A sessão da Assembléia Legislativa desta quarta feira (15) recebeu alguns importantes representantes da cidade de Campo Mourão. O deputado representante da Comcam, Douglas Fabrício, deu as boas vindas ao secretário nacional e presidente estadual do PPS, ex-prefeito de Campo Mourão Rubens Bueno, e também fez questão de registrar a presença do recém eleito vereador José Pochapski que já foi prefeito de Campo Mourão. Douglas aproveitou os debates que ocorriam na casa, tratando de irregularidades eleitorais e compra de votos, para disparar: "Esse é meu vice José Pochapski, fiz uma dupla com ele João e José. Está aqui senhores um parlamentar que em dias de compra de voto fez cerca de 2 mil votos na base da sola do sapato".
A Assembléia Legislativa recebeu também os historiadores Jair Elias dos Santos Júnior e
"Esse dia me fez lembrar da minha posse aqui como deputado. Diversas lideranças de Campo Mourão estão aqui e isso me deixa muito feliz", disse Douglas.
sábado, 18 de outubro de 2008
Dia "mourãoense" na Assembléia
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Palácio Iguaçu - história em livro

- Conheci o Jair ainda menino, eu tabalhava na Prefeitura, no Departamento Administrativo na época, e ele sempre me visitava, com aquele peculiar interesse pelas coisas históricas, pedindo cópias de documentos e de fotos do acervo da municipalidade, eu sempre o atendi em suas reivindicações e hoje vejo a recompensa pela divulgação desse material que no decorrer dos anos ele foi coletando.
- O Jair está galgando os degraus da escada de seu idealismo, concretizando seu sonho em divulgar as coisas de nossa terra paranista. Dando mais uma passo nessa gloriosa jornada, lança, na próxima quarta feira dia 15, o livro - "Palácio Iguaçu: coragem de realizar de Bento Munhoz da Rocha Netto", ganhando notoriedade pelo feito que enobrece a comunidade mourãoense, seus familiares e os amigos que o estimulam para seguir avante com essa inestimável garra pela historiografia paranista, legando aos pósteros conhecimentos sobre aqueles que ajudaram a desbravar sertões, construindo o porvir, como disse, Castro Alves, Poesias Escolhidas, p. 110 “Era o porvir — em frente do passado”.
- Veja abaixo o que diz a Agência Estadual de Notícias:

O historiador Jair Elias dos Santos Júnior, de Campo Mourão, lança às 13h30 desta quarta-feira (15), no Salão Nobre da Assembléia Legislativa o livro “Palácio Iguaçu: coragem de realizar de Bento Munhoz da Rocha Netto”. Além de contar a história das cinco décadas do edifício, o livro traz depoimentos de dona Flora Camargo Munhoz da Rocha, a grande responsável pela montagem do Palácio, hoje em reformas.
A edição do livro foi aprovada pela Comissão de Editoração da Secretaria de Estado da Cultura, composta por doze membros da comunidade paranaense. A presidência é da secretária da Cultura, Vera Maria Haj Mussi.
Dona Flora lembrou o trabalho que teve para mobiliar o imóvel, desde o dia em que seu marido Bento Munhoz da Rocha mostrou a planta do Palácio Iguaçu. “Não foi brincadeira o que batalhei. Corri junto com o decorador Julio Senna atrás de móveis, lustres, tapetes, tecidos para estofamento e cortinas.” Ela citou o exemplo de uma cadeira comprada no Rio de Janeiro e que serviu de modelo para as usadas no salão de banquetes. “Pelo preço da aquisição da cadeira-modelo, em Curitiba fabricavam seis iguais. Escolhi louças, talheres, cristais, toalhas. As fotos dos governadores, desde Zacarias, foram reproduzidas em telas a óleo, pelo retratista húngaro Antônio Medgassy”, conta dona Flora.
O Paraná, antes de Bento Munhoz da Rocha Netto, era um estado agrário, com uma população pequena e dispersa, sem estradas pavimentadas, energia e com comunicações insuficientes. As fortes geadas de 1951 e 1953 levaram muitos paranaenses à ruína, mas não abalaram as intenções de Bento de formar uma identidade para o Estado.
Ele prosseguiu com o seu sonho e concentrou sua energia na construção do Centro Cívico. A oposição definiu as obras como os “palácios santuários” e “faraônicas”, que deixavam de atender outras necessidades do Paraná. Bento também enfrentou pesadas críticas dos cafeicultores, que achavam que o dinheiro gasto na edificação do Centro Cívico deveria ser investido nas necessidades do Norte do Estado. “Coragem de realizar”. Esta frase, segundo Jair Elias, foi mencionada em várias reportagens que abordaram a construção do Centro Cívico no período de 1951 a 1954.
HISTÓRIA – Com 13 capítulos, o livro mostra as intenções e os erros que foram cometidos durante a construção do Centro Cívico. “Felizmente os anos dourados de Bento e as obras do Centro Cívico não foram vítimas de concorrências viciadas, aditivos contratuais suspeitos e nem superfaturamento. Corrupção não foi a marca do Centro Cívico”, explica o historiador Jair Elias.
O livro traz também o histórico dos palácios Rio Branco e São Francisco, sedes do governo anteriores; a construção do Centro Cívico; a inauguração do Palácio Iguaçu (com detalhes de bastidores) e os discursos feitos nas solenidades.
Dois capítulos especiais mostram fotografias de todos os atos históricos e posses dos governadores que utilizaram o edifício para governar o Estado. A vida de Bento Munhoz também é mostrada com fotos desde sua infância até sua morte, em 1973.
O trabalho de pesquisa de Jair Elias levou 14 meses e foi feito com recursos próprios. Com mais de 300 páginas, o livro envolveu dezenas de paranaenses e de instituições de pesquisa, entre eles a família Munhoz da Rocha, o Museu da Imagem e do Som, o Círculo de Estudos Bandeirantes, a Biblioteca Pública do Paraná e a Casa da Memória.
REFORMA – Desde a sua inauguração, em dezembro de 1954, o Palácio Iguaçu não recebia reformas significativas, e parte dos projetos originais da obra foi perdida. Foram levantadas as condições do prédio e as propostas de reformas, em 2007, pela comissão técnica presidida pelo secretário de Obras Públicas, Julio Araújo Filho, e composta pelo superintendente técnico Cornelius Unruh, pelos arquitetos Edson Klotz e Leila Levandoski e pelo assessor especial da Casa Civil, Álvaro Rychuv.
As atividades consistiram em elaborar as plantas baixas, cortes, elevações, implantação, tabelas de esquadrias, cadastramento de ambientes e levantamento fotográfico. Só então foi elaborado o estudo preliminar como proposta para a reforma, com soluções de projeto, materiais e acessibilidade. No início de outubro, foi licitada a elaboração dos projetos arquitetônicos executivo e complementares de engenharia, com valor máximo de R$ 530 mil. Enquanto o antigo prédio é reformado, a sede do governo do Paraná está transferida para o Palácio das Araucárias.
domingo, 12 de outubro de 2008
Juscelino Kubitschek
jingle da campanha JK´55
The Animals - The House of Rising Sun
Esta canção poderia ter caído no esquecimento, até que o folclorista Alan Lomax e seu pai, que eram curadores do "Archive American Folk Song", procuraram por todo o país estes tipos de canções. Em uma viagem com sua esposa, Lomax montou um equipamento de gravação em Middlesborough, Kentucky na casa de Tilman Cable e em 15 de setembro de 1937 gravou a interpretação de Georgia Turner, na época com 16 anos, filha de um mineiro. Ele intitulou a canção de "The Rising Sun Bluess". Lomax ainda registrou uma versão diferente cantada por Bert Martin. Em 1941, Lomax escreveu que a melodia foi tirada de uma balada inglesa tradicional de Matty Groves, e a letra escrita por Geórgia Turner e Bert Martin, provavelmente porque ele não tinha conhecimento de gravações mais antigas, através de outros artistas.
Em 1962, Bob Dylan gravou uma faixa com a música em seu primeiro álbum intitulado "Bob Dylan".
Numa entrevista, Eric Burdon do "The Animals", revelou que ouviu esta canção pela primeira vez em um clube em Newcastle cantada por Johnny Handle. "The Animals" estavam em excursão com Chuck Barry e a escolheram porque queriam algo distinto. Esta entrevista refuta afirmações que a inspiração para o arranjo do "The Annimals" tenha vindo diretamente de Bob Dylan e sim através registros de Josh White e Nina Simone num show no "Gate Vilage" e isto foi antes de Bob Dylan ter gravado. Indiferentemente, "The Animals" desfrutaram um sucesso enorme com a canção. Bob Dylan deixou de cantar "The House of Rising Sun" após "The Animals" terem gravado, porque os fãs acusaram Bob Dylan de plagiar a versão dos "The Animals". Conformado, Bob Dylan gostou da versão do "The Animals" quando escutou pela primeira vez através do rádio de seu carro.
Pesquisa, Tradução e Legenda By
Iviguaranys - Fev/2008
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Triângulo das Bermudas - Um Grande Mistério
O Triângulo das Bermudas é uma área de 3.950.000 quilômetros quadrados no Oceano Atlântico, circundada pelo litoral do sul da Virgínia e Flórida, as ilhas Bermuda e as Grandes Antilhas. A região notabilizou-se como palco de diversos desaparecimentos de aviões, barcos de passeio e navios, para os quais popularizaram-se explicações extra físicas e/ou sobrenaturais. Uma das possíveis explicações para estes fenômenos são os distúrbios que esta região passa, no campo magnético da Terra. Um dos casos mais famosos é o chamado vôo 19 . Muito embora existam diversos eventos anteriores, os primeiros relatos mais sistemáticos começam a ocorrer entre 1945 e 1950. Alguns traçam o mistério até Colombo. Mesmo assim, os incidentes vão de 200 a não mais de 1000 nos últimos 500 anos. Howard Rosenberg afirma que em 1973 a Guarda Costeira dos EUA respondeu a mais de 8.000 pedidos de ajuda na área e que mais de 50 navios e 20 aviões se perderam na zona, durante o último século.
Muitas teorias foram dadas para explicar o extraordinário mistério dos aviões e navios desaparecidos. Extraterrestres, resíduos de cristais da Atlântida , humanos com armas anti-gravidade ou outras tecnologias esquisitas, vórtices da quarta dimensão, estão entre os favoritos dos escritores de fantasias. Campos magnéticos estranhos, flatulências oceânicas (gás metano do fundo do oceano) são os favoritos dos mais técnicos. O tempo (tempestades, furacões, tsunamis, terremotos, ondas, correntes. ), e outras causas naturais e humanas são as favoritas entre os investigadores cépticos.
Muitos cientistas são céticos em relação a uma versão sobrenatural, apesar dos inúmeros casos catalogados sem uma explicação clara sobre que de fato ocorreu nesta região.
História e evolução
Foi depois da publicação do livro O Triângulo das Bermudas de Charles Berlitz que os eventos foram conhecidos através da imprensa de uma forma mais abrangente.
Recentemente o canal de tv americano, especializado em ficção científica , produziu uma mini-série para com o nome de The Bermuda Triangle: Startling new secrets(2005).
Listagem de eventos
- 1840 - Rosalie - embarcação francesa encontrada meses após o seu desaparecimento, na área do Triângulo das Bermudas, navegando com as velas recolhidas, a carga intacta, porém sem vestígios de sua tripulação.
- 1880 - Atlanta - Fragata britânica, desapareceu em Janeiro, com 290 pessoas a bordo.
- 1902 - Freya - embarcação alemã, ficou um dia desaparecida. Saiu de Manzanillo , em Cuba no dia 3 de outubro. Foi encontrada no dia seguinte, no mesmo local de onde havia saído, porém sem nenhuma pessoa a bordo: todos os tripulantes desapareceram.
- 1918 - Cyclops - embarcação carregada com 19.000 toneladas de aprovisionamentos para a Marinha Estadunidense, com 309 pessoas a bordo. Desapareceu a 4 de março em mar calmo, sem emitir aviso, mesmo dispondo de rádio.
- 1925 - Cotopaxi - embarcação desaparecida próximo a Cuba.
- 1931 - Stavenger - cargueiro desaparecido com 43 homens a bordo.
- 1932 - John and Mary - embarcação desaparecida em Abril. Foi encontrada posteriormente à deriva, a cerca de 80 quilômetros das ilhas bermudas.
- 1938 - Anglo-Australian - embarcação desaparecida em Março, com uma tripulação de 39 homens. Pediu socorro quando estava próxima ao Arquipélago de Açores .
- 1940 - Gloria Colite - embarcação desaparecida em Fevereiro. Foi encontrada com tudo intacto, mas sem a tripulação.
- 1944 - Rubicon - cargueiro cubano desaparecido em 22 de outubro. Foi encontrado mais tarde pela Guarda Costeira Estadunidense próximo à costa da Flórida.
- 1945 - Super Constellation - aeronave da Marinha Estadunidense desaparecida em 30 de outubro , com 42 pessoas a bordo.
- 1945 - Vôo 19 ou Missão 19 ("Flight 19") - esquadrilha de cinco aviões TBF Avenger, desaparecida em 5 de dezembro .
- 1945 - Martin Mariner - hidroavião enviado na busca do Vôo 19, também desapareceu em 5 de dezembro, após 20 minutos de vôo, com 13 tripulantes a bordo.
- 1947 - C-54 - aeronave do Exército dos Estados Unidos, jamais foi encontrado.
- 1947 - DC-3 - aeronave comercial, desaparecida em 28 de dezembro , com 32 passageiros.
- 1950 - Sandra - cargueiro transportando inseticida , desapareceu em Junho e jamais foi encontrado.
- 1955 - CONNEMARA IV - Desapareceu em setembro e apareceu 640km distante das bermudas, também sem tripulação.
- 1963- MARINE SULPHUR QUEEN - Cargueiro que desapareceu em fevereiro sem emitir nenhum pedido de socorro.
- 1963 - SNO'BOY - Desaparecido em 1º de Julho. Era um pesqueiro com 20 homens a bordo. Nunca foi encontrado.
- 1967 - WITCHCRAFT - Desaparecido em 24 de dezembro. Considerado um dos casos mais extraordinários do Triângulo. Tratava-se de uma embarcação que realizava cruzeiros marítimos. Estava amarrado a uma bóia em frente ao porto de Miami, Flórida, a cerca de 1600 metros do solo. Simplesmente desapareceu com sua equipe e um passageiro a bordo.
- 1950 - GLOBEMASTER - Avião desaparecido em março. Era um avião comercial dos Estados Unidos.
- 1952 - YORK - Avião de transporte britânico. Desaparecido em 2 de fevereiro. Tinha 33 passageiros a bordo fora a tripulação. Sumiu ao norte do Triângulo das Bermudas.
- 1956 - MARTIN P-5M - Hidroavião desaparecido em 9 de novembro. Fazia a patrulha da costa dos Estados Unidos. Sumiu com 10 tripulantes a bordo nas proximidades do Triângulo das Bermudas.
- 1957 - CHASE YC-122 - Desaparecido em 11 de janeiro. Era um avião cargueiro com 4 passageiros a bordo.
- 1962 - Um avião KB-50 desapareceu em 8 de janeiro. Tratava-se de um avião tanque das Forças Aéreas dos Estados Unidos. Desapareceu quando cruzava o Triângulo.
- 1963 - 2 STRATOTANKERS KC-135 desapareceram em 28 de agosto. Eram 2 aviões de quatro motores cada, novos, a serviço das forças aéreas americanas. Iam em missão secreta para um base no Atlântico, mas nunca chegaram no local.
- 1963 - CARGOMASTER C-132 - Desaparecido em 22 de setembro perto das ilhas Açores.
- 1965 - FLYNG BOXCAR C-119 - Desaparecido em 5 de junho. Era um avião comercial com 10 passageiros a bordo.
- 1973 - ANITA - Desaparecido em março. Era um cargueiro de 20.000 toneladas que estava circulando próximo ao Triângulo com 32 tripulantes a bordo.
- 1973 - Milton Atrides - cargueiro desaparecido em Abril.
- 1976 - Grand Zenith - petroleiro, afundou com pessoas e bens a bordo. Deixou uma grande mancha de petróleo que, pouco depois, também desapareceu.
- Um Cessna 172 é "caçado" por uma nuvem, o que resulta em funcionamento defeituoso de seus instrumentos, com conseqüente perda de posição e morte do piloto, como informaram os passageiros sobreviventes.
- Um BeechCraft Bonanza voa para dentro de uma monstruosa nuvem cúmulo ao largo de Andros, perde o contato pelo rádio e logo recupera-o, quatro minutos depois, mas descobre que agora está sobre Miami, com mais vinte e cinco galões de gasolina do que deveria ter-quase exatamente a quantidade de gasolina que seria gasta pelo aparelho numa viagem Andros-Miami.
- Um 727 da National Airlines fica sem radar durante dez minutos, tempo em que o piloto informa estar voando através de um leve nevoeiro. Na hora de aterrissar, descobre-se que todos os relógios a bordo e o cronômetro do avião perderam exatamente dez minutos, apesar de uma verificação da hora cerca de trinta minutos antes da aterrissagem.
Possíveis explicações
- Anomalias no campo eletromagnético do planeta Terra.
- Restos de cristais da Atlântida, o continente desaparecido.
- Teoria conspiratória forjada para desenvolver reações no mundo da Guerra Fria.
- Alienígenas
- Monstros Marinhos
- Roda-Moinhos Gigantes
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Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8
Parte 9
Parte 10
Muito legal mesmo esse assunto, é um mistério que sempre permaneceu, permanece e permanecerá até alguém descobri-lo, isso se alguém o fizer!
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Campo Mourão - 61 anos

Em fins de 1769 e começos de 1770, pela expedição iniciada sob o comando do Capitão Estevão Ribeiro Bayão, de São José dos Pinhais, e completada pelo Capitão curitibano, Francisco Lopes da Silva, ambos sob o comando geral do Coronel Afonso Botelho de Sampaio e Souza (primo do Morgado de Mateus), após percorrer o rio Ivaí em toda sua extensão, reconheceu os campos que foram denominados CAMPOS DO MOURÃO (assim consta em mapas da Província do Paraná no ano de 1775), passando a ser conhecido como CAMPO DO MOURÃO e, mais tarde, simplificado para CAMPO MOURÃO nome este dado em homenagem ao Governador da Província de São Paulo, no período de 1765/75, a qual se subordinava o Paraná, então sua quarta (depois quinta) Comarca, Capitão-General, DOM LUÍS ANTÓNIO DE SOUZA BOTELHO MOURÃO (Morgado de Mateus, (foto acima, de um quadro constante na Fundação Casa de Mateus em Vila Real-Portugal, reproduzido pelo inesquecível amigo, artísta plástico, Tony Nishimura).
Fonte: "CAMPO MOURÃO - Centro do Progresso" -livro de autoria do historiador Pedro da Veiga
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
sábado, 4 de outubro de 2008
PRECE - Ricardo Gondim
Jesus de Nazaré, tu que és amigo dos pecadores, interceda por nós, os que perambulamos nas praias desertas sem esperar salvamento, os que varremos as pétalas que caíram durante a festa do casamento, os que tentamos nos lembrar do nome da antiga namorada, os que nos embriagamos com a aguardente dos nossos próprios discursos, os que nos esticamos para sair na fotografia do político de fala mansa. Jesus de Nazaré, tu que és compassivo com a adúltera, interceda por nós, os que morremos de medo do sol e nos agasalhamos com os cobertores das noites sem lua, os que nos calamos com as certezas dos sábios e desdenhamos as dúvidas dos loucos, os que nos agachamos para não encarar a vida, os que desistimos dos nós cegos, dos torvelinhos e das palavras cruzadas, os que rimos de quem sonha voando, os que nos alimentamos de arroz requentado.
Jesus de Nazaré, tu que ouves o mendigo cego, interceda por nós, os que nos apressamos sem saber para quê, os que mantemos o gosto amargo do ódio, os que fazemos da justiça uma ameaça e do amor um suborno, os que cirandamos pelas coxias escuras do teatro em busca de um fantasma que nos seja solidário, os que bebemos a água da bacia de Pilatos.
Jesus de Nazaré, tu que és o Agnus Dei, interceda por nós, os que quebramos espelhos para não encarar os nossos monstros, os que cozemos disfarces coloridos, os que plastificamos sorrisos, os que temos ereção com o sangue da tragédia humana, os que nos betumamos com o pus dos africanos.
Jesus de Nazaré, tu que compreendeste a dúvida de Tomé, interceda por nós, os que tateamos as paredes úmidas dos corredores eclesiásticos, os que nos contentamos com os consolos da religião, os que adoramos ídolos de pés de barro e olhos de vidro, os que galgamos o pináculo da catedral para nos sentir divinos, os que não sabemos explicar o significado de simonia.
Jesus de Nazaré, que nos considera amigos, interceda por nós, os que nos dispersamos feito poeira no deserto, mas não desistimos de nossa petulância, os que nos apoiamos em hastes de trigo, os que velejamos em barcos de casco trincado, os que fabricamos relógios que andam para trás.
Jesus de Nazaré, que és eternamente bom, interceda por nós, os patéticos, os pusilânimes, os bufões, os desmiolados, os bárbaros, os relegados, os malbaratados, os palermas, os voláteis, os brutos.
Enfim, interceda por nós todos, porque ninguém é melhor do que ninguém e, juntos, somos os teus filhos.
Fonte eletrônica:
http://www.ricardogondim.com.br
Aristóteles no planalto
Não sei se foi por antiga magia ou tecnologia secreta que Aristóteles veio a dar em Brasília. Queria conhecer nossa Constituição, dizendo ser hábito seu empedernido. Encontrei-o por azar; expliquei lhe o básico, alguma bibliografia. E recolhi alguns de seus comentários.
Para ele o nosso sistema político não poderia ser chamado de “democracia” e, de fato, não o é, tecnicamente falando. A palavra designa somente regimes nos quais o povo detém o poder soberano; exercendo-o diretamente em assembléia, sem que tal poder conheça qualquer limite ou contrapeso institucional. Significa literalmente o “poder popular” e sua realização pressupõe a maior igualdade possível de todos perante a lei (isonomia) e quanto ao direito de participar das decisões públicas mediante a fala (isegoria). Tal igualdade fundamental torna impossível a representação política já que esta pressupõe a separação prática e formal entre representantes e representados, entre dirigentes e dirigidos. Assim, qualquer processo de escolha de magistrados, como votação ou concurso de provas e títulos, não é democrática pois toma os indivíduos pelas suas diferenças, ranqueando-os em melhores e piores. Por isso mesmo, a eleição popular de um presidente ou deputado; a de um juiz concursado, configurar-se-iam aristocráticas (de aristói – os melhores). O único método realmente democrático de seleção, quando não se pode decidir diretamente em assembléia, é o sorteio. Só aí não há discriminação de mérito, preservando-se a igualdade.
O governo que aqui se vê é uma mescla de oligarquia e democracia, o tipo mais comum de governo constitucional. Não existe nenhum poder ilimitado que subordine os demais; cada qual com sua autonomia e composição definidas pela Constituição. Compõem aristocracias o Judiciário e o Legislativo, selecionados seus membros entre os melhores do povo. O Executivo, ainda que por tempo limitado, encarna o princípio da realeza. O único componente realmente democrático do sistema encontra-se nas assembléias periódicas que elegem os magistrados (colégios eleitorais). A este governo misto, Aristóteles chamou de “politia” cuja tradução, pelo latim, é “república”.
Contudo, o que mais espantou Aristóteles é o estranho hábito que temos de garantir direitos políticos aos escravos. Calma, prezado leitor: custou-me também entender! É escravo por natureza aquele que não quis ou não pode desenvolver o hábito da escolha prudente, tornando-se assim incapaz de prever. Tal indivíduo necessita da direção de outrem não apenas na política como principalmente no trabalho, estabelecendo um laço de benefício mútuo com seu senhor: este planeja e organiza; aquele provê com sua energia. Note que não é o vínculo jurídico a caracterizar a escravidão, mas sua função: fica evidente que o assalariamento é uma espécie de escravidão por tempo! A questão que mais o perturbou foi a da qualidade da escolha de quem é desabituado dela até na direção de sua vida privada.
Depois de explicar-lhes os mecanismos de seleção de elites de nossa república; das diatribes de nossos sofistas (os marqueteiros); dos movimentos de nossos socialmente poderosos, tudo conspirando para a escolha responsável e melhor, entendeu que eu lhe fazia troça e foi à biblioteca ler nossa história política.
Edison Nunes é professor do Departamento de Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP.
Fonte eletrônica: História Viva
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
CONVITES DA VIDA
“A paz vos deixo, a minha paz vou dou." [João: 14-27]
Estrugem conflitos quais fogos que apresentam os pavios acesos, e,
espalhados espoucam, gerando tumulto e alucinação. Revoltas injustificáveis
geram animosidades improcedentes, que se espalham mefíticas intoxicando
quantos se encontram no raio de ação.
Expectativas funestas que resultam do pessimismo contumaz nutrido por
mensageiros do equívoco, enredando incautos em corrente contínua de desespero.
Exaltação por nada flui de todos os lados, passando a energia de alta tensão
que descarrega cólera e ira em elevada voltagem que fulmina a curto como
a longo prazo. Ansiedades pela aquisição de valores sem valor real,
produzem contínua perturbação que afeta o sistema emocional dando
curso a insidiosas enfermidades de conseqüências funestas.
E outras poderosas constrições produzidas pela invigilância de cada um,
afligindo de fora para dentro como de dentro para fora, sem ensejar
momentos de paz, de asserenamento, de renovação...
... E conflitos do homem em si mesmo, conflitos do lar, conflitos do
trabalho, conflitos da comunidade redundando em guerras de
extermínio entre os povos como decorrência das lutas irreprimidas
e descontroladas em cada criatura e de cada criatura em relação ao próximo.
E é tão fácil a conquista da paz! .
Basta que não ambiciones em demasia, que corrijas os ângulos da observação
da vida, que ames e perdoes, que te entregues às mãos de Deus que cuida das
"aves do céu" e dos "lírios do campo" e que, por fim,
cumpras fielmente com os teu deveres.
Ninguém está em regime de exceção como pessoal alguma se encontra
em abandono, em situação nenhuma, na Terra ou fora dela.
Realiza o teu oásis interior e não te escravizes às coisas insignificantes,
antes, luta com as armas da paciência e da confiança a fim de
conquistares esse tesouro incomparável que é a paz.
Livro: Convites da Vida
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
A RELAÇÃO HOMENS/ANIMAIS
Qual a diferença entre o homem e o animal?
O homem, apesar de ser racional, age de uma forma bem diferente do animal, destacando a sua inteligência e a forma do seu comportamento.
O homem tem inteligência, consciência e capacidade para analisar seus atos, executar suas tarefas, planejar suas atividades e colocá-las em prática.
O homem através de sua inteligência e capacitação, chega a atingir as coisas sensíveis e corporais e também as realidades imateriais e incorporais. Como por exemplo: a verdade, o tempo, o espaço, o bem, a virtude etc.
O homem, através das suas diferenças defronta-se com seu comportamento, pois o homem é um ser surpreendente; sua mudança é constante, seus hábitos, costumes, crenças e culturas. A palavra “razão”é o que predomina em seu vocabulário.
Hoje é lamentável a forma em que o homem vive, ele se destrói a cada minuto, tanto de uma forma carnal, como espiritual.
Hoje, nós podemos dizer que o homem luta contra si mesmo. Ele mesmo fabrica armas contra si, bombas atômicas, não respeita nem seu corpo, nem sua própria vida, ele, tão ganancioso, que pode um dia chegar ao ponto de se destruir totalmente, como já fez com várias espécies animais, com as florestas, e como ela, a fauna. Ele, na realidade, é o maior inimigo da natureza.
Os animais, considerados como um ser irracional, por mais que possamos pensar que ele é um ser livre, realiza seus atos impelido pelas suas sensações, pelos apetites e pelo instinto natural, para um fim de que ele mesmo ignora e cujas conseqüências não consegue nunca prever.
Os animais também são seres inteligentes, mas sempre se reduz à sensibilidade, é um ser que age de acordo com seu instinto, porém seus sentimentos são fortes e puros em relação ao homem.
Os animais não visam um conhecimento para o futuro, mas vivem a realidade do momento, se expressam de uma maneira natural para a vida.
Os animais são na verdade seres organizados, dotados de um sentimento profundo e expressam essa forma de vida aos olhos dos homens que não entendem, nem compreendem e nem respeitam um ser que é tão lindo e natural, independente de sua espécie.
Conclusão:
O homem domina todo espaço que encontra, ele infelizmente interfere até no espaço animal. O homem sempre visa o seu objetivo, sem se importar se irá destruir outras vidas, o homem ao mesmo tempo que constrói, destrói tudo num simples piscar de olhos, o homem fez deste mundo um barril de pólvora que a qualquer momento pode explodir.
O homem é um ser que tem atitudes que muitas vezes deixam a desejar, nos deixam entristecidos e com os corações feridos.
Um dia tudo isso terá um fim, o Criador de todas estas coisas irá nos perguntar: o porque de tanta maldade, de tanta violência, de tanta desordem e também, falta de humanidade.
http://luscientia.pbwiki.com/
terça-feira, 30 de setembro de 2008
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
OS POMBOS DE JESUS
Vem pousar no meu jardim
Eu pergunto ao pombo em
sangue
..Por que sangras assim?
''''
..Vi pisando um chão de brasas
Um homem sob uma cruz
Cobri-o com minhas asas
Este sangue é de Jesus
''''
Uma andorinha na trave
Vem pousar no meu beiral
E eu lhe pergunto; porque ave
Trazes no bico um coral?
''''
Não é coral, o rosado
Que no meu bico reluz
É um triste espinho arrancado
Da coroa de Jesus
''''
E os homens almas daninhas
Vivem matando que horror
Os pombos e as andorinhas
De Jesus Nosso Senhor
100 anos sem MACHADO DE ASSIS
1908 - Publica o Memorial de Aires (romance). Entra, a 1 de junho, em licença para tratamento de saúde. Na madrugada de 29 de setembro, as 3 h. 20 m, morre em sua casa, a Rua Cosme Velho, 18; é enterrado, segundo determinação sua, na sepultura de Carolina, jazigo perpétuo 1359, Cemitério de São João Batista.domingo, 28 de setembro de 2008
A CARTA DA TERRA
A terra é o nosso lar e o lar de todos os seres vivos. A própria Terra está viva, fazemos parte de um universo em evolução. Os seres vivos são membros de uma comunidade de vida interdependente dotada de uma diversidade magnífica de formas de vida e de culturas. Sentimo-nos humildes ante a beleza da Terra e compartilhamos da reverência à vida e às fontes do nosso ser. Damos graças pela herança que recebemos das gerações passadas e abraçamos nossas responsabilidades para com as gerações presentes e futuras.
A comunidade da Terra vive um momento de definição. A biosfera é governada por leis que desprezamos a nosso risco. Os seres humanos adquiriram a capacidade de alterar radicalmente o meio ambiente e os processos de evolução. O tecido da vida e os alicerces da segurança local e global são ameaçados pela falta de visão e pelo mau uso do conhecimento e do poder. Há muita violência, pobreza e sofrimento em nosso mundo. Uma mudança fundamental em nossa rota se faz necessária.
A escolha está diante de nós: cuidar da Terra ou participar de nossa auto-destruição e da destruição da diversidade da vida. É preciso reinventar a civilização industrial tecnológica e encontrar novas formas de equilíbrio entre o indivíduo e a comunidade, o ter e o ser, a diversidade e a unidade, o curto prazo e o longo prazo, o gastar e o nutrir.
Em meio a toda nossa diversidade, somos uma humanidade e uma família Terra com um destino comum. Os desafios que defrontamos impõem uma visão ética abrangente. É imperioso forjar parcerias e promover a cooperação nos níveis local, bioregional, nacional e internacional.
De forma solidária entre todos e com a comunidade de vida, nós, os povos do mundo, ao abraçarmos os valores desta Carta, poderemos formar uma família de culturas que permita o pleno desenvolvimento do potencial de todas as pessoas em harmonia com a comunidade da Terra. Temos de manter viva a fé nas possibilidades do espírito humano e um profundo senso de pertencimento ao Universo. Nossas melhores ações hão de concretizar a integração do conhecimento com a bondade.
Princípios
• RESPEITAR a Terra e toda vida. A Terra, toda formada de vida e todos os seres vivos possuem um valor intrínseco e têm direito ao respeito, sem levar em conta seu valor utilitário para a humanidade.
• CUIDAR da Terra, protegendo e restaurando a diversidade, a integridade e a beleza dos ecossistemas do planeta. Onde houver risco de dano grave ou irreversível ao meio ambiente, uma ação preventiva deve ser adotada a fim de evitar prejuízo.
• VIVER de modo sustentável, promovendo e adotando formas de consumo, produção e reprodução que respeitem e salvaguardem os direitos humanos e a capacidade regeneradora da Terra.
• INSTITUIR justiça e defender, sem discriminação, o direito de todas as pessoas à vida, à liberdade e à segurança pessoal, dentro de um meio ambiente adequado para a saúde e bem-estar espiritual. As pessoas têm direito à água potável, ar puro, solo não contaminado e à segurança alimentar.
• COMPARTILHAR eqüitativamente os benefícios do uso dos recursos naturais e de um meio ambiente saudável entre as nações, entre ricos e pobres, homens e mulheres, e gerações presentes e futuras, internalizando todos os custos ambientais, sociais e econômicos.
• PROMOVER o desenvolvimento social e sistemas financeiros que criem e mantenham meios sustentáveis de subsistência, erradiquem a pobreza e fortaleçam as comunidades locais.
• PRATICAR a não-violência, reconhecendo que a paz é o todo criado por relações harmônicas e equilibradas consigo mesmo, com outras pessoas, com outras formas de vida e com a Terra.
• FORTALECER processos que capacitem as pessoas a participar efetivamente no processo decisório e que assegurem a transparência e o dever da prestação de contas no exercício do governo e na administração de todos os setores da sociedade.
• REAFIRMAR que, às populações nativas e tribais, cabe um papel vital no cuidado e proteção da Mãe Terra. Elas têm direito a preservar sua espiritualidade, seus conhecimentos, terras, territórios e recursos.
• AFIRMAR que a igualdade de gênero é um requisito do desenvolvimento sustentável.
• ASSEGURAR o direito à saúde sexual e reprodutiva, com preocupação especial para com as mulheres adultas e jovens.
• PROMOVER a participação dos jovens, na qualidade de agentes responsáveis de mudança, visando à sustentabilidade local, biorregional e global.
• FAZER avançar e aplicar o conhecimento científico e de outras naturezas, bem como tecnologias, que promovam meios de vida sustentáveis e protejam o meio ambiente.
• ASSEGURAR que todas as pessoas tenham, ao longo de sua existência, oportunidades de adquirir o conhecimento, os valores e as habilidades práticas necessárias para criar comunidades sustentáveis.
• TRATAR todas as criaturas com bondade e protegê-las da crueldade e do aniquilamento arbitrário.
• NÃO fazer ao ambiente dos outros o que não queremos que façam ao nosso.
• PROTEGER e restaurar áreas de extraordinário valor ecológico, cultural, estético, espiritual e científico.
• CULTIVAR e praticar um sentimento de responsabilidade compartilhada pelo bem-estar da comunidade da Terra. Toda pessoa, instituição e governo tem o dever de promover metas indivisíveis de justiça para todos, sustentabilidade, paz mundial, respeito e cuidado para com a comunidade de vida mais ampla.
* Texto extraído do Jornal Estado Ecológico, Edição: Toda Lua Cheia, número 48, de 24/03/98.
sábado, 27 de setembro de 2008
MACHADO DE ASSIS

Para quem gosta de ler e é fã do Machado de Assis, segue o endereço de uma página com todas as obras e fotos, além de alguma fortuna crítica. Resultado de um projeto patrocinado pelo CNPq, a UFSC digitalizou todo o material disponível, de modo que a página é mais completa até mesmo do que a "obra completa" impressa disponível no mercado. E o acesso é inteiramente livre e gratuito.
Boa leitura!
O professor João Hernesto Weber esclarece que a página original criada pelo NUPIL encontra-se no endereço abaixo. Gostaríamos que divulgassem para colegas e instituições. Cordialmente, A Coordenação do Curso de Pós-Graduação em Literatura da UFSC.
RUBEM ALVES - por ele mesmo
Nasci no dia 15 de setembro de 1933. Sobre o meu nascimento veja a crônica Que bom que eles se casaram. Faça as contas para saber quantos anos não tenho. Que "não tenho", sim; porque o número que você vai encontrar se refere aos anos que não tenho mais, para sempre perdidos no passado. Os que ainda tenho, não sei, ninguém sabe. Nasci no sul de Minas, em Boa Esperança que, naquele tempo, se chamava Dores da Boa Esperança. Depois tiraram o "Dores". Pena, porque dores de boa esperança são dores de parto: há dores que anunciam o futuro. Boa Esperança é conhecida mais pela serra que o Lamartine Babo, ferido por um amor impossível, transformou em canção: "Serra da Boa Esperança", que você ouviu logo que entrou na minha casa. Meu pai era rico, quebrou, ficou pobre. Tivemos de nos mudar. Dos tempos de pobreza só tenho memórias de felicidade. Albert Camus dizia que, para ele, a pobreza (não a miserabilidade) era o ideal de vida. Pobre, foi feliz. Conheceu a infelicidade quando entrou para o Liceu e começou a fazer comparações. A comparação é o início da inveja que faz tudo apodrecer. Aconteceu o mesmo comigo. Conheci o sofrimento quando melhoramos de vida e nos mudamos para o Rio de Janeiro. Meu pai, com boas intenções, me matriculou num dos colégios mais famosos do Rio. Foi então que me descobri caipira. Meus colegas cariocas não perdoaram meu sotaque mineiro e me fizeram motivo de chacota. Grande solidão, sem amigos. Encontrei acolhimento na religião. Religião é um bom refúgio para os marginalizados. Admirei Albert Schweitzer, teólogo protestante, organista, médico, prêmio Nobel da Paz. Quis seguir o seu caminho.
Tentei ser pianista. Fracassei. Sobrava-me disciplina e vontade. Faltava-me talento. Há um salmo que diz: "Inútil te será levantar de madrugada e trabalhar o dia todo porque Deus, àqueles a quem ama, ele dá enquanto estão dormindo." Deus não me deu talento. Deu todo para o Nelson Freire, que também nasceu em Boa Esperança. Estudei teologia. Fui pastor no interior de Minas. Convivi com gente simples e pobre. Lá um pastor é uma espécie de "despachante" para resolver todos os problemas. Mas já naquele tempo minhas idéias eram diferentes. Eu achava que religião não era para garantir o céu, depois da morte, mas para tornar esse mundo melhor, enquanto estamos vivos. Claro que minhas idéias foram recebidas com desconfiança... Em 1959 me casei e vieram os filhos Sérgio (XII.59) e Marcos (VII.62). Em 1975 nasceu minha filha Raquel. Inventando estórias para ela descobri que eu podia escrever estórias para crianças (A lista dos livros infantis que escrevi estão na Biblioteca). Fui estudar em New York (1963), voltei um mês depois do golpe militar. Fui denunciado pelas autoridades da Igreja Presbiteriana, à qual pertencia, como subversivo. Experimentei o medo e fiquei conhecendo melhor o espírito dos ministros de Deus... Minha família e eu tivemos de sair do Brasil. Fui estudar em Princeton, USA, onde escrevi minha tese de doutoramento, Towards a Theology of Liberation, publicada em 1969 pela editora católica Corpus Books com o título A Theology of Human Hope. Era um dos primeiros brotos daquilo que posteriormente recebeu o nome de Teologia da Libertação. Se você quiser saber um pouco sobre o que aconteceu comigo nesses anos, leia o ensaio Sobre deuses e caquis (O quarto do mistério, p 137). O tempo passou, mudou meu jeito de pensar, voltei ao Brasil em 1968, demiti-me da Igreja Presbiteriana. Com um Ph.D. debaixo do braço e sem emprego. Foi o economista Paulo Singer, que fiquei conhecendo numa venda de móveis usados em Princeton, que me abriu a porta do ensino superior, indicando-me para uma vaga para professor de filosofia na FAFI de Rio Claro, SP. Em 1974 transferi-me para a UNICAMP, onde fiquei até me aposentar.
Golpes duros na vida me fizeram descobrir a literatura e a poesia. Ciência dá saberes à cabeça e poderes para o corpo. Literatura e poesia dão pão para corpo e alegria para a alma. Ciência é fogo e panela: coisas indispensáveis na cozinha. Mas poesia é o frango com quiabo, deleite para quem gosta... Quando jovem, Albert Camus disse que sonhava com um dia em que escreveria simplesmente o que lhe desse na cabeça. Estou tentando me aperfeiçoar nessa arte, embora ainda me sinta amarrado por antigas mortalhas acadêmicas. Sinto-me como Nietzsche, que dizia haver abandonado todas as ilusões de verdade. Ele nada mais era que um palhaço e um poeta. O primeiro nos salva pelo riso. O segundo pela beleza.
Com a literatura e a poesia comecei a realizar meu sonho fracassado de ser músico: comecei a fazer música com palavras. Leituras de prazer especial: Nietzsche, T. S. Eliot, Kierkegaard, Camus, Lutero, Agostinho, Angelus Silésius, Guimarães Rosa, Saramago, Tao Te Ching, o livro de Eclesiastes, Bachelard, Octávio Paz, Borges, Barthes, Michael Ende, Fernando Pessoa, Adélia Prado, Manoel de Barros. Pintura: Bosch, Brueghel, Grünnenwald, Monet, Dali, Larsson. Música: canto gregoriano, Bach, Beethoven, Brahms, Chopin, César Franck, Keith Jarret, Milton, Chico, Tom Jobim.
Sou psicanalista, embora heterodoxo. Minha heterodoxia está no fato de que acredito que no mais profundo do inconsciente mora a beleza. Com o que concordam Sócrates, Nietzsche e Fernando Pessoa. Exerço a arte com prazer. Minhas conversas com meus pacientes são a maior fonte de inspiração que tenho para minhas crônicas.


















