, ao mesmo tempo, os neoliberais e os socialistas. E nós? Ora, eles vão estar tão felizes que não vão querer saber a nossa opinião. E, a essa altura, se vocês querem meu conselho, será melhor mesmo não ter nenhuma.

Olavo de Carvalho é autor de “O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras” http://www.z80.com.br/usr/sapientia.

OLAVO LUÍS PIMENTEL DE CARVALHO

Olavo de Carvalho, nascido em Campinas, Estado de São Paulo, em 29 de abril de 1947, tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais e audaciosos pensadores brasileiros.

O filósofo e professor Olavo de Carvalho é o mais importante pensador brasileiro da atualidade. Olavo conquista o leitor por suas idéias vigorosas, expressas numa eloqüência franca e contundente que alia o rigor lógico e a erudição ao mais temível senso de humor. Nas palavras do poeta Bruno Tolentino, "a capacidade de desenterrar do pensamento antigo novas idéias aptas a lançar luz sobre o presente é a marca do verdadeiro erudito; a capacidade de encarar os problemas do presente com aquela coragem radical apta a trazer à luz os fundamentos últimos do conhecimento é a marca de algo mais que o mero filósofo-padrão de hoje em dia."
Olavo de Carvalho é um iconoclasta de incontornável honestidade intelectual que tomou para si a tarefa ingrata de pôr a nu os falsos prestígios acadêmicos e expôr as falácias do discurso político e intelectual vigente.
A tônica de sua obra é a defesa da interioridade humana contra a tirania da autoridade coletiva, sobretudo quando escorada numa ideologia "científica". Para Olavo de carvalho existe um vínculo indissolúvel entre a objetividade do conhecimento e a autonomia da consciência individual.

Caminho do Peabiru

História

Marcelo Elias/Gazeta do Povo

Caminho nos dias atuais está modernizado e perdeu o formato “escavado”
Antropologia

A verdadeira autoria do Peabiru

Há muito tempo se fala do caminho e de seus ramais, que foram usados por índios, exploradores espanhóis, tropeiros e bandeirantes. Mas apenas estudos recentes têm demonstrado o real traçado do Peabiru e quem, de fato, foi o seu criador

Publicado em 20/09/2008 | Pollianna Milan

O caminho do Peabiru, representado nos mapas como sendo aquele que começa no litoral de São Paulo e atravessa o estado do Paraná, até chegar ao Paraguai, é apenas uma demonstração hipotética. Nunca foi efetivamente comprovado que a estrada original seria esta, assim como outro ponto bastante polêmico sobre o assunto: a quem pertence a autoria do Peabiru? Aos índios tupi-guaranis, aos incas ou a um terceiro grupo? O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Igor Chmyz, da área de pós-graduação em Antropologia Social, estuda o Peabiru desde a década de 70 e, neste ano, tem apresentado algumas conclusões a que chegou durante os quase 40 anos de pesquisa.
A primeira resposta é a de que muitos autores têm defendido, erroneamente, que o caminho foi criado pelos índios tupi-guaranis. Na verdade, a autoria deve ser dada aos índios do tronco Macro-Jê, que são conhecidos por Jê.
Influência dos espanhóis, tropeiros e bandeirantes
Não há dúvidas sobre a existência do Peabiru – o caminho que foi criado e usado pelos índios. O traçado original, entretanto, ainda é uma incógnita. Sabe-se que os caminhos ligavam uma tribo a outra, mas que sofreram modificações ao longo dos anos com a chegada dos dominadores espanhóis, dos tropeiros e dos bandeirantes. Todos eles podem ter usado o trajeto, entretanto, também podem ter aberto outros ramais que até então não existiam, deturpando o que originalmente é o Peabiru. O Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Caminho de Peabiru na Comunidade dos Municípios de Campo Mourão (Necapecam) tem trabalhado para conseguir levantar mais informações sobre o caminho e ainda sobre como viveram esses índios.
Leia a matéria completa
A antropologia, ciência que estuda não apenas as evidências encontradas em sítios arqueológicos, mas o contexto deles no tempo, já conseguiu comprovar que os índios Jê começaram a aparecer no Paraná há 4 mil anos; já os tupi-guaranis apareceram dois mil anos depois. Esse fato comprova um dado interessante. Jê e guaranis eram inimigos, mas os primeiros conseguiram se espalhar por todo o interior do Paraná, por meio dos caminhos porque, ao chegar antes, não encontraram empecilhos (inimigos) para dominar as terras. Somente mais tarde tiveram de entrar em confronto com os guaranis que por aqui chegavam.
Ao estudar as características de cada tribo indígena, Chmyz encontrou uma outra relação dos sítios arqueológicos com o Peabiru. Os índios Jê tinham como prática se comunicar entre aldeias por caminhos. Ao passo que o tupi-guarani utiliza o percurso fluvial, porque são essencialmente navegadores. “Esses últimos chegaram a usar os caminhos em busca da lendária Terra Sem Mal, mas não foram os criadores dele”, explica.
A confusão sobre a autoria do caminho ainda ocorre porque ambos os grupos indígenas eram ceramistas e produtores de alimentos agrícolas. O detalhe é que as cerâmicas dos Jê são semelhantes a um jarro afinado e as do guarani são mais arredondadas. As cerâmicas produzidas pelos Jê foram encontradas em tribos que eram ligadas pelos caminhos, assim como as cabanas que eram produzidas por eles. Os Jê construíam casas cavando o chão, com buracos circulares de até 12 metros de diâmetro e três metros de profundidade para se proteger do rigor do inverno. “Importante notar que o caminho, na sua versão original, era valado. Tinha uma fundura de 40 centímetros e 1,4 metro de largura. Os Jê tinham o costume de cavar”, comenta Chmyz.
A hipótese de que o Peabiru pode ter sido criado pelos incas é totalmente descartada pelo pesquisador. Igor Chmyz explica que os incas aparecem por volta do século 12 nas imediações do lago Titicaca, entre o Peru e a Bolívia. Porém, apenas no apogeu, isto é, no século 14, é que eles expandem o Império que chega a atingir o norte da Argentina, Chile e sobe até a Colômbia – quando foi implantado o sistema de caminho deles. “Isso quer dizer que os nossos, nesta época, já existiam.” As peças encontradas no Peabiru, que são associadas aos incas, provavelmente foram trazidas pelos viajantes do século 16, que também usaram o Peabiru. “Essas peças devem ter se perdido no caminho, porque o retorno dos viajantes era tumultuado. Eles eram perseguidos pelos índios e alguns acabaram morrendo a flechadas.”
Início
A datação histórica do Peabiru é imprecisa, mas sabe-se que o trajeto foi muito usado pelo espanhóis que estavam dominando o interior do Paraná. Nessa época, o caminho passou a ser usado como opção para os exploradores chegarem ao Paraguai. Documentos como os deixados pelo espanhol Álvar Nuñez Cabeza de Vaca mostram que o colonizador usou o Peabiru com a ajuda dos tupi-guaranis. Cabeza de Vaca chegou à costa do Oceano Atlântico e encontrou os guaranis que lhe auxiliaram na missão de chegar até Assunção, no Paraguai. O documento mostra que Cabeza de Vaca entrou por Santa Catarina, chegou ao Paraná, passou pelos campos de Curitiba, seguiu por Castro mas, ao chegar perto de Cascavel abandonou o tronco principal do caminho e pegou um secundário. “Por que ele abandonou o ramal? Justamente porque aquele trecho era dominado pelos índios Jê. Como Cabeza de Vaca era guiado pelos guaranis (os inimigos), ele pode não ter se sentido seguro para seguir adiante. Então muda o percurso. Eis mais uma prova de que os Jê estavam na região”, comenta o professor.
A criação do Peabiru deve ter acontecido antes de 1480, pelos cálculos de Chmyz. Ele chegou a esse resultado quando fez escavações nos túmulos dos índios Jê e encontrou fragmentos de escória mineral, isto é, ferro fundido. “Sabemos que os índios não fundiam ferro, mas devem ter incorporado isto ao ritual de cremação deles pelo significado que aquilo tinha com o europeu”, diz. O curioso é que perto das tribos Jê, na região conhecida como Guairá, mais especificamente na Vila Rica e Ciudad Real – onde estavam os dominadores espanhóis – havia a fundição de ferro para a fabricação de instrumentos agrícolas usados nas reduções jesuítas. “A data de 1480 não bate com a presença do ferro fundido ali, mas se somarmos a datação do carbono 14, que tem uma margem de erro de mais ou menos 95 anos depois de Cristo, chegamos à data de 1575. A Vila Rica do Espírito Santo foi fundada em 1570 e a Ciudad Real em 1554.”
* * * * *
Serviço
Informações contidas no texto também foram coletadas no Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Caminho de Peabiru na Comunidade dos Municípios de Campo Mourão (Necapecam).
Fonte: Gazeta do Povo

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Ministro de Lula quer punir jornalistas

Inversão de valores: Jobim quer punir jornalistas que divulgam grampos e deseja a quebra do sigilo da fonte

Jorge Serrão

O ministro da Defesa praticou ontem seu maior ataque à liberdade de expressão. Durante o depoimento à CPI dos Grampos, Nelson Jobim defendeu mudanças na legislação para punir pessoas responsáveis por vazar informações obtidas em escutas telefônicas, inclusive jornalistas. Jobim também sugeriu que a imprensa possa ser obrigada a revelar suas fontes em alguns casos. “Os senhores terão que prestar atenção não só no interceptador ilícito, mas também no vazador de informações. Se os senhores não fecharem as duas pontas, vai continuar a acontecer o que está acontecendo”.

Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, e que sonha ser candidato à sucessão presidencial de 2010, com o apoio dos banqueiros nacionais e internacionais, Nelson Jobim sugeriu aos integrantes da CPI que façam propostas para alterar a legislação sobre o sigilo da informação jornalística. No debate com parlamentares, Jobim insinuou que os jornalistas podem utilizar o preceito da liberdade de expressão para agir com irresponsabilidade e sugeriu que os deputados considerem se "a liberdade é a mesma coisa que a irresponsabilidade": “Temos que discutir se o sigilo da fonte é ou não absoluto, ou se pode ser relativizado em casos constitucionais. Já há alguns casos em que o Supremo Tribunal Federal relativizou os direitos constitucionais”.

Questionado sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que limitou o acesso a dados sobre escutas legais registradas nas empresas de telefonia, Jobim reclamou que as CPIs são conhecidas fontes de vazamento de dados. Segundo ele, isso ocorre devido à "relação perniciosa que se estabelece entre jornalistas, deputados, ministério público e polícia". Mais uma vez, Nelson Jobim comprovou seu total desapreço pela democracia, que é a segurança do direito individual natural.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que é jornalista profissional, confrontou Jobim e lembrou o ministro dos prejuízos à democracia que resultariam do cerceamento da liberdade de imprensa. Miro citou o ex-presidente americano Thomas Jefferson, defensor da liberdade de imprensa como garantia de uma sociedade livre e segura. Depois pediu que o ministro Jobim se recordasse que só foi possível descobrir que o presidente do STF, Gilmar Mendes, teria sido grampeado por descoberta da imprensa.

Como ministro aposentado do STF, Jobim teria a obrigação de saber que, no Brasil, a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição. Está escrito na Constituição Federal de 1988. Ou não vale mais o que está escrito lá? No Art. 5º está anotado: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

O mesmo artigo se lê: IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;

Nosso texto constitucional (ainda em vigor, até prova em contrário), em seu Capítulo V (Da Comunicação Social) deixa claro em seu Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

No § 1º, está escrito: Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV. No § 2º: É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística. No § 5º: Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio. E no § 6º A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade.

Releia o artigo: Defenda já sua Liberdade de Expressão!

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 17 de Setembro de 2008.

O alfabeto truck

Já imaginou ficar à cata de traseiras de caminhões com letras para formar um alfabeto completo? Trabalhão do Eric Tabuchi que levou quatro anos e milhares de quilômetros percorridos para chegar a esse resultado fantástico e criativo.

via: antenaparanoica

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Rubem Alves - Desfiz 75 anos...

DESFIZ 75 ANOS...
Rubem Alves
MINHA FORMAÇÃO filosófica impõe-me o uso preciso das palavras porque as palavras devem revelar o ser. E é assim, usando de forma precisa as palavras, comunico aos meus leitores que ontem, dia 15 de setembro, eu desfiz 75 anos...
Haverá leitores que se apressarão a corrigir meu uso estranho, nunca visto, da palavra "desfazer", atribuindo-o, quem sabe, a um início do mal de Alzheimer. Todo mundo sabe que, para se anunciar um aniversário, o certo é dizer "fiz" tantos anos. No meu caso, "fiz" 75 anos...
Mas o verbo "fazer" sugere algo que aumenta, um crescimento do ser, o artista e o artesão "fazem"...
Mas, que ser aumenta com a passagem do tempo, esse monstro que devora os seus filhos? O que aumenta é o vazio. Esses anos que o aniversariante distraído anuncia como anos que ele fez são, precisamente, os anos que ele desfez, o tempo que já passou, que deixou de ser, os anos que o tempo devorou.
Por isso acho um equívoco filosófico perguntar a alguém: "Quantos anos você tem?". O certo seria perguntar "quantos anos você não tem?". E ela responderia "não tenho 42 anos", "não tenho 28 anos". Porque esse número de anos indica precisamente os anos que ela não tem mais. Nos aniversários, então, a maneira correta de se dirigir ao aniversariante é perguntando-lhe "quantos anos você está desfazendo hoje?".
Com base nessas reflexões filosóficas acho extremamente estranho e mesmo de mau gosto esse costume de o aniversariante soprar as velinhas acessas para que elas se reduzam a um pavio negro retorcido. Aí, nesse momento, todos gritam e riem de alegria e cantam o "Parabéns pra você", em louvor a essa "data querida..."
Bachelard, no seu delicadíssimo livro "A Chama de uma Vela", que nunca será best-seller, nos lembra que uma vela que queima é uma metáfora da existência humana. Há alguma coisa de trágico na vela que queima: para iluminar, ela tem que morrer um pouco. Por isso ela chora, e suas lágrimas escorrem sobre o seu corpo sob a forma de estrias de cera.
Uma vela que se apaga é uma vela que morre. Algumas velas se consomem todas, morrem de pé, têm de morrer porque a cera já se chorou toda. Outras morrem antes da hora - elas não queriam morrer -, mas veio o vento e a chama se foi.
As velinhas acesas fincadas no bolo não querem morrer. Elas vão ser assassinadas por um sopro. O sopro que apaga as velas é o sopro que apaga a vida...
Por isso não entendo os risos, as palmas e a alegria que se segue ao sopro que apaga as velas. Uma vela que se apaga é um sol que se põe, disse Bachelard. E todo pôr-do-sol é triste... Uma vela que se apaga anuncia um crepúsculo.
Por isso eu prefiro um ritual diferente, ritual que é uma invocação. Eu acendo uma vela pedindo aos deuses que me dêem muitos anos a mais de vida, esses anos que se seguirão, que são o único tempo que realmente possuo...
Assim fiz, acendi uma vela, meus amigos à minha volta. Que coisa boa é ter amigos, especialmente quando o crepúsculo e a noite se anunciam!
Acho que a vida humana não se mede nem por batidas cardíacas nem por ondas cerebrais. Somos humanos, permanecemos humanos enquanto estiver acesa em nós a esperança da alegria. Desfeita a esperança da alegria, a vela se apaga e a vida perde o sentido.

Recebi, via e-mail de minha amiga Bete Maciel, de Fortaleza-Ceará, a mensagem acima, de Rubem Alves, confesso que ainda não o conhecia, procurei em pesquisa via Google, saber quem é essa personalidade e fiquei simplesmente maravilhado pelas obras desse brilhante autor, abaixo sintetizado:
Rubem Alves nasceu no dia 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, naquele tempo chamada de Dores da Boa Esperança. A cidade é conhecida pela serra imortalizada por Lamartine Babo e Francisco Alves na música "Serra da Boa Esperança". É um psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, é autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis.

"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos
fragmentos de futuro em que a alegria é servida como
sacramento, para que as crianças aprendam que o
mundo pode ser diferente. Que a escola,
ela mesma, seja um fragmento do
futuro..."
Rubem Alves

domingo, 14 de setembro de 2008

Gramscismo

DEVASTAÇÃO GRAMSCISTA
Ipojuca Pontes

Prosseguindo no exame do panorama político-ideológico predominantemente esquerdista que se abate sobre a vida cultural brasileira, há que se destacar a presença do pensamento de Antonio Gramsci, seguramente mais eficiente do que as ações do Djanovismo soviético e da Escola de Frankfurt na criação das “condições objetivas” para se chegar a um “outro mundo possível” - vale dizer, estabelecer por aqui uma sociedade comunista. Para quem não sabe, Gramsci foi o secretário-geral do PC italiano que Benito Mussolini, em 1926, instituindo o “tribunal especial para a defesa do Estado”, condenou a 24 anos de prisão, depois de considerá-lo um “cérebro perigoso”. Confinado na penitenciária de Turi (na província de Bari, Puglia) Gramsci - cujo pai, Francesco, foi condenado a 5 anos de prisão por peculato e extorsão - arquitetou, em 33 cadernos escritos no cárcere, o mais diabólico esquema estratégico para a tomada do poder pelos socialistas em geral e os marxistas em particular. Com efeito, embora fugindo à estratégia de assalto direto ao poder preconizado por Lenin, cujo cerne é a violência revolucionária, os objetivos gramscistas sãos os mesmos de Marx, Engels, Lênin e Fidel Castro, qual seja, destruir o capitalismo para firmar o “Estado Regulado”.

De fato, com Antonio Gramsci - “Il Gobbo” (“O Corcunda”) - a “transição para o socialismo” ganharia novos contornos estratégicos: ao invés da “guerra de movimento” instituída por Lenin, os socialistas ocidentais, em face do fracasso da revolução bolchevique fora da Rússia, apelariam para a “guerra de posição”, metódica e segura, a ser conduzida pelo “intelectual orgânico” com o respaldo da “sociedade civil organizada”. O objetivo, a longo prazo, seria a defenestração da burguesia e suas instituições de poder, mas, agora, pela via da “revolução passiva”. Em vez do Estado burguês, a hegemonia do Estado passaria às “classes subalternas”.

Para administrar as sucessivas crises fomentadas no Estado democrático tradicional - uma condicionante fundamental na estratégia da “transição para o socialismo”-, Gramsci aponta como obrigatória a organização das “classes subalternas” a partir da mobilização de “aparelhos privados de hegemonia” - estes, considerados alicerces básicos para a formação da nova Sociedade Civil. Por “mobilização de aparelhos privados de hegemonia”, o teórico comunista compreende as distintas ações subversivas do partido-classe, sindicatos, associações, organizações não-governamentais (Ongs), etc., todos atuando para minar as “trincheiras” e os núcleos de “defesa” da sociedade capitalista.

Caberia ao intelectual “orgânico” o papel de buscar a adesão da sociedade civil pela penetração cultural e a detonação da guerra psicológica contra as instituições representativas do parelho hegemônico do Estado democrático tradicional. Na sua lógica “transformadora”, Gramsci considera todo mundo como intelectual, deste o sapateiro até o escriturário, passando pela enfermeira, etc., a formar, no fundo, a massa de manobra para servir de pasto à manipulação ideológica esquerdista.

O intelectual “orgânico”, na nova estratégia revolucionária, deve conquistar, entre os demais integrantes da sociedade, a adesão do “intelectual tradicional” (burguês), desde que este aceite o papel preponderante do partido-classe - o “príncipe moderno”, na linguagem cifrada de Gramsci - como dirigente e formador do novo “consenso”, objeto final da “guerra de posição”, a etapa avançada de mobilização na “transição para o socialismo”.

(O que venha ser partido-classe, o próprio Gramsci, nas suas “Notas sobre Maquiavel”, assim o define: “O moderno Príncipe desenvolve-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que o seu desenvolvimento significa, de fato, que todo o ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio príncipe moderno e serve ou para aumentar o poder ou para opor-se a ele. O príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”).

Para estabelecer o “consenso”, o gramscismo labora dia e noite na imposição de um novo senso comum, o conjunto de valores, crenças, costumes, tradições e o modo de pensar prevalecente no seio da sociedade tradicional. A concepção monstruosa do corcunda pretende nulificar o ser humano para, em seguida, por “dentro”, dar-lhe nova formatação, gerando assim uma espécie de Frankstein coletivo.

Hoje, não há como negar, a sociedade brasileira já sofre os efeitos deletérios da estratégia gramsciana para chegar ao governo hegemônico das “classes subalternas”. Facções de organizações não-governamentais, partidos políticos, setores universitários, meios de comunicação em geral, as artes, produção editorial, a igreja, a justiça, o governo, etc. - juntos na tarefa ingente de formar o “consenso” antes do bote final -, desmontam os valores culturais do Brasil tradicional, rearticulando novos conceitos de sociedade nacional (“sociedade civil”), de cidadão (“cidadania”), de opinião individual (opinião coletiva “politicamente correta”), de legalidade (“legitimidade”), etc., numa lavagem cerebral sem precedentes na história da nação.

A “guerra de posição” de Gramsci, claro, não subestima a alternativa de, no momento oportuno, se associar à “guerra de movimento” preconizada por Lênin, que envolve a violência das armas. Mas prefere, em vez disso, ter como arma a incessante manipulação de aulas, discursos, palestras, livros, noticiário da imprensa, filmes, novelas, shows musicais, peças teatrais, para chegar, afinal, por outros caminhos, ao velho, totalitário e criminoso regime comunista.


(-Veja: postado em 26/08/08 - O QUE É GRAMSCISMO)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Importância das Virtudes

O retorno da bondade

Edward Skidelsky

As tradições éticas do mundo pré-moderno concentravam-se nas qualidades do caráter responsáveis por uma vida boa e feliz - as virtudes. A natureza exata dessas virtudes era uma questão aberta à discussão. Os antigos gregos identificaram a coragem, a temperança, a prudência e a justiça. Os cristãos acrescentaram a fé, a esperança e a caridade à lista, e rebaixaram o orgulho (que para os pagãos era uma virtude) a um vício. Outras virtudes foram exaltadas em caráter mais temporário. A Renascença enaltecia a intrepidez, os puritanos a parcimônia e a labuta. O Oriente tem as suas próprias tradições. Confúcio enfatizava a devoção filial, Lao-Tsé a espontaneidade. Mas todos concordavam que as virtudes - algumas virtudes - devem ser o cerne da vida moral.

As virtudes, para essas tradições pré-modernas, são as excelências naturais da espécie. Elas são para nós aquilo que a velocidade é para o leopardo ou a força para o leão; elas não são uma questão de escolha ou auto-expressão. Isso não quer dizer que elas desenvolvam-se sem auxílio. As virtudes exigem anos de treinamento - não é possível possuir a virtude da gratidão, a menos que se aprenda outras virtudes básicas. E este treinamento não termina após a infância. Durante toda a vida, as virtudes podem ser encorajadas, ou mesmo exigidas, por meio de arranjos legais criados para minimizar a tentação.

A lei é parte da moralidade, e não um conjunto de leis de trânsito criadas para evitar colisões. O Estado é uma associação de pessoas reunidas para liderarem a vida correta, e não um vigia noturno ou um patrulheiro de fronteira. Estas várias tradições pré-modernas, orientais e ocidentais, representam um estilo de pensamento sobre a ética que tornou-se quase ininteligível para nós. Passamos a pensar na moralidade como sendo um sistema de direitos e obrigações, e no problema filosófico como a questão de definir estes direitos e obrigações. Mas onde não existe direito ou obrigação, a moralidade silencia. Um homem que, tendo cumprido as suas obrigações para com os outros, senta-se com uma caixa de latas de cerveja para assistir a pornografia o dia inteiro na televisão pode ser tolo, repugnante, vulgar e assim por diante, mas, rigorosamente falando, ele não é imoral. Isto porque, conforme se diz, ele está "dentro dos seus direitos".

Na verdade, dentre as quatro virtudes gregas clássicas mencionadas anteriormente, apenas a justiça é, para a visão moderna, uma qualidade indiscutivelmente moral, já que apenas a justiça diz repeito essencialmente a direitos e obrigações. Assim, a tendência caracteristicamente moderna é reduzir a totalidade da moralidade à justiça, relegando o resto a uma questão de sensibilidade e gosto.

Mas, abaixo da superfície, as tradições pré-modernas continuam vivas. Só podemos sentir admiração pelos episódios de coragem e de contenção de desejos e interesses próprios. E só podemos sentir repugnância pela avareza e pela indolência. E tais reações não são meramente esnobes ou estéticas; elas estão fortemente vinculadas às reações mais estritamente morais de respeito e indignação. Mas a nossa linguagem pública nos proíbe de reconhecer essa conexão, obrigando-nos a disfarçar aquilo que está na raiz das respostas éticas, como se fosse algo totalmente diferente.

Por exemplo, a hostilidade ao fumo - o que no fundo é uma aversão moral à intemperança - tem que ser disfarçada de preocupação com a saúde pública ou com os direitos dos não fumantes inocentes que são obrigados a inalar a fumaça. É por isso que se enfatiza tanto o conceito (espúrio) de fumante passivo.

A ética das virtudes injetou uma vida nova na filosofia da moral. Ela salvou esta filosofia da aridez e colocou-a em contato com a teologia, a literatura e a história. Mas a influência da ética das virtudes no chamado "mundo real" tem sido nula. Nesta área, se houve movimento, foi na direção oposta, com diretrizes e metas engolindo aquilo que no passado era o reino da decência e do senso comum.

A ética das virtudes transformou-se, assim, em mais um jogo acadêmico, sutil e irrelevante. Sem disposição para apresentar energicamente as suas conclusões até um ponto em que estas conflitem com a ordem política vigente, ela retirou-se para o seu próprio jardinzinho. Uma figura destaca-se como exceção. Alasdair MacIntyre sempre insistiu que a linguagem das virtudes só faz sentido no contexto de um estilo de vida comunitário, e, portanto, em estado de tensão com o liberalismo - um sistema político que subverte todos os estilos de vida comunitários. O diagnóstico que MacIntyre fez do problema continua sendo essencialmente o mesmo após 50 anos: o que mudou foi a sua solução.

O seu trabalho inicial, escrito sob a influência do marxismo, procura a política como canal de ação. Mas, no seu clássico de 1981, "After Virtue" ("Após a Virtude"), ele aceita a tese de Max Weber de que todas as revoluções acabam prisioneiras da burocracia. A nossa única esperança reside em uma retirada do cenário político, em um novo monasticismo. "Neste estágio, o que importa", conclui MacIntyre com uma veia profética, "é a construção de formas locais de comunidade dentro das quais a civilidade e a vida intelectual e moral possam ser sustentadas no decorrer das idades das trevas que já caem sobre nós... Não estamos esperando por Godot, mas por um outro - sem dúvida bem diferente - São Benedito".

MacIntyre não entra em detalhes. Temos que adivinhar que forma um novo São Benedito assumiria. Não há dúvida de que ele não seria um cristão ortodoxo. A velha fé foi elaborada para um mundo de pobreza; ela não fala dos dilemas decorrentes da afluência. Mas uma nova fé que está emergindo poderá falar sobre esses dilemas.

Um pequeno exemplo pode ser encontrado na Bolha de Tinker, uma pequena comunidade residencial localizada em Somerset, na Inglaterra. Lá, um grupo de ambientalistas cuida de uma área de 13 hectares de floresta, pomares e pastagens. A propriedade da terra é coletiva. Não há eletricidade proveniente da rede elétrica e nem combustíveis fósseis. A energia elétrica é produzida por painéis solares e por um motor a vapor movido a lenha. O objetivo da comunidade é "viver suavemente sobre a terra" - a fim de contribuir o mínimo possível para a futura catástrofe ambiental. A Bolha de Tinker faz parte de um universo crescente de comunidades do gênero, todas elas vinculadas por uma disciplina digna do São Benedito histórico.

É fácil zombar do ambientalismo radical. As suas projeções climatológicas são muitas vezes duvidosas e, ainda quando são acuradas, não está claro como um punhado de entusiastas poderia evitar o apocalipse vindouro. Mas fazer isso é perder de vista aquilo que tem importância. O movimento verde pode falar a linguagem da ciência, mas o que realmente o impulsiona é um imperativo ético. Ele é uma tentativa de criar uma sociedade na qual algumas escolhas sejam reconhecidas como melhores do que outras, e em que a natureza seja vista como fator de contenção do desejo incontrolado.

Em suma, é uma religião - uma religião sem Deus. É para tais iniciativas espontâneas dos fiéis, e não para os estalos da maquinaria do Estado, que devemos nos voltar a fim de restaurarmos a vida da linguagem das virtudes.

Edward Skidelsky é professor de filosofia na Universidade de Exeter. O seu livro "Ernst Cassirer: The Last Philosopher of Culture" ("Ernst Cassirer: O Último Filósofo da Cultura") será lançado em breve pela editora Princeton University Press.

Tradução: UOL

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Pensadores Brasileiros - Roberto Campos

Em berço esplêndido
Roberto Campos
Domingo 16 de janeiro de 2000

A recente republicação pela Editora TopBooks, do livro do embaixador Meira Penna 'Em Berço Esplêndido' constituiu para mim uma festa cultural de fim de ano, pela espantosa erudição do autor, um corajoso defensor do liberalismo.

Dizia o filósofo Schopenhauer que os primeiros 40 anos da vida humana são 'o texto'; os 30 subsequentes são 'comentários''. Nada diz sobre o resto, pois morreu aos 72 anos. Presume-se que a partir dos 70 a gente vire nota de rodapé.

Orgulho-me de que na minha geração do Itamaraty sobrevivem setentões e oitentões que são campeões de erudição, como Oscar Lorenzo Fernandes (economista, matemático, filósofo e historiador), Mario Vieira de Mello (filósofo e cientista político) e José Oswaldo de Meira Penna, proprietário de cultura ecumênica, que vai da filosofia à sociologia, à psicologia e à literatura.

Felizmente, nenhum deles virou nota de rodapé. Infelizmente, nenhum deles atingiu posições de comando na máquina burocrática de nossa política externa. Zelosos de sua independência crítica, nunca se filiaram às 'igrejinhas' que confundiam deformações ideológicas com 'Realpolitik'.

Durante certo tempo, inclusive em fases do período militar, um diplomata 'progressista'' tinha que demonstrar capacidade de saborear um coquetel maldito, com os seguintes ingredientes: uma pitada de anti-americanismo (como uma espécie de machismo residual); uma dose de esquerdismo (suficiente para provar imunidade ao capitalismo liberal); um toque de paranóia desenvolvimentista (apoio à política de informática e ao acordo nuclear com a Alemanha, que gerou mais dívidas que kilowats); um verniz de terceiromundismo custoso e ingênuo (como se a liderança na gafieira compensasse a bola preta recebida no Country Clube).

Esse coquetel seria impalatável para alguém como Meira Penna, que sempre preferiu Adam Smith a Karl Marx, Hayek a Keynes, Yung a Freud, o liberalismo ao socialismo. Em vez de paparicar mitos e preconceitos, dedicou-se ele à tarefa de Eutzauberung (desencantamento ou desmistificação), que Weber considerava prelúdio indispensável da racionalidade econômica.

Foi o que fez em vários livros como os de minha trilogia preferida 'A psicologia do subdesenvolvimento' (1972), 'O espírito das Revoluções' (1997) e o 'Em berço esplêndido', agora revisto em função das grandes transformações trazidas pelo colapso do socialismo.

Solidários na angústia, Meira Penna e eu nos temos preocupado ao longo dos anos com a pergunta irrespondida: por que o Brasil continua pobre e subdesenvolvido? A pergunta é sobretudo vexatória agora que o país completa 500 anos, 107 anos a mais que a primeira colonização inglesa na Virginia, da qual resultou a maior superpotência que o mundo já conheceu.

Com minha deformação profissional de economista, limito-me a explicar nosso atraso em função da 'doença dos ismos': o nacionalismo (temperamental), o populismo (perdulário), o estruturalismo (inflacionário), o estatismo (intervencionista) e o protecionismo (anticompetitivo).

Há inúmeras explicações sociológicas, que enfatizam fatores culturais, como a herança ibérica, ora com pessimismo racial (Oliveira Vianna), ora com uma visão condescendente da miscegenação (Gilberto Freire). Não faltam os reducionistas que recorrem a determinismos raciais ou climáticos, supostamente limitativos das civilizações tropicais.

Meira Penna é bastante original em usar o instrumental de Carl Gustav Yung para submeter nossa história a um exame de psicologia coletiva. Como é sabido, das três grandes vertentes da psicoanálise, Freud enfatiza a libido pansexual, Adler o instinto do poder e Yung o dualismo entre a atitude extrovertida, voltada para o mundo exterior e a atitude introvertida concentrada sobre imagens e sensações interiores.

Meira Penna sublinha com razão a básica polarização da cultura ocidental entre um setor nórdico e um setor mediterrâneo, tendo o primeiro contribuído maciçamente para a expansão técnico/científica, e o segundo para as artes e o humanismo.

Prometeu e Fausto seriam protótipos do primeiro, Epimeteu é Dom Juan, do segundo. Neste continente, os Estados Unidos e os ex-domínios britânicos seriam parte da cultura nórdica, enquanto o Brasil com sua 'civilização morena'' carrega a herança mediterrânea do patrimonialismo afetivo. Contrapõem-se assim a civilização lógico-pragmática com a civilização erótico-intuicionista.

Meira Penna faz uma crítica impiedosa mas salutar dos nossos vícios do familismo paternalista, da dependência do Estado como se fossemos infantes perpétuos, e de nossa inconfiabilidade na execução contratual, em contraste com o pragmatismo racional de nossos irmãos do norte. Este 'sustenta a responsabilidade abstrata do cidadão', facilitando tanto a implantação da democracia como a competição no mercado.

No afã de exemplificar arquétipos junguianos, Meira Penna produziu belas passagens literárias sobre a introversão quase desumana dos personagens de Machado de Assis, capazes de paixões pessoais porém insensíveis a pessoas abstratas, sobre a energia primordial da libido descrita no 'Gabriela, cravo e canela' de Jorge Amado, assim como em dissertações eruditas sobre a simbologia do segundo Fausto de Goethe e do drama shakespereano de Otelo, que simboliza a construção racional por sua sombra Iago, de um ciúme irracional e autodestrutivo.

A desconstrução por Meira Penna de mitos e tabus de nossa cultura morena é uma contribuição importante para nossa transformação 'liberal' tanto em política como em economia.

Mas fica sempre a dúvida cruel: haverá salvação para um país que em seu hino nacional se declara 'deitado eternamente em berço esplêndido' e cujo maior exemplo de dinâmica associativa espontânea é o Carnaval?

ROBERTO DE OLIVEIRA CAMPOS
Nascimento: 17/04/1917, Cuiabá, Mato Grosso, Brasil
Filiação: Waldomiro Campos (professor) e Honorina de Campos
Falecimento: 09/10/2001, Rio de Janeiro, Brasil
Político, economista, diplomata (1939), professor e escritor; Embaixador em Washington e Londres, participa da criação do Banco Mundial e do FMI; Ministro do Planejamento e Coordenação Econômica de Castelo Branco; criador do FGTS; da Caderneta de Poupança e do BNDE; eleito para a ABL, Cadeira 21.

domingo, 7 de setembro de 2008

Folclore de Deus-Paulo Mendes Campos

FOLCLORE DE DEUS
Paulo Mendes Campos

Para Deus, tudo dos homens é o mesmo folclore: o cego Deraldo e Goethe, o inventor da roda e Einstein, Vitalino, de Caruaru, e Rodin, a Saudade de Ouro Preto e a Heróica; Lampião e Napoleão são rimas aos ouvidos de Deus.

O sabugo de milho vira foguete nas mãos do menino, mas o foguete vira sabugo nas mãos transespaciais de Deus.

Para Deus, tudo dos homens é a mesma simplicidade:

Paulo corre atrás da bola; Eva Curie viu a ave; vovô Freud viu o ovo.

Deus acha graça em todos os elementos.

Há doenças dispendiosas que se tratam anos a fio em hospitais suntuosos; há homens fortes que (só) carregam nos estádios o secreto câncer de viver; mas para Deus todas as doenças são dores de cabeça.

Para Deus, todos os homens são pobres: mendigos das esquinas de Wall Street, indigentes dos cartéis de aço, flagelados dos subterrâneos petrolíferos; mas Deus prefere os pobres sinceros, e os faz invisíveis.

Deus é o único hipnotizador: crescei e multiplicai-vos.

E os homens inventam passagens sobre e sob o rio, semânticas, paixões assassinas; de mãos cruzadas o olhos estarrecidos, a gente acorda.

Deus é a moeda clandestina em um país estrangeiro: pobres de nós se confundimos a sua efígie de ouro de lei com o perfil niquelado de César.

Para Deus, todos nós somos loucos metidos em camisas de onze varas: sobre os ombros do paciente ele corteja os graus da certeza neurótica do analista.

O que seguras em tua mão é aquilo que te prende; o que possuis é aquilo que te priva; mas Deus diz: bebe a água sem bebê-la; anda por toda a parte sem ir a parte alguma.

Na semente, Deus é a árvore; na árvore, Deus é a semente.

Onde a palavra começa, a palavra acaba, e aí está Deus.

Para Deus, todos os homens levam nos bolsos objetos escondidos: selos antigos, uma esfera de aço, um anzol enferrujado, um canivete sem folha; por isso é preciso, de pena de nós mesmos, fazer força para não chorar.

Pois todo menino enterra seu tesouro.

Deus é a luz, e assim a energia é a matéria multiplicada pelo quadrado da velocidade de Deus.

Deus dá nozes a quem tem dentes: ao funâmbulo estende as cordas; o sofrimento, Deus dá a quem tem alma; a alegria, essa Deus a reservou a quem não tem nada.

Deus é o grande madrugador: ele estava de pé entre folhagens portentosas na aurora do mundo; e ele andava em ti enquanto dormias.

Mas Deus é também o grande boêmio: ele passou por tua noite quando bebias teu penúltimo copo de vinho; talvez não o viste, mas todos os teus sentidos se alertaram, e bebeste um gole inquieto e enxugaste o teus lábios com o dorso da mão e sentiste saudade de tua casa.

Deus é a chave de ouro do poema; mas as outras 13 chaves pendem de teu chaveiro; e os metais de tuas chaves abrem aposentos de frustração, onde não te encontras.

Deus é o guardião, a zaga, o meio apoiador, o ponta-de-lança e o entendimento misterioso entre as linhas; o ferrolho não prevalecerá contra ele; por isso as multidões vibram com seu virtuosismo.

Para ele, o homem primitivo será o último homem, e o primeiro homem foi o único sábio.

Sendo o centro do círculo, todos os pontos que formam o tempo são eqüidistantes de Deus.


PAULO MENDES CAMPOS

Nascimento: 28/02/1922, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
Falecimento: 01/07/1991, Rio de Janeiro, Brasil

O jornalista, poeta e tradutor Paulo Mendes Campos (1922- 1991) nasceu em Belo Horizonte e ficou conhecido como um dos "Quatro Cavaleiros de um íntimo Apocalipse", ao lado de Fernando Sabino, Hélio Pellegrino e Otto Lara Resende. No passado, os quatro escritores e amigos se reuniam para trocar informações e, depois, percorriam juntos as ruas da capital mineira, fato que deu origem ao apelido do grupo.



7 DE SETEMBRO

Hino Nacional


sábado, 6 de setembro de 2008

Música com sons do Windows XP e 98!

Uma "Canção do Windows", criada a partir dos sons dos defeitos com os quais vem configurado o Windows 98 e o Windows XP é uma sensação na Internet.
Alguém pode até duvidar que isso tenha sido feito baseando-se apenas nesse critério, mas é verdade. O que chama a atenção é o tempo que alguém deve ter levado para reunir tudo isso e conseguir harmonizar a música.
A curiosa canção do windows:

Caso você não reconheça alguns desses sons ou simplesmente não acredite que isso seja verdadeiro, no final do vídeo são detalhados todos os sons utilizados.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Morre o cantor e compositor Waldick Soriano

O cantor e compositor Waldick Soriano morreu na manhã de hoje aos 75 anos. Ele estava internado desde o último domingo (31) no Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro, onde tratava de um câncer na próstata, diagnosticado há dois anos.
Nascido na Bahia, na cidade de Caetité, Waldick Soriano tornou-se ícone da música brega. Entre suas canções de maior sucesso estão "Eu não sou cachorro não", música que ganhou uma versão satírica de Falcão, e "Tortura de amor".
Antes de ingressar na carreira artística, Waldick Soriano trabalhou como lavrador, engraxate e garimpeiro.
A carreira musical deslanchou nos anos 50, com a música "Quem és tu?". Suas músicas se caracterizavam por tratar de relações amorosas, traições e de "dor de cotovelo".
Além disso, o cantor ficou famoso por seu visual: sempre usava roupas negras e óculos escuros.
Waldick Soriano gravou 28 discos ao longo de mais de 40 anos de carreira.
No ano passado, o cantor foi tema do documentário "Waldick, Sempre no Meu Coração", dirigido pela atriz Patrícia Pillar. Também teve a carreira radiografada no livro "Eu não sou cachorro, não - Música popular cafona e ditadura militar", do historiador e jornalista Paulo César de Araújo
O cantor era casado e deixa oito filhos.

Informação da UOL

Waldick Soriano - Paixão de Um Homem + Eu Nao Sou Cachorro Não

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Um Rio de Luzes no Aeroporto de Madri



As imagens passam de forma veloz. Nelas, um rio de luzes indo e vindo no ar e na terra. São imagens que encantam os olhos de quem as vê.
A sequência está em Vimeo e também em HD (alta definição) com excelente reprodução em tela grande. Aumente a tela do computador e veja que beleza da recriação de como é a vida no aeroporto de Madri. Tudo «em câmera rápida».

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Morre o empresário Olavo Setubal, do Itaú

Morreu, ontem de manhã, o banqueiro Olavo Setubal, o grande empreendedor do grupo Itaúsa – Banco Itaú, Deca, Duratex, Itautec. Estava com 85 anos.
Perfil de Olavo Setubal
Com a premissa de que não se cresce sem assumir riscos, o banqueiro e empresário Olavo Egydio Setubal assumiu o comando do Itaú no final dos anos 50. Na diretoria-geral, liderou o crescimento do banco, antes com atuação restrita ao Estado de São Paulo e com apenas 31 pontos de atendimento.

Já nos anos 70, chegou ao posto de segunda maior instituição financeira do País e hoje conta com mais de 2,8 mil agências em todo o Brasil e presença no exterior.

Antes de virar banqueiro, o paulistano Setubal foi empresário. Nascido em 16 de abril de 1923, se formou em engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em 1945. Dois anos depois, fundou a Deca com o amigo e também engenheiro Renato Refinetti. O sucesso no empreendimento fez com que o seu tio, Alfredo Egydio de Souza Aranha, o convidasse para trabalhar na instituição financeira fundada por ele em 1945, o Banco Central de Crédito S.A.

Esse banco incorporou, em 1964, o Itaú, que antes pertencia a um grupo de empresários mineiros. Na ocasião, passou a ser conhecido como Banco Federal Itaú S.A. e Setubal ficou no cargo de diretor-geral. Outras instituições foram incorporadas durante a gestão do banqueiro, mas ele nunca conseguiu levar o grupo ao posto de maior banco privado do País.

Setubal considerava que o maior banco privado do Brasil era fruto do gênio de seu fundador, Amador Aguiar, e o Itaú, fruto de uma lógica racional. Para ele, o futuro dirá se os frutos dos gênios conseguem resistir a várias gerações, enquanto os frutos da lógica sempre sobreviverão.

Não foi só na expansão do Itaú que Setubal atuou. Também ajudou na administração da Duratex, que pertencia ao seu tio e na época enfrentava dificuldades financeiras. Hoje, a Deca faz parte do grupo Duratex, que pertence à holding Itaúsa.


Administração pública

Além de banqueiro e empresário, também foi político. Em 1975, sob indicação do governador Paulo Egidio Martins, assumiu a Prefeitura de São Paulo, posto que ocupou até 1979. Nesse período, se orgulha de ter investido no transporte público, que considerava um ponto fundamental de sua gestão. Inaugurou a segunda fase da linha norte-sul do metrô e iniciou as obras da leste-oeste. Além disso, passou o Metrô e a Comgás para as mãos do Estado e unificou vários departamentos de trânsito do município em uma única secretaria, a de Vias Públicas. Dizia que administrar a cidade era algo fantástico, mas que dava muito mais trabalho do que presidir um banco. E brincava que a remuneração era bem mais baixa.

Em 1979, retornou ao Itaú como diretor-presidente, cargo que ocupou até 1985, quando foi convidado para ser ministro das Relações Exteriores no governo José Sarney. A partir dessa data, se afastou definitivamente da direção do banco. Ao sair do governo federal, no ano seguinte, foi pré-candidato pelo PFL ao governo de São Paulo em 1986. Sem ser escolhido pelo partido, abandonou a carreira política. Assumiu a presidência do Conselho de Administração do Itaú naquele ano e também o comando da Itaúsa. Passou a presidir o conselho da holding em abril de 2001.

Rotina

Desde 1994, Roberto Egydio Setubal, o quarto de seus sete filhos, atuava como presidente-executivo do Itaú. Até ficar doente e ser internado, ia todos os dias no prédio-sede do banco, no bairro do Jabaquara, onde aconselhava seu filho e também almoçava constantemente com diretores do banco. A rotina só não era cumprida quando viaja ao exterior. Costumava passar dois meses por ano fora do país.

Sobre o Brasil, Olavo Setuba avaliou de que o País tinha nas últimas décadas melhorado em vários aspectos, menos na segurança pública, e que era importante avançar sempre de forma lenta, mas continuamente. Defensor da estabilidade monetária, temia e adoção de propostas "mágicas" com o intuito de resolver todos os problemas existentes. Na avaliação do banqueiro, era preciso buscar a melhor distribuição de recursos possíveis, sem ser idealista.

*Com informações da Agência Estado

Carlinhos Veiga no Viola Brasil - Pagode em Brasília


Carlinhos Veiga e sua banda se apresentam no programa Viola Brasil, do violeiro Chico Lobo. Mostram aqui um arranjo particular de "Pagode em Brasília", uma canção referência no cenário da música caipira brasileira. A banda de Carlinhos (viola caipira e voz) é formada por Sandro Araújo (percussão), Enos Marcelino (sanfona) e Pedro Veiga (baixolão).

PEDRO DA VEIGA ESTÁ NA HISTÓRIA


Pedro da Veiga participou dos acontecimentos marcantes de Campo Mourão - Paraná

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A PUBLICIDADE NO BRASIL


PEQUENAS DITADURAS, GRANDES NEGÓCIOS, ENORMES MENTIRAS

Com satisfação li o artigo de Sergio Malbergier na Folha on-line de 24/07. Sergio Malbergier põe o dedo na ferida da Publicidade no Brasil.
No recente IV Congresso de Propaganda, João Roberto Marinho e Roberto Civita, criticaram a Censura do TSE (revogada posteriormente) pelas entrevistas promovidas com a prefeiturável Marta Favre, na Folha de São Paulo e na Veja: Ponto para o João Roberto
Porém,durante todo o Congresso, nenhuma palavra a respeito da ética que deveria nortear a atuação de publicitários, quando o assunto marketing eleitoral. Marcos Valério e Duda Mendonça, salvo engano são publicitários e nos últimos anos se envolveram em todos os tipos de negócios ilícitos: Marcos Valério, com o caixa 2 do Petê, recentemente mas, passando pelo caixa 2 do então candidato Azeredo (aquele que quer calar a Internet) e Duda Mendonça, com o caixa 2 de Marcelo Alencar (1997) e altamente comprometido com caixa 2 do Petê que elegeu - queira elle ou não - Lulla.
Estranho mundo da Publicidade que exige o fim da Censura de um lado e permite ou se locupleta com corruptos de toda espécie, que desviam o dinheiro que falta ao SUS, na Educação e na Segurança. São pequenas ditaduras como essa que dão força moral ao nosso pequeno aprendiz de ditador, para sonhar com a perpetuação no poder; pessoalmente ou com algum preposto.
Agora, falta aparecer um jornalista, não comprometido ideologicamente com o poder ou corrompido pelo governo, que comece a desvendar o estranhíssimo mundo de outra ditadura: a das pesquisas. Essas pesquisas encomendadas, ou por amigos do pesquisado ou - no caso de São Paulo - por inimigos do pesquisado, são altamente suspeitas e, no meu entender, visam apenas a justificar o resultado final de uma eleição que será, novamente, comandada - onde o Rei tiver mais interêsse - por computadores.
E por falar em ditaduras, os traficantes do Rio também têm os seus candidatos preferidos. Esses empreendedores do vício exercem, livremente, todo o seu poder intimidatório para influenciar os Sem Segurança para elegerem os seus candidatos: VEJAM NO VÍDEO ABAIXO E NA TRANSCRIÇÃO...(PV).
Alguns ganham eleição imputando aos rivais o fim do bolsa família, manipulando pesquisas ou dando uma "azeitada" nas urnas, outros usam uma AK-47 ou uma AR-15; é tudo uma questão de estilo.



Criminosos estariam pressionando eleitores na escolha do voto. Uma carta apreendida na Rocinha pode comprovar o envolvimento de traficantes com candidatos e até a Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados entregou uma série de denúncias à Polícia Federal.
O documento foi entregue em Brasília nesta quinta-feira
(Julho 24, 2008), mas as denúncias se referem às eleições no Rio. O presidente da Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados, Raul Jungmann, esteve na Polícia Federal com um levantamento sobre a intimidação de eleitores em várias comunidades do Rio.
O relatório não foi detalhado, mas, segundo Jungmann, cerca de um milhão de cariocas estão sendo coagidos por traficantes ou milicianos que estão interferindo nas campanhas eleitorais. O deputado Raul Jungmann citou dois casos, Claudinho da Academia, presidente da Associação de Moradores da Rocinha e Jorginho, ex-presidente da Associação de Moradores do Alemão.
Ele fez um alerta sobre as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): “No caso específico da Polícia Federal, eu vim trazer informações a respeito de ameaças de morte, de territórios onde só um candidato pode participar e também uma preocupação: na Rocinha, hoje, e também no Alemão, onde a gente sabe que existem obras do PAC, candidatos como Claudinho, no caso da Rocinha, e Jorginho, no caso do Alemão, que são ligados ao tráfico, estão controlando, exercendo algum controle sobre as obras do PAC”.
Um documento encontrado pela polícia também pode confirmar como agem os bandidos. Na operação feita nesta quinta-feira de manhã na Rocinha, a polícia apreendeu uma carta na casa do traficante que comanda a venda de drogas no morro.
Os agentes acreditam que seja a ata de uma reunião. Nela, os criminosos fazem uma exigência: total apoio da comunidade a um candidato da favela.
De acordo com a polícia, o documento é endereçado a várias lideranças da Rocinha. Os traficantes chegam a dizer que não vão aceitar a derrota e que outros candidatos não devem fazer campanha no morro.
Os criminosos dizem também que quem não comparecer nas reuniões será buscado em casa. “Eles estão pedindo apoio a uma determinada pessoa e ela vai ter todos os votos daquela região com uma força política bem forte“, explica o delegado Ronaldo Oliveira.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) confirmou que tem recebido denuncias de ameaças aos eleitores e não só sobre o tráfico de drogas.
Essa semana, a polícia prendeu em flagrante o deputado estadual do Partido Democratas (DEM), Natalino Guimarães, acusado de chefiar uma milícia em Campo Grande, na Zona Oeste. Ele é irmão de outro político também preso pelas mesmas acusações, Jerominho Guimarães, que é vereador pelo PMDB e está na cadeia desde dezembro do ano passado.
Juntos, os irmãos controlariam mais de 30 comunidades, segundo a polícia, mas eles dizem que são inocentes.

O TRE diz que a intimidação de eleitores e candidatos pode dar até quatro anos de prisão e o político envolvido pode perder os direitos.
“É uma questão de política de segurança pública e realmente agora, no período eleitoral, está tomando uma proporção inaceitável. Por isso, solicitamos o apoio da Polícia Federal que a quem compete investigar a prática de crimes eleitorais”, afirmou Luiz Márcio Pereira, coordenador de propaganda do TRE.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, esteve no Rio em uma reunião na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ele disse que a Polícia Federal vai investigar todas as denúncias. “Isso é dessa situação de anomalia que tem nessas regiões. Isso precisa ser combatido e a Polícia Federal está a disposição do tribunal para fazer as investigações que forem necessárias”, declarou Tarso Genro.

Claudinho da Academia, candidato a vereador pelo PSDC, não foi encontrado para falar sobre o caso. Jorginho do SOS, vereador do DEM candidato a reeleição, negou qualquer envolvimento com traficantes.

A Polícia Civil informou que vai encaminhar o documento apreendido na casa de um bandido da Rocinha à Polícia Federal.

A Secretaria Estadual de Obras declarou que não tem conhecimento de nenhuma ligação dos funcionários do PAC com traficantes, mas, se ficar comprovado qualquer tipo de envolvimento, eles serão cortados do programa.