sábado, 29 de maio de 2010

JOÃO GOULART, UMA FARSA

Historiador rejeita tese de conspiração contra João Goulart

Luiz Alberto Moniz Bandeira diz que família de Jango endossou suspeita para tentar indenização dos EUA
Para Moniz Bandeira, não há dúvida de que a morte foi por infarto; procurados, familiares não ligaram de volta.
BERNARDO MELLO FRANCO DE SÃO PAULO

Após investigar por dois anos a morte do ex-presidente João Goulart (1918-1976), o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira afirma ser "charlatanice" a tese de que ele teria sido assassinado por agentes uruguaios a mando da ditadura brasileira. Ele acusa a família de Jango de endossar a suspeita na tentativa de obter indenização dos Estados Unidos pelo apoio ao golpe de 1964. "Isso só interessa à família, por motivos financeiros, e a alguns segmentos que pretendem fazer exploração política do caso", afirma.

A tese sobre o suposto assassinato de Jango é analisada num apêndice inédito ao livro "O Governo João Goulart", de Moniz Bandeira. A Folha teve acesso à obra, que volta às livrarias em junho pela editora Unesp. Companheiro do ex-presidente no exílio, o professor aposentado da UnB contesta o relato do uruguaio Mario Neira Barreiro, que diz ter participado de uma operação para envenenar o ex-presidente no hotel em que ele vivia, em Buenos Aires. O historiador afirma não ter dúvidas de que Jango morreu de infarto, devido a seu histórico de doenças cardíacas e à falta de cuidado com a saúde. "Somente quem não raciocina e carece de um mínimo de conhecimento pode considerar seriamente a história de conspiração contada pelo delinquente Neira Barreiro", afirma ele no livro.

Preso no Rio Grande do Sul por crimes comuns (tráfico de armas, roubo de carro-forte e falsidade ideológica), o uruguaio sustenta a versão de que o serviço secreto de seu país adulterou remédios para matar Jango e evitar sua volta ao Brasil. Ele fez o relato à Folha, em janeiro de 2008, e à Polícia Federal, em depoimento tomado por ordem do ex-ministro Tarso Genro (Justiça). Segundo Moniz Bandeira, a tese da troca de remédios é uma "farsa" e carece de provas. Ele afirma que o corpo não foi submetido a autópsia por decisão da família, e não por veto da ditadura.

Preso no Rio Grande do Sul por crimes comuns (tráfico de armas, roubo de carro-forte e falsidade ideológica), o uruguaio sustenta a versão de que o serviço secreto de seu país adulterou remédios para matar Jango e evitar sua volta ao Brasil. Ele fez o relato à Folha, em janeiro de 2008, e à Polícia Federal, em depoimento tomado por ordem do ex-ministro Tarso Genro (Justiça). Segundo Moniz Bandeira, a tese da troca de remédios é uma "farsa" e carece de provas. Ele afirma que o corpo não foi submetido a autópsia por decisão da família, e não por veto da ditadura.

Pesquisando os arquivos do caso, o historiador recuperou entrevista em que a viúva do ex-presidente, Maria Thereza Goulart, afirmou não ter dúvidas sobre a causa da morte do marido. A declaração foi dada em 1982, quando o ex-governador Leonel Brizola defendeu a exumação do corpo de Jango após a divulgação de outra suspeita de assassinato. Apesar de contestar a tese de homicídio, Moniz Bandeira faz uma defesa enfática de seu governo e da decisão de não resistir ao golpe de 1964: "Ele não resistiu porque não havia condições de vencer". A Folha procurou a família de Jango por meio do Instituto João Goulart, presidido por seu filho João Vicente, mas não obteve resposta.

O “BOM AMIGO” AHMADINEJAD

Por Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 29 de maio de 2010.

“(…) se perfilan varias aventuras diplomáticas fallidas, disimuladas por la superficialidad y la inercia mediáticas. (…) El objetivo diplomático número uno de Lula - lograr un escaño permanente en el Consejo de Seguridad - se ve, al término de ocho años de esfuerzos, menos viable que nunca”.
(Jorge Castañeda - ex-secretário de Relações Exteriores do México)

O “bom amigo” de Lulla é uma ameaça para dissidente, homossexuais, mulheres e minorias religiosas. O Irã foi um dos países que mais aplicou a pena de morte no ano passado. Pode-se confiar em Mahmud Ahmadinejad?

Mahmud Ahmadinejad

O presidente iraniano nasceu no povoado de Aradan, a 90 km de Teerã, e na revolução de 1979, que levou ao poder o aiatolá Khomeini, aliando-se aos Estudantes Islâmicos de Teerã. Logo depois, alinhou-se aos Guardiães da Revolução, a terrível Polícia Ideológica do Regime. Estreou na política como governador da província de Ardebil e em 2003, chegou à prefeitura de Teerã, quando aproveitou para lançar sua candidatura à presidência, em junho de 2005.

Ahmadinejad inaugurou um novo modelo de governo itinerante, ao reunir seu ministério, a cada duas ou três semanas, em cidades diferentes com a finalidade, segundo ele, de “compreender melhor os problemas do povo”. É, hoje, considerado o segundo homem mais poderoso do Irã, só superado pelo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Quatro meses depois de assumir o poder afirmou que “Israel deve ser riscado do mapa” mostrando ao restante do mundo que o Irã pretendia retornar ao anti-semitismo dos tempos da Revolução Islâmica.

No início de 2006, o Irã anunciou o recomeço de suas pesquisas nucleares que foi interpretada, pela comunidade internacional, como uma tentativa dos aiatolás de desenvolverem armas de destruição em massa (ADM). A possibilidade da tecnologia nuclear se tornar acessível a um louco fanático e populista é assustadora. Não há como determinar, sem a fiscalização adequada dos organismos competentes, se a tecnologia se destina a fins pacíficos ou não. A verdade é que os iranianos vêm mantendo negociações com Abdul Qadeer Khan, o pai da bomba atômica do Paquistão, que vendeu projetos nucleares à Coréia do Norte e à Líbia. O Irã colabora com a Coréia do Norte no desenvolvimento de mísseis de longo alcance, capazes de carregar ogivas nucleares.

Em abril de 2006, contrariando um ultimato do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o país anunciou que iria avançar em seu programa nuclear. Ahmadinejad anunciou que o Irã conseguiu enriquecer urânio pela primeira vez, em sua usina de Natanz, entrando para o clube dos países que dominam uma tecnologia nuclear.

O governo do Irã impediu, em janeiro de 2007, a entrada dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de fiscalização da ONU, em represália às sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU. O Conselho havia proibido a venda de materiais tecnológicos que pudessem ser usados nos programas nucleares e de mísseis além de determinar o congelamento dos bens de companhias e cidadãos iranianos no exterior.

Ahmadinejad se acha um predestinado com a missão de expandir a revolução islâmica e de libertar as populações xiitas. Seu arqui-rival, o Iraque, neutralizado após a ofensiva norte-americana, é governado por uma ampla coalizão xiita, integrada por partidos do Primeiro-ministro Nuri al Maliki e outros simpatizantes do Irã. Esta coalizão deverá dirigir o Iraque nos próximos quatro anos, depois de um acordo para formar um grupo único no Parlamento.

Detentores da quarta maior produção de petróleo do mundo, os iranianos, contam com este trunfo para pressionar os países industrializados a não aprovar sanções comerciais contra eles, o que acarretaria uma imediata alta no preço dos combustíveis.

Homossexuais

"Se não há homossexuais no Irã, eu sou o quê?" (Arsham Parsi)

Ahmadinejad afirmou em entrevista na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, que: “Nós não temos homossexuais como em seu país. Nós não temos isto em nosso país. Não temos este fenômeno”.

Arsham Parsi, diretor de site gay, fugiu do Irã para o Canadá para não ser torturado ou morto. “Deixei o Irã em 2005 e não penso em voltar para lá. Eu não posso voltar. Eu tenho medo, sim. Não me sinto seguro por lá. Eu disse que só voltaria para o meu país quando esta situação não existisse mais por lá”, afirmou Parsi.

Dissidentes

A estudante Neda Agha Soltan é o maior símbolo da repressão do regime iraniano. Soltan foi morta durante uma manifestação em junho de 2009. A diplomacia brasileira se esquivou, covardemente, de confrontar o regime iraniano não focando os excessos cometidos em relação aos manifestantes que Anti-Ahmadinejad.

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.l

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

MEMORIAL PROFESSOR EGYDIO MARTELLO

Importante solenidade, promovida pela Fundacam-Fundação Cultural de Campo Mourão, foi realizada ontem na Estação da Luz "Dom Eliseu Simões Mendes", com a inauguração do Memorial "Professor Egydio Martelo", patrono da Biblioteca Municipal, onde se encontram expostos documentos, fotos, recortes de jornais e objetos pessoais por ele utilizados. No escaninho designado, para receber o acervo viabilizado junto a familia do Prof. Martello, por Jair Elias dos Santos Júnior e Pedro da Veiga, também foi introduzida a sua efígie entalhada em madeira em alto-relevo, pelo artista plástico Antonio Soares da Silva (Ceará), com recursos da Lei de Incentivo à Cultura (Fepac).

O cerimonial foi iniciado com o Hino de Campo Mourão, letra do homenageado, executado pelo maestro Moisés Kumroww e, na sequência, usando da palavra o historiador e escritor Jair Elias dos Santos Júnior e o escritor Pedro da Veiga, discorreram sobre a importância do trabalho pioneiro desenvolvido pelo Prof. Martelo nos setores de Educação e Cultura, lembrando da Veiga, que neste importante projeto de resgate histórico, também fosse designado um local homenageando aquele que dá nome ao estabelecimento: "Dom Eliseu Simões Mendes". A secretária especial de Cultura, Sônia Singer destacou o Memorial como um novo atrativo cultural da Estação da Luz. O prefeito Nelson Tureck disse que preservar a história do município é valorizar aqueles que lutaram pelo desenvolvimento cultural de Campo Mourão e que o Memorial dedicado ao professor Egydio Martello é um justo e devido reconhecimento, e enfatizou que acolhia com muita satisfação a sugestão de se criar idêntico espaço homenageando a ilustre figura de Dom Eliseu, que também contribuiu de forma positiva para o engrandecimento sociocultural de Campo Mourão. Participaram também da solenidade a vice-prefeita Regina Dubay; o deputado federal Odilio Balbinoti; o ex-deputado federal Francisco Irineu Brzezinski; o Prof. Ephigênio José Carneiro; o diretor do Colégio Estadual Edson Lasta; a Miss Campo Mourão, Patrícia Correia e o representante do Conselho Municipal de Cultura e Fepac, Severo Lazdam.

foto: Silvio Cézar Walter

Ladeando a efígie do Professor Egydio Martelo, da esquerda: Pedro da Veiga; prefeito Nelson José Tureck; secretária especial de cultura Sônia Singer; deputado federal Odilio Balbinoti; artista plástico Antonio Soares da Silva (Ceará) e o historiador Jair Elias dos Santos Júnior.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

TIROTEIO

Dilma diz que Serra incriminou governo da Bolívia sem provas.

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, voltou a comentar nesta sexta-feira a declaração do tucano José Serra de que o governo da Bolívia é “cúmplice” do tráfico de cocaína para o Brasil.

“O aspecto que eu chamo a atenção para que haja prudência, porque estadista não faz isso, é incriminar um governo. Isso é uma coisa diferente de dizer que da Bolívia vem droga. Dizer que da Bolívia vem droga é uma coisa, dizer que a responsabilidade é do governo [boliviano] é outra diferente.”

Segundo ela, não é prudente atribuir culpa sem provas. “Eu acho que é prudente não atribuir sem informações e provas responsabilidades ao governo boliviano. É muito prudente e não é papel de estadista.”

Serra fez as declarações sobre a Bolívia na quarta-feira, quando falava sobre a ideia de criar um Ministério da Segurança Pública caso ele seja eleito sucessor do presidente Lula.

“A cocaína vem de 80% a 90% da Bolívia, que é um governo amigo, não é? Você acha que a Bolívia iria exportar 90% da cocaína consumida no Brasil sem que o governo de lá fosse cúmplice? Impossível. O governo boliviano é cúmplice disso. Quem tem que enfrentar esta questão? O governo federal.”

Depois do programa, questionado pelos jornalistas, o pré-candidato do PSDB afirmou que o governo boliviano faz “corpo mole” ao permitir que, “de 80%, 90%” da cocaína que entra no Brasil venha “via Bolívia”.

“É um problema de bom senso. Você acha que poderia entrar toda essa cocaína no Brasil sem que o governo boliviano fizesse, pelo menos, corpo mole? Eu acho que não”, disse Serra, que definiu a afirmação sobre a suposta conivência do governo do presidente Evo Morales com o tráfico de drogas como “uma análise”: “Eu não fiz uma acusação”.

(*) Folha Online e Contra o Vento

LULA ABUSA DA ARROGÂNCIA E DESAFIA O MINISTÉRIO PÚBLICO


Quando estava na oposição, Luiz Inácio Lula da Silva incentivava os companheiros a adotarem a intransigência como forma de estocar os ocupantes do poder. Lula apenas assistia ao embate à distância, pois esforços maiores jamais frequentaram o cardápio de seu cotidiano. Desde que chegou ao poder, em 2003, Lula e os petistas mudaram de discurso e postura, sendo que apenas eles, e mais ninguém, podem errar, praticar a gatunagem, abusar das mentiras, enganar rotineiramente e outros tantos que tais que marcam cada vez mais a história do Partido dos Trabalhadores, uma espécie de catapulta ideológica de profetas.
Avesso a qualquer opinião que contrarie seus impulsos e desejos, Lula, que costumeiramente açoita e desdenha o Judiciário, voltou a atacar o Ministério Público, como se o Brasil fosse uma terra sem lei, onde apenas aqueles que frequentam o seleto e imundo círculo do poder estão livres da lei. Ao discursar na abertura da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Informação, em Brasília, Lula, que ganhou de presente uma luneta comprada para ser dada às crianças, não poupou críticas à oposição e especialmente ao Ministério Público. “Pronto, já está o Lula processado. Já está o Ministério Público atrás da minha luneta. Já está oposição querendo a CPI da luneta. E aí tudo fica paralisado neste país”, disse o presidente em discurso galhofeiro.
Há dias, quando o jornal “Folha de S. Paulo” trouxe matéria sobre a possibilidade de o Tribunal Superior Eleitoral cassar o registro da candidatura Dilma Rousseff por propaganda antecipada, entre tantas transgressões, a camarilha petista entrou em ação na rede mundial de computadores e de maneira covarde e arbitrária atacou os que defendem a ideia do TSE. Se o brasileiro não sair rapidamente desse irritante estado de letargia política, não demora muito e o Brasil será a mais nova ditadura da chicaneira América Latina. ucho.info e blog do horaciocb

PERDEU, CARA! A BRAVATA FOI DESMORALIZADA

sexta-feira, 28 de maio de 2010 | 6:21

A resposta da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, ao governo brasileiro foi tão dura quanto se pode ser na diplomacia. A proposta do Brasil e da Turquia faz o “mundo mais inseguro, não menos”, disse Hillary. Não há nada pior a dizer sobre um país no ambiente internacional. E isso significa que não se negocia a partir daí. A decisão é de Barack Obama, não de Hillary, é óbvio.

Fontes: Blog-Reinaldo Azevedo, Viciados em PT, O Copista.

Trata-se de um golpe nas ambições megalonanicas muito maior do que, na média, acusa a imprensa brasileira — que ou demora a reagir ou serve, vergonhosamente, ao lobby do muitas vezes desastrado Itamaraty. Por quê? Sei lá… Está um tanto viciada nos supostos sucessos de Lula. Convencionou-se por aqui, com raras exceções, que, se ele diz que algo vai acontecer, então é porque vai. E a situação pode assumir um aspecto verdadeiramente surrealista a depender do caso.

É impressionante que, contra os fatos, a pregação do Itamaraty e de Lula ainda encontre eco por aqui. O Irã deixou claro que não abre mão de enriquecer o urânio em seu próprio território. A tal troca era só uma firula. Tenta-se, com a gritaria, mudar uma evidência. Lula está acostumado. É assim que age no ambiente interno. Fala o que lhe dá na telha e não é contestado. Conta a história como lhe convém. No caso do Irã, meteu-se num vespeiro certamente maior do que imaginava. Erro de cálculo do Itamaraty.

Há um conjunto de fatores que concorre para isso. O leitor sabe que, nos Estados Unidos, sou republicano, assim como, em Dois Córregos, torço para o Mocoembu, não para o Botafogo local. Mas é fato que, se John McCain tivesse vencido a disputa, talvez o governo americano estivesse mais aberto a uma intermediação como a brasileira ou, sei lá, tivesse sido menos rápido em desmoralizar o acordo com a proposta de sanções. O passivo dos republicanos nessa área seria, sem dúvida, bem maior. Obama, ao contrário, está livre para não responder pelos “erros” (concorde-se ou não com essa avaliação) do antecessor. O Itamaraty certamente não pôs essa questão na balança.

O Brasil também apostava num Obama “fraco”. Escrevi aqui durante a campanha eleitoral americana que boa parte dos que torciam pela eleição do democrata apostava, no fundo, que ele seria um presidente “antiamericano”, o que era uma bobagem. Por mais que não tenha, e não tenho, especial simpatia pelo atual titular da Casa Branca, ele é quem é, e isso significa incorporar todos os que o antecederam. Parte do seu papel nem depende de sua vontade.

“Nova estratégia”?
Veio a público justamente ontem o documento com a Estratégia de Segurança Nacional do governo democrata — apresentado justamente por Hillary, que deu um pito no Brasil. Obama tem, sim, um viés, digamos, meio lulesco, especialmente no hábito de oferecer mais do mesmo como se fosse uma revolução. É o caso do documento — e já deixo claro em que ponto essa questão se conecta com o resto do meu texto.

No que um articulista do New York Times interpretou como um dos “tapas” em George W. Bush, Obama afirma que o peso do novo século não pode cair só nos ombros dos americanos e diz que os adversários da América gostariam de ver o país enfraquecido pelo exercício excessivo do poder. O documento afirma a importância da diplomacia etc e tal… Mas atenção!

“Porquanto o uso da força seja às vezes necessário, nós vamos sempre esgotar as outras opções antes da guerra e pesar cuidadosamente o peso e o risco da ação e da inação (…)”. Quando necessário, “vamos buscar um amplo apoio internacional, trabalhando com instituições como a Otan e o Conselho de Segurança da ONU”. Bush dizia que os EUA não precisavam de permissão para agir, Obama escreve que os “EUA se reservam o direito de agir unilateralmente, se necessário, para defender nossa nação e nossos interesses”, mas sempre respeitando regras.

Isso “enterra” a doutrina Bush, como se vai dizer no Brasil? Não! Essa é a doutrina de segurança dos Estados Unidos. O que Obama está dizendo é que ele pode fazer o mesmo, só que com o coração partido e batendo um papinho. Volto ao Brasil.

De volta ao Brasil
O Brasil enxergou no governo Obama uma janela de oportunidades — um pouco, assim, como se o galo tivesse saído para dar uma ciscada, e o terreiro tivesse sido confiado aos frangotes. E se meteu na aventura iraniana. De fato, Obama enfrenta um combate acirrado dos republicanos, que ainda duvidam — e levam essa dúvida a milhões de americanos — que ele possa ser o homem certo para defender os EUA de seus inimigos. Por lá, o confronto é aberto, e ninguém considera sabotagem um partido de oposição fazer… oposição!!!

Isso torna o atual presidente dos EUA um pouco menos Obama do que o Obama que foi eleito? Sim! Mas sempre foi uma tolice supor que uma abordagem como a brasileira, de protagonismo irresponsável, tivesse chance de prosperar. E, agora de acordo com o documento, os EUA podem ser acusados de qualquer coisa no caso do Irã, menos de “unilateralistas”. Na sua ação, conta com o apoio dos cinco membros permanentes e da maioria esmagadora do Conselho de Segurança e com o quase consenso da Europa. Isolado, nessa questão, está o Brasil.

Perdeu, Cara! A bravata foi desmoralizada. Pede pra sair!

O ‘CARA’ LULLA AHMADINEJAD

Por Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 28 de maio de 2010.

“O nosso presidencialismo é esse pântano de alianças espúrias que impedem qualquer governo. O parlamentarismo prejudica a deliciosa política de chantagem ao Executivo”. (Arnaldo Jabor)

Arnaldo Jabor

O famoso roteirista de cinema, diretor de curtas e longas metragens, crítico de teatro, jornalista e escritor carioca nasceu no dia 12 de dezembro de 1940. Jabor é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e possui o Curso de Cinema Itamaraty-Unesco. Iniciou sua carreira, em 1962, no jornal ‘O Metropolitano’, ligado ao movimento estudantil e, nas décadas de 60, 70 e 80, dedicou-se ao cinema. A década de 90, marcada pelo sucateamento da cinematografia nacional, obrigou-o a buscar novos rumos no jornalismo estreando como colunista de ‘O Globo’, em 1995, e mais tarde na ‘TV Globo’, ‘Jornal Nacional’ e ‘Bom Dia Brasil’.

Jornalista independente e perspicaz, dono de um estilo irônico único, muitas vezes debochado, é, sem dúvida, um dos mais importantes cronistas da atualidade brasileira. Fez, recentemente, em 19 de abril, uma contundente crítica a respeito da assinatura da tão festejada, pelos alienados PeTralhas, da ‘Declaração Conjunta de Irã, Turquia e Brasil’.

O Lula fez o PAC do Irã

Aparência em Vez de Realidade

Por Arnaldo Jabor

“Lulla era um ídolo. Lula era o Lullu do Ocidente. Todos os presidentes o adoravam. Aí os comunas do Itamaraty do P pensaram:

- Vamos usar o Lulla para contestar a América e a Europa.

E resolveram, quem é o país mais sinistro do mundo, - é o Irã, que nega o Holocausto, massacra dissidentes, e nos considera cães infiéis, logo, é com eles que vamos nos aliar, vamos mostrar que nossa gente bronzeada tem o seu valor.

Aí o Ahmadinejad e os aiatolás viram aqueles oferecidos e pensaram:

- Esse Lulla é o queridinho do Ocidente, está em ‘Lua de Mel’ consigo mesmo, vamos usá-lo para ganhar tempo e enrolar a ONU, a gente dá um pouco de urânio para a Turquia e faz a bomba atômica, na moita, aqui mesmo.

- Ah! Obrigado Alá, pelo Lulla!

Aí Marco Aurélio Garcia organizou a festa, os docinhos, as empadinhas e pronto. Vimos a cena mais patética das arábias ‘Lula fazendo O PAC do Irã’, isso igual ao PAC, a aparência ao invés da realidade, a mídia em vez do fato.

Só que americanos e europeus não são bobos como nós, sacaram que era uma ilusão e ignoraram o show e Lulla deixou de ser ‘O Cara’ de Obama.

Caiu de ‘Lady Gaga’ para inocente útil do ‘Ahmadinejad’. Que vergonha!

Quem usou Lulla foi aquele ditador sangrento é isso.

Sempre que o Marco Aurélio Garcia, top, top, top, toca o bumbo, o Lulla dança”. (Arnaldo Jabor)

Declaração Conjunta de Irã, Turquia e Brasil - 17 de maio de 2.010

Apesar da pantomima criada, em torno da Declaração, ela não conseguiu, absolutamente, eliminar as preocupações das potências ocidentais sobre o programa nuclear iraniano que acusam de estar tentando desenvolver, secretamente, armamentos nucleares. Os Estados Unidos afirmaram que a assinatura do acordo não interromperá nem desacelerará sua pressão por sanções mais duras contra o governo de Teerã. Manifestaram, ainda, sua preocupação com a declaração das lideranças iranianas de que o acordo não impediria o país de continuar enriquecendo urânio em seu território.

Vamos reproduzir alguns tópicos da ‘importante’ Declaração que estabelece a troca de urânio levemente enriquecido (SEU - Slightly Enriched Uranium) do Irã por combustível nuclear enriquecido no exterior e que depende, definitivamente, da posição do ‘Grupo de Viena’.

Tendo-se reunido em Teerã em 17 de maio, os mandatários abaixo assinados acordaram a seguinte Declaração: (...)

5. (...), a República Islâmica do Irã aceita enviar um estoque de 1.200 kg de urânio levemente enriquecido à Turquia. Enquanto estiver na Turquia, este urânio permanecerá como propriedade do Irã. O Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) poderão acionar observadores para monitorar as condições de segurança deste estoque.

6. Irã informará a AIEA por escrito, por canais oficiais, a respeito deste acordo em sete dias após a data desta declaração. Após uma resposta positiva do grupo de Viena (Estados Unidos, Rússia, França, AIEA), os detalhes da troca de combustível serão objeto de um acordo escrito e arranjos apropriados entre o Irã e o grupo de Viena, comprometido especificamente a fornecer os 120 quilos do combustível necessários para o reator de pesquisas de Teerã (TRR).

7. Quando o grupo de Viena declarar seu comprometimento com as condições e pontos desta declaração, ambas as partes se comprometerão com a implementação do acordo mencionado. O Irã expressou estar preparado, em acordo com a declaração, para enviar seu urânio pouco enriquecido em um mês.

8. Se as condições desta declaração não forem respeitadas, a Turquia, a pedido do Irã, se compromete a devolver sem condições e rapidamente o urânio levemente enriquecido ao Irã.

9. A Turquia e o Brasil recebem favoravelmente a disposição da República Islâmica do Irã em manter as negociações com os países do grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) em qualquer lugar, incluindo Turquia e Brasil, a propósito das preocupações comuns.

10. Turquia e o Brasil apreciam o compromisso do Irã com o TNP e seu papel construtivo em buscar a concretização dos direitos nucleares de seus Estados membros. A Republica Islâmica do Irã, por sua vez, aprecia os esforços construtivos dos países amigos, Turquia e Brasil, em criar um ambiente condutor para a realização dos direitos nucleares do Irã”.

Política Externa

“Já vivi épocas de cores mais vivas. O pré-64 era vermelho, não só pelas bandeiras do socialismo, mas pelo sangue vivo que nos animava a construir um País, romanticamente. Era ilusão? Era. Mas tinha gosto de vida. A minha esquerda já foi sincera. Hoje é esta trama-pelega”. (Arnaldo Jabor)

A caótica ‘diplomacia’ brasileira continua na sua tentativa de ocupar, a qualquer custo, um maior espaço no cenário mundial mesmo que tenha de usar, para isso, armas que acabem por abrir as portas de uma ‘Nova Desordem Mundial’. Os ‘arquitetos’ do Itamaraty sonham com a ocupação de um assento ‘permanente’ no Conselho de Segurança da ONU, a chefia do Banco Mundial e a Secretária-Geral da ONU.

Parece que a sucessão de erros e fracassos de nossos diplomatas não diminui suas ambições. Não bastasse termos aceitado, submissos, a invasão de nossas refinarias na Bolívia, a indecorosa proposta de renegociação do Acordo de Itaipu, com o Paraguai, a incompetência no trato da Sucessão Hondurenha, o perdão da dívida que alguns países têm para com o Brasil (mais de US$ 400 milhões) enquanto aqui o magnânimo governo afirma não ter recursos para conceder aumento aos aposentados...

O ‘bom amigo’ Lulla

Mahmoud Ahmadinejad depois de chamar Lulla de “bom amigo” e “irmão”, afirmou que o: “Brasil e Irã compartilham valores morais. Somos contra a discriminação, o preconceito, a agressão, a tirania”. Enquanto Lulla sorria emocionado com as palavras afetivas do “bom amigo” os dissidentes iranianos continuavam sendo presos, torturados, enforcados, as minorias religiosas perseguidas e os direitos das mulheres iranianas regrediam ao século treze.

O que se poderia esperar de um despreparado presidente que segurando, amigavelmente, o braço do presidente russo Medvedev afirmou que passou “grande parte da sua juventude sendo contra a invasão da Rússia no Afeganistão” e que relatou, entusiasmado, que havia desenhado um Plano de Paz para Oriente Médio, que contemplava o Afeganistão! E concluiu a reunião, dando prosseguimento aos seus devaneios, lendo um artigo do ministro da Agricultura afegão dizendo que “a paz no Afeganistão chama-se Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)” porque “no dia que existir uma empresa agrícola como esta, que produza alimentos para aquele povo, haverá paz no Afeganistão” e complementou que por isso estava mandando os técnicos brasileiros para lá.

A ironia do presidente Obama, ao se referir a Lulla, declarando: “Esse é o Cara!” Finalmente, é escancarada. Os Estados Unidos e os demais membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mostraram a Lulla e a seus diplomatas trapalhões que poderiam incluir sua ‘aplaudida Declaração’ à sua extraordinária coleção de trapalhadas.


Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br