segunda-feira, 29 de agosto de 2011

INCLUSÃO SOCIAL

Por João Bosco Leal

É interessante como a observação da vida nos mostra coisas que jamais imaginaríamos, apesar de estarem ao nosso lado diariamente desde o nascimento. São as coisas mais comuns, abundantes, tão próximas e tão importantes que não se fazem notar, como o ar que respiramos.

Confesso que nunca observei ou dei atenção a coisas que atualmente considero importantíssimas, como a acessibilidade, praticamente inexistente ou, quando existe, totalmente desrespeitada em nosso país.

Imagino que isso deve ocorrer com a grande maioria das pessoas, pois o egoísmo natural do ser humano é tão grande que ele só se sente o que lhe faz falta, como percebo agora que sempre foi o que me ocorreu.

Sempre respeitei coisas que, penso, a maioria das pessoas aprendeu em casa ou na escola, como as vagas nos estacionamentos destinadas a pessoas com necessidades especiais, como deficientes físicos ou idosos.

Entretanto, só depois de ser um desses é que realmente passei a observar o atraso existente em nosso país quanto à observação, pelo poder público e pela população, de regras básicas que deveriam ser observadas para a inclusão dessas pessoas na plenitude da vida em sociedade.

A ocupação indevida das raras vagas nos estacionamentos destinadas a idosos ou deficientes físicos, por madames, jovens ou qualquer outro tipo de pessoa é corriqueira e as explicações são sempre as mesmas: foi rapidinho, era só por um instante, ou algo semelhante.

E exatamente nesse momento, enquanto essa rara vaga era ocupada, rapidinho, por quem não devia, a pessoa para quem ela havia sido destinada chega e como ela estava ocupada, foi obrigada a procurar outra, normalmente bem mais distante, e vir caminhando, com toda sua dificuldade.

Órgãos públicos em geral são os maiores infratores, raramente possuindo vagas, senhas para atendimento preferencial, ou qualquer outro tipo de facilidade para essas pessoas, principalmente, imagino, por um motivo muito simples: os políticos só pensam em quantidade de votos e defender minorias nunca foi a atividade de quem quer ser lembrado e escolhido pela maioria. Como o IBGE mostrou em sua última pesquisa que os idosos ou portadores de algum tipo de deficiência, seja auditiva, visual ou de locomoção, já são 15% da população brasileira, ou algo próximo de 18 milhões de eleitores, provavelmente os políticos que tomarem conhecimento dessa pesquisa começarão a repensar seu comportamento.

Participando recentemente de uma exposição de obras de um artista amigo, realizada na Casa da Cultura de Campo Grande, MS, uma capital de estado, não pude ver toda a coleção, pois a maioria estava no andar superior, de acesso impossível para um cadeirante, ou qualquer outra pessoa com dificuldades de subir uma escada, pois essa Casa da Cultura não possui um elevador que leve ao andar superior.

Por se tratar de um prédio histórico, os arquitetos responsáveis pela última reforma do prédio não se preocuparam, ou não foram capazes, mesmo com toda a tecnologia atual disponível, de encontrar uma alternativa para adicionar um elevador, ou de acabar com as escadas existentes entre uma sala e outra do prédio, para permitir o acesso indiscriminado das pessoas, sem influir arquitetonicamente no prédio.

Atualmente todos discutem a inclusão social dos menos favorecidos, com preocupações com saúde, educação, moradia e lazer, mas situações como essa mostram, na prática, o desrespeito com que a sociedade brasileira trata esses seus irmãos.

Nenhuma sociedade poderá crescer sem a inclusão total de todos os seus, independentemente de idade, instrução, raça, cor, credo, ou necessidades.

domingo, 28 de agosto de 2011

LULA, O PAPAI NOEL DE DITADORES SAIU, MAS A CONTA FICOU

Ex-ajudante de Papai Noel e ex-guerrilheiro comandam o Ministério da Defesa

O ex-chanceler Celso Amorim e o ex-guerrilheiro José Genoino, o primeiro como ministro da Defesa e o segundo como assessor especial, são exemplos de coragem e patriotismo que servem de estímulo à tropa. Certamente os militares devem estar muito satisfeitos, orgulhosos com a missão que têm de defender o país. O Brasil está muito bem em termo de defesa, assim como está no combate à corrupção (os corruptos estão com tanto medo da repressão contra eles, que o verbo corromper só se conjuga no passado...).

Quando Evo Morales, também conhecido como “Evo Petrobale” ou “Evo Cocale”, com seus bem nutridos soldados de 1,90m de altura, invadiram as instalações da Petrobras na Bolívia e tomaram no grito a propriedade brasileira, Celso Amorim, então ministro das Relações Exteriores, disse a Lula que Morales estava no direito dele. Parece que Lula gostou do que ouviu e nada fez em defesa da estatal brasileira. Como “prêmio” à “coragem” de “Cocale”, Lula perdoou dívida de 52 milhões de dólares da Bolívia para com o Brasil e ainda aceitou que o invasor aumentasse o preço do gás que vende para nós.

Celso Amorim também auxiliou Lula a ajudar o bispo mulherengo Fernando Lugo a cumprir promessa de campanha pela Presidência do Paraguai. O bispo Lugo, que não levava a sério as limitações do sacerdócio e “faturou” umas devotas, engravidando várias delas, elegeu-se presidente do Paraguai prometendo obrigar o Brasil a pagar o “preço justo” da energia que o país dele nos “vende”, em decorrência da sociedade que tem na Hidrelétrica de Itaipu. Lula aceitou a imposição do companheiro guarani e o Brasil passou a pagar 300% a mais pela energia “comprada” do Paraguai.

O Paraguai é sócio do Brasil na Hidrelétrica de Itaipu. Como aquele país consome apenas 5% da energia a que tem direito na sociedade, vendia o restante ao Brasil pelo preço de custo. Fernando Lugo fez campanha e foi eleito, acusando o nosso país de ser explorador. Ele teria razão, se não fosse um pequeno detalhe: o Paraguai não gastou um único centavo com a construção da mega hidrelétrica. Tudo foi suportado pelo contribuinte brasileiro.

Para se ter uma ideia da dimensão de Itaipu, que continua sendo a maior hidrelétrica do mundo, mais de 40 mil operários participaram da obra. Foram 13 anos de construção, sendo gasto 15 vezes mais concreto do que no Eurotúnel que liga a Inglaterra à França. Aliás, 15 mil operários levaram sete anos escavando a construção do Eurotúnel, porém o volume de escavação na construção de Itaipu é 8,5 vezes maior do que o do empreendimento europeu. Itaipu é tão grande que hoje, 26 anos depois de sua construção, o Paraguai só consegue consumir 5% dos 50% da energia que lhe cabe na sociedade.

Nessa sociedade, o país vizinho só entrou com a cara. É como se um empresário convidasse um mendigo para construir um shopping no lugar onde este dormia. O mendigo teria 50% de direito na sociedade, sendo que sua quota financeira no empreendimento seria paga com o faturamento do shopping quando entrasse em funcionamento. Mutatis mutandis (feitos os ajustes necessários), foi isso o que aconteceu no referido empreendimento. O Paraguai não teria a menor condição de arcar financeiramente, pois o investimento representava várias vezes o seu PIB (Produto Interno Bruto). Então o Brasil assumiu o ônus financeiro, sendo que a parte do Paraguai ficou para ser paga com excedente da energia que lhe cabe na sociedade, e não consegue consumir.

Pelo acordo, o Brasil comprava o excedente da energia a preço de custo, sendo que a quitação da dívida do Paraguai ocorrerá no ano de 2023. A compra pelo preço de custo era justa, pois o investimento fora realizado apenas pelo contribuinte brasileiro. Não é razoável o Paraguai, que nada investiu, querer ter lucro em cima do investimento brasileiro. É muito o que aquele país já ganhou, porquanto desde a construção, no início da década de setenta, ele vem se beneficiando, pois milhares de empregos diretos e indiretos contemplaram tanto brasileiros como paraguaios, e a estes só coube o bônus; alem disso, em 2023, com a quitação da dívida na sociedade, o Paraguai será dono de 50% de um empreendimento de muitos bilhões de dólares, várias vezes superior ao seu PIB.

Por ter cedido ao capricho do presidente Paraguaio, Lula onerou o contribuinte brasileiro em 300% do valor da energia adquirida da quota do Paraguai, cujo investimento foi brasileiro. O presente de Lula foi aprovado pelo Congresso Nacional em maio desde ano. A “justificativa” para a aprovação é que o aumento do valor da energia, que representará algumas centenas de milhões de dólares a jorrar nos cofres paraguaios todos os anos, não será repassado ao consumidor, pois os recursos sairão do Tesouro Nacional. A pergunta que se faz é quem banca o Tesouro Nacional? É o Lula com suas palestras? É o Celso Amorim com suas aulas? Ou...

É o espoliado contribuinte brasileiro que trabalha mais de cinco meses por ano somente para pagar impostos e terá mais uma conta a ser suportada em razão dos caprichos megalomaníacos de uma pessoa, que nunca deu duro para estudar (há estudantes no interior da Amazônia que saem de suas casas 11 horas da noite para estudar no outro dia. Lula não precisaria fazer tal sacrifício, mas ele preferiu não estudar...), bem como se aposentou muito cedo, não sabendo como é duro trabalhar para pagar impostos.

A propósito, em apenas oito anos de mandato, Lula endividou o Brasil em um trilhão de reais (dívida pública interna), o que representa mais de seiscentos bilhões de dólares. Em 20 anos de governo, os militares endividaram o país em 100 bilhões de dólares, ou seja, em apenas oito anos, Lula endividou o Brasil seis vezes mais do que os militares endividaram em 20 anos de governo, sendo que os milicos fizeram várias obras gigantescas como, por exemplo, a Hidrelétrica de Itaipu; enquanto Lula apenas prometeu, mas não fez nenhuma obra de porte grande. A infraestrutura do país continua a mesma do século passado. E mais. Ao contrário dos governos Sarney, Collor, Itamar e FHC que passaram por situações de instabilidade econômica, sendo necessário investir em vários planos econômicos, Lula não precisaram investir em nenhum plano, pois apenas continuou com o Real.

Pois é, além de Lula ter saído passeando pelo mundo, torrando o dinheiro suado do imposto do contribuinte no luxuoso Aerolula, ele fazia muita “caridade”, perdoando dívidas de países devedores do Brasil. A paixão dele era por ditadores; por exemplo, ele perdoou dívida do Gabão, governado por um ditador, acusado de possuir bilhões de dólares em paraísos fiscais. Se não bastassem à roubalheira com a corrupção interna, os gastos astronômicos com cabide de empregos e exageradas mordomias, o grande “estadista” distribuía benesses mundo a fora. Tudo, claro, custeado pelo contribuinte brasileiro.

Lula, o Papai Noel de ditadores, saiu, mas a conta ficou. A dívida interna está quase chegando a dois trilhões de reais. A externa, que disseram ter sido paga em 2005 (e muita gente acreditou...), está quase chegando a 300 bilhões de dólares. Os efeitos disso repercutem diretamente no emprego das montanhas de recursos arrecadados com os impostos. Só nos cinco primeiros meses do ano, foram arrecadados meio trilhão de reais. Grande parte desse gigantesco recurso deve ter sido utilizada para pagar juros da dívida, principalmente a interna, outra robusta parte deve ter vazado pelo ralo da corrupção, uma parte menor, mas de bom tamanho, deve ter sido utilizada para fazer publicidade, a fim de ocultar a verdadeira realidade, sobrando muito pouco como retorno à sociedade. É por isso que o Brasil está com a infraestrutura do século passado, e a educação, saúde, segurança e outros serviços públicos são prestados em condições piores as de países do Terceiro Mundo.

A propósito, no livro “Viagens com o Presidente”, editora Record, 2ª edição, p.93, está registrado para que gerações futuras saibam, já que a atual parece não querer saber, o critério utilizado pelo ex-presidente Lula para “conquistar o mundo”. O registro consigna a grande importância do atual ministro da Defesa, Celso Amorim, no magnífico trabalho desenvolvido pelo ex-presidente, que hoje ensina o que fez nas suas palestras. Vejamos o registro:

“Nas viagens internacionais, (Lula) tem outra mania. Logo no início do trajeto de volta ao Brasil, chama o ministro Celso Amorim e um oficial da Aeronáutica à sua cabine e, com a ajuda de um grande mapa-múndi, trata de ficar imaginando quais poderiam ser as próximas nações a serem visitadas. A rotina, então, é questionar Amorim sobre as características dos países apontados por ele no mapa, e ao militar pergunta a respeito de questões técnicas das rotas imaginadas, como escalas e trajetórias viáveis à aeronave.”

Como se vê, Celso Amorim, ex-ajudante do Papai Noel de ditadores, foi muito importante no governo passado e agora o será no Governo Dilma, ainda mais contando com o assessoramento do ex-guerrilheiro José Genoino. Para quem não sabe, Genoino participou da chamada Guerrilha do Araguaia, ou melhor, ele quase participou, pois antes mesmo que fosse dado o primeiro tiro, o nosso herói desistiu da luta. Não só desistiu, como ajudou a seus companheiros a desistir.

Havia cerca de 90 guerrilheiros na Selva Amazônica. Os militares não tinham certeza da existência deles, então enviaram cerca de dez homens do serviço de inteligência para a região. Quando os guerrilheiros souberam que os milicos estavam na área, eles fizeram igual àqueles “corajosos” trezentos e poucos bandidos, armados de fuzis, que fugiram do morro igual a galinhas assustadas com medo da raposa, quando dois pequenos tanques com duas dúzias de policiais subiram o morro. Os “valentes” guerrilheiros fizeram o mesmo, tomaram doril e sumiram na densa selva, deixando para trás o acampamento e um faminto cachorro vira lata.

Genoino foi pego no meio do caminho, interrogado pelos milicos, ele disse que se chamava “Geraldo” e que era um caboclo da região. Os militares pediram para ver a mão dele e observaram que era igual a do Lula (a mão do caboclo é grossa, devido ao trabalho duro). “Geraldo” foi conduzido para o acampamento abandonado. Lá chegando foi “dedurado” pelo vira lata que foi para cima dele abanando o rabo e fazendo ruídos característicos de cães que pedem desesperadamente comida. Com a certeza de que “Geraldo” não era Geraldo, os militares disseram que se ele não colaborasse, seus “documentos” seriam extraídos com o próprio facão (ele portava um facão na cintura, quando foi pego) e serviriam de fonte de proteína para o animal faminto.

Apavorado com o “argumento” dos militares, Genoino abriu o verbo. Informou o nome falso que cada guerrilheiro usava, posição que ocupava na guerrilha etc. Além disso, tirou foto e fez declaração a seus companheiros para que se entregassem. O material foi confeccionado em panfletos e jogado de helicópteros no meio da selva. A estratégia funcionou, a maioria se entregou e quem não seguiu o conselho de Genoino virou presunto.

Portanto, Genoino tem todos os requisitos para o importante cargo que exerce, inclusive foi condecorado em maio deste ano com a “Medalha da Vitória”. Ele faz jus à condecoração, pois é um vitorioso, ponha vitorioso nisso...

Com efeito, a experiência e o elevado espírito nacionalista do ex-chanceler Celso Amorim e mais a coragem do ex-guerrilheiro José Genoino, os brasileiros podem ficar tranquilos: a defesa do país está em boas mãos; boas, não, ótimas...

Manoel Pastana - Procurador da República e Escritor - (VAPT VUPT Notícias Apimentadas)

Imagens da Internet - fotoformatação (PVeiga).

A DÍVIDA DE 14 MILHÕES

O acento faz muito diferença, além do significado e sentido. Exemplo: Irã; irá e ira.

Irã é um país do Médio Oriente, de maioria islâmica. A palavra irá, do verbo ir. E a palavra ira é sinônimo de cólera; desejo de vingança.

No Irã irá causar ira quem desconhecer as leis rígidas iranianas – (Gudé).

Por José Eugênio Maciel

“Mulheres e homens somos os únicos seres que, social e historicamente, nos tornamos capazes de

'aprender' uma aventura criadora, algo por isso mesmo, muito mais rico do que meramente

repetir a 'lição dada'. Aprender para nós é 'construir', reconstruir, 'constatar' para mudar',

o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito”

Paulo Freire

Deveria causar pânico. O desespero bem poderia levar o país inteiro a se unir e dar um basta! Somos todos inadimplentes de uma maneira ou de outra. Era para nos entristecer, envergonhar, causar a mais elevada indignação. Todo o Brasil precisaria urgente e impostergavelmente colocar o tema no centro de um debate nacional, patriótico, principal, capaz de mobilizar a todos por intermédio de compromissos e responsabilidades mútuas visando eliminar tamanha catástrofe ante a qual é inconcebível a indiferença, o pouco caso de ações meramente burocráticas na verdade sucumbidas pela criminosa omissão e incompetência.

Segundo os dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, coletados do Censo do ano passado, o País tem 14 milhões de analfabetos. Por si só uma verdadeira tragédia ao longo da História atual, antiga e recente brasileira. O analfabetismo é um cancro evidente, individual e coletivo plasmados e que limitam ou não permitem a existência da dignidade das pessoas que não sabem ler, escrever, interpretar ou produzir um texto. O analfabetismo simboliza perversamente o Brasil é ainda subdesenvolvido, notoriamente injusto na distribuição de renda e da ausência crônica de oportunidades iguais e para todos.

Os 14 milhões de analfabetos representam 9.6% do total da população de 190 milhões, 732 mil habitantes. Comparando com o Censo de 2000 ocorreu uma pequena queda de quatro pontos, antes era 13%.

A alfabetização deveria sempre contemplar uma política de Estado, e não de uma ou outra gestão governamental. Lamentavelmente as últimas gestões pouco fizeram efetivamente para combater o analfabetismo, exige um processo educacional que transcende o “ensinar” algumas palavras mecanicamente decoradas.

Seremos sempre um país de terceiro Mundo enquanto o analfabetismo estiver presente e for encarado como fatalidade, embora os próprios governos priorizem dar um jeito para viabilizar majestosos estádios para a Copa do Mundo de 2014, para ficarmos somente em exemplo atual, acrescido ainda do dito fabuloso aumento ou o acesso a produtos outrora impensáveis como iogurte, computador, internet.

Certa ocasião, ao falar como convidado palestrante de um encontro sobre educação e após tratar sobre o tema, aberto o debate um dos participantes manifestou o posicionamento dele, contrário ao voto do analfabeto e que os candidatos a qualquer cargo deveriam possuir no mínimo o ensino médio, e arrematou, “até para lixeiro é exigido pelo menos o primário completo”. Ele foi muito aplaudido e rapidamente também se criou muita expectativa com a sensação nos presentes que eu não teria argumento para responder.

Devolvida a palavra para mim, passei a dizer que ele não estava errado, porém era preciso outros elementos de análise “espero que um dia, e mais do que esperar, lutar, que o texto da nossa Constituição que garante o direito do analfabeto de voltar, tal lei caia em desuso. Que não mais existam eleitores analfabetos”. Concluí, “a vergonha maior não é o analfabeto votar, é os eleitos que prometem lutar pela educação nada ou pouco fazerem por ela e pela erradicação do analfabetismo. Existem doutores e muitos com variados diplomas que barganham o voto ou não se interessam por política. A referida lei nos envergonha e afirmar que ela é indigna é pouco. Mas essa mesma lei serve para apontar advertência a nos condenar todos como culpados por ainda termos analfabetos que, se não sabem votar, são vitimas das escolhas de todos ”.

Fui também aplaudido. O público deu razão para quem me fez a pergunta e a mim pela resposta que dei. O problema é que muitos de nós voltamos para as nossas casas e nada mais. Ficaram as palavras ditas para aqueles que não sabem das palavras escritas, fora do mundo das letras, presos ao mundo dos iletrados.

HORTA VERTICAL GARANTE PRODUTOS FRESQUINHOS TODOS OS DIAS

Fazer uma horta dentro de casa é a opção mais interessante para quem não abre mão de ter sempre alimentos fresquinhos à mesa. Além de mais saudável, a alternativa é prática e econômica.


Mas se engana quem pensa que para ter a própria horta é preciso muito espaço. É possível cultivar vegetais e hortaliças em vasos ou canteiros ou usar como alternativa a horta vertical orgânica, que é uma técnica aplicada em paredes de quintais ou até mesmo em pequenas varandas de apartamentos.

Com a horta vertical é possível cultivar seus temperos preferidos sem ocupar muito espaço e ainda complementar a decoração do ambiente. Outra vantagem é que ela é prática e ótima para o consumo, pois dispensa o uso de agrotóxicos e adubos químicos.

Veja dicas interessantes e saiba como fazer a sua.

A plantação na horta vertical pode ser feita em recipientes pendurados nas paredes. Eles podem ser feitos de forma sustentável com materiais recicláveis como garrafas pet e tubo de PVC, em pequenos vasos ou ainda suspensos por cordas finas ou ganchos.


Para que a horta vertical cresça bonita e saudável, ela precisa ser instalada em local arejado e regada diariamente. Usar placas de identificação em cada vaso ou recipiente é muito útil e ainda deixa a horta super organizada.


Uma sugestão do que plantar na horta vertical é apostar nos temperos usados no dia a dia. Isso garante um toque especial aos pratos e você tem sempre a mão ingredientes como o alecrim, orégano, manjericão, coentro, hortelã, salsinha, tomilho e manjerona.

Além dos temperos, a ideia do cultivo da horta vertical caseira também pode ser aplicado em uma linda floreira. Abuse da criatividade e faça uma horta vertical com tudo que você mais gosta.

Do Portal Bonde

sábado, 27 de agosto de 2011

RIO HAMZA

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 27 de agosto de 2011

Pesquisadores apresentam indícios da existência de um colossal rio subterrâneo, o maior do mundo, fluindo sob o Rio Amazonas cujas águas avançam, em direção ao Atlântico, a uma velocidade aproximada de 10 a 100 metros por ano.

Valiya Mannathal Hamza

O geofísico Valiya Mannathal Hamza, indiano naturalizado brasileiro

O doutor Hamza nasceu na Índia, no dia 15 de junho de 1941, mora no Brasil há trinta e sete anos e há dezesseis trabalha como geofísico do Observatório Nacional. O indiano naturalizado brasileiro foi selecionado pela Sociedade Geológica Americana (GSA), como um dos melhores revisores de artigos científicos, em 2009. A Revista Litosfera, por sua vez, o considera como um dos cinco melhores revisores do mundo, o único brasileiro a fazer parte da seleta lista. A GSA, fundada em 1888, tem mais de 22.000 membros em 97 países e é líder em Geociência avançada.

Hamza possui graduação em Física - Universidade de Kerala (1962), mestrado em Física Aplicada - Universidade de Kerala (1964) e doutorado em Geofísica - University of Western Ontário (1973). Teve atuação como Professor do IAG-USP, Pesquisador do IPT, Secretário da Comissão Internacional de Fluxo Térmico - IHFC e membro do Comitê Executivo da Associação Internacional da Sismologia e Física do Interior da Terra - IASPEI. Eleito, em 2007, como Representante Sul-Americano na Comissão Internacional de Fluxo Térmico IHFC. Possui ampla experiência na área de Geociências, com destaque nas áreas de Geotermia e Fluxo Térmico, atuando principalmente nos seguintes setores: fluxo geotérmico, energia geotérmica, recursos geotermais, tectonofísica, mudanças climáticas recentes, geofísica ambiental, sismicidade, propriedades térmicas de materiais geológicos, ensino superior. Ministrou mais de 30 cursos de pós-graduação em Geofísica. Atualmente, é responsável pelo Laboratório de Geotermia da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional no Rio de Janeiro. É consultor de quatro revistas internacionais e publicou mais que 100 trabalhos científicos.

Rio Hamza

“A linha de água permanece subterrânea desde sua nascente, só que não tão distante da superfície. Tanto que temos relatos de povoados daquele país, instalados na região de Cuzco, que utilizam este rio para agricultura. Eles sabem desse fluxo debaixo de terrenos áridos e por isso fazem escavações para poços ou mesmo plantações”.
(Valiya Mannathal Hamza).

Pesquisadores do Observatório Nacional divulgaram, este mês, no 12° Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio de Janeiro, um estudo que revela indícios da existência de um rio subterrâneo correndo sob o Rio Amazonas, desde os Andes até o Oceano Atlântico, a uma profundidade que pode chegar aos 4 mil metros. A pesquisa faz parte do trabalho de doutorado da geofísica Elizabeth Tavares Pimentel, orientada pelo Doutor Valiya Mannathal Hamza. Pimentel é coordenadora do curso de Ciências: Matemática e Física do Instituto de Educação, Agricultura e Meio Ambiente de Humaitá, AM.

“A temperatura no solo é de 24 graus Celsius constantes. Entretanto, quando ocorre a entrada da água, há uma queda de até 5 graus Celsius. Foi a partir deste ponto que começamos a desenvolver nosso estudo. Este pode ser o maior rio subterrâneo do mundo”. (Valiya Mannathal Hamza)

Os cientistas analisaram as informações térmicas de 241 poços perfurados, na década de 1970 e 1980, pela Petrobras. A metodologia baseia-se na identificação de sutis variações de temperatura decorrentes dos movimentos de fluídos em meios porosos. Graças às informações fornecidas pela Petrobras, os cientistas concluíram que a água cai na vertical até os 2.000 metros de profundidade e depois se torna quase horizontal em profundidades maiores.

“Vamos continuar nossa pesquisa, porque nossa base de dados precisa ser melhorada. A partir de Setembro vamos buscar informações sobre a temperatura no interior terrestre em Manaus e na Rondônia. Assim vamos determinar a velocidade exata do curso da água”. (Valiya Mannathal Hamza)

Enquanto a largura do Rio Amazonas de 1,6 quilômetros a quase 100 km, na área pesquisada, o Hamsa varia de 200 a 400 quilômetros. A velocidade da água no Rio Amazonas varia de 0,1 a 2 metros por segundo e as águas do Hamsa avançam, no máximo, 100 metros por ano. Embora esse valor possa ser considerado pequeno em relação à formidável vazão do Amazonas ele indica a existência de um sistema hidráulico subterrâneo sem precedentes. Para que se possa aquilatar a importância deste sistema, basta lembrar que sua vazão subterrânea é superior à vazão média do Rio São Francisco. A vazão do Hamza estimada em 3,1 mil m³/s enquanto a do Rio São Francisco é de 2,7 mil m³/s.

Aquífero?

“A água do Hamza segue até 150 km dentro do Atlântico e diminui os níveis de salinidade do mar. É possível identificar este fenômeno devido aos sedimentos que são encontrados na água, característicos de água doce, além da vida marinha existente, com peixes que não sobreviveriam em ambiente de água salgada”.

(Valiya Mannathal Hamza)

O doutor Hamza afirma: “Não é um aquífero, que é uma reserva de água sem movimentação. Nós percebemos movimentação de água, ainda que lenta, pelos sedimentos”.

Livro

O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre.

Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false
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Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Vice-Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul; Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E–mail: hiramrs@terra.com.br

MORRE O EX VEREADOR DE SETE MANDATOS-JOSÉ COSTA MARIA

Faleceu por volta das 11h30 deste sábado (27), o ex-vereador por Campo Mourão e Farol, José Costa Maria. Nascido em 12 de agosto de 1929, tinha 82 anos. Ele exerceu 7 mandatos, dos quais 3 por Campo Mourão (63/69, 73/76 e 77/82), e outros 4 por Farol, após a emancipação do município. José Costa Maria faleceu em sua residência em Farol. Natural de Araruva, distrito de Apucarana, que atualmente é o município de Marilândia do Sul, filho de Flanor e Florinda Costa, era casado com Aparecida Lima Costa com quem tem oito filhos: Gentil, Cacilda, Alaides, Edson, João Milton, Fátima, Edna e Telma.

Chegou em Farol em 1945, onde fixou residência. Foi agricultor na década de 50, depois, iniciou-se no ramo comercial com a compra de cereais. Em 1957 começou a carreira política. Há cerca de um ano, Costa Maria lutava contra um câncer e nos últimos 3 meses estava acamado.

Da Coluna do Ely.

MEU FILHO, VOCÊ NÃO MERECE NADA

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada

Por Eliane Brum-(Revista ÉPOCA)

ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e
documentarista. Ganhou mais
de 40 prêmios
nacionais e internacionais de
reportagem.
É autora de Coluna Prestes –
O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios),
A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial,
Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua
(Globo).

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer - equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)- Indicação de minha prima Celina Veiga.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O DEFENSOR PÚBLICO IDIOTA E A INDIGÊNCIA INTELECTUAL DOS CAUSÍDICOS

Escrito por Leonardo Bruno

Há um mito quando se fala da inteligência dos estudantes de direito. Percebo com espanto a reverência popular que existe em relação àqueles técnicos jurídicos presunçosos e redondamente toscos, cuja única cultura, por assim dizer, é decorar leis ou petições. Na verdade, há uma perda da cultura elevada e intelectualizada, substituída pela cultura técnica. Basta decorar uma regrinha jurídica aqui, uma formulazinha pronta ali, que o rapazito limitado intelectualmente se achará o homem mais sábio da face da Terra, o super-homem nietzschiano, o Zaratustra em pessoa, admirado pelos idiotas que nada entendem de suas deficiências. Ainda me lembro daqueles meus colegas que citavam jurisprudências como se fosse uma espécie de determinação bíblica. De fato, muitos advogados, juízes, promotores e defensores públicos fazem do direito positivo um artigo de fé. Ou na pior das hipóteses, a única razão intelectual de sua existência.

Deixa-me perplexo quando uma trupe de analfabetos engravatados faz rasgados elogios a doutrinaristas e juristas inócuos, como se estes personificassem a mais alta cultura do país. Dentro desse meio de tecnocratas, a técnica é um fim em si mesmo. O direito é tão somente uma expressão formal e pura de códigos e decisões judiciais, sem uma relação direta com o conjunto da realidade.
Não é por acaso que o funcionário público é visto como uma casta, um clero, um objeto de culto. Dentro desse meio, William Douglas, o juiz e professor de concursos, pode se passar como gente espirituosa e inteligente. Todavia, a aparência de conhecimento jurídico camufla um vazio espiritual. E atualmente ele é ocupado pelas cantilenas ideológicas politicamente corretas e outras asneirices do marxismo cultural. O conhecimento de história, filosofia, sociologia é pura doutrinação comunista travestida de ciência séria e serve de princípio superior na cabeça de muitos desses operadores do direito. O lugar-comum do causídico médio é o socialismo, seja ele econômico, político ou cultural. Neste ponto, os partidos de esquerda conseguiram o inimaginável: conquistar as cátedras de direito do país, formando milhares de acadêmicos de direito sem cérebro, cheios de chavões ocos de racionalidade. OAB, Ministério Público e até o STF, aos poucos, acabam virando verdadeiros escritórios de advocacia do PT e seus congêneres. O Estado, por assim dizer, virou uma espécie grupal e orgânica de ativismo partidário.

Um exemplo particular dessa indigência de pensamento ocorreu em Ribeirão Preto, São Paulo, quando a Defensoria Pública entrou com uma ação na justiça, obrigando a retirada de versículos bíblicos publicados em outdoors, por uma igreja evangélica, que condenavam o homossexualismo. Se não fosse espantoso o fato de a justiça, junto com a Defensoria, virar censor das idéias religiosas do país, estarreceu-me as declarações do defensor público causador da ação, o Sr. Aluísio Ruggeri, pelas suas justificativas, que são o mais completo cúmulo da imbecilidade jurídica que assola o país. Ou, quem sabe, o cúmulo da malícia disfarçada de imbecilidade.

O defensor público disse que o problema dos outdoors evangélicos expressam três dilemas constitucionais conflitantes: a liberdade sexual, a liberdade religiosa e de expressão. E finaliza, com uma pérola da incoerência lógica: “Desses valores, penso que deve prevalecer o da liberdade sexual e o combate à homofobia.” Preliminarmente, o Sr. Aluísio transgride os três direitos. Viola a liberdade religiosa, porque criminaliza a fé cristã, que tem um código de ética sexual distinto da patacoada do “combate a homofobia”. Segundo, destrói a liberdade de expressão, já que proíbe qualquer cidadão de fazer juízos de valor sobre qualquer tipo de comportamento ou questão. E o mais paradoxal, viola a liberdade sexual, porque a homossexualidade, sendo uma conduta, é passível tanto de ser aceita, como rejeitada. Ou mais, a conduta sexual cristã é discriminada e rejeitada como “homofóbica”. O Sr. Aluísio, na prática, destrói a liberdade sexual, ao transformar a homossexualidade em algo compulsório, forçado, imposto pelo Estado como uma regra inquestionável. A Defensoria Pública fez algo dignamente orwelliano, na mais distorcida novilíngua politicamente correta. Em nome de uma suposta contradição entre três direitos constitucionais, conseguiu, numa tacada só, destruir todos eles.

Porém, existe um caso ainda mais grave na argumentação do defensor relapso: a de que a liberdade sexual está da liberdade religiosa e de expressão. Mas o que significa “liberdade sexual”? Desde quando a liberdade sexual pode se dissociar da moral vigente, para que ela seja livre das críticas ou discriminações sobre sua prática? Se a sexualidade está acima das divergências, acima da liberdade de expressão e religiosa, ou mesmo da moral religiosa, o Sr. Aluísio conseguiu reduzir a humanidade ao status de animais andando de quatro. Criou uma hierarquia lógica, no mínimo, bizarra. Porque nenhuma liberdade sexual prescinde de uma conduta ética e moral superior que a eduque e direcione. Nenhuma liberdade sexual prescinde da crítica e mesmo da distinção. Ou será que o Sr. Aluísio vai aceitar também os pedófilos, os zoófilos, os estupradores e outros arautos de notórias liberdades sexuais criminosas acima das críticas ou dos valores morais e éticos amparados pelo direito? Pelo seu raciocínio, tudo leva a crer que sim!

Por outro lado, querer hierarquizar o sexo, e em particular, o homossexualismo, acima das críticas religiosas ou morais ou mesmo da liberdade de expressão de negá-las, recusá-las ou rejeitá-las, mostra a perversidade moral e psicológica que há por trás da opinião deste defensor. O Estado, na autoridade usurpadora da Defensoria Pública, quer invadir a esfera de privacidade que é o sexo, para controlar nossos desejos e aversões sexuais, determinando aquilo que devemos opinar desejar ou rejeitar. Criaturinhas insignificantes como o Sr. Aluísio Ruggeri acham que algumas práticas sexuais estão acima de códigos de conduta civilizacionais que moldam o ocidente há pelo menos dois mil anos, em específico, o homossexualismo. Ao exaltar a liberdade sexual acima destes valores, ele a coloca acima do direito e acima das regras de conduta que a própria sociedade criou para o sexo. Aqui, caminha-se para a arbitrariedade mais completa, para um precedente que é, no mínimo, esquizofrênico.

O Sr. Ruggeri não tem o menor preparo intelectual para a função pela qual foi encarregado, que é o de defender os direitos da sociedade contra os abusos de poder do Estado. Pelo contrário, ele mesmo é a própria encarnação do abuso de poder estatal. Gente como ele deveria ser exonerada, pois representa uma ameaça à democracia, afronta a Constituição Brasileira e os direitos civis elementares de todos os brasileiros. Em outras palavras, o Sr. Roggeri é tão somente um delinquente proto-petista com o título de bacharel em direito, ávido por uma ditadura no país, corroborada por cães de guarda como ele.

Contudo, os católicos e evangélicos parecem ignorar que os Ruggeris da vida estão espalhados em legiões pelas defensorias e promotorias públicas da vida, querendo ditar regras morais, idéias, comportamentos, gostos e modismos biônicos para a sociedade. Na verdade, eles estão lá justamente para destruir todas as estruturas morais e éticas da sociedade e espalhar o caos. Essas criaturas vazias, sorumbáticas, ocas de espiritualidade e cultura, ocupam sua falta de raciocínio com as ideologias politicamente corretas da moda. Um aparato policial de burocratas medíocres e arrivistas renasce no país. Encharcados de esquemas mentais totalitários, são a caricatura mais grotesca da moral e da justiça. E não é por acaso que a ação judicial do Sr. Aluisio Ruggeri é a expressão característica dessa sociopatia intelectual. Ele é reflexo da nulidade vigente que ocupou as cátedras de direito da nossa sociedade, dominada por uma pseudo-elite estrondosamente inculta, presunçosa e amoral, que ameaça destruir as liberdades civis e constitucionais deste país. Ou mais, destruir as bases culturais e civilizacionais cristãs que ainda formam a consciência da nação brasileira.

Do Blog do Marlon - Política de"Verdade". Imagens da Internet - fotoformatação (PVeiga).

AO MESTRE, COM CARINHO?

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 26 de agosto de 2011

"Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho. (...) Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”.
(Paulo Freire)

Quantas e quantas vezes lemos relatos de mestres constrangidos por familiares de alunos que tentam imputar-lhes responsabilidade pelos desvios de conduta cometidos por seus dependentes. Boa parte dos pais de hoje delegaram à escola a necessidade de impor limites aos seus filhos e, quando isso acontece, quase que invariavelmente, ouvem e acreditam apenas na versão fantasiosa elaborada pelos seus “anjinhos”. Não se oportuniza o contraditório, o professor é, invariavelmente, o culpado. Tenho saudades do início de minha carreira no magistério quando os pais confiavam nos mestres e os tratavam como amigos e parceiros. Sinto uma profunda nostalgia ao lembrar como meus alunos prestavam a atenção nos ensinamentos de ética, moral e nos exemplos que lhes mostrávamos de grandes seres humanos do longínquo pretérito ainda que esses comentários não fizessem, absolutamente, parte do currículo. Eu me sentia um EDUCADOR.

Ao Mestre com carinho

Nos momentos de crise ou desânimo aconselho aos meus amigos professores que revejam algumas cenas do filme “Ao Mestre com Carinho”, de 1966, em que alunos fazem uma homenagem ao seu professor cantando “To sir with Love”.

Ao Mestre com Carinho

Chegou o momento de fechar os livros

E de trocar um último olhar.

Enquanto parto, sei que me afasto,

Do meu melhor amigo.

Alguém que me ensinou o que é certo,

E como agem os fortes.

É muito para se aprender.

O que eu posso lhe dar em troca?

Se o senhor quisesse a lua,

Eu tentaria pegá-la

Mas prefiro que aceite o meu coração,

Ao mestre, com carinho.

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=2U-nM8Tp78Q

http://www.youtube.com/watch?v=GsmpVldGlMI&feature=related

O bairro operário londrino de East End serve de pano de fundo para um épico do cinema mundial chamado “Ao Mestre, com carinho”. O filme trata do relacionamento de um professor e seus alunos e repercute os problemas e medos dos adolescentes da década de sessenta. O seu protagonista, Sidney Poitier, encarna Mark Thackeray, um engenheiro desempregado que encontra no magistério uma saída temporária para solucionar sua crise pessoal e acaba descobrindo sua verdadeira vocação.

Seus indisciplinados alunos cursam o último ano letivo e sentem-se perdidos e confusos ante a perspectiva de ter de abandonar a tranquilidade do ambiente escolar e encarar o mundo adulto. A classe, liderada por Denham, Pâmela e Barbara testam Thackeray de todas as maneiras, mas não conseguem quebrar-lhe o espírito. O professor, acostumado às hostilidades, enfrenta o desafio; lenta e progressivamente, vai conquistando espaço, até se tornar figura de referência, não apenas para sua turma, mas para os pais de seus alunos e demais colegas de trabalho. Thackeray mostra o conflito de um mestre que quer se aproximar de seus alunos ao mesmo tempo em que tenta manter um tratamento formal com eles. Pâmela Dare, uma de suas alunas, insiste que ele a chame pelo primeiro nome, o que ele consegue fazer só no final do filme.

- Brasil um País Eternamente do Futuro!

O Brasil continua marcando passo, sendo ultrapassado por países que decidiram, décadas atrás, apostar na educação, na disciplina e na erradicação da corrupção. Reproduzo o desabafo que o Professor Maurício Girardi enviou, recentemente, para a Coluna do Juremir Machado da Silva.

- Histórias de Professor

Fonte: Correio do Povo, Coluna Juremir, 14.07.201

Caro Juremir!

Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre, onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio

Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e talvez pela entrada do inverno, resolveu também ir à aula uma daquelas alunas “turista” que aparece uma que outra vez para “fazer uma social”. Para rever os conhecidos.

Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos. Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava bastante atenção de todos, toca o celular da menina, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula.

Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender e que o Colégio é um local aonde se vai para estudar. Então, a “estudante” quis argumentar, quando falei que não discutiria com ela. Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma.

A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, a mãe da menina ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim.

Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretora da Escola. Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil! Isso mesmo, tive que comparecer no dia 13/07/11 na oitava delegacia de polícia de Porto Alegre para prestar esclarecimento por ter constrangido (?) uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta a aula e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores.

A que ponto chegamos? Isso é um desabafo. Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil. Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema.

Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com frequência temas relacionados à educação, te peço que dediques umas linhas a respeito da violência contra o professor.

Parabéns pelo teu trabalho e um grande abraço!

Maurício Girardi

– Livro

O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre.

Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false.

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Vice-Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul; Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E–mail: hiramrs@terra.com.br

VAMOS FALAR SOBRE O CORAÇÃO?

Por Oswaldo Amaral

Nenhum órgão do corpo humano exerce tanto fascínio quanto o coração. Embora boa parte de seus mistérios tenha sido desvendada no último século, esse músculo, que começa a bater quando ainda estamos no ventre materno, encanta até mesmo os médicos especialistas acostumados a lidar com seus problemas diariamente.

Não é à toa que ele é cantado por intérpretes de todas as gerações e emociona desde que a poesia é poesia. Por esse motivo, o coração foi escolhido pelo Correio Braziliense para abrir uma série de reportagens sobre as importantes engrenagens da fantástica máquina que é o corpo humano.

Para explicar a dinâmica do coração, cardiologistas costumam segmentar o órgão em três partes: a muscular ou mecânica, chamada de miocárdio; a coronária ou hidráulica, composta por artérias que podem ser comparadas a um encanamento que irriga o músculo; e o sistema elétrico, que inicia a cada batimento uma corrente que também é responsável pela contração das fibras musculares.

Entre as doenças que atingem o coração e que mais matam no Brasil e no mundo está a aterosclerose. No decorrer da vida, por fatores genéticos ou devido à má alimentação, ocorre o acúmulo de placas gordurosas nas paredes das artérias de médio e de grande porte, fator redutor do fluxo sanguíneo. “A aterosclerose compromete a circulação e desencadeia o infarto do miocárdio. Ele ocorre quando o sangue não chega ao coração, destruindo o tecido cardíaco e impedindo o transporte de oxigênio e de nutrientes para o resto do corpo”, pontua o cardiologista Carlos Alberto Pastore, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e diretor de Serviços Médicos do Instituto do Coração (Incor).

As arritmias, mazelas no setor elétrico, também comprometem a eficiência do sistema cardíaco. O órgão tem um marca-passo natural, chamado nódulo sinusal, que faz o controle da frequência dos batimentos de acordo com as necessidades humanas. Disfunções no sistema elétrico, extremamente complexo e delicado, geram os descompassos.

As anomalias nos batimentos podem ser perceptíveis ou não. As vítimas desse problema, no entanto, foram extremamente beneficiadas com o surgimento do exame de eletrocardiograma, principal arma diagnóstica contra tais alterações. As arritmias são consideradas graves pelos cardiologistas quando causam debilidade, desorientação, enjôos e desmaios — sinais de que o sangue não está sendo bombeado devidamente.

Vidas salvas

Avanços tecnológicos na área da cardiologia foram responsáveis por poupar milhões de vida no decorrer dos últimos anos. “A angioplastia, por exemplo, permitiu intervenções menos invasivas. Ela contribuiu significativamente para diagnosticar obstruções e auxiliar na colocação do stent, uma estrutura metálica introduzida fechada na artéria e expandida no local onde está a placa de aterosclerose”, lembra Marco Antônio Perin, cardiologista intervencionista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Os dois especialistas são enfáticos: a prevenção é a melhor forma de cuidar do coração. Ela deve ser feita o quanto antes, principalmente se a pessoa tem histórico de doenças coronárias na família. A alimentação é importante, mas a dieta adequada não é suficiente.

Os sinais de alerta mais comuns são dor no peito ao fazer esforço, cansaço extremo, palpitações e hipertensão, mas as doenças do coração também podem chegar sem alarde.

É fundamental evitar os fatores de risco, como o mau colesterol, o diabetes, o sedentarismo, o cigarro e os males emocionais, como depressão e ansiedade.

“Nos últimos tempos, temos tido casos de síndrome do coração partido. A ocorrência é muito parecida com o infarto do miocárdio, mas não é causada pela obstrução das coronárias, e sim por desgastes e desilusões emocionais. Os poetas estão certos, o órgão é realmente muito sensível às emoções”, enfatiza Pastore.

Fonte: Correio Braziliense - publicado em Idade certa.