quinta-feira, 24 de novembro de 2011

LUIZ CARLOS PRESTES - O CAVALEIRO DA DESESPERANÇA

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 24 de novembro de 2011.

Gonçalves Magalhães – introdutor
do Romantismo no Brasil

Malévolos sicários, raça espúria, sem Pátria, ermos de brio,
Já traidores alfanjes afiando, o ensejo só aguardam favorável
De ensopá-los no sangue daqueles a quem bens, e honra devem.

(Domingos José Gonçalves de Magalhães)

Tenho a certeza de que nossas pusilânimes lideranças tentarão deixar passar em branco, mais uma vez, uma das páginas mais tristes de nossa história. Não permitiremos que isso aconteça. É preciso que as novas gerações conheçam os “heróis comunistas” que agindo nas sombras assassinaram seus irmãos de armas totalmente indefesos enquanto dormiam. Página heróica para eles talvez, mas certamente uma vergonha para a História do Brasil e da Humanidade.

- Luiz Carlos Prestes

Declarado Aspirante da Arma de Engenharia pela Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1919, exerceu as funções de engenheiro ferroviário, como tenente, até ser transferido para o Rio Grande do Sul. Em outubro de 1924, já como capitão, liderou um grupo de rebeldes na região das missões do Rio Grande do Sul. Os revoltosos receberam adesões de várias partes do país iniciando sua marcha até Foz do Iguaçu. No Paraná, reforçados por um contingente de paulistas, receberam a designação de Coluna Miguel Costa-Prestes, que com 1.500 homens, percorreu durante dois anos e cinco meses mais de 25.000 km. As baixas chegaram a quase 800 homens em decorrência das doenças e mortes em combate.

- Cavaleiro da “Esperança”

Prestes iniciou seus estudos sobre o marxismo na Bolívia, onde havia se refugiado no final de 1928, com grande parte dos membros da Coluna. Em 1930 retorna clandestinamente a Porto Alegre. Instado a comandar a Revolução de 30, recusa-se a apoiar ao movimento. Convidado pelo governo Soviético, em 1931, emigra para aquele país, onde trabalha como engenheiro e aperfeiçoa seus estudos marxistas, iniciados na Bolívia. Em agosto de 1934, por pressão do Partido Comunista Soviético, é finalmente aceito pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) em seus quadros. Eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista (IC), volta para o Brasil em dezembro de 1934, acompanhado pela amante alemã Olga Benário, com o objetivo de liderar uma revolução armada no Brasil, seguindo a orientação de Moscou.

- Aliança Nacional Libertadora

É recebido calorosamente pelo presidente de honra da ANL em sua sessão inaugural no Rio de Janeiro. A ANL congregava, nas suas hostes, tenentes, socialistas e comunistas descontentes com o Governo Vargas. Em julho de 1935 divulga um manifesto exigindo “todo o poder” à ANL e a derrubada do governo de Getúlio Vargas.

- Intentona Comunista

No período de 23 e 27 de novembro de 1935 as cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro foram os palcos da primeira estúpida tentativa de implantação de um regime comunista no Brasil. Em nome de uma ideologia alienígena a traição, o homicídio e a covardia foi o caminho escolhido pelos “heróicos” seguidores de Prestes para cometeram seus crimes na calada da noite, acobertados pelo manto da madrugada, assassinando irmãos de armas enquanto estes ainda dormiam.

Natal

Um clima de terror reinava na cidade. Violações, estupros, pilhagens e roubos generalizaram-se. Dois cidadãos acusados de estarem ridicularizando o movimento foram assassinados. A população começou a abandonar a cidade. Os rebeldes ocuparam as localidades de Ceará-Mirim, Baixa Verde, São José do Mipibú, Santa Cruz e Canguaratema. A reação inicial partiu de Dinarte de Medeiros Mariz que derrotou um grupo insurgente com uma pequena força de sertanejos. Quando as tropas legalistas iniciaram sua marcha sobre Natal, o “Comitê Popular Revolucionário” acovardado fugiu, sem apresentar a menor resistência.

Recife

O Sargento Gregório Bezerra tentou tomar o Quartel-General da 7ª Região Militar, assassinando covardemente o Tenente José Sampaio, e ferindo o Tenente Agnaldo Oliveira de Almeida, antes de ser dominado e preso. No dia seguinte, à sublevação, Recife já estava totalmente dominada pelas forças legalistas e o número de baixas nas fileiras comunistas ultrapassava a uma centena de mortos.

Rio de Janeiro

Na Escola de Aviação, em Marechal Hermes, os Capitães Agliberto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves da Silva, juntamente com os Tenentes Ivan Ramos Ribeiro e Benedito de Carvalho assaltaram o quartel de madrugada, e dominaram a Unidade. Diversos oficiais foram assassinados, covardemente, enquanto dormiam. O Capitão Agliberto matou o Capitão Benedito Lopes Bragança embora este estivesse desarmado e indefeso. Os rebeldes atacaram o 1º Regimento de Aviação, cujo comandante Coronel Eduardo Gomes, apesar de ferido, iniciou a reação. Forças da Vila Militar acorreram em apoio ao Regimento e, rapidamente, derrotaram os rebeldes.

No 3º Regimento de Infantaria (RI), da Praia Vermelha, os rebeldes, chefiados pelos Capitães Agildo Barata, Álvaro Francisco de Souza e José Leite Brasil conseguiram, na mesma madrugada, dominar quase toda a Unidade. Apenas um núcleo, sob o comando do Coronel Afonso Ferreira, comandante do Regimento, resistia. A reação heróica do Coronel Afonso Ferreira impediu que a Unidade rebelada partisse para a tomada do palácio presidencial no Catete cumprindo as ordens de Prestes. Nas últimas horas da madrugada, as tropas leais ao governo, sob comando do General Eurico Gaspar Dutra, forçaram a rendição dos amotinados.

A intervenção imediata dos comandantes militares evitou um banho de sangue. A indignação tomou conta do país e o presidente Vargas saiu ainda mais fortalecido desse triste momento da vida brasileira.

- A “Justiça” do Tribunal Vermelho

Os comunistas suspeitaram que uma moça chamada Elvira Cupelo Colônio, conhecida como “Elza Fernandes”, namorada do então Secretário-Geral do PCB, Antonio Maciel Bonfim, o “Miranda”, estaria delatando os companheiros à polícia. Considerada uma ameaça a jovem foi condenada à morte pelo “tribunal vermelho”.

- Recordando a história: o assassinato de Elza Fernandes

Fonte: Fernandes Dumont, F.

“Desde menina, Elvira Cupelo Colônio acostumara-se a ver, em sua casa, os numerosos amigos de seu irmão, Luiz Cupelo Colônio. Nas reuniões de comunistas, fascinava-se com os discursos e com a linguagem complexa daqueles que se diziam ser a salvação do Brasil. Em especial, admirava aquele que parecia ser o chefe e que, de vez em quando, lançava-lhe olhares gulosos, devorando o seu corpo adolescente. Era o próprio Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antonio Maciel Bonfim, o ‘Miranda’. Em 1934, então com 16 anos, Elvira Cupelo tornou-se a amante de ‘Miranda’ e passou a ser conhecida, no Partido, como ‘Elza Fernandes’ ou, simplesmente, como a ‘garota’. Para Luiz Cupelo, ter sua irmã como amante do secretário-geral era uma honra. Quando ela saiu de casa e foi morar com o amante, Cupelo viu que a chance de subir no Partido havia aumentado.

Entretanto, o fracasso da Intentona, com as prisões e os documentos apreendidos, fez com que os comunistas ficassem acuados e isolados em seus próprios aparelhos. Nos primeiros dias de janeiro de 1936, ‘Miranda’ e ‘Elza’ foram presos em sua residência, na Avenida Paulo de Frontin, 606, Apto 11, no Rio de Janeiro. Mantidos separados e incomunicáveis, a polícia logo concluiu que a ‘garota’ pouco ou nada poderia acrescentar aos depoimentos de ‘Miranda’ e ao volumoso arquivo apreendido no apartamento do casal. Acrescendo os fatos de ser menor de idade e não poder ser processada, ‘Elza’ foi liberada. Ao sair, conversou com seu amante que lhe disse para ficar na casa de seu amigo, Francisco Furtado Meireles, em Pedra de Guaratiba, aprazível e isolada praia da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Recebeu, também, da polícia, autorização para visitá-lo, o que fez por duas vezes.

Em 15 de janeiro, Honório de Freitas Guimarães, um dos dirigentes do PCB, ao telefonar para ‘Miranda’ surpreendeu-se ao ouvir, do outro lado do aparelho, uma voz estranha. Só nesse momento, o Partido tomava ciência de que ‘Miranda’ havia sido preso. Alguns dias depois, a prisão de outros dirigentes aumentou o pânico. Segundo o PCB, havia um traidor. E o maior suspeito era ‘Miranda’. As investigações do ‘Tribunal Vermelho’ começaram. Honório descobriu que ‘Elza’ estava hospedada na casa do Meireles, em Pedra de Guaratiba. Soube, também, que ela estava de posse de um bilhete, assinado por ‘Miranda’, no qual ele pedia aos amigos que auxiliassem a ‘garota’. Na visão estreita do PCB, o bilhete era forjado pela polícia, com quem ‘Elza’ estaria colaborando. As suspeitas transferiram-se de ‘Miranda’ para a ‘garota’.

Reuniu-se o ‘Tribunal Vermelho’, composto por Honório de Freitas Guimarães, Lauro Reginaldo da Rocha, Adelino Deycola dos Santos e José Lage Morales. Luiz Carlos Prestes, escondido em sua casa da Rua Honório, no Méier, já havia decidido pela eliminação sumária da acusada. O ‘Tribunal’ seguiu o parecer do chefe e a ‘garota’ foi condenada à morte. Entretanto, não houve a desejada unanimidade: Morales, com dúvidas, opôs-se à condenação, fazendo com que os demais dirigentes vacilassem em fazer cumprir a sentença. Honório, em 18 de fevereiro, escreveu a Prestes, relatando que o delator poderia ser, na verdade, o ‘Miranda’. A reação do ‘Cavaleiro da Esperança’ foi imediata. No dia seguinte, escreveu uma carta aos membros do ‘Tribunal’, tachando-os de medrosos e exigindo o cumprimento da sentença. Os trechos dessa carta de Prestes, a seguir transcritos, constituem-se num exemplo candente da frieza e da cínica determinação com que os comunistas jogam com a vida humana:

"Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária. ’ ... ‘Por que modificar a decisão a respeito da ‘garota’? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido...?’ .... ‘Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar...’ ... ‘Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião”.

Ante tal intimação e reprimenda, acabaram-se as dúvidas. Lauro Reginaldo da Rocha, um dos ‘tribunos vermelhos’, respondeu a Prestes:

“Agora, não tenha cuidado que a coisa será feita direitinho, pois a questão do sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do P.”

Decidida a execução, ‘Elza’ foi levada, por Eduardo Ribeiro Xavier (‘Abóbora’), para uma casa da Rua Mauá Bastos, Nº 48-A, na Estrada do Camboatá, onde já se encontravam Honório de Freitas Guimarães (‘Milionário’), Adelino Deycola dos Santos (‘Tampinha’), Francisco Natividade Lira (‘Cabeção’) e Manoel Severino Cavalcanti (‘Gaguinho’). Elza, que gostava dos serviços caseiros, foi fazer café. Ao retornar, Honório pediu-lhe que sentasse ao seu lado. Era o sinal convencionado. Os outros quatro comunistas adentraram a sala e Lira passou-lhe uma corda de 50 centímetros pelo pescoço, iniciando o estrangulamento. Os demais seguravam a ‘garota’, que se debatia desesperadamente, tentando salvar-se. Poucos minutos depois, o corpo de ‘Elza’, com os pés juntos à cabeça, quebrado para que ele pudesse ser enfiado num saco, foi enterrado nos fundos da casa. Eduardo Ribeiro Xavier, enojado com o que acabara de presenciar, retorcia-se com crise de vômitos.

Perpetrara-se o hediondo crime, em nome do Partido Comunista. Poucos dias depois, em 5 de março, Prestes foi preso em seu esconderijo no Méier. Ironicamente, iria passar por angústias semelhantes, quando sua mulher, Olga Benário, foi deportada para a Alemanha nazista. Alguns anos mais tarde, em 1940, o irmão de ‘Elza’, Luiz Cupelo Colônio, o mesmo que auxiliara ‘Miranda’ na tentativa de assassinato do ‘Dino Padeiro’, participou da exumação do cadáver. O bilhete que escreveu a ‘Miranda’, o amante de sua irmã, retrata alguém que, na própria dor, percebeu a virulência comunista:

"Rio, 17-4-40

Meu caro Bonfim

Acabo de assistir à exumação do cadáver de minha irmã Elvira. Reconheci ainda a sua dentadura e seus cabelos. Soube também da confissão que elementos de responsabilidade do PCB fizeram na polícia de que haviam assassinado minha irmã Elvira. Diante disso, renego meu passado revolucionário e encerro as minhas atividades comunistas.

Do teu sempre amigo, Luiz Cupelo Colônio".

Em março de 1936, Prestes é preso, perde a patente de capitão. Sua companheira Olga Benário, grávida, é deportada e assassinada na câmara de gás no campo de concentração nazista Ravensbrück. A filha, Anita Leocádia Prestes, nasceu em uma prisão na Alemanha e depois foi resgatada pela mãe de Prestes”.

- Livro

O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre. Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link: http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false.

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Vice- Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB - RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E–mail: hiramrs@terra.com.br

Blog: http://www.desafiandooriomar.blogspot.com

ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITABRANDA

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 24 de novembro de 2011.

Em primeiro lugar nega-se o fato de que em 1959 a geopolítica da América Latina (AL) havia virado do avesso pela tomada do poder em Cuba por Castro, que logo assumiu sua condição de comunista e se aliou à URSS. Seguiu-se um banho de sangue de proporções inimagináveis do qual é proibido falar! E a lenta e progressiva instalação na ilha de numerosos instrutores soviéticos que adestraram tropas cubanas e formaram e exportaram guerrilheiros e terroristas, e re-estruturaram o sistema de Inteligência. Através desta “cabeça de ponte” aumentou sobremaneira a influência da URSS na AL.

(Heitor De Paola)

A história mostra que certos temas são recorrentes e não perdem sua validade com o passar dos anos pelo contrário confirmam-se suas teses mostrando como agem as esquerdas revanchistas que se apoderaram do poder sedando a vontade e a alma dos indivíduos com doses letais de suas famigeradas “bolsas esmolas”, transformando-os em meros zumbis. Um país de contrastes onde os nanicos intelectuais se arvoram de terem criado uma economia forte menosprezando um passado de investimentos em infra-estrutura dos governos anteriores que permitiu que se chegasse a isso, não valorizando, também, os esforços ingentes de nossos denodados empresários subjugados pelos impostos excessivos. Mais uma vez um antigo artigo publicado pelos amigos combativos patriotas do Jornal Inconfidência me veio à lembrança pela sua atualidade, onde podemos verificar que nada mudou desde a sua primeira publicação.

- Abrindo os Arquivos da “Ditadura”

General e Escritor Sérgio Augusto de Avellar Coutinho

(Publicado no Inconfidência, n° 77/2004, e n° 108/2007)

(http://www.grupoinconfidencia.org.br/sistema)

Se os verdadeiros objetivos da abertura dos “arquivos da ditadura” fossem mesmo o consolo das famílias dos “mortos e desaparecidos” e o resgate da verdade para virar, de uma vez por todas, esta “página negra da nossa história”, como argumentam raivosas as esquerdas de todas as tendências, as revelações seriam frustrantes; pior ainda, seriam um “tiro no pé”. O que vão encontrar são os crimes que cada um dos “heróis” terroristas, muito deles hoje em altos cargos do governo e da administração pública praticou, incluindo detalhes cruéis e nomes das suas vítimas. As esquerdas sabem disto, o ministro da justiça sabe disto, as famílias sabem disto, todos sabem disto. Tanto que criaram uma comissão para apreciar o conteúdo dos arquivos e fazer a censura para preservar o sigilo do que poderá ofender a memória dos “epigrafados” e a sensibilidade dos seus familiares. Manipulação porque já sabem tudo que os arquivos militares contêm. Já têm conhecimento do acervo dos extintos Serviço Nacional de Informações (SNI), Delegacias da Ordem Pública e Social (DOPS) dos Estados e das Divisões de Segurança e Informações (DSI) dos Ministérios, já aberto e fuçado por pesquisadores engajados, atrás de papéis reveladores dos horrores da ditadura.

Até hoje, por razões óbvias, nada foi divulgado como revelação histórica ou como denúncia. Tudo porque lá encontraram contados os crimes de subversivos, terroristas e corruptos, daqueles que hoje se arrogam de revisores da história e de heróis defensores da democracia.

Portanto, as razões tão arrogantemente alegadas para abertura dos arquivos militares são mentirosas. Além do revanchismo, há uma causa revolucionária pragmática que está no contexto da “neutralização das trincheiras da burguesia”: domesticar as Forças Armadas, inibindo-as, intimidando-as e desmoralizando-as perante a sociedade nacional. É preciso anular qualquer possibilidade de que venham a ser novamente baluarte da democracia. Que não repitam 1964, impedindo um futuro assalto ao poder por alguma das tendências revolucionárias existentes e ativas no desfecho da “transição para o socialismo” em curso em nosso País.

O processo de “domestificação” das Forças Armadas não ficará certamente na abertura inócua dos arquivos e na sua transferência para os cuidados de uma autoridade mais confiável, o Ministro da Justiça. Novas “reformas democráticas” poderão ainda vir: - reformulação do sistema de inteligência militar; reforma da destinação constitucional das Forças Armadas; revisão dos regulamentos disciplinares; revisão da Lei de Anistia; democratização das escolas militares de formação de quadros e do treinamento dos recrutas.

Embora despercebido pelas aparências da prática democrática, um movimento revolucionário da esquerda está em curso no Brasil. Só as pessoas de muito boa fé não percebem isto. O momento que vivemos é ainda de “correlação de forças políticas”. Por isto, só os políticos e as organizações e partidos liberais democráticos poderão deter a marcha das esquerdas para o socialismo monocrático e opressor. Os brasileiros esclarecidos e responsáveis não podem ignorar o que está efetivamente acontecendo e devem iniciar a resistência política e ideológica enquanto é tempo.

– Livro

O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre. Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false
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Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Vice-Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional

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E–mail: hiramrs@terra.com.br

BELO MONTE - O MAIOR FESTIVAL DE BESTEIRAS DITAS NUM VÍDEO

BELO MONTE E AS MAGDAS E OS MAGDOS DA TV GLOBO. É O MAIOR FESTIVAL DE BESTEIRAS JAMAIS DITAS NUM VÍDEO. E OLHEM QUE A CONCORRÊNCIA É GRANDE!

Há dias estou para tratar do assunto. Os leitores também estavam cobrando. Mas os remelentos, as Mafaldinhas e alguns de seus professores aloprados tomavam o meu tempo… Vamos lá.

Vocês sabem muito bem o que penso sobre o governo do PT, petistas e congêneres. Vivo aqui fazendo as contas de todas as promessas que a presidente Dilma Rousseff não vai cumprir: creches, UPAs, UBSs, quadras nas escolas, casas… Mais ainda. Fui crítico do rumo que tomou o leilão e o financiamento da usina de Belo Monte. Aqui está apenas um dos textos que escrevi a respeito. Ao exigir um preço muito baixo para o megawatt-hora, o governo Lula — e a área estava sob o comando da então ministra Dilma — espantou o capital privado, e, na prática, o Tesouro acabou assumindo encargos e riscos excessivos. Muito bem! Essa é uma crítica procedente. E não é só minha. Considerar, no entanto, que a usina é desnecessária ou que o Brasil não pode mais fazer hidrelétricas, aí não dá! Aí estamos diante de uma estupidez que vai além do aceitável!

Todos vocês conhecem o vídeo — uma cópia esfarrapada e apenas mais ou menos assumida de uma campanha surgida nos EUA em defesa do voto (já chego lá) — em que alguns atores globais falam sobre a Usina de Belo Monte e tentam convencer o público de que ela é uma desnecessidade. Fosse eu outro, embarcaria na onda. Poderia pensa: “Como o governo não vai mesmo voltar atrás, esses artistas acabam colaborando para dar uma queimada nos petistas; não gosto deles. Tudo o que é contra o PT me serve!” Mas eu não entro nessa, não! Quando gosto, digo “sim”; quando não gosto, digo “não”. NEM TUDO O QUE NÃO É PT ME SERVE. Há obscurantismos maiores e potencialmente mais perversos no Brasil. A nossa sorte é que não são ainda tão articulados. E o “marinismo” — sim, derivado de Marina Silva! — é um deles.

Nunca antes na história destepaiz tantas bobagens, mentiras, parvoíces, sandices e vigarices intelectuais foram articuladas em meros cinco minutos! É uma coisa espantosa! É claro que todos aqueles “bacanas” estavam ali exercendo o seu ofício, por mais “engajados” que estejam. Falavam um texto sei lá escrito por quem. A direção é de Marcos Prado, produtor de Tropa de Elite e integrante de um tal movimento “Gota d’Água”, que responde pelo trabalho. Um dos líderes é um ator chamado Sérgio Marone, que também atua. Não sei quem é nem fui atrás de saber. Segue o vídeo. Volto depois.

Maitê Proença, essa eu conheço, já tirou o sutiã, estou certo, por melhores motivos. Eu vou fazer aqui uma continha que talvez a deixe um tanto constrangida. Um dos atores — não sei o nome; era o irmão mais chato da novela chata do Gilberto Braga — diz com aquele ar severo e desafiador de Hamlet diante do usurpador do trono: “A usina de Belo Monte vai alagar, inundar, destruir 640 quilômetros quadrados da Floresta Amazônica”. Pois é…

Por que Maitê deveria ter ficado com o seu sutiã, ao menos nesse caso? Prestem atenção. A Floresta Amazônica toda tem 5,5 milhões de Km², 60% dos quais no Brasil (3,3 milhões de Km²). Logo, aqueles 640 representam 0,012% do total da floresta e 0,019% da parte brasileira. Vou ter de ser didático. Digamos que Maitê pese 58 kg: 0,019% do seu peso corresponde a 0,01102 kg — seu sutiã é muitas vezes mais pesado. Não sei quantas porque ignoro o peso da peça. Nunca o vi por esse ângulo. Aliás, associado a uma hidrelétrica, também é a primeira vez. Digamos que Marcos Palmeira pese 70 quilos; no seu caso, aquele 0,019% corresponde a 0,0133 kg. Uma de suas orelhas, dada a comparação, equivaleria a muitas usinas de Belo Monte…

Ator, cineasta, malabarista… As pessoas são livres para dizer o que lhes der na telha. Quando, no entanto, fazem um trabalho como esse porque se sabem figuras públicas e pretendem interferir no comportamento das pessoas, aí não podem mentir. Ou até podem. Mas têm de ouvir o contraditório e se explicar. A usina não vai desalojar índio nenhum! Isso é uma grande falácia, usada para mobilizar personalidades internacionais para a causa. Haverá, sim, populações ribeirinhas, mas não indígenas, que terão de sair de algumas localidades. Desde que sejam reassentadas com dignidade, a chance de que a vida delas melhore, já que vivem no abandono, é gigantesca. Sem contar que a Constituição e as leis democráticas consagram o direito que a sociedade tem, por meio de seus orgãos de representação, de fazer desapropriações.

O que mais impressiona nesse vídeo cretino é que, notem!, ele não é contra apenas Belo Monte em particular. É contra a energia hidrelétrica como um todo!!! O fanático que redigiu o texto descobriu que ela também é uma energia suja. E aí vem aquele que, pra mim, é o grande momento. Ainda de sutiã, Maitê Proença faz um ar sábio, de quem estudou profundamente o assunto, e indaga: “De onde tiraram essa idéia de que hidrelétrica é energia limpa?” Huuummm… Ela parece saber mais do que nós. Um dos filhos de Chico Anysio, também não vou pesquisar qual, sei que é humorista, faz o contraponto, o bobo, o ingênuo, e diz: “Energia elétrica é energia limpa; é muito melhor que usina nuclear e carvão”. Bem, é mesmo! Mas não no vídeo! Então Letícia Sabatella assombra o mundo: “Seria energia limpa se fosse no deserto, mas na floresta?”

Heeeinnn??? Quer dizer que energia hidrelétrica só seria limpa se fosse produzida no deserto? Fico aqui a imaginar um rio Xingu ou o Amazonas cortando o Saara. Suspeito que deserto não seria, não é mesmo? Parece piada! Mas eles estão falando a sério! Depois engatam a defesa das energias eólica e solar como se tais projetos fossem financeiramente viáveis no médio prazo ao menos e pudessem mesmo gerar a energia de que o país precisa. Uma coisa é desenvolver fontes alternativas no terreno ainda da pesquisa e da experimentação e buscar modos de torná-las viáveis economicamente. Outra é considerar que elas podem ser uma matriz energética. Qual é a hipótese desses gênios? O mundo ainda não é movido a vento por quê? “Por causa dos grandes interesses”, logo responde o dublê de ator e pensador. Sei. E por que não haveria “grandes interesses” nos ainda caríssimos aerogeradores???

Um terço da capacidade?
A mais desonesta de todas as críticas é a que sustenta que a usina vai gerar apenas “um terço de sua capacidade”, conforme diz um dos ignorantes convictos, também não sei quem. Ai, ai… Assim será porque se decidiu fazer a usina pelo sistema fio d’água, sem reservatório, justamente para diminuir o impacto ambiental, o que já é temerário. Belo Monte terá capacidade para produzir até 11.233 MW, mas vai gerar, na média, 4.571 MW médios. Por quê? No período chuvoso, funcionará com potência máxima; na seca, cairá para 690 MW por causa justamente da falta de reservatório.

SE HÁ ALGUMA ESCOLHA ERRADA EM BELO MONTE, E HÁ, ELA ESTÁ JUSTAMENTE EM TER CEDIDO À PRESSÃO DOS AMBIENTALISTAS ALOPRADOS. Olhem aqui: ainda que Belo Monte alagasse uma área 20 vezes maior (11.280 km²) — fazendo, pois, o reservatório —, isso corresponderia a 0,34% da parte brasileira da Floresta Amazônica. Se Letícia Sabatella pesa 57 Kg, um alagamento de Belo Monte 20 vezes maior corresponderia a 0,19 Kg do seu peso. Seu cérebro consegue ser bem mais pesado do que isso… Será que essa gente tem noção da besteira que está falando ou acha que matemática é coisa de reacionários que não gostam do meio ambiente?

Mesmo com Belo Monte, Jirau e Santo Antônio produzindo, mas sem os reservatórios — para proteger os bagres da Maitê, da Sabatella e da Marina —, o Brasil passa a correr riscos no período de secas e terá de recorrer, sim, a sistemas de emergência, como termelétricas, por exemplo. Vale dizer: o país já deu atenção demais aos bagres e atenção de menos às pessoas.

A falácia do preço
Outra coisa ridícula é essa história dos R$ 30 bilhões. Sim, eu fui um dos grandes críticos do peso excessivo que o Estado vai ter na construção de Belo Monte. Lá está o link. No arquivo, há outros textos. A iniciativa privada deveria estar bem mais presente. Mas daí a tentar provocar a indignação com essa coisinha estúpida: “É o seu dinheiro! Dos impostos!” Certo, especialistas! E a energia será gerada para quem? Para os marcianos? Quem será o beneficiado?

Artista pode falar. Não há lei que proíba. Mas também não há lei que os impeça de estudar, de se informar, de fazer conta, de ter senso de ridículo. Notem o arzinho enfatuado com que se dirigem ao público, com pose de especialistas. Murilo Benício, com a sua habitual cara de quem acabou de acordar, diz, com laivos de ironia sonolenta, que “índio quer educação, conforto…” E não quer??? Ary Fontoura faz blague: “Índio precisa de antibiótico”. Por quê? Não precisa??? Ciça Guimarães, na linha “a loura tonta”, pergunta: “Ainda tem índio no Brasil?”

Tem, sim, minha senhora! Proporcionalmente, eles são donos da maior fatia do território brasileiro. Correspondem 0,7% da população brasileira (isso porque mais gente passou a ser “índia” depois das dermarcações) e tem sob seu domínio, hoje, 13% do território do país. Eu tenho a certeza absoluta de que todos ali, sem exceção, ignoram esses dados. Eu tenho a certeza absoluta de que todos ali, sem exceção, ignoram que o Brasil, se crescer de forma sustentada a 4,5%, 5% ao ano (e, para reduzir a pobreza num ritmo mais acelerado, seria preciso mais do que isso), corre o risco de sofrer apagões. Apagões que punirão os pobres, não os bacanas da TV Globo (volto a esse particular no encerramento do texto).

Plágio
O vídeo é um plágio admitido, mas não com a devida ênfase, do projeto Five Friend - Vote, produzido por Leonardo DiCapprio e dirigido por Steven Spielberg em outubro de 2008. Caprio, aliás, já se prontificou a gravar um vídeo contra Belo Monte. SABE TUDO A RESPEITO!!! Naquele caso, pedia-se a adesão de cinco pessoas; os nossos atores pedem de 10. Nos EUA, vá lá, tratava-se de convencer as pessoas a comparecer às urnas — num país onde o voto não é obrigatório. No caso de Belo Monte, a história é um pouquinho diferente. Vejam, se quiserem, a realização da idéia original. Volto para encerrar.

Voltei
Há, como se vê, uma diferença entre o engajamento em favor do voto e uma campanha que tem, evidentemente, um sentido político, com óbvio viés ideológico. O “marinismo” é alma desse troço, como era daqueles outros vídeos contra o Código Florestal — com o mesmo rigor científico, diga-se. Nesse caso em particular, queira ou não, a Globo, que põe no ar todos os dias esses rostos, acaba comprometida com a causa que seus astros abraçam. É inevitável! “Ah, eles podem dar a opinião que quiserem como cidadãos”. Huuummm. Cidadãos tentam convencer as pessoas com argumentos, não com a força de sua popularidade. No caso, essa popularidade foi conquistada não exatamente porque esses astros sejam notórios por seus conhecimentos na área de energia elétrica, meio ambiente e… matemática, não é mesmo? Faces identificadas com a emissora há que se lembrar o seu compromisso com a verdade.

É isso. Letícia Sabatella continua a perturbar o meu juízo: “Hidrelétrica seria energia limpa no deserto“. Ela deve ter querido dizer alguma coisa, cujo sentido me escapou. E isso sempre me deixa muito perturbado…

Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

GLOBELEZAS E BELO MONTE

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 22 de novembro de 2011.

A conclusão, óbvia, é que a Amazônia precisa ser internacionalizada para evitar que utilizemos os cursos de água daquela bacia hidrográfica para produzir energia e proporcionar o desenvolvimento daquela região em nosso benefício exclusivo. Então, para começar, é urgente impedir a construção das hidrelétricas, enviando seguidas delegações de notáveis que se prestem a fazer o ridículo papel de defensores de etnias das quais mal conhecem a designação correta e certamente desconhecem a localização das aldeias (alguns acreditam que se trata de remanescentes de tribos astecas…).

(Antonio Delfim Neto - Revista Carta Capital)

As inúmeras manifestações de personalidades tanto estrangeiras como nacionais e de alienados artistas globais sobre a construção da Hidrelétrica de Belo Monte fizeram minha mente madrugar no passado. No longínquo pretérito, o escritor Gastão Cruls dissertava sobre a região sem nuca tê-la conhecido pessoalmente baseando-se apenas em relatos e vivências de outros pesquisadores.

Veja: http://www.youtube.com/watch?v=TWWwfL66MPs

– A Amazônia que eu vi

O escritor Gastão Cruls procurava retratar, nas suas obras, a vida brasileira, em especial a realidade Amazônica. Seu romance “A Amazônia Misteriosa” e a “Hiléia Amazônica” tinham como cenário a Região Norte do país, ainda desconhecida pessoalmente pelo autor. Em 1928, porém, Cruls resolveu conhecê-la acompanhando a expedição do General Rondon, que subiu o Rio Cuminá até os campos do Tumucumaque, nos idos de 1928 e 1929, e que resultou no épico “A Amazônia que eu vi”. Os relatos em forma de diário são ricos e encantadores, trazem à baila o conhecimento nativo e retratam a beleza da Hiléia captada pela retina, retratada fielmente pela pena do inspirado escritor como nenhum pesquisador ou naturalista estrangeiro teve a capacidade de fazer antes dele. Gastão precisou vê-la “in loco” para captar sua essência, sua magia, suas carências, seus mistérios e suas riquezas.

– Uma Hidrelétrica de “Fio D’água”

Belo Monte foi planejada para gerar no pico cerca de 11 mil MW e como energia firme, média, cerca de 4 mil MW. Esta diferença visa gerar energia de forma constante com baixa impacto socioambiental e com a menor área alagada possível, que é o reservatório com 516 km2. Belo Monte é uma hidrelétrica de “fio d’água”, porque a produção de energia é proporcional à vazão natural do rio.

Veja: http://www.youtube.com/watch?v=Yb1WaWOw11c&feature=player_embedded#!

– Belo Monte e os Covardes “Inocentes Úteis”

Em fevereiro de 1989, o então presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, ganhou destaque internacional ao ser ameaçado com um facão pela índia kaiapó Tuíra no “I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu”, em Altamira. A imagem de Muniz Lopes com o facão no rosto ganhou destaque internacional e fez com que o Banco Mundial (BIRD), pressionado pelas Organizações Ambientalistas Internacionais, retirasse seu apoio financeiro ao projeto.

Em maio de 2008, o engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende, coordenador dos estudos de inventário da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, foi a Altamira, convidado pelos organizadores do “Encontro Xingu Vivo para Sempre” para apresentar os estudos que estão sendo feitos sobre aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte. O encontro foi organizado pela Arquidiocese de Altamira e teve a participação de aproximadamente duas mil e quinhentas pessoas, entre representantes de populações indígenas e ribeirinhas, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e pesquisadores que discutiram projetos hidrelétricos e seus impactos na Bacia do Rio Xingu.

Esse engenheiro, ele chegou, foi, explicou muita coisa diferente, muito mal. Ele agrediu os kayapós, ele agrediu o pessoal ali no evento. Engenheiro falou coisa mal demais e nós não entendeu. Eu peguei na camisa dele, rasguei a camisa, eu sabendo que ele tava muito mal, falando da FUNAI, falando nos índios, índio não é assim, que temos que aceitar a barragem. Eu briguei, tirei a camisa. (Ireô)

Após ter realizado sua apresentação o engenheiro Rezende estava assistindo a exposição do terceiro palestrante quando um grupo de índios o puxou pela camisa e o derrubou no chão e começou a golpeá-lo com bordunas e facões até ser cortado por um deles.

Veja: http://www.youtube.com/watch?v=LqI944vpZQw

– Belo Monte, a Energia do Futuro

A Região Amazônica precisa de energia limpa e renovável com o menor custo para a sociedade para seu desenvolvimento sustentável. O projeto da hidrelétrica de Belo Monte é, sem dúvida, uma das melhores opções para a ampliação do parque energético brasileiro, pois além de ser capaz de produzir grande quantidade de energia permitirá a integração com o sistema elétrico nacional reforçando a transferência de energia entre as várias regiões aumentando a oferta de energia e a segurança do sistema elétrico.

Os linhões que estão sendo construídos para levar energia de Tucuruí até Manaus serão aproveitados por Belo Monte, também, permitindo que a bauxita extraída no Porto Trombetas e Juriti seja processada, e em vez, de vendedores terceiro-mundistas de matéria prima nos tornaremos exportadores de alumínio. A energia propiciará mais conforto aos ribeirinhos, mais eficiência aos hospitais e escolas, mais segurança, mas isso não interessa aos talibazinhos verdes que usam roupas de grife e são pagos por Organizações que costumam rasgar ou tripudiar nosso pavilhão verde-amarelo. Aqueles que condenam Belo Monte se deixam arrastar pelas cantilenas das ONGs e missionários estrangeiros que não tem interesse que suas ovelhas tenham acesso à modernidade e tenham a oportunidade de melhorar de vida e de se livrar de seu jugo.

– Quebram-se Ovos para se fazer um Omelete

Felizmente o governo abandonou sua surrada cartilha ambientalista e está construindo as tão necessárias Hidrelétricas no Xingu, Madeira e planejando as do Tapajós. Deixando de lado estes projetos o governo estaria mergulhando o país na estagnação. A falta de investimentos de toda ordem gerariam, sem dúvida, a curto prazo o desemprego e o caos se instalaria. É muito fácil condenar projetos de infra-estrutura tão necessários quando se mora em regiões mais desenvolvidas onde o acesso ao conforto e à modernidade faz parte do dia-a-dia de todos. É preciso conhecer a realidade da Amazônia e do Brasil para não se entregar a movimentos hipócritas dos que não se interessam pelo futuro de nossa gente e de nossa nação. Aos abutres estrangeiros interessa o engessamento da região para que em caso de necessidade dela se sirvam como lhes aprouver, sem resistência nem luta.

– Livro

O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre. Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false.

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Vice-Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E–mail: hiramrs@terra.com.br

SABIÁ LARANJEIRA AVE SÍMBOLO DO BRASIL

Ave-simbolo, sabiá-laranjeira alegra
com seu canto matas e quintais de
todo o Brasil

País campeão em espécies de aves – mais de 1.800 – desde 1968, o Brasil comemora, no dia 5 de outubro, o Dia da Ave. Mas, só em 2003, o País ganhou uma ave nacional, o sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), que foi a espécie escolhida pela popularidade que exerce na cultura e no folclore brasileiro.

De acordo com o renomado ornitólogo Dalgas Frisch, autor da proposta inicial para que o Turdus rufiventris tornasse-se a espécie símbolo do Brasil, o sabiá é verdadeiramente um companheiro dos brasileiros que vivem no campo ou na cidade. Segundo ele, o sabiá tem qualidades impares. Não existem dois sabiás que cantem da mesma maneira. Alem disso é o som mais audível ao ouvido humano. Na Primavera, é o primeiro canto que se ouve, antes mesmo do clarear do dia, diz o ornitólogo. Apaixonado com o canto da ave, Dalgas costuma afirmar que para ele os sons maravilhosos do sabiá desabrocham nos jovens corações veios poéticos, tão puros e belos como se um cego abrisse seus olhos ao ver a luz e as cores das flores na terra. Dalgas conta que uma lenda indígena assegura que quando uma criança ouve, durante a madrugada, no início da Primavera, o canto do sabiá será abençoada com muita paz, amor e felicidade.

Jacques Viellard, professor da Unicamp e membro da Academia Brasileira de Ciências, diz que a escolha do sabiá como ave nacional foi a melhor porque seu canto maravilhoso ilustra a alma brasileira: alegre ou cheia de saudade.

A bióloga Mônica Koch, ex-Cemave e atual coordenadora de projeto da Renctas, acredita que a escolha do sabiá-laranjeira como Ave Nacional do Brasil é a melhor porque o sabiá é uma ave que está por toda parte, nas matas, nos parques, nos quintais, terreiros e até dentro das cidades, onde exista um mínimo de arborização. Assim, a espécie tem uma ampla distribuição geográfica e, por isso mesmo, é fácil buscar o engajamento das pessoas, especialmente das crianças, na luta pela preservação ambiental. Todo mundo já viu e conhece o canto do Sabiá. Se entrarmos numa sala de aula e perguntarmos para a criançada: quem conhece uma música ou uma poesia com o nome de sabiá? Não há quem não levante a mão.

Proteger o sabiá e todas as espécies da avifauna brasileira

O sabiá pode dar mil argumentos para uma bela aula de educação ambiental. Pela forte presença na literatura e no cancioneiro popular brasileiro, o sabiá é uma ave que está sempre na cabeça das pessoas de Norte a Sul do Brasil. Por isso, independentemente de raça ou de poder aquisitivo de quem defende seu status de ave símbolo, o sabiá bem que pode ser utilizado como bandeira para a sensibilização das pessoas, conscientizando cada uma do seu papel para maior e melhor conservação do meio ambiente.

- E por que o sabiá, um símbolo, pode representar bem as aves neste doce ensinar a nós seres racionais, como melhor conservar e proteger o meio ambiente? Simples, explica Dalgas Frisch: Porque as aves são úteis no dia-a-dia, podem controlar pragas no campo, disseminam sementes e plantas, têm cantos fascinantes, embelezam e alegram a vida dos deuses e dos homens. Mais: admirar e estudar as aves para preservá-las e protegê-las significa dar maior valor à natureza. É compreender como um elemento tão frágil pode ser um elo tão forte e tão essencial na complexa rede da vida. Dalgas pede que todos os brasileiros que amam seus filhos e netos, que plantem em seus jardins pelo menos uma pequena muda de amoreira, pitangueira ou jabuticabeira, pois certamente um casal de sabiás e de outras aves como o bem-te-vi, joão-de-barro, rolinhas, todas irão visitar seus lares trazendo amor e harmonia à família.

As aves símbolos no mundo

Na mitologia grega, as aves tiveram importância extraordinária e os povos antigos tinham aves que eram literalmente adoradas. As aves típicas de cada região do mundo se identificam com as populações, com seus costumes e suas crenças. Elas acabam fazendo parte da cultura e das crenças de muitos países. Cada nação, entre seus símbolos nacionais - como o Hino e a Bandeira - têm também uma ave típica para representá-la. Uma espécie de ave, que pela beleza e pela característica da região, se entranha no espírito de sua gente. Assim, por exemplo, a andorinha (Hurunda rustica) é a ave nacional da Áustria, pois essa andorinha é a expressão da liberdade de seus poetas e músicos. A cotovia (Alauda arvensis) que canta lidamente em pleno mergulho é a ave nacional da Dinamarca. O Uruguai tem no cardeal-do-banhado (Amblyramphus holosericeus) sua ave nacional, pois é uma ave que possui a cabeça vermelha como um soldado em alerta na guarda de suas terras. A ave nacional da Argentina é o joão-de-barro, conhecido lá como hornero (Furnarius rufus), pois sabe se proteger do vento minuano e de inverno rigoroso construindo seu ninho de barro. A ave nacional da Alemanha é a cegonha (Ciconia ciconia) e da Grã-Bretanha é o robyn (Erithacus rubecula) que inspirou com seu canto Shakespeare em Romeu e Julieta. Assim, cada país tem, desde há muito, sua ave nacional, fato que o Brasil só conseguiu em 2002.

Abaixo, o Decreto que instituiu o sabiá como ave símbolo do Brasil:

DECRETO DE 3 DE OUTUBRO DE 2002

Dispõe sobre o "Dia da Ave" e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso II, da Constituição,

DECRETA:
Art. 1º O "Dia da Ave", instituído pelo Decreto no 63.234, de 12 de setembro de 1968, será comemorado no dia 5 de outubro de cada ano.

Art. 2º O centro de interesse para as festividades do "Dia da ave" será o Sabiá (Turdus Rufiventris), como símbolo representativo da fauna ornitológica brasileira e considerada popularmente Ave Nacional do Brasil.

Art. 3º As comemorações do "Dia da Ave" terão cunho eminentemente educativo e serão realizadas com a participação das escolas e da comunidade.

Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º Revoga-se o Decreto no 63.234, de 12 de setembro de 1968.

Brasília, 3 de outubro de 2002; 181º da Independência e 114º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

terça-feira, 22 de novembro de 2011

QUEM NASCEU RIO-GRANDENSE NÃO TEM PATRÃO NEM SENHOR!

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 22 de novembro de 2011.

Mais uma vez reproduzo uma das belas poesias da lavra de meu amigo poeta Evilásio que sagrou-se campeão no “2° Concurso de Poesias Exaltando o Rio Grande”, no evento promovido pela Estância da Poesia Crioula.

Um Gaúcho Rio-Grandense

Fonte: Evilácio Barbosa Saldanha

I

Misto de estrela cadente

risquei o céu com afago!

Me pranchei sobre este pago

nos tempos de antigamente,

mas sei que sou descendente

de raça que tem brasões,

lá do berço de Camões,

de guerreiros, generais.

Mas também tenho ancestrais

nos sambaquis, nas Missões!

II

Descendência lusitana

e da velha estirpe espanhola;

do africano de Angola;

do índio - gente pampeana.

Minha conduta espartana

redesenhou nossa Histona.

Nas lutas demarcatórias

levei Por diante as barreiras,

maragateando fronteiras

Junto as linhas divisórias.

III

Do índio rude e matreiro

herdei um xucro atavismo;

dos Pajés - seu misticismo

de líder, de curandeiro.

Pelos fogões galponeiros,

onde não há penitência,

bem mais Que ser “excelência”

ser gaúcho vale a Pena,

e arrastei as nazarenas

nas guanxumas da querência!

IV

Depois de algumas rodadas

pelos lançantes da vida,

carreiras ganhas... perdidas,

vendo clarear madrugadas,

fui reprisando alvoradas

pra refazer meu caminho.

Mesmo chorando baixinho,

ninguém me botou cincerro,

e desafiei Martin Fierro

nos alambrados do Pinhal

V

Sou relampejar de adagas

nas ramadas dos bolichos;

“recuerdos” de alguns cambichos

que ninguém no mundo apaga.

Alcei no freio esta saga,

que carrego na lembrança.

Cresci, assim, sem herança,

no meu andejar gaudério.

Fui combatente do Império

em muitas cargas de lanças!

VI

Na Guerra de Cisplatina;

nos campos de Tuiuti;

audacioso combati

Para não baixar a crina.

Porque a vitória fascina

nos embates decisórios,

defendi meu território

sem refugar entreveros.

E fui a Monte Caseros

nas tropas do grande Osório!

VII

Cavalariano farrapo;

lanceiro em Noventa e Três;

peleando com altivez

fui mais um turuna guapa.

Pilchas remendadas - trapos,

resquício de indumentárias;

de escaramuças primárias

neste chão verde-amarelo.

Venci, em Monte Castelo,

C’oa Força Expedicionária!

VIII

Sou cascos tamborilando

numa cancha de carreira;

sombra da velha figueira

quando o sol está “rachando.

Sou Chiru velho, mateando,

bombeando as barras do dia.

Sou sentinela - vigia,

- um quero-quero em alerta:

galpão de portas abertas,

onde o labor principia!

IX

Sou clarão da lua cheia,

prateando a velha querência;

mais do que reminiscência

quando a saudade incendeia.

Sou potro que corcoveia,

sentindo a ponta da espora.

Sou a cantiga sonora

do gaúcho em serenata:

barro, encardindo alpargatas;

chuva, guasqueando lá fora!

X

Guando um gaúcho de fé

embreta-se na cidade,

vai ruminando a saudade

do galpão de santa-fé.

Nem pena de caburé

pode amainar tanta dor:

cessa o vôo de um condor,

o céu não mais lhe pertence,

mas quem nasceu Rio-grandense

não tem patrão nem senhor!!!

Livro

O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre.

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Vice-Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E–mail: hiramrs@terra.com.br