quinta-feira, 3 de junho de 2010

FLOTILHA 'HUMANITÁRIA'?

Internacional - Oriente Médio

Heitor De Paola | 02 Junho 2010

O incidente da flotilha "humanitária" com um dos navios cheio de armas evidencia mais uma vez que a grande imprensa global é apenas mais um aliado do terrorismo anti-Israel, pronta para espalhar desinformação assim que o comando é dado. Eis a realidade da guerra assimétrica.

A 'comunidade internacional' condena Israel por...........! Complete a frase como bem entender. Alguma novidade? Nenhuma. Tão logo ocorreu o incidente com a flotilha alegadamente humanitária espocaram os protestos monstros em todo o mundo. Quem entende do riscado sabe muito bem que tais ações exigem planejamento, convocações, transporte de ativistas, material de propaganda e instrumentos como palanques, alto-falantes, etc. Creio que estes protestos já estavam preparados com muita antecedência, desde que a flotilha foi organizada pela ONG turca Insani Yardim Vakfi, Human Rights, Liberties and Humanitarian Relief (IHH).

Segundo informe israelense do dia 27/05 o lançamento da flotilha em Istambul contou com a participação de inúmeros representantes do Hamas, entre eles Mahmad Tzoalha and Sahar Albirawi, terroristas de primeira linha operando hoje na Inglaterra, e Hamam Said, um dos líderes da Irmandade Islâmica na Jordânia.

Um estudo de Evan F. Kohlman, do Danish Institute for International Studies de 2006 (The Role of Islamic Charities in International Terrorist Recruitment and Financing) revelava que as autoridades turcas já vinham investigando a IHH desde 1997 quando fontes revelaram que seus líderes estavam comprando armas de outros grupos terroristas islâmicos. O magistrado antiterrorista francês Jean-Louis Bruguiere revelou que o Presidente da IHH, Bulent Yildrim, tinha conspirado diretamente para "recrutar soldados veteranos para a próxima guerra santa (jihad) em meados da década de 90. Alguns foram enviados para zonas de guerra para adquirir experiência em combate.

Num depoimento nos EUA, Bruguiere disse que a IHH era uma ONG, mas de um tipo usado para cobertura (cover up) para grupos terroristas, conseguindo documentos falsos, traficando armas e elaborando formas de infiltração de mujaheddins para combater.

Kohlman referia ainda que IHH esteve posteriormente envolvida em conseguir armas para terroristas sunitas no Iraque. O exame das contas telefônicas da IHH também revelaram inúmeras chamadas para uma casa de passagem da Al-Qaida em Milão e para terroristas argelinos, incluindo Abu el-Ma'ali, conhecido como o "jovem Bin Laden". Desde que o Hamas ocupou a Faixa de Gaza, a IHH organizou várias conferências de apoio na Turquia, desafiando a Autoridade Palestina. A IHH é membro da União do Bem, uma organização que congrega mais de 50 fundações islâmicas em todo o mundo encarregada de canalizar fundos para o Hamas.

A insuspeita TV Al Jazeera, um dia antes do confronto relatava que os participantes da flotilha já criavam um clima de guerra, cantando "Khaibar, Khaibar, oh judeus, o exército de Maomé voltará!". Khaibar é o nome da última aldeia judia derrotada pelo exército de Maomé em 628, onde vários judeus morreram e marcou o fim da presença judia na Península Arábica.

evidência de que a flotilha foi avisada que deveria seguir para Ashdod e como a resposta foi negativa a marinha israelense agiu de acordo com o San Remo Manual on International Law Applicable to Armed Conflicts at Sea (12 June 1994):

"It is permissible under rule 67(a) to attack neutral vessels on the high seas when the vessels "are believed on reasonable grounds to be carrying contraband or breaching a blockade, and after prior warning they intentionally and clearly refuse to stop, or intentionally and clearly resist visit, search or capture."

e também com os Acordos de Oslo.

Mas na verdade os objetivos da flotilha eram dois: segundo o Professor iemenita Abd Al-Fatah Nu'man: os heróis (sic) da flotilha queriam tanto atingir Gaza como a opção do martírio era ainda mais desejável para eles (ver vídeo), o que é confirmado por participantes antes da partida de Istambul.

É óbvio que nada havia de 'humanitário' naquela flotilha e nada mais Israel poderia fazer senão atacar.

Como esta flotilha poderia ter sido organizada, os ativistas reunidos assim como viveres e armas sem o conhecimento ou até mesmo o apoio do governo turco, tradicional aliado de Israel por quase sessenta anos? Há algo de podre do Reino de Recep Tayyip Erdogan. Quase certamente a IHH tem laços estreitos com o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), atualmente no poder. Há sérios indícios de que o AKP está na busca de duas coisas: transformar a Turquia num país fundamentalista islâmico e recuperar a antiga hegemonia sobre o Oriente Médio, perdida com a dissolução do Império Otomano e com as reformas introduzidas por Mustafa Kemal Atatürk em 1923. Para isto é preciso romper com Israel e demonstrar aos demais países islâmicos sua profunda submissão às palavras e aos atos do Profeta. Segundo estudo do Stratfor.com (A Potential Turkish-Israeli Crisis and Its International Implications) Erdogan viu na iniciativa da IHH uma oportunidade de colocar Israel numa situação difícil.

'Qualquer que fosse a solução desta crise internacional potencialmente séria a Turquia seria beneficiada. Se Israel invadir os navios a Turquia poderá iniciar uma ofensiva diplomática contra Israel. Devido à dependência da Turquia dos EUA, os turcos forçariam a estes tomarem partido, colocando os EUA numa situação difícil em relação a Ankara. Se, pelo contrário, Israel permitir que a flotilha complete sua missão representaria uma grande vitória dos turcos, elevando sua posição como uma liderança e um poder emergente'. Já Israel ficaria numa posição difícil em qualquer dos casos, deteriorando ainda mais suas relações já difíceis com a administração Obama.

Resta-nos evidentemente avaliar qual o papel do acordo Brasil-Turquia-Irã. Seria apenas uma coincidência que as negociações fossem simultâneas com a organização da flotilha 'humanitária'? Haverá alguma relação entre elas e a declaração da Agência Internacional de Energia Atômica de que o Irã já possui matéria prima suficiente para duas armas nucleares? Quando os EUA se distanciam de Israel, como tem sido feito pela administração Obama, a confrontação na região se torna mais viável. Quando os inimigos vêem Israel isolado, se tornam ais agressivos. Quando Israel se sente isolado, também, para agir em sua auto-defesa.

Obviamente, o Brasil, a Bolívia e de resto todos os países comandados pelo Foro de São Paulo também se aproveitam desta situação e, como deixei claro antes, o objetivo brasileiro de construir sua própria bomba, enriquecendo urânio nas instalações iranianas, toma mais força.

A meu ver, não é pura coincidência, são ações minuciosamente planejadas e discutidas nas viagens de Lula a Ankara, Moscou e Teerã. Veremos!

Abaixo, vídeos mostrando as armas encontradas na embarcação 'Mavi Marmara', e a gravação do aviso dado pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) à embarcação.

http://www.youtube.com/watch?v=JvS9PXZ3RWM&feature=player_embedded

http://www.youtube.com/watch?v=FzGiSpXmnQ0&feature=player_embedded

recebi via e-mail do amigo Anatoli [http://blog.anatolli.com.br/]

quarta-feira, 2 de junho de 2010

FÁTIMA E O APEDREJAMENTO DO PAPA BENTO XVI

MONTFORT ASSOCIAÇÃO CULTURAL

Para citar este texto:

Orlando Fedeli - "Fátima e o Apedrejamento do Papa Bento XVI"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas& subsecao=papa&artigo=fatima-bento-xvi〈=bra
São Paulo, 23 de Abril de 2010.
Orlando Fedeli

Nossa Senhora de FátimaÉ bem conhecido pelos católicos fiéis, que o famoso Segredo de Fátima -- que jamais foi publicado na íntegra — trata de um Papa.
Sabe-se perfeitamente disso, porque a pequena vidente Jacinta, em 1917 ainda, teve duas visões particulares, nas quais via um Papa sozinho, rezando, e noutra viu um Papa chorando num palácio, enquanto uma multidão atirava pedras contra ele. E a pequena Jacinta perguntava à sua prima Lúcia:
“Posso contar aquilo sobre o Papa para o povo?” “Coitado do Papa!”
Ao que Lúcia, a principal das videntes, contestou:
“Não. Você não vê que, contando aquilo sobre o Papa, fica fácil descobrir o segredo?”
Portanto, o segredo fala de um Papa apedrejado...
O apedrejamento será literal ou metafórico?
Apedrejar o Papa no Vaticano é impossível, tal a distância do Palácio Apostólico com relação à Praça de São Pedro. O apedrejamento então é metafórico.
Ora, o que se assiste, hoje, é o linchamento do Papa Bento XVI, ao qual a ...”Laicidade” declarou guerra, porque Bento XVI mudou o curso da Barca de Pedro, conduzindo-a para as colunas da Hóstia e da Virgem Maria, como foi anunciado por São João Bosco, mais de cem anos atrás.
Bento XVI rompeu com os acordos feitos, pelo menos desde João XXIII, com a Modernidade preconizada pela “Laicidade”...
Aos papas do após guerra foi dado um ultimatum: ou a Igreja se democartizava, ou ela sofreria a maior perseguição jamais vista na História.
Palavra da “Laicidade”. Que quando promete perseguição sempre cumpre sua palavra.
O Vaticano II democratizou a Igreja.
De fato, hoje, quase ninguém obedece ao Papa. As conferências Episcopais fazem corpo mole diante das ordens ou pedidos do Papa. E há até quem pregue revolta declarada contra Bento XVI.
Foi especialmente no pós Concílio que se alargaram todas as portas. Até a famosa “porta estreita” recomendada por Cristo, teve seus batentes arrancados, nos confessionários, onde tudo passou a ser permitido. Se nenhuma heresia foi condenada pelo Concílio, porque permaneceriam condenados os antigos vícios?
O lema da Revolução da Sorbonne de 1968 —“É proibido proibir” — em nenhum lugar foi mais seguido do que nos confessionários. Que, aliás, logo foram fechados como inúteis, sendo substituídos por saletas de bate –papo pseudo psicanalíticos, com padres janotas aprovando tudo.
E outra porta bem arrombada foi a dos Seminários.
Que porta larga fizeram neles!
Antes do Vaticano II, a entrada nos Seminários era bem vigiada, era estreita, bem controlada.
Depois...
Quantos seminários no Brasil foram apelidados de “gaiolas das loucas”?
O resultado ái está. Como disse o Cardeal Ratzinger em seu discurso antes do Conclave que o elegeu: “a Barca de Pedro está suja por tanta “sporchizia”...
Agora, como Bento XVI se mostra disposto a romper o pacto infame que outros, temendo que a “sporchizzia“ viesse a público, haciam feito com a “Laicidade”, os órgão da “Laicidade” lançaram uma universal campanha de difamação contra o Papa e contra a Igreja, afim de pressionar Bento XVI a capitular, voltando para a permissivista, relativista e ecumênica “Igreja Nova” nascida do Vaticano II.
Nada indica, porém, que Bento XVI cederá à chantagem.
Na Irlanda, foram denunciados 38.000 casos de pedofilia praticados pelo clero. E a Irlanda é um ilha...
Bento XVI exigiu a renúncia do irlandês Monsenhor Maggi, um dos responsáveis pelo acobertamento dos casos de pedofilia na Irlanda. E Monsenhor Maggi fora secretário particular de três Papas: Paulo VI, João Paulo I, e João Paulo II.
Agora, foi publicada carta do Cardeal Castrillón Hoyos eleogiando um Bispo por ter acobertado um caso de padre pedófilo. E é claro que um Cardeal da Cúria não faria isso sem permissão do Papa seu superior: João Paulo II.
Curioso é que Bento XVI, que sempre lutou contra esse acobertamento—veja-se o caso Marcial Maciel—agora é considerado o culpado dos acobertamentos impuros.
Outros fizeram pactos. Bento XVI rompeu o pacto.
Bento XVI é acusado pela “Laicidade” de ser o grande e único culpado.
Por que tudo isso?
Por Bento XVI querer levar a Igreja para onde ela sempre esteve, e de onde ela nunca deveria ter saído.
"O magistério de Bento XVI é uma espada que fere no coração a mentalidade dominante, para dizer só o mínimo "( Cardeal Antonelli : São eles que insurgem a opinião contra a Igreja por CMdelaRocca (2010-04-22 15:07:09)
A palavra de Bento é uma espada que mata a Modernidade, condenada pelo Syllabus.
Deus guarde o Papa em seu martírio.
Até o fim.
Que não parece estar longe.
Será que Bento XVI é o Papa do Segredo de Fátima? Segredo em que, segundo consta de bem claras fontes romanas, Nossa Senhora recomendou que “não se mudasse a doutrina” e que não mudasse a Missa”.
O Vaticano II mudou a doutrina e mudou a Missa.
Só a publicação integral do Terceiro Segredo de Fátima solucionará a atual crise da Igreja.
Mas o Segredo fala também de um Papa que, depois de apedrejado, será morto a tiros e a flechadas...
Será Bento XVI esse Papa?
Os Bispos acostumados desde o Vaticano II a ver os sinais dos tempos, que o digam.
Só que o grande sinal dos tempos atuais é a cegueira generalizada dos “guias de cegos”.
Quantos cegos!...
Na Irlanda...
Só na Irlanda?
via: Cavaleiro do Templo - (imagem da Internet).

Superintendente Mozar Dietrich - Agente do MST

Por Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 2 de junho de 2010.

Nada obsta mais a reforma agrária no Brasil que a manipulação político-partidária que dela se faz. A estratégia criminosa de invasões de terras é a ponta de lança desse processo. Transforma o produtor rural em vilão e o invasor em vítima, numa espantosa inversão de valores. A entidade que tudo patrocina, o Movimento dos Sem-Terra (MST), inexiste juridicamente, o que impede reparações judiciais”. (Senadora Kátia Abreu)

Um MP Atuante

Quando dizíamos que alguns elementos do INCRA nada mais eram do que agentes do PT e MST travestidos de agentes do órgão fomos acusados de radicais. O afastamento do Superintendente do INCRA/RS mostra o quanto nossa acusação era verdadeira e porque as ações e omissões do Instituto tem se caracterizado por medidas essencialmente político-ideológicas afetando os cidadãos de bem e pequenos e grandes proprietários de terras em benefício de interesses não confessos.

Parabéns ao MPF/RS que mostra à sociedade gaúcha que a justiça está acima de interesses partidários.

MP pede afastamento do superintendente do INCRA no RS, suspeito de extorquir plantadores

(Site do MPF/RS)

Mozar Dietrich tentou implantar recentemente um curso de Medicina Veterinária na UFPel, para assentados da reforma agrária, alegando que nada tinha a ver com o MST

“Investigação do Ministério Público Federal em Canoas destinada a aprofundar evidências da atuação ilegal do Superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) no RS, Mozar Dietrich, acabou revelando esquema de extorsão contra plantadores de arroz instalados irregularmente na área.

Em função disso, o procurador da República em Canoas Adriano Raldi encaminhou Ação Civil Pública à Justiça Federal do município, pedindo o afastamento de Dietrich da Superintendência. Também foi pedida a retirada dos invasores do assentamento e o controle judicial da colheita.

Conforme o MPF apurou, Dietrich, que permitia e incentivava a permanência ilegal de invasão de trabalhadores sem-terra no assentamento, protagonizou nas últimas semanas operação destinada a obter o dobro do pagamento pelas sacas de arroz colhidas, quantia que seria desviada em benefício do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

Apesar de ilegal, o arrendamento de áreas do assentamento vem ocorrendo nos últimos dois anos, com conhecimento e tolerância do INCRA. Entretanto, com a iminente saída dos plantadores, o Superintendente e algumas pessoas identificadas como lideranças do MST exigiram pagamento em dobro pela área de colheita, deixando claro que esse valor não reverteria às famílias assentadas (beneficiárias dos lotes arrendados), e sim ao próprio movimento. As evidências foram colhidas no depoimento de pessoas, que estão sob proteção da polícia federal.

Sobre a conduta de Dietrich, foi ainda evidenciado que incitou acampados a resistir à vistoria judicial determinada e a invadir e destruir a Granja Nenê, propriedade vizinha ao assentamento e visada pelo MST.

Diante da gravidade dos fatos, a Justiça Federal determinou o deslocamento de policiais federais e militares ao local, onde deverão acompanhar a colheita. Foi também deferido pedido de desocupação das áreas ilegalmente invadidas por integrantes do MST no assentamento, o que deverá ocorrer nos próximos dias.

Segundo o Procurador da República Adriano Raldi, autor da ação, a gravidade dos fatos e a tensão social em Nova Santa Rita evidenciam o comprometimento da atividade pública que deveria ser exercida pelo INCRA, indicando que o Superintendente Regional deveria ser imediatamente afastado do cargo. “Esse pedido já foi feito à Justiça Federal e será analisado posteriormente”, esclareceu Raldi.

Curso na UFPel

O superintendente Mozar Dietrich tentou recentemente implantar, em parceria com o reitor Cesar Borges, um curso de Medicina Veterinária na UFPel, destinado exclusivamente a assentados da reforma agrária. Na época, ambos disseram que o curso não tinha nada a ver com o MST e que não precisava ser filiado ao movimento para ingressar”. (Site do MPF/RS)

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

ATENÇÃO, ELEITOR!

PAULO SÁ

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou um novo capítulo na Lei Orgânica de Saúde que prevê uma série de exigências ao Estado para garantir tratamento médico e fornecimento de medicamentos aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Todos os medicamentos e procedimentos deverão ser devidamente aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Disciplinar o processo de aquisição de novas tecnologias é uma iniciativa louvável. Mas o processo que agora segue para tramitação na Câmara dos Deputados merece uma análise mais profunda e cuidadosa.

Com o apoio do governo, a iniciativa é uma tentativa do Congresso de frear o fenômeno chamado de judicialização da saúde no qual pacientes diante da carência de remédios entram com ações judiciais para garantir o acesso ao medicamento. Caso o Estado não providencie uma solução, o resultado costuma ser mandados de prisão do secretário de Saúde ou bloqueio das contas públicas. Ações de pouco efeito imediato para o doente, mas de grande impacto social, que resultam em uma imagem negativa para o político. No final, tudo se resolve ainda na base do grito. Assim tem sido nos últimos anos. Portanto, mudar essa realidade é uma necessidade emergencial.

Se aprovado, o projeto de lei (PL) obriga o SUS a atualizar todos os anos a lista de remédios, que não é alterada, pasme, há quase uma década! Ao longo deste período, o sistema de saúde foi sendo sucateado e o orçamento para a pasta não acompanhou o crescimento e o envelhecimento da população brasileira.

Do ponto de vista do paciente, o acesso à tecnologia da saúde — exames complementares, procedimentos e medicamentos — deve ser amplo e sem restrições. Para uma sociedade que prevê no texto constitucional que a Saúde é um direito de todos e dever do Estado, os governantes deveriam ter o compromisso de nunca usar como desculpa a falta de dinheiro público para a assistência. Trata-se, claramente, de uma questão de prioridade de investimentos. E a Saúde há muito tempo ficou de lado na agenda política.

Um dos argumentos que levaram a discussão ao Congresso foi o desequilíbrio nas contas públicas da União, estados e municípios gerado pelo processo de judicialização da saúde. A pergunta é: como, então, o dinheiro vai aparecer para comprar esses medicamentos? E os pacientes que precisam já? Por que não recebem a devida atenção, precisando entrar na Justiça para garantir o acesso ao tratamento adequado? Acontece que na forma pela qual se realiza o financiamento do SUS, o elo mais fraco, o município, acaba por arcar com a parte mais pesada do orçamento da Saúde. Isso porque os repasses da União e dos estados nunca são suficientes para fechar a conta.

A Lei Orgânica da Saúde estabelece que o financiamento da saúde será uma coparticipação da União, estados e municípios. Desde a Norma Operacional Básica de 1996, seguida de diversas outras normas chegando ao Pacto pela Saúde, o financiamento da saúde foi baseado em séries históricas de produção de procedimentos e de valores pagos décadas atrás. Assim, o repasse da União para os municípios é baseado em uma tabela de procedimentos completamente defasada em termos de custo para realização do procedimento, mesmo tendo sido atualizada recentemente. Isso proporciona, nos municípios, um rombo em suas contas, pois eles têm que completar a diferença com o próprio orçamento.

Considerando que a maioria dos municípios brasileiros possui baixa receita em arrecadação, aqueles que são mais pobres são punidos mais uma vez, pois recebem pouco repasse e não possuem orçamento para complementar. O jogo continua perverso, os mais ricos têm mais e os mais pobres muito pouco. Por mais que a União alegue realizar compensações no repasse financeiro, elas não passam de maquiagem sempre atrelada a conchavos políticos.

Tão importante quanto novas leis é a sociedade organizada criar instrumentos de pressão. Em ano de eleição, é importante que o eleitor fique atento aos debates dos pré-candidatos e às suas respectivas propostas para a área de Saúde, pilar fundamental, junto com a Educação, para o crescimento sustentável de um país.

PAULO SÁ é médico e professor da Faculdade de Medicina de Petrópolis.

* Texto publicado no Globo de hoje.


PASSA A BOLA PARA O LULA

Em ano eleitoral, o ônus é de Lula

Autor(es): Alana Rizzo e Flávia Foreque-Correio Braziliense - 02/06/2010

Com a bênção da base aliada, senadores aprovam a reestruturação de várias carreiras do funcionalismo. Somado a outras benesses recentes, prejuízo anual aos cofres públicos que cabe ao presidente aprovar ou vetar soma R$ 2, 2 bilhões.

Geraldo Magela/Agência Senado

Romero Jucá (D), líder do governo no Senado, reconheceu que nem discutiu o mérito do texto, que vencia ontem. “Não podia fazer nada. Se fizesse, derrubava a Medida Provisória”, afirmou.

Com a ajuda da própria base aliada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será mais uma vez o protagonista da decisão de vetar ou não matéria de forte apelo popular. Ontem, senadores aprovaram, em votação simbólica, a Medida Provisória nº 479/09, que reestrutura diversas carreiras do serviço público federal e amplia benefícios previstos em reajuste concedido pelo governo em 2008.

Agora, o pacote de bondades(1) aprovado pelo Congresso, em ano eleitoral, prevê impacto adicional de R$ 2,2 bilhões nas contas do governo. E isso porque o cálculo não considera o valor de uma única emenda, estimada em R$ 1,8 bilhão, que equipara o salário de técnico previdenciário ao de analista tributário da Receita. A questão já foi vetada pelo presidente Lula e, segundo aliados, dessa vez não será diferente. O impacto financeiro caiu nas mãos do Planalto com o apoio de governistas, que contribuíram para aprovação, nas últimas semanas, de três matérias de interesse do eleitorado. A mais recente foi a MP aprovada ontem no Senado.

A avalanche de emendas à proposta — ao todo 201 — teve como origem gabinetes de parlamentares que compõem a base de apoio do governo. “Sou da base, mas se fosse um deputado deles (do PT) não teria acatado nenhuma emenda dos colegas”, afirmou a deputada Gorete Pereira (PR-CE), relatora do projeto. Ao menos 60 das emendas seguiram para o Senado. Segundo a parlamentar, a intenção era corrigir distorções nos vencimentos de categorias do serviço público contempladas na MP. Para alguns deputados, foi a chance de agradar determinados setores do funcionalismo.

“Quando o governo propõe readequar os quadros, não pode deixar nada de fora. Senão, vai ter que mandar outra MP”, afirma o deputado petista Roberto Santiago (SP), autor de 24 emendas. O parlamentar critica a proposta do governo por sua extensão. “É uma grande colcha de retalhos que revela a bagunça que é a administração pública”, conclui.

Mesmo diante de tantos penduricalhos, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirma que a matéria, em específico, sai do Congresso com despesa extra de R$ 35 milhões ao ano — cerca de R$ 3,3 milhões a mais do que o previsto na matéria originalmente enviada. “Não discuti o mérito. Não podia fazer nada. Se fizesse, derrubava a medida provisória”, reconheceu Jucá após a votação. Se não fosse votada no Congresso até ontem, a MP perderia a validade. A oposição não atrapalhou os planos do governo. Apesar de ressalvas ao texto, a matéria não foi alterada. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que o movimento foi acordado anteriormente com a base aliada, para permitir a votação do projeto Ficha Limpa, de forte apelo popular. O tucano avalia que esta será a última proposta de reajuste a ser enviada ainda este ano ao presidente Lula. “Reclama-se muito do recesso (parlamentar), mas acho que agora ele é favorável (porque) o Estado não terá mais prejuízo”, ironizou.

Piso

Diante de reajustes aprovados pelo Legislativo, determinados setores da sociedade voltaram a pressionar as duas casas. Bombeiros e policiais militares, por exemplo, se mantêm empenhados na votação de proposta de emenda constitucional que estabelece um piso nacional para a categoria. Em busca de acordo, eles tiveram ontem nova reunião com o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). O encontro terminou sem consenso. Na próxima semana, a matéria deve ser incluída na pauta do encontro dos líderes da Casa. “Há um certo comportamento genérico do Legislativo de nunca querer dizer não a ninguém”, reconhece o deputado federal Arnaldo Madeira (PSDB-SP). De acordo com a Secretaria da Mesa da Câmara, em maio o plenário da Casa votou três matérias que geram despesas públicas e que ainda aguardam apreciação do Senado.

1 - Sangria

Recentemente, além da MP nº 479/09, o Congresso enviou para sanção do presidente Lula outras duas matérias que aumentam as despesas da União. Uma delas trata do reajuste das aposentadorias acima de um salário mínimo. A matéria enviada ao Legislativo previa originalmente reajuste de 6,14%, mas, com a pressão da categoria, foi aumentada para 7,7%. O impacto adicional é de R$ 1,7 bilhão ao ano. Outra matéria trata do reajuste dos servidores da Câmara, cuja estimativa inicial é de R$ 550 milhões a mais na folha de pagamentos da Casa.

Personagem da notícia
Discrição criticada

Elton Bomfim/Agência Câmara

Relatora da MP nº 479/09 na Câmara, a deputada federal Gorete Pereira (PR-CE) está na terceira passagem pela Casa. “Vou para minha sétima eleição”. Terceira suplente da coligação PMDB-PFL (atual DEM), Gorete assumiu o cargo por 10 meses, no lugar dos deputados Roberto Pessoa e Eunício Oliveira (PMDB). Nas eleições de 2002, obteve 47 mil votos nas urnas. No pleito seguinte, teve o apoio de 74,7 mil eleitores e, assim, conquistou uma das 22 cadeiras reservadas para o Ceará. A receita, segundo ela, é nunca prometer o que não pode cumprir. Parece óbvio? Ela conta também com a ajuda de Deus no próximo pleito. Nascida em Juazeiro do Norte, terra de Padre Cícero, a fisioterapeuta é conhecida pela bandeira social. Foi vereadora e deputada estadual. “Nunca fez nada expressivo. Nem para o bem nem para o mal”, afirma um conterrâneo. Atuou sempre na base aliada e trocou de partido algumas vezes. Já foi do PFL, do PMDB e agora do PR.

No estado, seu nome é ligado à Associação Beneficente Cearense de Reabilitação, entidade não governamental que presidiu durante mais de 10 anos. Também é lembrada pelos bem-sucedidos negócios da família. Dois dos seis irmãos são donos de empresas de moda íntima, a Del Rio e a Di Lady. “Sou habituada a trabalhar para o ser humano”, define.

Quando o PR foi acionado para assumir a relatoria da MP nº 479, a deputada garante que ficou empolgada. “Foi um prêmio.” Só não esperava tanta pressão: dos colegas, que queriam inserir emendas a qualquer preço; do governo, que não queria alteração na proposta; e das categorias, que pleiteavam reajustes. “Sei que houve pedidos até para eu não relatar.”

O nome da cearense foi criticado nos corredores do Congresso. A principal queixa é de que era despreparada e teria virado “marionete” nas mãos do líder do PR, o deputado federal Sandro Mabel (GO). Aos 55 anos, mãe de uma estudante de medicina, Gorete compara a relatoria da MP com a da Timemania, em 2007, em que os clubes de futebol também exerceram forte pressão. “Mas vencemos”, diz, comemorando a aprovação da medida ontem pelo Senado.

terça-feira, 1 de junho de 2010

ESCRITOR WILSON BUENO É ENCONTRADO MORTO

Giselle Ulbrich e Mara Cornelsen

Fábio Alexandre
Wilson Bueno foi achado pelo seu irmão.

Uma facada no pescoço matou o escritor paranaense Wilson Pinto Bueno, 61 anos, em frente ao seu computador. O corpo foi encontrado, no fim da tarde de ontem, em seu escritório, no segundo andar do sobrado onde morava, na Rua Edmundo Alberto Mercer, 184, Tingui. Alguns cômodos foram revirados e o computador levado ao andar de baixo.
A Delegacia de Furtos e Roubos assumiu as investigações. Suspeita-se que dinheiro tenha sido levado. De acordo com o superintendente Hélcio Piazzeta ainda não há um suspeito, mas a polícia dispõe de informações que podem levar ao assassino.
A governanta Jacinta Brek, que trabalhava com Wilson há sete anos, estranhou o silêncio do patrão durante o dia e preocupada, telefonou para o irmão adotivo do escritor, que foi até a casa e encontrou o corpo, caído com a cadeira.

De acordo com avaliação do perito Edmar Cúnico, do Instituto de Criminalística, Wilson estava morto há mais de 12 horas. O escritor havia chegado a casa, por volta das 21h de domingo, após ter ido ao velório de um amigo. Vizinhos escutaram quando ele entrou. Por volta das 23h, ouviram movimentação estranha na casa, com barulhos que não eram comuns.

Aberta

Pela manhã, ao chegar, a governanta estranhou o portão sem cadeado e a porta de entrada só encostada. Notou ainda que o computador de Bueno estava na sala, mas pensou que estivesse lá para ser levado ao conserto.

Como ele trabalhava durante as noites e dormia sempre muito tarde, Jacinta era orientada a não incomodá-lo durante o dia e só subir quando fosse chamada. Como ele não desceu até quase a hora dela ir embora, ficou preocupada e pediu ajuda.
O pai de Bueno faleceu há cinco meses e há informações de que ele estava para receber uma herança de mais de 200 mil reais. Também na semana passada ele havia fechado novo contrato com sua editora, para o lançamento do 13.º livro (seus livros circulam atualmente por mais de 40 países). Não é descartada a hipótese de que alguém tomou conhecimento destas informações e pode ter invadido o sobrado em busca do dinheiro.

fonte: Paraná Online

CAMPANHA DA DILMA À SOMBRA DOS NOVOS ALOPRADOS

Essa gente adora um dossiê...

O comando da campanha presidencial da petista Dilma Rousseff trabalhou nas últimas horas para tentar abafar uma crise que poderia ter consequências explosivas. No meio de uma disputa interna de poder, entre o grupo do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o do deputado estadual Rui Falcão (SP), foi abortado um suposto dossiê, cujo alvo principal seria Verônica Serra, filha do pré-candidato tucano, José Serra.
Na campanha de 2006, petistas comandaram a tentativa de compra de um falso dossiê contra o mesmo Serra, que disputava o governo de São Paulo, no caso que ficou conhecido como o escândalo dos aloprados do PT - como os petistas presos com quase R$ 2 milhões em dinheiro vivo para comprar o suposto dossiê foram chamados pelo presidente Lula.
Agora, a suposta elaboração e circulação de um dossiê contra a filha de Serra pôs em situação delicada o jornalista Luiz Lanzetta, sócio da Lanza Comunicação, empresa contratada pela campanha de Dilma. Reportagem da revista "Veja" desta semana revelou que houve uma tentativa, que teria partido do grupo de Lanzetta, de montar na campanha do PT um esquema de espionagem de adversários e até de correligionários.
Ao GLOBO, integrantes da campanha de Dilma confirmaram a queda de braço entre Pimentel e Rui Falcão, mas negaram o esquema de espionagem. Pimentel teria sido o responsável pela contratação de Lanzetta, que conheceu em 2008, por meio do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), durante a campanha de Márcio Lacerda (PSB) para a prefeitura de Belo Horizonte.
Empresa é investigada pelo TCU e pela CGU
Na ocasião, Lanzetta trabalhava em parceria com o empresário Benedito Oliveira Neto, da Dialog, uma empresa de eventos de Brasília investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Controladoria Geral da União (CGU) por participação em licitações suspeitas. Esse é outro motivo de desconforto no comando da campanha do PT.
Benedito se tornou uma figura frequente na mansão do QI 5 do Lago Sul, onde está instalado o bunker de comunicação e internet da campanha de Dilma - diante da crise dos últimos dias, cogitou-se, inclusive, desmontar a casa. Bené, como é conhecido, ganhou projeção nacional e chamou a atenção da Justiça em fevereiro de 2009, depois de faturar R$ 1,2 milhão do Ministério das Cidades para organizar um encontro de prefeitos com o presidente Lula.
A assessoria de Dilma negou nesta segunda-feira a participação de Bené na campanha. Informou que o aluguel da casa foi feito pela Lanza e pela Pepper Comunicação. E que todas as passagens aéreas de especialistas americanos em internet que assessoraram a campanha foram pagas pelo PT. O marqueteiro americano Scott Goodstein teria estado antes no país com passagens pagas por Benedito, mas a assessoria de Dilma diz que isso não foi de responsabilidade do partido.
Em relação à elaboração do suposto dossiê contra a filha de Serra, a assessoria afirmou que Dilma não tem conhecimento disso.
- Bené é sócio de Lanzetta (em outra empresa). Os dois trabalharam juntos na campanha do Márcio Lacerda. Foi quando o Pimentel os conheceu. Essa casa não é a mansão do PT; foi alugada pela empresa de comunicação. E Bené não é Marcos Valério. Além disso, o pai dele tem a maior gráfica do Centro-Oeste - disse Virgílio.
O clima entre os petistas é de desconfiança mútua entre os grupos de Falcão e de Pimentel. Oficialmente, Falcão é o coordenador de comunicação da campanha, mas ainda estaria tentando assumir, de fato, a função. Ele tenta emplacar na equipe Valdemir Garreta, que foi secretário de Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo.
- Minha empresa (SX Comunicação) já dá apoio ao PT nacional. Antes mesmo de o Rui ir para a campanha. Não há atrito com Lanzetta, isso é ruído de comunicação - disse Garreta.
Além da disputa por poder, preocupa os estrategistas do PT a presença de Bené no entorno da campanha de Dilma. Relatório preliminar da CGU confirma irregularidades em contrato do Ministério das Cidades com a Dialog Comunicação. Entre as supostas ilegalidades descobertas por auditores estão o pagamento por serviços não executados e prorrogação indevida do contrato. No fim do ano passado, a CGU cobrou explicações sobre as supostas irregularidades e recomendou a imediata suspensão do contrato com a Dialog. A partir das respostas do ministério, a CGU fará o relatório definitivo. O contrato já está suspenso.
O TCU também determinou a suspensão da ata que amparava contratos sem licitação da Dialog com outros órgãos do governo federal.
Pelas investigações da CGU, a Dialog ofereceu preços abaixo do custo para ganhar a licitação no Ministério das Cidades. Depois de firmado o contrato, teria usado de artifícios para recuperar o prejuízo e ampliar as margens de lucro. A prática seria conhecida com "jogo de planilhas". Entre os indícios de irregularidades estão "aceitação e contratação de proposta com preços manifestamente inexequíveis", diz trechos do relatório da CGU a que o GLOBO teve acesso. O relatório informa ainda que o ministério atestou e pagou "por serviços não executados".
Fundada em 2004, a Dialog desenvolveu rapidamente uma importante e lucrativa relação com o governo. Dois anos depois da sua criação, deu os primeiros passos em contratos firmados com os ministérios das Cidades e da Cultura no valor de R$ 15 mil. Um ano mais tarde, a empresa já faturava mais de R$ 6,5 milhões em serviços prestados a órgãos públicos. Em 2008, o faturamento quadruplicou: 26,6 milhões. O ano decisivo para a Dialog foi 2009. A empresa quase dobrou seu faturamento e alcançou contratos de serviços terceirizados na ordem de R$ 42 milhões. Neste ano, apesar dos contratos suspensos, a Dialog recebeu R$ 1 milhão dos Ministérios da Cultura e Cidades. Procurado pelo GLOBO, Benedito não retornou ao pedido de entrevista.

Gerson Camarotti, Maria Lima, Jailton de Carvalho e Roberto Maltchik - O Globo

ANTROPOLOGIA TUPINIQUIM III

Por Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 1° de junho de 2010.

Tenho mantido correspondência com o amigo Antropólogo, de verdade, Edward M. Luz e por total afinidade de propósitos e pensamento reproduzo um texto que me enviou recentemente.

Desmandos da Antropologia Brasileira

Edward M. Luz. Antropólogo Consultor. Sócio Efetivo da ABA. Doutorando do CEPPAC/UnB

É sempre perigoso e difícil falar qualquer coisa acerca da antropologia em poucas palavras. Mas aqui vai minha leitura antropológica, sem aspas de distanciamento, nem metáforas mirabolantes, acerca do que está acontecendo com a Antropologia brasileira.

Ao buscar e deter um conhecimento singular, único porque multi-cultural, acerca do Homem, a Antropologia na verdade, termo estranho à esta ciência, onde tudo é sempre relativizavel, vem ao longo de sua história colecionando momentos e méritos diversos, dos mais nobres aos mais espúrios. Um dos poucos fatos que os antropólogos conseguem concordar é que: nem este Homem com H maiúsculo, nem esta Antropologia existem concretamente. Ambos são personagens conceituais que prestam um enorme serviço à humanidade. Muito embora não detenham o monopólio, os antropólogos são os humanos que melhor manipulam os poderes simbólicos destes conceitos, utilizando-o como podem, ou como querem, ou como são obrigados a fazerem. Agem assim por conta de diversos fatores (ideológicos, sociais e econômicos) que condicionam a prática da antropológica enquanto seres humanos repletos de necessidades. Ao longo da história humana, antropólogos fizeram diferentes usos do poder simbólico da Antropologia para os mais diferentes fins. Alguns o utilizaram como instrumento de legitimação do colonialismo europeu, outros ainda, como ciência prática e multifuncional capaz de propor maneiras de melhor lidar com as dificuldades inerentes do manejo de um império global, etc.

Outros antropólogos A utilizaram para questionar ou validar as mais diferentes ideologias que a mente humana produziu, (mitológicas, religiosas e filosóficas). A evolução ideológica da antropologia é tema das disciplinas mais elementares na formação de um bacharel.

Com o ocaso da ideologia comunista/socialista, legitimada por muitos antropólogos que questionavam o modelo capitalista dominante, alguns antropólogos fazem agora uso do poder de seu discurso científico, para legitimar o discurso ambientalista global.

No Brasil, alguns antropólogos fazem uso do discurso científico para legitimar demandas ambientalistas. Muitos deles são subservientes aos movimentos sociais, o que compromete sua capacidade de emitir pareceres nas demarcações de terras indígenas e quilombolas. Sou testemunha disso. Atuei em oito demarcações de terras indígenas, e em cinco delas sofri pressões da Funai e de ONGs para legitimar demandas em que era flagrante o exagero das pretensões territoriais. Como fiz relatórios contrários, a Funai desconsiderou meu parecer e buscou outro antropólogo para fazer o serviço sujo que me recusei a fazer. E se ele também se recusar, a FUNAI o dispensará e conseguirá outro para fazê-lo e assim irá até conseguir implementar seu desejo já mancomunado com ONGs internacionais.

Por conta de um compromisso histórico da Antropologia brasileira com os povos indígenas do Brasil e de outro compromisso ideológico Ambientalista, os antropólogos tornaram-se reféns sempre subservientes aos mais diversos movimentos sociais em território nacional, o que compromete profundamente sua capacidade de emitir laudos, pareceres ou relatórios nas demarcações de terras indígenas e quilombolas. Não importa o que os indígenas façam ou deixem de fazer, porque como já disse Eduardo Viveiros de Castro, um dos maiores expoentes da Antropologia brasileira ‘pro antropólogo, o índio é que nem cliente: tem sempre razão’.

Esse é o principal motivo, porque tanto ele, como eu, como muitos indígenas do Nordeste, acreditamos que os antropólogos não podem, não devem e não precisam mais participar dos processos de identificação e delimitação de novas terras indígenas. Os novos indígenas já estão preparados para defender seus interesses sozinhos. O Executivo brasileiro é perfeitamente capaz, de promover os estudos necessários por meio de outros profissionais mais imparciais (sociólogos ou historiadores, por exemplo), e a sociedade brasileira plenamente capaz de avaliar suas demandas nos fóruns apropriados, ou seja: no Congresso Nacional e no Judiciário Federal.

Eis o meu breve parecer!!!”

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional e do pedrodaveiga.blogspot.com/

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