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| Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência 08.08.2011 |
domingo, 4 de março de 2012
MANIFESTO DA RESERVA ATIVA
Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 03 de março de 2012.
É o Soldado...
(Padre Dennis O'Brien)
É o soldado, não o Presidente,
Quem nos dá democracia;
É o soldado, não o Congresso,
Quem cuida de nós;
É o soldado, não jornalista,
Quem nos garante a liberdade de Imprensa;
É o soldado, não o Poeta,
Quem nos desperta a liberdade de expressão;
É o soldado, não os sindicatos,
Quem nos garante a liberdade de manifestação;
É o soldado quem cultua a Bandeira,
Quem por ela se bate,
Quem acaba em um ataúde por ela coberto,
Enquanto outros a ignoram e a maculam.
Neste terceiro artigo sobre o Imbróglio, proporcionado pelo Megalonanico (como o denomina Reinaldo Azevedo) Ministro da Defesa, apresentamos um novo capítulo, que foi o veemente e corajoso Manifesto assinado pelos Militares da Reserva apoiando o conteúdo do Manifesto publicado no site do Clube Militar. A Presidenta deixou-se envolver no processo graças à incompetente assessoria do Ministro da Defesa que escancarou à nação um executivo extremamente tirano além de potencializar uma nota dos Clubes Militares que, dificilmente, teria chegado ao conhecimento dos brasileiros em geral e ultrapassado as fronteiras nacionais.
Alerta à Nação - "Eles que Venham. Por Aqui Não Passarão!”
Este é um alerta à Nação brasileira, assinado por homens cuja existência foi marcada por servir à Pátria, tendo como guia o seu juramento de por ela, se preciso for, dar a própria vida. São homens que representam o Exército das gerações passadas e são os responsáveis pelos fundamentos em que se alicerça o Exército do presente.
Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do Manifesto publicado no site do Clube Militar, a partir do dia 16 de fevereiro próximo passado, e dele retirado, segundo o publicado em jornais de circulação nacional, por ordem do Ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo. O Clube Militar é uma associação civil, não subordinada a quem quer que seja, a não ser a sua Diretoria, eleita por seu quadro social, tendo mais de cento e vinte anos de gloriosa existência. Anos de luta, determinação, conquistas, vitórias e de participação efetiva em casos relevantes da História Pátria.
A fundação do Clube, em si, constituiu-se em importante fato histórico, produzindo marcas sensíveis no contexto nacional, ação empreendida por homens determinados, gerada entre os episódios sócio-políticos e militares que marcaram o final do século XIX. Ao longo do tempo, foi partícipe de ocorrências importantes como a Abolição da Escravatura, a Proclamação da República, a questão do petróleo e a Contra-revolução de 1964, apenas para citar alguns.
O Clube Militar não se intimida e continuará atento e vigilante, propugnando comportamento ético para nossos homens públicos, envolvidos em chocantes escândalos em série, defendendo a dignidade dos militares, hoje ferida e constrangida com salários aviltados e cortes orçamentários, estes últimos impedindo que tenhamos Forças Armadas (FFAA) a altura da necessária Segurança Externa e do perfil político-estratégico que o País já ostenta. FFAA que se mostram, em recente pesquisa, como Instituição da mais alta confiabilidade do Povo brasileiro (pesquisa da Escola de Direito da FGV-SP).
O Clube Militar, sem sombra de dúvida, incorpora nossos valores, nossos ideais, e tem como um de seus objetivos defender, sempre, os interesses maiores da Pátria. Assim, esta foi a finalidade precípua do manifesto supracitado que reconhece na aprovação da “Comissão da Verdade” ato inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo. Assinam, abaixo, os Oficiais Generais por ordem de antiguidade e os Oficiais superiores por ordem de adesão.
Oficiais Generais
01 - Gen Ex Pedro de Araujo Braga
02 - Gen Ex Domingos Miguel Antônio Gazzineo
03 - Gen Ex José Luis Lopes da Silva
04 - Gen Ex Luiz De Góis Nogueira Filho
05 - Gen Ex Valdésio Guilherme de Figueiredo
06 - Gen Ex Gilberto Barbosa de Figueiredo
07 - Gen Ex Luiz Edmundo Maia de Carvalho
08 - Gen Ex Antônio Araújo de Medeiros
09 - Ten Brig Ar (Refm) Ivan Frota
10 - Gen Ex Domingos Carlos Campos Curado
11 - Gen Ex Ivan de Mendonça Bastos
12 - Gen Ex Rui Alves Catão
13 - Desembargador Bernardo Moreira Garcez Neto
14 - Gen Ex Cláudio Barbosa de Figueiredo
15 - Gen Ex Carlos Alberto Pinto Silva
16 - Gen Ex Luiz Cesário da Silveira Filho
17 - Gen Ex Maynard Marques de Santa Rosa
18 - Gen Div Francisco Batista Torres de Melo
19 - Gen Div Amaury Sá Freire de Lima
20 - Gen Div Cássio Cunha
21 - Gen Div Aloísio Rodrigues dos Santos
22 - Gen Div Robero Viana Maciel dos Santos
23 - Gen Marcio Rosendo de Melo
24 - Gen Div Luiz Carlos Minussi
25 - Gen Div Gilberto Rodrigues Pimentel
26 - Gen Div Ulisses Lisboa Perazzo Lannes
27 - Gen Div Luiz Wilson Marques Daudt
28 - Maj Brig Ar Edilberto Telles Shirotheau Corrêa
29 - Maj Brig do Ar Cezar Ney Britto de Mello
30 - Maj Brig Ar Irineu Rodrigues Neto
31 - Maj Brig Ademir Siqueira Viana
32 - Brig Ar Leci Oliveira Peres
33 - Gen Bda Dickens Ferraz
34 - Gen Bda Paulo Ricardo Naumann
35 - Gen Bda Gilberto Serra
36 - Gen Bda Aricildes de Moraes Motta
37 - Gen Bda Durval A. M. P. de Andrade Nery
38 - Gen Bda Carlos Augusto Fernandes dos Santos
39 - Gen Bda Miguel Monori Filho
40 - Gen Bda Iberê Mariano da Silva
41 - Gen Bda Eduardo Cunha da Cunha
42 - Gen Bda Tirteu Frota
43 - Gen Bda César Augusto Nicodemus de Souza
44 - Gen Bda Geraldo Luiz Nery da Silva
45 - Gen Bda Marco Antonio Felício da Silva
46 - Gen Bda Newton Mousinho de Albuquerque
47 - Gen Bda Paulo César Lima de Siqueira
48 - Gen Bda Marco Antonio Tilscher Saraiva
49 - Gen Bda Manoel Theóphilo Gaspar de Oliveira
50 - Gen Bda Hamilton Bonat
51 - Gen Bda Elieser Girão Monteiro
52 - Gen Bda Pedro Fernando Malta
53 - Gen Bda Mauro Patrício Barroso
54 - Gen Bda Marcos Miranda Guimarães
55 - Gen Bda Zamir Meis Veloso
57 - Gen Bda Valmir Fonseca Azevedo
58 - Gen Bda Marco Antônio Sávio Costa
59 - Brig. Ar Sérgio Luiz Millon
60 - Gen Bda Carlos Eduardo Jansen
61 - Gen Bda Mario Monteiro Muzzi
62 - Gen Bda Paulo Roberto Correa Assis (...)
Devido ao acúmulo de adesões, os novos pedidos de inclusão – serão solicitados pelos e-mails: marco.felicio@yahoo ou seixasmarques@gmail.com ou averdadesufocada@terra.com.br para agilizar a atualização das adesões.
Manifesto Interclubes Militares, Rio de Janeiro, 16.02.2012
(…) Na quarta-feira, 8 de fevereiro, a Ministra da Secretaria de Direitos Humanos concedeu uma entrevista à repórter Júnia Gama, publicada no dia imediato no jornal Correio Braziliense, na qual mais uma vez asseverava a possibilidade de as partes que se considerassem ofendidas por fatos ocorridos nos governos militares pudessem ingressar com ações na justiça, buscando a responsabilização criminal de agentes repressores, à semelhança ao que ocorre em países vizinhos. Mais uma vez esta autoridade da República sobrepunha sua opinião à recente decisão do STF, instado a opinar sobre a validade da Lei da Anistia. E, a Presidente não veio a público para contradizer a subordinada.
Dois dias depois tomou posse como Ministra da Secretaria de Política para as Mulheres a Sra. Eleonora Menicucci. Em seu discurso a Ministra, em presença da Presidente, teceu críticas exarcebadas aos governos militares e, se auto-elogiando, ressaltou o fato de ter lutado pela democracia (sic), ao mesmo tempo em que homenageava os companheiros que tombaram na refrega. A platéia aplaudiu a fala, incluindo a Sra. Presidente. Ora, todos sabemos que o grupo ao qual pertenceu a Sra. Eleonora conduziu suas ações no sentido de implantar, pela força, uma ditadura, nunca tendo pretendido a democracia.
Para finalizar a semana, o Partido dos Trabalhadores, ao qual a Presidente pertence, celebrou os seus 32 anos de criação. Na ocasião foram divulgadas as Resoluções Políticas tomadas pelo Partido. Foi dado realce ao item que diz que o PT estará empenhado junto com a sociedade no resgate de nossa memória da luta pela democracia (sic) durante o período da ditadura militar. Pode-se afirmar que a assertiva é uma falácia, posto que quando de sua criação o governo já promovera a abertura política, incluindo a possibilidade de fundação de outros partidos políticos, encerrando o bi-partidarismo. Os Clubes Militares expressam a preocupação com as manifestações de auxiliares da Presidente sem que ela, como a mandatária maior da nação, venha a público expressar desacordo com a posição assumida por eles e pelo partido ao qual é filiada e aguardam com expectativa positiva a postura de Presidente de todos os brasileiros e não de minorias sectárias ou de partidos políticos.
Retirada do Manifesto Interclubes Militares
Essa nota foi publicada intempestivamente e sem autorização. Houve precipitação…
(V. Almirante Ricardo Antonio da Veiga Cabral – Presidente do Clube Naval).
Os Presidentes dos Clubes Militares, pressionados pela Presidenta, foram forçados a publicar uma nota desautorizando o texto do “Manifesto Interclubes”. O Palácio do Planalto agiu “intempestivamente” já que se vivêssemos, realmente, em um estado democrático de direito a liberdade de expressão teria sido respeitada. A lei n° 7524 / 86, de 17 de julho de 1986, ainda em vigor, dá direito ao militar inativo de “opinar sobre assunto político e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público”.
O Imbróglio do Megalonanico
Fonte: Reinaldo Azevedo, 03 de março de 2012
Quando Dilma e Amorim decidiram punir militares da reserva, havia 98 assinaturas em documento; agora, já são 361 de militares e 124 de civis; havia 13 oficiais-generais; agora, há 44, dois ex-ministros do STM. Então… Da próxima, em vez de a presidente Dilma Rousseff dar ouvidos a Celso Amorim, o Megalonanico, escuta o Tio Rei, que não é nanico… Eu bem que chamei a atenção da Soberana para o direito que têm os militares da reserva de se manifestar. Há uma lei a respeito, conforme deixei claro aqui. Mais: reservistas não têm armas, não podem ameaçar ninguém. No caso em questão, os dois textos que deixaram a presidente brava não traziam e não trazem incitamento à indisciplina ou algo parecido. Expliquei tudo direitinho aqui e aqui. (...)
Que se reitere: ninguém aqui ou fora daqui está incitando indisciplina militar. Ao contrário: entendo que os militares da ativa, os da reserva, o ministro da Defesa e a presidente da República estão obrigados a cumprir a lei. Ponto final. Caso Dilma e Amorim insistam, as advertências serão aplicadas, e os punidos podem recorrer à Justiça. Havendo o triunfo da lei — que é explícita a mais não poder —, terão todos a devida reparação. No Estado de direito é assim.
Eis, em suma, uma crise inútil. Lula é quem é, mas se diga uma coisa em seu benefício. Jamais teria caído nessa roubada. Quando menos, Nelson Jobim lhe teria dito que o confronto era uma desnecessidade e que os efeitos do primeiro documento seriam mínimos. Tudo teria sido resolvido na conversa. Amorim, o megalonanico belicoso, resolveu agir de modo diferente: “Pega eles, Soberana; pega eles! Estamos sendo desrespeitados!” Eis aí o resultado. (...)
Não será fácil para os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica resolverem o imbróglio criado pela presidente Dilma Rousseff por ter decidido punir com advertência todos os militares que assinaram o manifesto “Alerta à nação - Eles que venham, por aqui não passarão”, que endossa as críticas a ela por não ter censurado suas ministras que pediram a revogação da lei de anistia.
A presidente já havia se irritado com o manifesto dos Clubes Militares, lançado às vésperas do Carnaval, e depois retirado do site, e ficou mais irritada ainda com o novo documento, no qual eles reiteram as críticas e ainda dizem não reconhecer a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim, para intervir no Clube Militar. (...)
O Ministério da Defesa e os comandos militares ainda estão discutindo internamente com que base legal os militares podem ser punidos. Várias reuniões foram convocadas pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, e os comandantes militares nos últimos dias para discutir o assunto. Mas há divergências de como aplicar as punições. A Defesa entende que houve “ofensa à autoridade da cadeia de comando”, incluindo aí a presidente Dilma e o ministro da Defesa. Amorim tem endossado esta tese e alimentado a presidente com estas informações. O ministro entende que os militares não estão emitindo opiniões na nota, mas sim atacando e criticando seus superiores hierárquicos, em um claro desrespeito ao Estatuto do Militar.
Só que, nos comandos, há diferentes pontos de vista sobre a lei 7.524, de 17 de julho de 1986, assinada pelo ex-presidente José Sarney, que diz que os militares da reserva podem se manifestar politicamente e não estão sujeitos a reprimendas. No artigo primeiro da lei está escrito que “respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público”. Esta legislação acabou dando origem a Súmula 56 do Supremo Tribunal Federal. (...)
Até agora nenhum militar da ativa assinou o documento. Se isso ocorrer, a punição será imediata e não será com advertência, mas poderá chegar a detenção do “insubordinado”. Quanto ao general Rocha Paiva, que deu entrevista para o programa da Miriam Leitão, lançando suspeita sobre participação de Dilma em atentado e duvidando que ela tenha sido torturada, a princípio, nada será feito contra ele porque a entrevista já teria sido concedida muito antes da atual crise e o contexto é considerado outro.
Encerro
E pensar que tudo isso nasceu porque uma Ministra do Estado, Maria do Rosário, resolveu fazer uma exortação contra a letra da lei e contra decisão do Supremo e porque outra, Eleonora Menicucci, resolveu contar, no discurso de posse, uma história falsa como nota de R$ 3. Proibidos de se manifestar, os militares da ativa se calaram. E fizeram bem. Autorizados por lei a falar, os reservistas falaram.
Dilma tem de se conformar com as regras do estado democrático e de direito. Os militares, da ativa e da reserva, felizmente, já se convenceram de que este é o melhor caminho para o Brasil: o triunfo da lei. Que os civis agora façam o mesmo Dilma tem de se conformar com as regras do estado democrático e de direito. Os militares, da ativa e da reserva, felizmente, já se convenceram de que este é o melhor caminho para o Brasil: o triunfo da lei. Que os civis agora façam o mesmo.
Manifestantes não Estão Sujeitos a Sanções Disciplinares
Fonte: Evandro Souto Maior – OAB/RJ 53.223
O Advogado e Coronel de Cavalaria, da turma de 1957, Evandro Souto Maior faz uma análise precisa sobre o ilícito de punir os militares da reserva.
Alguns amigos me perguntam se os militares que assinaram recentes manifestos estão sujeitos a sanções disciplinares. A resposta é NÃO. A jurisprudência a respeito é antiga e deu origem a Súmula n° 56 do STF.
A promulgação da Lei nº 7.524 deu mais abrangência à matéria. O artigo 1° dessa norma jurídica estabeleceu que:
é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público.
No parágrafo único desse artigo estabeleceu o limite da liberdade de expressão:
A faculdade assegurada neste artigo não se aplica aos assuntos de natureza militar de caráter sigiloso e independe de filiação político-partidária.
Aí surge a pergunta seguinte: - e se assim mesmo for punido? A resposta para essa pergunta encontra-se na Lei n° 4.898, de 9 de dezembro de 1965, que “Regula o Direito de Representação e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal, nos casos de abuso de autoridade”. Isso não é nada difícil de se fazer e nem requer advogado, embora seja recomendado. O art. 1° da Lei estabelece que o processo se inicia com uma petição, que nada mais é do que um requerimento (petição vem de pedido); o art. 2° informa que deverá ser encaminhado para a autoridade superior àquela que praticou o ato. Se o ato inquinado for criminoso, o requerimento deverá ser encaminhado para o Ministério Público competente. Nunca esquecendo que ainda pode ser ajuizada uma ação por danos morais em juizado cível.
Livro
O livro “Desafiando o Rio-Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre.
Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Vice-Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil -RS (AHIMTB - RS); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.
sábado, 3 de março de 2012
O DIA EM QUE A BASE ALIADA AMEAÇOU DESMORONAR
Presidenta adia nomeação de novo ministro do Trabalho para contornar uma sucessão de rebeliões entre os partidos aliados. Veja como foi os bastidores da tensa quinta-feira de Dilma, que acabou o dia, inesperadamente em São Bernardo do Campo, pedindo conselho a Lula.
Era por volta das 14h de quinta-feira (01) quando o deputado Hugo Leal (PSC-RJ) chegou ao Palácio do Planalto. Estavam com ele os deputados Cadoca (PSC-PE) e Felipe Pereira (PSC-RJ).
A alguns metros dali, na Câmara dos Deputados, os demais parlamentares do PSC comemoravam efusivamente. Hugo Leal havia sido chamado pela presidenta Dilma Rousseff para se tornar o novo ministro do Trabalho, em substituição a Paulo Roberto dos Santos Pinto, que está interino no ministério desde a demissão de Carlos Lupi, do PDT. Cerca de uma hora depois, Hugo Leal saiu do Palácio do Planalto sem falar com Dilma e, consequentemente, sem se tornar ministro. Na sequência, a presidenta pegou o avião e rumou para São Paulo, para se encontrar pessoalmente com o ex-presidente Lula no seu apartamento em São Bernardo do Campo.
O que fez Dilma dar um chá de cadeira em Hugo Leal, frustrar – pelo menos momentaneamente – sua expectativa de se tornar ministro, pegar um avião correndo e ir se consultar com Lula foi a iminência do que poderia ser a mais grave crise política enfrentada pela presidenta desde que tomou posse em janeiro do ano passado. Depois da surpreendente nomeação de Marcelo Crivella no Ministério da Pesca, o PMDB, principalmente, ameaçava uma rebelião que, àquela altura, poderia se estender para o PDT também e para outros aliados. Diante do risco, Lula aconselhou Dilma a adiar qualquer outra mexida ministerial até as coisas se acalmarem.
PREFEITURA DE SÃO PAULO - Em torno das ações de Dilma e das reações que poderiam terminar em rebelião estão os movimentos feitos por todos os partidos em torno das eleições para a prefeitura de São Paulo. Maior cidade do país, berço do PT e do PSDB, o resultado das eleições em São Paulo será importante definidor dos rumos eleitorais do país em 2014. Daí, a sua importância.
Quando resolveu tirar o deputado Luís Sérgio (PT-RJ) do Ministério da Pesca para ali colocar Marcelo Crivella, a intenção de Dilma era fortalecer a candidatura do ex-ministro da Educação Fernando Haddad, que tentará a prefeitura paulistana pelo PT. O PRB, partido de Marcelo Crivella, tem um pré-candidato na disputa de São Paulo, que aparece bem colocado nas pesquisas, Celso Russomano. Embora ainda mantenha sua pré-candidatura, Russomano vinha, ao mesmo tempo, conversando com o pré-candidato do PMDB, o deputado Gabriel Chalita. Depois da entrada de José Serra, do PSDB, na disputa, o quadro eleitoral em São Paulo tornou-se confuso, e um eventual fortalecimento de outras candidaturas poderia até acabar por tirar Haddad do segundo turno. Daí, a estratégia de desidratar outras candidaturas dentro da base aliada para fazer com que esses partidos unam-se desde o início a Haddad.
O problema é que Dilma fez a mexida no Ministério da Pesca ignorando solenemente o PMDB, seu principal aliado na coalizão do governo. O vice-presidente Michel Temer, principal líder peemedebista, só soube da nomeação de Crivella pela televisão. E ficou imensamente irritado. Na quinta-feira, os deputados do PMDB preparavam uma carta, que pretendiam entregar a Temer para que ele a encaminhasse para Dilma, na qual o partido manifestaria claramente a sua contrariedade, acusando o PT de optar por uma estratégia hegemônica atropelando de forma truculenta os planos eleitorais de seus parceiros. Quando se preparava para receber Hugo Leal para discutir o Ministério do Trabalho, Dilma ficou sabendo da rebelião peemedebista. Naquele momento, a nova mexida iria colocar ainda mais lenha na fogueira.
Quando resolveu tirar o deputado Luís Sérgio (PT-RJ) do Ministério da Pesca para ali colocar Marcelo Crivella, a intenção de Dilma era fortalecer a candidatura do ex-ministro da Educação Fernando Haddad, que tentará a prefeitura paulistana pelo PT. O PRB, partido de Marcelo Crivella, tem um pré-candidato na disputa de São Paulo, que aparece bem colocado nas pesquisas, Celso Russomano. Embora ainda mantenha sua pré-candidatura, Russomano vinha, ao mesmo tempo, conversando com o pré-candidato do PMDB, o deputado Gabriel Chalita. Depois da entrada de José Serra, do PSDB, na disputa, o quadro eleitoral em São Paulo tornou-se confuso, e um eventual fortalecimento de outras candidaturas poderia até acabar por tirar Haddad do segundo turno. Daí, a estratégia de desidratar outras candidaturas dentro da base aliada para fazer com que esses partidos unam-se desde o início a Haddad.
O problema é que Dilma fez a mexida no Ministério da Pesca ignorando solenemente o PMDB, seu principal aliado na coalizão do governo. O vice-presidente Michel Temer, principal líder peemedebista, só soube da nomeação de Crivella pela televisão. E ficou imensamente irritado. Na quinta-feira, os deputados do PMDB preparavam uma carta, que pretendiam entregar a Temer para que ele a encaminhasse para Dilma, na qual o partido manifestaria claramente a sua contrariedade, acusando o PT de optar por uma estratégia hegemônica atropelando de forma truculenta os planos eleitorais de seus parceiros. Quando se preparava para receber Hugo Leal para discutir o Ministério do Trabalho, Dilma ficou sabendo da rebelião peemedebista. Naquele momento, a nova mexida iria colocar ainda mais lenha na fogueira.
MAIS UMA PEDRA CONTRA CHALITA - A escolha de Hugo Leal seria mais uma pedra contra as pretensões de Chalita e do PMDB em São Paulo. Assim como era o PRB de Crivella, o PSC é um partido aliado com cargos ministeriais, e igualmente com peso junto à bancada evangélica. Em São Paulo, o PSC já fechava um acordo para apoiar a candidatura de Chalita à prefeitura de São Paulo.
Assim, a escolha de Hugo Leal serviria para neutralizar mais um possível acordo eleitoral para fortalecer a candidatura de Chalita em São Paulo e enfraquecer a candidatura de Haddad. Assim, caso acontecesse na sequência da escolha de Crivella, a nomeação de Hugo Legal agravaria a insatisfação peemedebista.
À grita do PMDB, iria somar-se à do PDT. Depois da votação da Fundação de Previdência do Servidor Público (Funpresp), a avaliação dentro do governo é de que o PDT, pela sua insubordinação, não deveria ter mais direito ao Ministério do Trabalho. Praticamente toda a bancada do PDT, com exceção de Brizola Neto (RJ) e Marcos Medrado (BA), votou contra a Funpresp. Para completar, um dos deputados do partido, João Dado (SP), ainda resolveu entrar na Justiça contra a criação da fundação. A constatação de Dilma era de que Brizola Neto, como líder, não tinha o comando da bancada, que não tinha o menor pudor em agir de forma contrária aos interesses do governo.
Assim, a escolha de Hugo Leal serviria para neutralizar mais um possível acordo eleitoral para fortalecer a candidatura de Chalita em São Paulo e enfraquecer a candidatura de Haddad. Assim, caso acontecesse na sequência da escolha de Crivella, a nomeação de Hugo Legal agravaria a insatisfação peemedebista.
À grita do PMDB, iria somar-se à do PDT. Depois da votação da Fundação de Previdência do Servidor Público (Funpresp), a avaliação dentro do governo é de que o PDT, pela sua insubordinação, não deveria ter mais direito ao Ministério do Trabalho. Praticamente toda a bancada do PDT, com exceção de Brizola Neto (RJ) e Marcos Medrado (BA), votou contra a Funpresp. Para completar, um dos deputados do partido, João Dado (SP), ainda resolveu entrar na Justiça contra a criação da fundação. A constatação de Dilma era de que Brizola Neto, como líder, não tinha o comando da bancada, que não tinha o menor pudor em agir de forma contrária aos interesses do governo.
Ao mesmo tempo, o PDT dava sinais de querer abandonar de vez a base do governo, ao aceitar a Secretaria do Trabalho no governo tucano de Geraldo Alckmin em São Paulo. Era, assim, consenso dentro do governo que se deveria tirar o PDT do Trabalho e entregar a pasta a outro partido. Enquanto, porém, costurava-se a solução Hugo Leal para o ministério, parte do PDT fazia gestões junto a Dilma para permanecer no ministério. Assim, havia uma chance de manter o PDT na base. Por outro lado, a decisão definitiva de retirá-lo do ministério faria com que o partido de Lupi seguisse definitivamente para a oposição.
Foi com esse quadro confuso que Dilma resolveu pedir conselhos a Lula. O ex-presidente sugeriu, então, a Dilma que deixasse as coisas como estão, esperasse a poeira baixar, reavaliasse a situação antes de tomar a decisão. Hugo Leal continua cotado para o Ministério do Trabalho, mas tudo irá depender das futuras reações e dos acertos que Dilma venha a fazer. Enquanto ela estava em São Paulo com Lula, o candidato do PSC ao Ministério do Trabalho teve reuniões em Brasília com o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.
Foi com esse quadro confuso que Dilma resolveu pedir conselhos a Lula. O ex-presidente sugeriu, então, a Dilma que deixasse as coisas como estão, esperasse a poeira baixar, reavaliasse a situação antes de tomar a decisão. Hugo Leal continua cotado para o Ministério do Trabalho, mas tudo irá depender das futuras reações e dos acertos que Dilma venha a fazer. Enquanto ela estava em São Paulo com Lula, o candidato do PSC ao Ministério do Trabalho teve reuniões em Brasília com o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.
sexta-feira, 2 de março de 2012
OS DETALHES DA VIDA
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| * Mão de Deus – escultura no deserto do Atacama, Chile, entre as cidades de Antofagasta e Copiapó em viagem de 2008 |
Por João Bosco Leal
Após adquirir minha primeira motocicleta, cerca de vinte anos atrás, quando achei que já tinha juízo suficiente para adquirir uma, nos finais de semana me aventurava em minhas primeiras viagens, até as cidades mais próximas, iniciando com as que estavam a 20, depois 50, 100, 200 quilômetros de distância.
Eram passeios totalmente descompromissados, sem nada para fazer no destino, hora para partir ou retornar. Mal chegava a um lugar já voltava só interessado na liberdade, no ar batendo no corpo e nas sensações que só quem já viajou de moto conhece.
Como diferença marcante entre as viagens de carro e de moto, o que mais me chamava à atenção eram os detalhes. Mesmo em caminhos por onde já havia passado dezenas de vezes de carro, começava a enxergar árvores, desvios, entradas, topografias, paisagens e detalhes que nunca havia percebido.
Esse talvez seja um dos motivos que mais explique a paixão dos que gostam de viajar de moto. Além das sensações, enxerga-se muito mais do que quando estamos de carro, talvez pelo enclausuramento provocado pela própria estrutura do carro, as colunas, os vidros fechados e a música, que praticamente nos isolam do que se passa do lado externo.
Enganam-se os que acham que os motociclistas são loucos, que correm demais, usam drogas, arrumam brigas e coisas do gênero. Isso é coisa de filme americano, de bandos de velhos arruaceiros, que andavam em bandos com suas motos, arrumando confusões e amedrontando todos por onde passavam, mas isso não existe por aqui.
Existem, é claro, diversos tipos de motocicletas e usuários de diversas idades, cultura e educação, que delas se utilizam de formas distintas, mas basta observar um pouco para percebermos que "loucuras" com motos só são realizadas pelos motoboys, com motos pequenas, que realizam verdadeiro zigue-zague no trânsito ou pelos jovens que possuem motos esportivas enormes, mais "tensas", que fazem barulho, dão grandes aceleradas e atingem velocidades enormes em apenas uma quadra de onde partiram, disputam arrancadas em ruas e avenidas, correm muito e morrem bastante.
Quem gosta de viajar de moto raramente anda na cidade e se anda, é muito lentamente, curtindo sua máquina. São os que já possuem os cabelos brancos, com estabilidade financeira suficiente para investir entre cinquenta e cem mil dólares em uma dessas máquinas do tipo Custom, Big Trail ou Touring, para passear, viajar, enfim, aproveitar a vida em seus momentos de laser, e com elas partem, só com as esposas, ou em companhia de vários outros casais, em busca de lugares tão distintos quanto uma cidade próxima, ou até outro país, em viagens que podem durar dias, semanas - como uma de vinte e oito dias que realizei até o Chile -, ou meses.
Pressa é o que menos possui quem se dispõe a realizar uma viagem dessas. Vamos parando, conhecendo, tirando fotografias, descobrindo locais, vegetações, animais, alimentos, pessoas, idiomas e culturas diferentes da nossa. A obrigatoriedade de chegar a determinado local em data e horário pré-determinado nunca existiu nessa minha viagem. Não havia nenhum hotel reservado. Chegando a uma cidade é que procurava aposentos e os centros de informações públicas, onde obtinha as dicas de locais turísticos. Se gostasse, ali permanecia por um, dois ou três dias, passeando, conhecendo. Caso contrário, partia no dia seguinte, sem hora para acordar ou para a saída.
As experiências vividas em viagens assim jamais serão esquecidas, pois são maravilhosamente ricas em detalhes. Os que viajam de carro não percebem as mudanças de ares, da temperatura, dos cheiros dos campos e matas, mas de moto, sentem tudo em sua plenitude.
Enxergar o que existe entre dois pontos, as paisagens e detalhes que poucos viram, é a grande diferença entre viver a vida ou passar por ela.
* João Bosco Leal-Jornalista, escritor, articulista político e produtor rural.
quinta-feira, 1 de março de 2012
EXPORTAÇÃO DE ENERGIA PARA A VENEZUELA
Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 29 de fevereiro de 2012.
Escrevi, recentemente, o artigo “Energia Amazônica”, falando da construção do Linhão (Linha de Transmissão) Tucuruí-Macapá-Manaus. Alguns amigos demonstraram surpresa quando ao final, falei da incorporação de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e da possibilidade de, futuramente, exportarmos energia para a Venezuela, em vez de a importarmos, como fazemos hoje.
- Roraima no SIN
No dia 25 de janeiro deste ano, foi assinado o contrato de concessão para a construção da Linha de Transmissão Manaus/Boa Vista, que terá 715 km de extensão, nos Estados do Amazonas e Roraima, mais as Subestações Equador 500 kV e Boa Vista 500/230 kV. A linha conectará Boa Vista ao SIN, contribuindo ainda mais para a redução do consumo de Combustíveis Fósseis, além de possibilitar a exportação de energia do SIN para a Venezuela.
Veja o artigo completo no link:
Reproduzo a reportagem da jornalista Claudia Jardim da BBC Brasil, de 17 de fevereiro de 2010.
Veja a reportagem completa no link:
Venezuela estuda importar energia do Brasil
Fonte: Claudia Jardim - De Caracas para a BBC Brasil
O ministro de Energia Elétrica da Venezuela, Ali Rodriguez Araque (foto ao lado), anunciou, nesta quarta-feira, que o governo poderá comprar energia elétrica do Brasil e de outros vizinhos para conter a crise energética que mantém o país em estado de emergência no setor.
Araque confirmou que o Brasil já ofereceu exportar energia aos venezuelanos. De acordo com a imprensa colombiana, Bogotá, que mantém uma crise diplomática com o governo venezuelano, também deve fazer uma oferta para o setor nesta quinta-feira.
“Não é bom atravessar o rio antes de chegar à ponte. Se houver qualquer oferta proveniente da Colômbia, nós vamos analisar, assim como estamos fazendo com a oferta que veio do Brasil”, afirmou o ministro em entrevista coletiva em Caracas.
Ainda de acordo com Araque, a exportação de cerca de 80 megawatts da Venezuela para o Brasil poderia ser suspensa e, no seu lugar, os venezuelanos importariam eletricidade brasileira.
Há duas semanas, uma equipe técnica do ministério de Minas e Energia esteve na Venezuela para avaliar a crise e propor alternativas de cooperação no setor. No encontro, foi estabelecida a viagem de uma equipe venezuelana para o Brasil para coordenar um plano para enfrentar a crise.
Emergência
No início do mês, o governo da Venezuela decretou estado de emergência elétrica em todo o país, medida que permite ao Executivo dispor de recursos para a compra de energia elétrica tanto dentro como fora do país sem a necessidade de trâmites de licitação.
O governo promete injetar pelo menos US$ 4 bilhões no setor elétrico com o objetivo de incrementar pelo menos 4 mil megawatts ao sistema de eletricidade neste ano, dando maior peso na construção de termoelétricas.
Considerada como uma das piores secas das três últimas décadas, a represa que abastece a hidrelétrica do El Guri, responsável por 70% da geração de energia do país, perde diariamente 13 centímetros de água.
Multas para desperdício
A crise levou o governo a endurecer a aplicação do plano de racionamento, anunciado no início do mês, que estabelece multas de entre 100% a 200% no valor da conta para os venezuelanos que não economizarem energia.
Essas sanções deverão se estender também para o consumo de água. De acordo com um decreto que entrará em vigência dia 1° de março, o governo poderá multar os consumidores que não adotarem o plano de racionamento vigente desde o ano passado.
A nova regra determina que o metro cúbico de água poderá custar de três a cinco vezes mais para os venezuelanos que optarem por não fechar as torneiras.
“Aquelas pessoas que não se importarem em pagar o excesso e continuarem desperdiçando água, se cortará o serviço (de abastecimento) ainda que tenham a conta em dia”, afirmou Alejandro Hitcher, ministro de Ambiente e presidente da estatal hidráulica Hidrocapital, em entrevista ao jornal local Últimas Notícias.
O governo argumenta que a crise, que tem afetado sua popularidade, se deve à severa seca provocada pelo fenômeno El Niño, ao mesmo tempo em que responsabiliza os consumidores pelo “desperdício” tanto de eletricidade como de água.
Já a oposição responsabiliza o Executivo, ao afirmar que a crise é consequência de faltas de investimentos no setor.
A crise energética e hidráulica ocorre em um ano considerado decisivo no campo político, quando os venezuelanos irão às urnas definir a nova composição do Parlamento, hoje controlado por maioria chavista.
Livro
O livro “Desafiando o Rio-Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre.
Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Vice- Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.
E-mail: hiramrs@terra.com.br
CARTAS NA MESA
Por Geraldo Almendra
A divulgação de que o desgoverno petista pretende punir os militares que “assinaram o manifesto” com a possibilidade da prisão de pelo menos um deles é a cartada final do PT para impor, em definitivo, e absolutamente às claras, um Regime Ditatorial Fascista no país, fazendo das Forças Armadas seus submissos lacaios para “manter a ordem petista nas relações sociais”.
Devemos ressaltar que na hora do acerto de contas com esses verdadeiros bandidos ninguém poderá se esquecer de que o PT está fazendo com o país aquilo que a própria sociedade esclarecida permite, pois não vemos, ainda, tanques nas ruas nem qualquer sinal de uma guerra civil como forma de combate ao covil de bandidos em que foi transformado o poder público.
Quando dizemos que a sociedade permite estamos falando:
- dos atuais comandantes das Forças Armadas,
- dos milhares de esclarecidos canalhas não pertencentes formalmente aos quadros do PT, mas que por força do DNA da ilicitude que tomou conta seus corpos e almas degenerados são cúmplices voluntários ou subornados da destruição do país,
- das burguesias e oligarquias públicas e privadas que se uniram ao PT para levar suas vantagens no bilionário roubo dos contribuintes durante a era petista,
Se não fosse o apoio e a cumplicidade de milhares de canalhas esclarecidos de todas as classes sociais, com liderança do Retirante Pinóquio, o mais sórdido político de nossa história, o país não teria se transformado em um paraíso de patifes e nem o PT conseguiria levar avante seu projeto de poder pelo poder.
As prisões não terão preconceito de classe social ou de renda e nas suas dependências, um dia, ficarão perfilados todos os traidores de nossa pátria, não importa o tempo necessário que isso leve para acontecer, afinal de contas os herdeiros também poderão pagar um pedaço da conta da destruição do país promovida por suas famílias.
Geraldo Almendra - é Economista, Consultor e Professor de Matemática.
FORÇAS ARMADAS VÃO PUNIR CEM MILITARES QUE ASSINARAM MANIFESTO
Eles contestaram a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim
Por Evandro Éboli
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| Essa é a "democracia" pela qual as organizações pegaram em armas nas décadas de 60/70 . Se as ameaças forem concretizadas, os militares serão presos políticos por "crimes de opinião". |
BRASÍLIA - O ministro da Defesa, Celso Amorim, decidiu nesta quarta-feira, em conversa com os três comandantes militares, que os cem oficiais da reserva que assinaram o manifesto "Alerta à Nação - eles que venham, aqui não passarão" serão repreendidos por suas respectivas forças. A punição pela indisciplina depende do regulamento de cada um, do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, e varia de uma simples advertência até a exclusão da força. Mesmo militares da reserva podem ser excluídos.
Nesse texto, os militares da reserva criticaram a interferência do governo no site do Clube Militar e o veto a um texto ali publicado que critica a presidente Dilma Rousseff e duas ministras. Nesse "Alerta à Nação", os oficiais afirmam não reconhecer "qualquer tipo de autoridade ou legitimidade” de Celso Amorim.
"Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do Manifesto publicado no site do Clube Militar, a partir do dia 16 de fevereiro, e dele retirado, segundo o publicado em jornais de circulação nacional, por ordem do Ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade", diz o documento.
Como no manifesto vetado no site do Clube Militar, o documento de terça-feira também critica a criação da Comissão da Verdade.
"A aprovação da Comissão da Verdade foi um ato inconsequente, de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo".
O texto publicado no site do Clube Militar atribuía à ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e à ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, declarações que estariam a serviço do que classificaram de "minoria sectária", disposta a reabrir feridas do passado. O primeiro manifesto polêmico foi assinado pelos presidentes do Clube Militar, Renato Cesar Tibau Costa; do Clube Naval, Ricardo Cabral; e do Clube da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista, todos já na reserva.
No texto, dizem que Rosário vem apregoando a possibilidade de apresentação de ações judiciais para criminalizar agentes da repressão, enquanto Eleonora teria usado a cerimônia de posse — em 10 de fevereiro — para tecer "críticas exacerbadas aos governos militares", sendo aplaudida por todos, até pela presidente. Eleonora foi presa durante a ditadura militar e, na cadeia, conheceu Dilma.
O texto diz ainda que o Clube Militar não se intimida e continuará atento e vigilante e diz que as Forças Armadas são a instituição com maior credibilidade na opinião pública.
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