segunda-feira, 27 de setembro de 2010

AS CONSEQUÊNCIAS DA IMPLANTAÇÃO DO SOCIALISMO PRETENDIDA PELO FORO DE SÃO PAULO PARA O BRASIL

Por João Bosco Leal

O Foro de São Paulo, criado em 1990 na cidade de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores a partir de uma ideia ocorrida durante uma visita realizada por Fidel Castro a Lula em São Bernardo do Campo, contou, já em sua formalização, com a presença de 48 organizações, partidos e frentes de esquerda da América Latina e Caribe.

Dele participaram desde Fidel Castro, Hugo Chávez e Evo Morales aos nossos José Dirceu, Lula, José Genoíno e todo o resto dessa turma, literalmente falando. Em 1991, o Foro foi realizado na Cidade do México, com a participação de 68 organizações e partidos políticos de 22 países, ocasião em que foi consagrado o nome de "Foro de São Paulo".

Depois disso, o Foro vem ocorrendo a cada um ou dois anos em diferentes cidades. Manágua em 1992, Havana em 1993, Montevidéu em 1995, San Salvador em 1996, Porto Alegre em 1997, México em 1998, Manágua em 2000, Havana em 2001, Antígua em 2002, Quito em 2003, São Paulo em 2005, San Salvador em 2007, Montevidéu em 2008, México em 2009 e Buenos Aires em 2010.

Esse Foro nada mais é que a tentativa de transformação de toda essa região em um domínio político de ideologia socialista marxista. No projeto inicial, essa implantação total ocorreria em cinquenta anos, mas da fundação do Foro até agora, só se passaram vinte anos e já conseguiram realizar praticamente todo esse plano, como pode ser facilmente notado pelos governos dos "companheiros", que hoje dominam nossos países vizinhos.

Como o socialismo marxista ditatorial falhou em todo lugar onde foi implantado, já era de se esperar que também falhasse em nosso continente. Entretanto, não aceitando admitir o fracasso, o atual governo brasileiro passou a ser o "pai rico" dos vizinhos que estão falindo nesse regime.

Durante o encontro do Foro de São Paulo ocorrido em Montevidéu em 2008, o presidente paraguaio Fernando Lugo reivindicou a renegociação de valores do tratado de criação da Usina Hidrelétrica de Itaipú Binacional, de 1973. Foi o início das atitudes tomadas por Lula como "pai rico". Somente nessa revisão assinada por Lula em julho de 2009, o Brasil passou de US$ 120 para US$ 360 milhões de dólares por ano o pagamento realizado ao Paraguai pela energia por nós consumida de Itaipu. Um aumento de US$ 20 milhões de dólares por mês de "doação", realizada por quem possuía contrato assinado há mais de trinta anos, com essas condições predeterminadas, exatamente por haver o Brasil construído Itaipu sozinho, sem ajuda alguma do Paraguai.

As "doações" que o país tem feito continuaram por diversos lugares por onde passou o nosso presidente, além dos altíssimos financiamentos concedidos pelo governo brasileiro, principalmente através do BNDES, aos países governados pelos "companheiros", como aqueles para a construção de aeroportos em Cuba, linha de transmissão de energia e estradas no Paraguai, a construção de seis usinas hidrelétricas no Peru, a construção de estradas e a "entrega" de patrimônio da Petrobrás na Bolívia, e tantos outros crimes que nem ficamos sabendo.

Digo crimes porque em nosso país faltam aeroportos, linhas de trasnsmissão, novas usinas hidrelétricas, novas estradas e reformas das já existentes, portos com capacidade de escoamento de nossa produção, além, é claro, de saúde, educação e habitação decentes para os brasileiros.

São milhões de brasileiros morando em barracos, muitas vezes soterrados nos temporais, retirando sua subsistência de lixões, morrendo nas portas dos hospitais, analfabetos e comprados pelos diversos projetos do tipo "bolsas e vales".

Esse é o socialismo pelo qual muitos hoje no poder ou candidatos a ele pegaram em armas e mataram irmãos para sua implantação. É sobre isso que precisamos pensar nas próximas eleições.

João Bosco Leal-www.joaoboscoleal.com.br

Imagens da Internet - fotoformatação (PVeiga).

domingo, 26 de setembro de 2010

EDITORIAL DO JORNAL "O ESTADO DE SÃO PAULO": O MAL A EVITAR

A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.

Texto publicado na seção "Notas e Informações" da edição de 26/09/2010

ENTREVISTA - HÉLIO BICUDO, JURISTA E PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO INTERAMERICANA DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS

A exemplo do que fazia nos distantes e duros tempos da ditadura, às vésperas das eleições, em companhia de outros juristas e personalidades, ele ergue sua voz em defesa da democracia no país. Na semana passada, Hélio Bicudo, 88 anos, liderou um manifesto também pela liberdade de imprensa, segundo ele, ameaçada pelo governo Lula. O mesmo Lula com quem Bicudo, que foi ministro interino da Fazenda no governo João Goulart, deputado federal e vice-prefeito de São Paulo, durante a gestão de Marta Suplicy (PT), na condição de vice, disputou o governo de São Paulo e conviveu durante os 25 anos em que militou no PT.

Nossa democracia está mesmo ameaçada?
Acho que sim, porque o presidente da República ignora a Constituição, se acha acima do bem e do mal, e, com uma vitória que está delineada em favor da sua candidata, concentrará todos os poderes da República em suas mãos, além do apoio da maioria dos Estados e da população em geral. Com uma pessoa com esse potencial, e que não vê no ordenamento jurídico do país a maneira de estabilizar as discussões e debates, o Brasil pode caminhar para uma ditadura civil, sem dúvida.
O senhor, que ficou no PT por mais de 20 anos, imaginou que isso pudesse acontecer?
De início, não, mas no final, achava que aconteceria essa reviravolta. Foi marcante aquela carta aos brasileiros que Lula escreveu antes da sua primeira eleição, demarcando uma posição muito mais para o neoliberalismo do que para o socialismo.
O mesmo neoliberalismo tão criticado pelo PT, no governo de Fernando Henrique Cardoso. O senhor vê diferença nas práticas de ambos?
Não há nenhuma diferença, porque quem comanda as decisões políticas hoje, como ontem, é o próprio capital.

O PT indicava uma prática diferente...
O PT fazia uma oposição bastante forte nos governos Sarney e Fernando Henrique. A partir do governo Lula, a unanimidade popular que ele foi conquistando afastou a oposição do seu caminho. E o que aconteceu? Sobre o mensalão e os outros atos de corrupção apontados, nada se fez. Quando Lula diz que é presidente da República até sexta-feira à noite, e depois fecha a gaveta e só volta na segunda-feira, pratica crime de responsabilidade. Afinal, como presidente ele jurou obedecer às leis do país. E a Constituição não permite que um presidente da República participe da campanha eleitoral como ele está participando. É crime que leva ao impeachment, mas nem os partidos políticos, nem a sociedade civil movem nenhuma pedra contra isso.
Antes do primeiro governo Lula, falava-se do desejo do PT de ficar no poder por pelo menos 30 anos.
Não havia essa ideia, pelo menos no meu tempo. Pensava-se que o PT era um partido de massa, e iria trazer para os mais humildes uma estabilidade econômica.
Houve uma inclusão.
Ele trouxe em parte, porque a Bolsa-Família é mais um colaborador eleitoreiro. Apenas dá dinheiro, mas não dá nenhum estímulo para que a pessoa possa galgar outro patamar na estrutura da sociedade.
Pesquisas indicam que Dilma Rousseff seria eleita, hoje, presidenta da República. O que podemos esperar dela?
Quem continuará mandando no país vai ser Lula. Dilma diz que ela é o Lula. Então as coisas continuarão como estão, com a mesma corrupção, o mesmo manejo da coisa pública.
Como militante político, imaginava voltar às ruas em defesa da democracia e da liberdade de imprensa?
A gente fica frustrado, depois de uma longa luta em prol da democracia, ver o que estamos vendo. E acho que não temos democracia, até pela maneira pela qual se conduz a vida pública, onde um grupelho toma conta do governo, pondo nele seus parentes, seus amigos... Não é o governo do povo. Veja a própria constituição do Supremo Tribunal Federal, onde não se fez uma consulta maior para a escolha dos ministros. Ela foi pessoal, feita pelo próprio presidente. Leis passam na Câmara e no Senado, por atuação da presidência da República, que transformou o Legislativo em algo sem a menor expressão.
O senhor faz a descrição de um poder quase totalitário...
E é isso. Quem manda no país, passa por cima das leis é ele, Lula. Vai eleger a presidenta que fará o que ele quiser.
Como o senhor vê Lula?
Um homem inteligente, que poderia usar essa inteligência para implementar e fortalecer a democracia no país, mas optou por incrementar o poder pessoal.
Trata-se de um traço de personalidade?
Sim, com certeza. Ele sempre mandou no partido, afastou as lideranças que pudessem competir com ele. É o dono, sente-se acima do bem e do mal.
Em relação às denúncias de irregularidades no governo, sempre alegou nada saber.
Ele sabia de tudo, deixou as coisas escaparem. A oposição não atuou e, hoje, chegamos onde estamos.
Incompetência da oposição?
Foi inexistência de oposição.

Como o senhor deixou o PT, em 2005?
Saí porque achei que o partido não estava trilhando a estrada que havia traçado no seu nascedouro. Ele deixou de representar o povo. Pode até ter o voto do povo, mas representa os interesses daqueles que o comandam.
As muitas denúncias de irregularidades no governo Lula parecem não impactar a campanha de Dilma Rousseff.
Olha, Lula vive dizendo que a imprensa o prejudica. Eu acho que é o contrário.
Como?
A imprensa tem ajudado Lula e seus candidatos. Você não pega um jornal, um programa de televisão, que não exiba um retrato dele. O povo não vê o que está escrito além dá manchete. Funciona como propaganda.
Deixá-lo fora das páginas e fora das telas é quase impossível. Ele tem popularidade e peculiaridades. É "o cara", pelo menos para o presidente Obama...
Mis-en-scène... Pergunto: com tudo isso, o que o Brasil conseguiu, do ponto de vista internacional? Zero. A questão da popularidade não tem relação com a eficiência. Olha o caso do Irã. Tem maior vergonha do que isso? Nossa política externa é péssima. O Brasil não conseguiu colocar uma pessoa em cargo relevante no conceito internacional. Em matéria de Direitos Humanos, botaram lá em Genebra uma pessoa que jejuna nessa área. E onde estão os direitos humanos no Brasil, onde o presidente aceita que a Lei de Anistia contemple também torturadores? E a compra de 36 aviões de caça? Uma brincadeira, desperdício de dinheiro público. Outra vergonha é essa movimentação toda pela Copa de 2014.
Por quê?
O dinheiro da construção de estádios poderia ser usado na Saúde, na Educação. Lula deu ao povo o que se dava durante o Império Romano: pão e circo. Ele dá Bolsa-Família, dá o futebol, shows, o povo vai se divertindo e vai votar em quem ele manda. Uma coisa é o Bolsa-Família eleitoreiro, a outra é dar o dinheiro e responsabilidade, Educação às pessoas.
Como viu o "ato contra o golpismo midiático", contrário ao que revelou o "manifesto em defesa da democracia e da liberdade de imprensa e de expressão", do qual o senhor participou, ambos em São Paulo?
Lula sempre diz que há uma revolução midiática para retirá-lo do poder. Os pelegos dele é que fizeram o movimento em contrário ao nosso.
Seu grupo conseguiu sensibilizar a opinião pública?
Acho que sim. Ontem, mais de 20 mil pessoas já tinham assinado o nosso documento. A semente foi plantada, e agora depende da sociedade. Porque o problema é também de pós-eleição. Repetindo o que já foi dito: se você não vigia, não tem democracia. Deve-se vigiar permanentemente quem governa o país, para que não haja desvios. Seja quem for eleito, independentemente do partido político.
Vê méritos neste governo?
A questão é: o que o governo pretende com sua atuação? Para mim, só autoritarismo.
O senhor foi candidato a vice de Lula, na disputa pelo governo de São Paulo. Conviveu com ele e o admirou num determinado momento.
Sim, mas os tempos mudaram completamente. Ele acabou com as lideranças do partido, e lançou uma pessoa que nem era do partido, tradicionalmente, à presidente. Hoje o PT não tem diferença nenhuma dos outros partidos.
Mas o senhor declarou voto para Marina, do PSol...
Sim, porque entre os candidatos que estão aí, é ela quem tem as melhores condições, do ponto de vista de sua vida, do trabalho que já fez e se propõe a fazer. Plínio de Arruda Sampaio tem um discurso muito bom, mas não teria condições. Ele se propôs a fazer uma campanha para mostrar que a democracia não se exerce como o que se vê hoje no país. Presidente não se mete em eleição. Não pode praticar atos eleitorais em favor do seu candidato. Essa é a posição de um chefe de Estado.
O que o senhor diria para o eleitor que ainda está indeciso?
Ele tem que pensar: nós queremos democracia ou não queremos? Ninguém lembra mais do regime militar, da ditadura do Getúlio. E a ditadura civil é um risco. Veja a questão do sigilo fiscal, que é um direito individual, e que foi aberto em alguns casos por motivos políticos. Mal usado, o poder que a máquina pública tem é capaz de acabar com uma pessoa.
Mesmo com de tudo isso, votar continua sendo importante.
Claro! Existe uma corrente grande que defende o voto nulo como uma rebelião. Mas a omissão não é a melhor solução. Temos que mostrar o que pensamos através do voto.
Relação conflituosa do presidente com a imprensa levou à realização de manifestações públicas

Má-fé.
Nos últimos dias, Lula afirmou que a imprensa atua de má-fé e que os jornais e revistas agem como se fossem partido.
Opinião pública.
Durante comício realizado neste mês, em Campinas (SP), ele declarou: "Tem dias em que alguns setores da imprensa são uma vergonha. Os donos de jornais deviam ter vergonha. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos. Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública".
Manifesto.

Por causa dessa postura do presidente, na semana passada, em São Paulo, houve um ato público onde foi lido um manifesto em defesa da democracia e da liberdade de imprensa e de expressão, assinado por juristas, entre os quais Hélio Bicudo, e personalidades como o Cardeal Arcebispo Emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso, atores e intelectuais como Ferreira Gullar.
Reação.
Um dia depois, o PT e centrais sindicais como a CUT fizeram um "ato contra a mídia golpista". O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, teria dito que grandes veículos de comunicação brasileiros organizaram uma "conspiração" contra Dilma Rousseff.

Imagens da Internet - fotoformatação (PVeiga).

ÀS HERÓICAS E ANÔNIMAS AMAZONAS

(*)-Hiram Reis e Silva, Cidreira, RS

Tudo é sinistro de se ver, agora,

Uma nuvem vermelha escurece o céu,

O firmamento está manchado com o sangue de homens,

Enquanto as Valquírias cantam sua canção.

(Passagem das Lanças - 10ª estrofe, Njál’s Saga 157).


Voltei encantado ao perlustrar os fantásticos cenários dos amazônicos caudais. Mas a imagem mais bela, mais forte e que me arrebatou por inteiro foi a das corajosas mulheres daquela bela, mas inóspita região. Encantadoras e generosas na sua hospitalidade, fortes e destemidas ao enfrentar, muitas vezes sozinhas, os desafios da mata hostil, são elas verdadeiras amazonas a arrostar o cotidiano agreste sem esmorecer. Estas verdadeiras valquírias brasileiras merecem, com certeza, nosso mais grato reconhecimento e homenageando-as quero fazer aqui um tributo às guerreiras de toda nação brasileira. Reporto três passagens interessantes destas arrojadas mulheres que no remoto pretérito deram mostras de seu valor e cujas ações ficaram gravadas indelevelmente no inconsciente coletivo do planeta.

Isabela de Godin

Jean Godin des Odonais era primo de Louis Godin, célebre astrônomo e membro da Academia de Ciências de Paris. Em 1735, Jean, graças ao primo astrônomo, fez parte da expedição geodésica (chefiada por Charles Marie de La Condamine) enviada ao Peru para medir o arco do meridiano terrestre. Embarcou em La Rochelle, a 16 de maio de 1735, e chegou a Quito, em 22 de maio de 1736. Em Riobamba Jean conheceu Isabel de Casa Mayor. Dom Pedro de Casa Mayor, pai de Isabel, era Vice-rei da província de Otavalo e viúvo de uma rica peruana. Bela e culta, Isabel encantou Jean, que a desposou em 27 de dezembro de 1741. A equipe de La Condamine permaneceu na área por oito anos. La Condamine voltou para a França, mas Jean Godin permaneceu com a esposa Isabel dilapidando a fortuna da mulher. Em março de 1749, partiu só, para Caiena (Guiana Francesa), na oportunidade Isabel estava grávida e impossibilitada de acompanhá-lo na jornada. Ficaram separados pelo destino durante 21 anos. A França e Espanha, na época, estavam em guerra contra os ingleses e os holandeses. Isabel depois de esperar muito tempo pela volta do marido resolveu ir ao seu encontro e considerando que cruzar o Darien ou contornar o continente pelo cabo Horn seria muito arriscado resolveu, então, ir por terra, enfrentando os três mil quilômetros de distância entre o Peru e Caiena. Somente em 1º de outubro de 1769, Isabel conseguiu empreender, com os dois irmãos, um sobrinho, um fiel servo e três servas, a longa viagem até Caiena. Pouco antes de partir, a equipe foi reforçada com um médico francês e dois de seus empregados. A partir de Canelos, arrasada pela varíola, a pequena expedição mergulhou no horror. Os carregadores e guias, tomados de pânico por causa da doença, fugiram. Alguns indígenas lhes serviram provisoriamente como guias, os abandonaram da mesma forma. O médico francês acompanhado de Joaquim, fiel servo de Isabel, foi procurar socorro em uma missão próxima e jamais voltou. Ao retornar, Joaquim, encontrou apenas cadáveres. Isabel e seus companheiros, depois de aguardar três semanas, resolveram continuar o caminho atravessando a floresta. Todos, exceto Isabel, morreram de fome, de sede e de cansaço. A corajosa amazona prosseguiu sozinha sua aventura, sem conhecer a direção a seguir, alimentando-se unicamente de frutos e de ovos. Depois de oito dias, ela chegou ao rio Bobonaza, onde indígenas a acolheram e levaram-na à missão espanhola de Loreto. O missionário Franciscano recusou-se, inicialmente, a recebê-la, tal o seu aspecto e seus andrajos. Pensou que se tratava de uma índia fugitiva, e só abriu a porta da Missão depois que ela cobriu o corpo com um tecido de palha. Madame Godin contou sua história e como estivesse muito fraca foi colocada em uma canoa que a transportou para o leste. Depois, um bergantim português transportou-a ao Oiapoque, onde, a 22 de julho de 1770 conseguiu chegar e dali partiu para a Guiana. Em Caiena nem o próprio marido a reconheceu.

Angelina a Heroína dos Seringais

Quando do primeiro combate da Volta da empresa, em que Plácido de Castro foi emboscado pelas tropas do Coronel Rojas, um fato inusitado, marcou com sangue aquela pugna de bravos, pelo arroubo de uma heroína acreana. Próximo à beira do Rio vivia num rancho tosco de madeira, um seringueiro com sua mulher Angelina Gonçalves de Souza. Naquele dia encontrava-se atacado de beribéri que o reduzira a pele e ossos, atirado numa rede. Ali estava “febrilento”, prostrado, amargurado, irritado, por não poder participar com os companheiros na Revolução. Nisso chegou um soldado boliviano e vendo-o enfermo, quase um cadáver, aproveitou para atirar-lhe uma provocação de deboche vitorioso:

- ¡Mira! ¿Y tú? Te faltan las gambias? Porque não te escapaste también?

Mesmo em extrema fraqueza, o pobre seringueiro, ferido na sua dignidade íntima, reagiu, e num derradeiro esforço soltou na cara do atrevido, algumas palavras de revolta e ódio. Foi o que bastou para que um grupo de soldados de Rojas, saltasse sobre a carcaça cadavérica do infeliz seringueiro, e o agarrando à unha, arrastaram-no porta a fora, às cusparadas, pontapés e por fim crivaram-no de balas a queima-roupa. Nesse momento, Angelina que estava lá dentro do rancho, ouvindo aquela barulhada toda, passou a mão na espingarda do marido e quando o viu morto numa poça de sangue, investiu furiosa para cima dos soldados assassinos, como desvairada, enlouquecida, num furor de raiva e vingança, conseguiu disparar um tiro. Assim como uma “tigra” defendendo o seu covil, partiu para o ataque contra os executores do seu marido. E luta com eles. Tomada por uma fúria de desespero, de loucura e ódio, que se multiplicam em forças inexplicáveis, atordoa-os, aos gritos, aos socos, às mordidas, a pontapés. Por fim subjugaram a fera humana, e a levaram de arrasto para o Comandante.

Logo ali, estavam dois médicos bolivianos atendendo o Coronel Rojas, ferido de raspão pelo tiro disparado pela seringueira... A soldadesca se enfureceu. Clamou por vingança. Queria a punição imediata... Mas quem decidia era o Comandante. E este num gesto de grandeza humana, falou com energia, determinando que a libertassem imediatamente:

- Mujeres así no se mata. (FIGUEIREDO)

A Anônima Mulher do Soldado

Curioso episódio também foi observado em relação à mulher de um dos soldados regionais do destacamento que acompanhou Roosevelt, desde Tapirapoan (Rio Sepetuba) às margens do Rio da Dúvida. Grávida já de nove meses, essa mulher acompanhou a pé todas as marchas da expedição, por terra, o que era motivo para admiração geral. Aconselhada em Tapirapoan a alojar-se ali para seguir depois de dar à luz, recusou-se peremptoriamente e declarou que estava acostumada a andar no sertão nesse estado de gravidez, sem se cansar. A convicção de suas afirmativas levou o Comandante do destacamento à tolerância de a deixar seguir, embora contra o voto do médico. Pois bem, essa mulher extraordinária não só marchou diariamente quatro a cinco léguas a pé, como também só interrompeu a marcha um dia (24 horas) para dar à luz. Ao dia seguinte do parto, prosseguia a marcha a pé carregando o filho ao colo. (MAGALHÃES)

Fonte: BRASIL, Altino Berthier - Desbravadores do Rio Amazonas - Brasil, 1996 - Ed. Posenato Arte & Cultura.

FIGUEIREDO, Osório Santana - Plácido de Castro, o Colosso do Acre - Brasil, 2007 – Gráfica Editora Pallotti.

MAGALHÃES, Major Amílcar Botelho de - Impressões da Comissão Rondon - Brasil, 1921 - Editora Brasiliana.

(*)-Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E–mail: hiramrs@terra.com.br

Imagens da Internet – fotomontagem (PVeiga).

sábado, 25 de setembro de 2010

QUEM TEM MEDO DE POPULARIDADE?

Hans Christian Andersen, o grande contista de fábulas dinamarquês, tem uma história que retrata muito bem a realidade política brasileira, na figura do presidente Lula. É o famoso conto da roupa nova do rei. Dois bandidos fraudulentos, que se passavam por alfaiates, deram a idéia ao monarca de vestir uma roupa que só os mais astutos e inteligentes veriam. Aí dissimulavam costurar uma roupa invisível, e afirmavam que aqueles que não conseguiam ver as suas vestes, careciam de inteligência. Os seus pares nobres fingiam ver a nova roupa do rei, temendo o rótulo de burros. E todo mundo elogiava a vestimenta real que ninguém via. Num belo dia, quando o rei passeava com os trajes invisíveis, eis que uma criança sincera começou a gritar: - O rei está nu!

Se alguém se perguntasse o porquê dos nobres e demais pessoas fazerem vista grossa aos caprichos reais, há várias explicações: covardia, vaidade e, tão grave quanto, o medo de parecer impopular. A grande maioria parece ter medo da popularidade do Lula. Nenhum político ousa contestar seus desmandos autoritários, e, tampouco, sua vigarice compulsiva. É pior, a chamada “oposição” (e coloco entre aspas, porque ela não existe, de fato) também elogia a roupa do rei, já que teme perder simpatias por isso. Vai por conta da mesma mentira. Como o rei nu, todo mundo admira uma roupagem que não existe, para não fazerem papel de burros. No entanto, o grotesco é que quase todo mundo faz esse papel. Vendo uma roupagem inexistente, estão alimentando as sanhas paranóicas do rei. Ou pior, estão sendo literalmente burros, vendo coisas que não existem e promovendo uma pessoa indigna de confiança.

Na minha vida pessoal, na escola, na universidade, enfim, em qualquer lugar, sempre desconfiei dos populares. É claro que há gente popular honesta. No entanto, popularidade nunca foi sinônima de honestidade, honradez, inteligência, independência. Muito pelo contrário, a popularidade parece ter um preço para certas pessoas e muitas delas pagam pela falta de autenticidade, pela tendência a agradar todo mundo. Pelo contrário, eu já consigo ter uma admiração por pessoas impopulares. Nem todas elas são boas. Mas o fato de ir contra a maré do lugar-comum e da massa já implica certa dose de determinação e autonomia. Muitos impopulares que conheci eram pessoas honestas, decentes, inteligentes e visivelmente independentes nas opiniões. Eles não queriam ganhar a simpatia do público ou serem paparicados pela massa. Eles queriam justamente buscar a verdade, ouvir a própria consciência, contra os desmandos e as ilusões pacificadoras da coletividade. Claro que nem isto é regra. Os impopulares também podem ser cretinos. No entanto, sob alguns aspectos, impopularidade pode ser sinal de dissidência, de que algumas pessoas pensam diferente.

Neste aspecto, quase sempre fui “impopular” em praticamente tudo, nos gostos, nas aptidões, nas idéias. Isso me cobrou certo preço. Ser impopular faz com que percamos muitas coisas. No entanto, ser “impopular”, quando se está do lado da verdade, preserva uma grande paz de consciência. Sócrates foi impopular quando o obrigaram a tomar a cicuta. E a história de Jesus Cristo é a crítica maior contra todas as popularidades: a ralé preferiu o bandido Barrabás ao Mestre, Rei dos Reis, Deus encarnado. Se até Barrabás foi popular em sua época, o mesmo se pode dizer de Hitler, Stálin, Mussolini e outros tipinhos calhordas.

E não será diferente com o presidente Lula, que faz da popularidade uma espécie de isenção moral de sua consciência. Aliás, popularidade no Brasil se tornou condição essencial de impunidade ou sinal de valor moral. Ninguém toca na reputação tosca do presidente. Os políticos têm medo, sabe-se lá por quê. Chega a ser uma espécie estranha de masoquismo ou suicídio político. Pode-se criticar o aparelhamento petista do Estado, o projeto totalitário consubstanciado no partido e na ideologia de Lula, porém, o presidente “popular” é intocado, tal como aqueles moleques vigaristas de colégio que pegam as melhores meninas, fraudam as provas dos professores e manipulam ou agridem os alunos menores.

A santificação lulista pode parecer um dos maiores enigmas do universo. Bem, tem explicação: a idiotização completa da população brasileira, a cumplicidade criminosa da inteligentsia com o poder e a corrupção moral e ética da classe política e dos empresários, levam a essa “popularidade” de mais de 80%, capaz de dar ao presidente uma espécie de poder de senhorio sobre o país, ditando, inclusive, um poste para ser seu substituto presidencial. Como muitos “populares” proxenetas, Lula dá sinais de megalomania, perde a noção da realidade. Só que essa perda do real é aprovada pelos seus bajuladores, que endossam cada mentira que conta e difundem para a massa, com sinais claros de messianismo redentor. E o povo, que muitas vezes segue o lugar comum, não vai pensar diferente. Até mesmo a “oposição” política endossa as falácias públicas do presidente. Na verdade, alguém tem razão em afirmar que o PSDB é a face da mesma moeda do PT: é a disputa entre o menchevique e o bolchevique, um é a oposição que pertence à mesma situação. O candidato tucano a presidente da república José Serra admira o sujeito que está por trás da violação do sigilo fiscal de sua filha. E os tucanos imbecis ainda divulgam um vídeo, afirmando que Lula controla os radicais do PT e coloca em dúvidas se Dilma vai controlá-los. É como se alguém, em plena Alemanha Nazista, afirmasse se Hitler controlaria o radicalismo do Partido Nacional-Socialista. De fato, Lula controla os radicais do PT. Ele é o próprio radical. Usa-os em causa própria. Se não controlasse os radicais, não teria o poder que tem. Uma obviedade que os tucanos, de tão estúpidos, não compreendem. . .

A parábola de Andersen é atualíssima em nossos tempos: o rei está nu. Falta apenas uma criança honesta detectar a mentira das roupas invisíveis do rei.

MORRE EX-PREFEITO DE CAMPO MOURÃO

Faleceu em Curitiba, neste sábado, dia 25, aos 82 anos, o ex-prefeito de Campo Mourão, Dr. Paulo Vinício Fortes. O sepultamento será no Cemitério Parque Iguaçu, na Capital, às 17 horas deste sábado.
Paulo Fortes nasceu 12 de janeiro de 1928, em São Mateus do Sul (PR), filho de Paulo Freire Fortes e Dinorah Valente Fortes. Casou-se em 16 de setembro de 1959, com Paulina Rotter Fortes, teve três filhos: Paulo Filho, Paulo Marcelo e Ana Paula.
Em 1939 prestou exame de admissão ao ginásio, estudou até o 2º ano no Internato Paranaense dos Irmãos Maristas, em Curitiba.
Formou-se em direito em 1952 na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná. Chegou em Campo Mourão no 23 de janeiro de 1952, com a finalidade de abrir seu escritório de advocacia.
Foi o vereador mais votado nas eleições de 1955 pelo PSD – Partido Social Democrático com 317 votos. Foi eleito presidente da Câmara Municipal por três vezes consecutivas. Assumiu o cargo de prefeito do Município em 22 de setembro de 1959, após a morte do titular, Roberto Brzezinski, em trágico acidente automobilístico. Concluiu o mandato em 5 de dezembro do mesmo ano, transmitindo o cargo a Antônio Teodoro de Oliveira.
Após o mandato de prefeito, afastou-se das atividades políticas. Trabalhou no Bamerindus, sendo o responsável pelo Departamento Jurídico. Em 1976 foi transferido para a Procuradoria Jurídico da Matriz do Bamerindus em Curitiba.
Foi presidente da Associação Rural, do Lions Clube e da Santa Casa de Misericórdia. Também foi vice-presidente do Aero-Clube e do Lions Clube.
Foi um dos fundadores da Associação Comercial e Industrial – ACICAM e da Associação dos Advogados, vindo a ser seu presidente.
Também exerceu o cargo de Procurador Jurídico da Prefeitura Municipal. Reside em Curitiba desde a década de 1970.

“ESSA GENTE NÃO ME TOLERA”

(*)-Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS

Meu consolo é saber que, em menos de três meses, ele deixará a presidência. Garantiu que até lá vai fazer “muita miséria”. Disso, não duvido, mas, após dezembro, não terei que vê-lo todos os dias na televisão, insultando a nossa inteligência.
(Ferreira Gullar)

Ferreira Gullar

O poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro José Ribamar Ferreira (Ferreira Gullar), nasceu em São Luís, em 10 de setembro de 1930. Radicado no Rio de Janeiro, participou do movimento da poesia concreta, em 1956 da exposição concretista, e, em 1959, com Lígia Clark e Hélio Oiticica criou o neoconcretismo. No início dos anos de 1960 marcando seu engajamento à militância comunista publicou algumas poesias pelo Centro Popular de Cultura (CPC), do qual chegou a ser presidente. O CPC tinha como objetivo promover o acesso do “homem do povo” a uma arte crítica e engajada, nos moldes do ideário esquerdista da época. Poeta e cronista premiado diversas vezes, é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade, foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. É importante lembrar as origens de Ferreira Gullar antes de reportarmos sua crônica publicada na Folha de São Paulo.

Quebra de Sigilo e Outras Bossas São Coisas Nossas

Ferreira Gullar, Folha de São Paulo 19 de setembro de 2010

É da natureza do PT - do ruim sindicalismo - valer-se de todo e qualquer meio para atingir seus objetivos.

A SOCIEDADE brasileira assiste hoje à despudorada manipulação da opinião pública, que é a campanha de Dilma Rousseff para a Presidência da República. Até alguns petistas não conseguem esconder seu constrangimento diante dos escândalos que surgem a cada dia e, sobretudo, do descaramento com que, de Lula a Dutra, os petistas pretendem, mais uma vez, passar por vítimas, quando são de fato os vilões. O PT não se cansa de jogar sujo. É de sua natureza sindicalista - do ruim sindicalismo - valer-se de todo e qualquer meio para atingir seus objetivos. E isso vai da falsificação dos fatos e a violação de sigilos fiscais à agressão física e a eliminação do inimigo, ainda que esse inimigo seja companheiro de partido. (...)

Não há por que nos surpreendermos com isso, uma vez que agir à revelia da ética e da lei é um antigo hábito do Partido dos Trabalhadores. Os fatos o comprovam. Alguém duvida de que aquela montanha de dinheiro que a polícia flagrou, em 2006, com os “aloprados”, num quarto de hotel em São Paulo, era para comprar um dossiê anti-Serra? Embora os implicados fossem todos petistas próximos a Lula (um deles, o churrasqueiro do presidente), nem ele nem ninguém do PT sabia de nada, porque, como sabemos nós, são todos gente íntegra, defensores da ética na política; a ética petista, bem entendido. (...)

Ato em Defesa da Democracia

“Eles não se conformam que o pobre não aceita mais o tal do formador de opinião pública. Que o pobre está conseguindo enxergar com seus olhos, pensar com a sua cabeça, pensar com a própria consciência, andar com as suas pernas e falar pelas suas próprias bocas, não precisa do tal do formador de opinião pública. Nós somos a opinião pública e nós mesmos nos formamos”. (Lulla)

Juristas, ex-ministros, intelectuais, artistas e políticos lançaram, no início da tarde do dia 22 de setembro de 2010, o “Manifesto em Defesa da Democracia”, no centro de São Paulo. Os manifestantes resolveram, através do ato, dar uma resposta ao presidente Lulla depois deste ter acusado a imprensa de agir como partido político e vociferar que “o pobre não aceita mais o tal do formador de opinião pública”. Lulla fez a sua histérica e “chavista” declaração, no dia 18 de setembro, em Campinas na campanha pró Dilma, Mercadante e Netinho. Para Lulla e sua corja, a imprensa não submissa ao PT é chamada de PIG (Partido da Imprensa Golpista). Lulla esquece que a imprensa tem o dever de levar à sociedade toda a informação e crítica mesmo que estas desagradem seus governantes. É interessante lembrar que Lulla nunca condenou ou atacou o trabalho jornalístico quando eram seus opositores os objetos dessas críticas negativas. A memória de Lulla e de seus asseclas é curta, no dia 3 de maio de 2006, ao assinar a “Declaração de Chapultepec” ele declarava: “... eu devo à liberdade de imprensa do meu país o fato de termos conseguido, em 20 anos, chegar à Presidência da República do Brasil. Perdi três eleições. Eu duvido que tenha um empresário de imprensa que, em algum momento, tenha me visto fazer uma reclamação ou culpando alguém porque eu perdi as eleições”.

Manifesto em Defesa da Democracia

Numa democracia, nenhum dos Poderes é soberano. Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.

Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático. É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais. É inaceitável que militantes partidários tenham convertido órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.

É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle. É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais em valorizar a honestidade.

É constrangedor que o Presidente não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há “depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no “outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras, mas um inimigo que tem de ser eliminado. É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e de empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses. É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.

É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É deplorável que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário. Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para ignorar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.

Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade. Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.

(*)-Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E–mail: hiramrs@terra.com.br

Imagens da Internet - fotoformatação (PVeiga).

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

JUVENTUDE ESTÁ COM BETO RICHA EM TODAS AS CIDADES DO PARANÁ


A juventude paranaense vai tomar as ruas do Paraná com manifestações de apoio Beto Richa, pela vitória no primeiro turno. Diversas manifestações estão programadas nas principais cidades do Estado. “Sempre acreditei no potencial dos jovens. Sempre apostei na força jovem do Paraná transformar e renovar a política. Juntos vamos vencer no primeiro turno”, disse Beto Richa.

O coordenador da Juventude Pode Mais, Marcello Richa, disse que os jovens de todo o Estado já decidiram o voto em favor do Novo Paraná. “A juventude do nosso Estado escolheu um nome: Beto Richa. Os jovens sabem que somente Beto vai governar com todos os paranaenses. Por isto, garantirão a vitória para Beto Richa”, afirmou Marcello Richa.

Em sua viagem por 230 municípios do Paraná, com a Caravana Juventude Pode Mais, Marcello mobilizou as principais lideranças jovens do Paraná. “Beto terá a maior votação entre os jovens que se identificam com suas propostas modernas, participativas e com forte enfoque social”, afirmou Marcelo.

O coordenador da Caravana Juventude Pode Mais acredita que os jovens, que representam 25% do eleitorado do Paraná, farão a diferença na urna. “O jovem está mais consciente e sabe que tem que escolher com consciência. Por isto, escolheu Beto Richa por seu compromisso com o futuro, com a renovação política e com a mudança”, disse

Marcello acredita que a Caravana Juventude Pode Mais conseguiu despertar o interesse do jovem pela política. “Levamos as propostas de Beto Richa e a de José Serra, candidato do PSDB a Presidência. Esta é a dobradinha para melhorar o Paraná e o Brasil”, afirmou.

Sobre a Caravana Juventude Pode Mais, Marcello afirmou que foi uma importante mobilização para campanha de Beto Richa.
“O projeto da Caravana Juventude Pode Mais foi a maior experiência já realizada por um grupo de jovens neste Estado. Destas viagens surgiram propostas que foram incorporada ao Plano de Governo”, afirmou.

Marcello avisou que as atividades da Juventude Pode Mais vão continuar até próximo das eleições. “O trabalho não pára por aqui. Temos uma grande equipe em Curitiba e por toda Região Metropolitana que até o final da campanha realizarão mobilizações em locais de concentração de jovens”.

Algumas propostas para os jovens paranaenses

Criação da Assessoria da Juventude e da formulação de uma Política Estadual da Juventude;

Implantação dos Territórios da Juventude, em cada uma das 22 Regiões de Desenvolvimento do Paraná, com espaços para atividades físicas, culturais e sociais;

Os jovens terão assento nos Conselhos Regionais de Desenvolvimento;

Criação da Rede Jovem, para articular ações, programas, projetos e serviços para este setor;

Programas de qualificação e capacitação profissionais para os jovens;

Redes Digitais que vão permitir o acesso à banda larga em todos 399 municípios do Estado;

Mais programas de lazer, jogos esportivos e atividades culturais para os jovens.

NO QUE SE TRANSFORMARAM OS SOCIALISTAS E MARXISTAS QUE ALCANÇARAM O PODER

Por João Bosco Leal-www.joaoboscoleal.com.br

O partido político do atual presidente da República até no nome sempre se denominou como defensor dos trabalhadores, motivo pelo qual, dizem seus dirigentes originais, quando de sua fundação, em 1980, deveriam seguir a cartilha socialista marxista

Com essa bandeira, e outras de igual cunho socialista, como a reforma agrária, o Partido dos Trabalhadores buscou o apoio político da massa trabalhadora rural e urbana do país em diversas campanhas políticas que disputou, para cargos nas mais diversas esferas de governo, tanto no Poder Executivo, como no Legislativo e Judiciário.

Durante esses trinta anos, desde sua fundação, em 10 de fevereiro de 1980, conseguiu crescer muito em todos esses poderes, chegando a eleger o atual presidente da República ,Luis Inácio Lula da Silva, muitos senadores, deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores espalhados por todo o país, além de muitos pertencentes ao Poder Judiciário, que declaram ser eleitores do partido.

O que me confunde nessa história é que, de todos os petistas que conseguiram sucesso, jamais vi um só deles não alterar seus pensamentos e atitudes em relação a usufruir, ele próprio, de todas as mordomias que o capitalismo oferece a quem tem sucesso, tanto no meio político como empresarial.

Alguns casos mais conhecidos podem ser lembrados com facilidade, como as bolsas utilizadas atualmente pela candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff, sempre de grifes caríssimas, que chegam a custar o que um trabalhador que ganha salário mínimo leva um ano para ganhar.

O senador Eduardo Matarazzo Suplicy, homem reconhecidamente nascido de família muito abastada, quando convidado pelo lider regional do MST para conhecer um acampamento no Pontal do Paranapanema, resolveu, talvez pensando em ganhar mais votos, dormir no tal acampamento. A imprensa divulgou na época que, para dormir nesse acampamento por uma única noite, numa barraca de lona, Suplicy usou um pijama de seda pura.

As adaptações feitas no novo avião presidencial comprado pelo presidente Lula tem tanto luxo que só encontra similares nos dos reis, príncipes e sheiks árabes, donos dos maiores poços de petróleo do mundo.

Os ternos que o presidente usa atualmente custam milhares de reais, de uso jamais sonhado por um trabalhador filiado a seu partido, assim como os charutos cubanos consumidos pelo presidente, presentes constantemente enviados pelo "companheiro" Fidel Castro.

O próprio José Dirceu, tido como o "cabeça pensante" do partido, mesmo dizendo-se fora do governo, viaja constantemente pelo país e para o exterior em jatinhos particulares, usando roupas e perfumes caríssimos, além, é claro, dos retoques estéticos realizados, como o recente implante de cabelos.

A imprensa frequentemente tem publicado dados e fotos sobre o padrão de vida levado por diversos desses petistas que alcançaram algum tipo de poder público. São casas, carros, hotéis, roupas, bebidas, viagens, gastos com cartões, etc., que nada condizem com a mesma pessoa antes de alçada ao cargo que hoje ocupa.

É uma afronta à razão dizer que alguém levando esse padrão de vida seja realmente um socialista, comunista ou marxista, que luta pela igualdade social. Continuam com o discurso de divisão de bens, mas jamais aceitarão dividir seu atual conforto nas mansões com carros de luxo nas garagens. Coisas do capitalismo.

João Bosco Leal

Imagens da Internet - fotoformatação (PVeiga).

O PARANÁ QUE QUEREMOS