sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

PRESIDENTE DA COAMO É ELEITO "ENGENHEIRO AGRÔNOMO DO ANO NO BRASIL"

O engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini (foto ao lado), idealizador e presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa, foi eleito o “Engenheiro Agrônomo do ano de 2011 no Brasil.” A homenagem foi entregue em São Luís, capital do estado do Maranhão, no XXVII Congresso Brasileiro de Agronomia e no IV Congresso Panamericano de Engenheiros Agrônomos, que reuniu milhares de profissionais brasileiros e de vários países do continente americano.
A escolha do nome de Gallassini para receber a homenagem foi definida por unanimidade em Brasília –DF, por ocasião da assembleia geral da Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeb).
Histórico - “Analisando o histórico e a atuação do Dr. Aroldo Gallassini a frente da agronomia, a Federação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná (FEAPR) propôs a indicação do seu nome representando toda a classe agronômica paranaense. E por unanimidade, a diretoria da Confaeab aprovou e homologou Gallassini para receber esta honraria significativa”, conta Luiz Antonio Corrêa Lucchesi (foto abaixo), presidente da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná.
Referência - Segundo Luchesi, a homenagem a José Aroldo Gallassini como “Engenheiro agrônomo do ano 2011” é motivo de orgulho e alegria não só para a classe paranaense, mas para todo o Brasil. “Essa honraria é motivada pela realização e o trabalho que este colega vem fazendo para o Paraná e o Brasil, sempre valorizando o agricultor e os profissionais das Ciências Agrárias. Ele é uma referência para o Paraná e o país”, justifica.
Sustentabilidade - Para Gallassini, a premiação de “Engenheiro Agrônomo do Ano 2011 no Brasil” é muito bem recebida, sendo motivo de orgulho e emoção. “Sempre trabalhei para o desenvolvimento técnico, econômico, educacional e social dos nossos produtores associados da Coamo para produzir com qualidade e sustentabilidade. E quando recebo uma honraria desta grandeza fico feliz e partilho com todos os nossos associados, diretoria, funcionários e de modo especial, com todos os nossos 230 profissionais que fazem um importante trabalho na assistência técnica da Coamo”, comemora o presidente da Coamo.
Responsabilidade - O presidente da FEAPR reforça a importância da atuação e da responsabilidade dos profissionais da agronomia para os desafios do país. “Nunca fomos tão demandados pelos desafios de equilibrar a demanda por alimentos, fibras e energia com equilíbrio ambiental. A sociedade está de olho na produção agrícola, e estamos de mãos dadas com o agricultor, pois temos esta responsabilidade, precisamos aprimorar e continuar este belíssimo trabalho”.
Fonte: Assessoria de Imprensa da COAMO.

AS PODAS E IRRIGAÇÕES NECESSÁRIAS

Por * João Bosco Leal
Na juventude, é comum a ilusão de, durante uma paixão, pensar que já encontráramos o amor de nossa vida, a pessoa na companhia da qual gostaríamos de construir uma família, passar o resto de nossos dias, envelhecer.
Com o tempo vamos aprendendo que durante suas vidas as pessoas não permanecem as mesmas, passam por transformações à medida que vão vivendo, tendo por experiências, sorrindo ou chorando, ganhando ou perdendo entes queridos.
Observando, poderemos notar como, durante a vida elas mudaram, aprendendo ou não com o que viveram, com suas amizades, discussões, erros e acertos, em seu crescimento cultural, emocional, social ou financeiro.
Notaremos algumas que cresceram em todas essas áreas, outras em nenhuma, e as que subiram em algumas e decresceram em outras, como as que acertaram muito financeiramente, mas perderam em educação e humildade, viraram arrogantes. Podemos nos deliciar com o sucesso alcançado por uns e entristecer com os tropeços de outros, mas sempre será possível ver que todos continuam se transformando, moldados pela vida.
As oportunidades de conhecer pessoas e coisas surgem diariamente, nos permitindo aproveitar cada uma delas para o nosso crescimento. Cada experiência vivida provoca um novo recomeço, agora sabendo mais um pouco e essa é uma das maiores belezas da vida.
A cada despertar poderemos encontrar uma nova pessoa ao nosso lado, não aquela com quem fomos dormir ontem, mas uma pessoa diferente, que após as os aprendizados do dia anterior, hoje pode olhar tudo por outro ângulo, concordando com coisas que havia discordado e discordando de outras com as quais concordava.
Essa pessoa, quando também vista de outra maneira, mais detalhadamente, pode estar se transformando em uma pessoa diferente da que conhecia, com quem vivia até ontem e se tornando uma pessoa pior, ou muito melhor.
Pode, com seu crescimento, ser agora aquela pela qual você deixará de estar apaixonado, mas a que realmente ama, bem mais profundamente, maduramente e essa sim, será a que na juventude você sonhava e que agora está se revelando.
Como uma casa sonhada por cada um, nossa vida está sempre em processo de transformação, seja na construção, acabamento, pintura, colocação dos móveis, decorada e finalmente, durante seu uso, sendo transformada de acordo com nossas necessidades do momento, repintadas, redecoradas ou recebendo um novo e pequeno adereço sobre um móvel, mas jamais terminará ou será exatamente como a do sonho.
Assim também são nossos sonhos em relação a amizades, namoros, paixões e o amor imaginado como o ideal. Passam por transformações, tanto em nossos desejos, quanto em suas realizações. Assim podemos estar sempre reconstruindo ou reformando algo para melhorar nossas vidas.
Os requisitos que desejávamos encontrar na pessoa com quem gostaríamos de dividir nossa vida também vão mudando com o tempo. Coisas antes importantes agora já não o são, enquanto algumas antes sequer imaginadas passaram a ser fundamentais, o mesmo ocorrendo com nossos parceiros, que deixam de se importar com muitas coisas, e passam a cobrar outras.
O aprendizado e o crescimento de cada ser humano certamente serão interrompidos antes de totalmente concluídos, mas como uma jóia em lapidação, as pessoas vão melhorando a cada dia, e amanhã já estarão diferentes de hoje.
O relacionamento humano está sempre recomeçando, mas como uma semente já brotada, necessita de constante irrigação, podas, desbastes e apoios, para não perecer ou morrer, mas ter um crescimento sólido.
*João Bosco Leal - jornalista, reg. MTE nº 1019/MS, escritor, articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

DILMA VAI A CUBA

  Por Jorge Serrão
Nas vésperas de ir a Cuba fazer negócios que interessam à turma de seu assessor-invisível José Dirceu, a presidenta Dilma Rousseff leva uma sutil palmada editorial das Organizações Globo. O cronista e cineasta Arnaldo Jabor usou ontem à noite sua coluna no “Jornal da Globo”, da Rede Globo, para alertar que “Dilma não deve ir a Cuba de carona no rabo do cometa Lula”.
Jabor cobrou que Dilma tenha a coragem de tocar na grave questão da violação dos direitos humanos na Ilha, depois da recente morte de mais um dissidente político em um dos infectos presídios de Havana. “Ela é a presidente de um grande país democrático e não pode somente bater cabeça pras saudades da ilha romântica de nossa juventude. Ela precisa demonstrar sua livre opinião, como fez com o Irã. Será?”.
Dilma visitará Cuba na próxima semana (dias 30 e 31). O foco principal do passeio é fechar negócios. O Brasil oferece a Cuba tecnologia de cana-de-açúcar e 200 milhões de dólares em crédito para que pequenos agricultores adquiram tratores e equipamentos de colheita e irrigação. Dissidentes cubanos cobram um encontro e uma posição de Dilma sobre a democracia dos irmãos Castro. Mas ela deve ignorá-los. Não deve encontrar com os descontentes. E, se falar de “direitos humanos”, só o fará nas conversinhas privadas com os ditadores Castro.
No editorial televisivo de ontem, Jabor aproveitou para dar uma pancadinha no ex-presidente que luta contra o câncer. Lembrou que Lula cometeu duas espantosas gafes quando foi a Cuba, após a morte do dissidente político Orlando Zapata. Segundo Jabor, Lula comentou que não podia se meter naquilo e comparou o mártir da resistência contra a ditadura dos irmãos Fidel a criminosos brasileiros. Jabor recordou a alegação de Lula - uma pérola de cinismo: “Imagina se todos os presos de São Paulo pedissem liberdade...”.
Jabor frisou que a gafe inesquecível e eterna de Extalinácio foi: “Eu lamento que um preso tenha se deixado morrer por uma greve de fome”. Na crítica ácida de Jabor, Lula culpou o dissidente morto por sua própria morte, e nada falou sobre a violenta repressão a dirigentes na Ilha onde José Dirceu costuma fazer bons negócios.
Arnaldo Jabor mandou pesado: “Lula sempre se dizia uma metamorfose ambulante, que dizia qualquer coisa para não comprometer sua imagem. Depois de nossos sonhos românticos nos anos 60, Cuba acabou se revelando incompetente. Fracassou econômica e socialmente. Criou uma burocracia stalinista, uma nova classe de privilegiados e perseguiu dissidentes, de gays a democratas, todos chamados de ´usanos´ (vermes). Mesmo assim, ainda é um símbolo que ilude a esquerda nostálgica".
Jabor deu uma ironizada final: "É claro que não podemos exigir da presidente (Dilma) uma intrusão diplomática na Ilha. Mas Dilma não pode ir apenas de carona na cauda do cometa Lula. Ela a presidente de um grande país democrático e não pode somente bater cabeça pras saudades da ilha romântica de nossa juventude. Ela precisa demonstrar sua livre opinião, como fez com o Irã. Será?”
Blog Alerta Total de 26 de Janeiro de 2011.

O BRIGADEIRO - LIVRO É LANÇADO EM BRASÍLIA

O autor Cosme Degenar com banner da capa do livro O Brigadeiro. Foto - Paulo Rezende
Vida de Eduardo Gomes é contada após meio século de silêncio sobre o criador do Correio Aéreo Nacional

Foi lançado em Brasília (DF), no Clube da Aeronáutica, o livro O BRIGADEIRO. Eduardo Gomes, trajetória de um herói, de autoria de Cosme Degenar Drumond. O evento fez parte dos festejos de comemoração dos 71 anos de criação do Ministério da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira (FAB) na noite de sexta-feira, 20 de janeiro.

Nas palavras do tenente-brigadeiro Aprígio Eduardo de Moura Azevedo, que prefaciou o novo livro sobre a vida do Patrono da Força Aérea Brasileira, a obra “mostra o retrato de um profissional militar completo, homem público irrepreensível, um estadista”.

Unanimidade nacional a despeito dos anos espinhosos que atravessou, sem nunca se dobrar ao poder ou ao dinheiro, o segredo de Eduardo Gomes, disse um juiz que o conheceu, era a autoridade moral, a fidelidade aos princípios, absolutamente inegociáveis. Ele acreditava na comunhão das gerações: os jovens julgando e aprovando os mais velhos; os moços, compreendendo e procurando exemplos no passado.

Em 1974, um estudante de Filosofia, Paulo de Tarso Magalhães Paes de Barros, de 22 anos, o homenageou em carta que depositou aos pés do monumento “18 do Forte” em Copacabana: “Neste mundo em que há uma necessidade urgente de novos líderes políticos; em que a democracia está desacreditada; em que o homem se curva perante o
dinheiro; neste mundo sem apreço pelas coisas espirituais; em que grandes ideais e causas justas não arrebatam (...) nada mais consolador e edificante do que voltar nossos
olhos para figuras humanas sempre jovens, exuberantes, magníficas, idealistas, retas, magnânimas, exemplares; (...) figuras humanas como o brigadeiro Eduardo Gomes”.

O Brigadeiro teve apoio cultural do Comando da Aeronáutica e patrocínio das empresas Embraer, Helibras, Fundação Atech, Infraero e InbraFiltro. Revela episódios até agora desconhecidos da trajetória de Eduardo Gomes, “o homem que confundiu sua vida com a história da democracia brasileira”, como assinalou o Jornal da Tarde.

Terá lançamentos também no Recife, Rio de Janeiro e em São Paulo. Com realização pela Editora de Cultura (tel. 11-2894-5100), 350 páginas, ricamente ilustrado e ao preço de R$ 49,90, estará nas principais livrarias do país, podendo ser adquirido também por encomenda.

Fonte: DefesaNet

QUANDO A ESQUERDA VAI A CUBA

Por * Percival Puggina
É uma encrenca. Tenho visto muita gente de esquerda opinar sobre Cuba após uma viagem àquele país. Há os que, afetados por esclerose múltipla, de etiologia marxista, não entendem o que vêem e proclamam que voltaram do paraíso. Outro tipo segue a linha daquela senhora que entrou em mutismo até desabafar, sob pressão dos familiares: "Tá bom. Aquilo é uma droga, mas não posso ficar dizendo, tá?". Tá, senhora, eu a entendo, apesar de, pessoalmente, não considerar aquilo uma droga. Droga é o regime. O povo cubano, submetido ao arbítrio e aos humores de uma ditadura que já leva mais de meio século, é um povo desesperançado. E há opiniões ainda mais notáveis, que se proporcionam quando o esquerdista que vai a Cuba é uma liderança política. Instado a opinar sobre o que viu, a celebridade tem que responder ao repórter.
Se fizer críticas ao regime estará, perante os companheiros, incorrendo em grave sacrilégio. Apontar mazelas cubanas é o equivalente ideológico de cuspir na cruz e chutar a santa. Coisa que não se faz mesmo. Durante meio século, a esquerda desenvolveu toda uma mística em torno da Revolução Cubana, dos "elevados valores morais" do bandido Che Guevara e das qualidades de estadista que ornam com fulgurantes e imperceptíveis realizações a figura mitológica de Fidel Castro. Se o sujeito retornar de Cuba descrevendo o que necessariamente passou diante de seus olhos cairá na mais negra e sombria orfandade política. É uma encrenca.
Por outro lado, se não disser que há um regime totalitário instalado no país, que só existe um partido político, que não há liberdade de opinião, que os meios de comunicação são órgãos do governo ou do partido comunista, que há um rigoroso controle da sociedade e da vida privada pelo Estado e que persistem as prisões políticas, o sujeito se desqualifica como democrata perante as pessoas de bom senso porque esses fatos são irrecusáveis. É uma encrenca.
Pois foi nessa encrenca que se meteu o governador Tarso Genro quando decidiu passar uns dias de férias na ilha dos irmãos Castro. As perguntas lhe vieram, em primeira mão, do portal Carta Maior, órgão quase oficial dos companheiros do governador. O inteiro teor da entrevista pode ser lido em www.cartamaior.com.br ou, em short link, aqui: http://bit.ly/yPek9J.
Como fez o governador para sair dessa? Atacou o suposto bloqueio norte-americano à Ilha, claro. No entanto, até os guindastes do Porto de Mariel (onde o BNDES está financiando um investimento de US$ 600 milhões) sabem que não existe bloqueio a Cuba. Bloqueio seria uma operação militar impedindo a entrada e saída de navios. O que existe é um embargo pelo qual os Estados Unidos pretenderam restringir as operações comerciais com a Ilha. No entanto, esse embargo está totalmente desacreditado há muito tempo. Os principais importadores de produtos cubanos são, pela ordem, Venezuela, China, Espanha, Brasil e Canadá. E os principais exportadores para Cuba, são, também pela ordem, Venezuela, China, Espanha, Canadá e Estados Unidos (é sim, 4,1% das importações cubanas são de bens de consumo made in USA). E não me consta que qualquer desses países mencionados, Brasil entre eles, sofra restrição comercial por parte dos Estados Unidos. Aliás, China e Venezuela destinam aos ianques respectivamente 18% e 38% de suas exportações e neles buscam respectivamente 7% e 27% de suas compras. Que terrível bloqueio americano é esse? Por outro lado, Cuba importa US$ 11 bilhões e exporta apenas US$ 4 bilhões. Não é por causa do embargo que as exportações cubanas são insignificantes. É porque - isto sim! - sua economia estatizada quase nada produz. Com um déficit comercial desse tamanho, o BNDES que se cuide, dona Dilma.
Sete vezes, na entrevista, o governador usou o antiamericanismo como forma de tergiversar sobre os males que o regime impõe ao país onde passou as férias. Tarso, na entrevista, estava sendo interrogado sobre Cuba por um jornalista companheiro. E batia nos Estados Unidos, enquanto surfava sobre o fato de que se há um bloqueio em Cuba, ele é o bloqueio imposto pelo governo à população, esta sim, impedida, sob força policial e militar, do fundamental direito de ir e vir.
Por fim, sobre a questão da democracia, o governador saiu-se com esta preciosidade: "A questão democrática em Cuba não pode ser avaliada com os mesmos parâmetros que servem para o Brasil, para a Argentina e para o Uruguai, por exemplo." Não, não pode mesmo. Se for avaliar a questão democrática em Cuba com conceitos abstratos e imprecisos (apesar de universais) como, digamos assim, eleições livres, pluralismo partidário, liberdade de expressão e de imprensa, aí a coisa fica complicada. A democracia cubana tem que ser avaliada sob conceitos de partido único, liberdades restritas, inexistência de oposição e estado policial. Viram como é uma encrenca?
______________
* Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

UM POUCO DE CONHECIMENTO NÃO FAZ MAL A NINGUÉM!


Sistemas Eleitorais
1. Introdução
O presente trabalho tem como escopo analisar, sob a ótica prática, a temática dos sistemas eleitorais, aprofundando-se, especificamente, no estudo das modalidades adotadas no Brasil, quais sejam os sistemas eleitorais: majoritário e proporcional, bem como apontar o número de candidatos que cada partido ou coligação de partidos terá direito a registrar para a disputa eleitoral, esclarecendo os pontos mais polêmicos, analisando seus desdobramentos e auferindo opiniões em relação a casos controversos que norteiam o assunto.
Necessário é analisar os sistemas eleitorais, que podem ser classificados em quatro grandes modelos, a saber: sistema distrital, sistema distrital misto, sistema majoritário e sistema proporcional, os quais abordaremos e analisaremos, separadamente, a seguir.
Antes de adentrarmos no assunto propriamente dito convém fazermos a definição de algumas expressões associadas ao tema:
Maioria absoluta é a metade do número de indivíduos que compõe um grupo mais um. No caso de números ímpares, o primeiro número inteiro superior à metade. Melhor dizendo, a maioria absoluta compõe-se a partir do primeiro número inteiro acima da metade. Se um grupo é composto por quarenta e um indivíduos, a metade é vinte e meio, logo o número inteiro imediatamente acima da metade, por exemplo, é vinte e um (maioria absoluta).
Maioria relativa ou simples é a denominação que recebe a maioria, quando se prende ao número dos presentes. Não se trata de um número fixo, pois varia de acordo com o número de indivíduos presentes, isto é, a superioridade numérica simples de votos.
Maioria qualificada é toda espécie de maioria diferente da maioria simples. É, pelo menos, o número imediatamente superior à metade. Se a lei determinar, em casos especiais, a maioria de dois terços ou três quintos, diz-se maioria qualificada porque é, pelo menos, maior que a metade. Se a lei determinar maioria de dois terços para a cassação do Prefeito, em 21 Vereadores, são necessários 14 votos. Para emendar a Constituição, a lei exige maioria qualificada de três quintos. Para cassação do mandato do Prefeito, são necessários os votos de, pelo menos dois terços dos membros da Câmara de Vereadores (Decreto-lei 201/67, art. 5°, VI). Maioria qualificada é, portanto, um número maior que a metade, com índice previamente estabelecido, logo a maioria absoluta é também maioria qualificada.
Voto de legenda é o voto dado a determinado partido, sem menção a nome de candidato. O voto de legenda é contado como válido para fins de cálculo do quociente eleitoral e do quociente partidário. Essa opção de voto só existe na eleição proporcional. Pressupõe-se que o eleitor não queira votar em nenhum candidato, aí terá ele a opção de votar apenas no partido político de sua preferência. O voto de legenda é aquele em que o eleitor digita apenas o número do partido ao invés dos cinco algarismos do candidato. Nesse caso o voto vai para o partido ou para a coligação da qual o partido faz parte, produzindo efeitos no cálculo do número de cadeiras que o partido ou coligação terá direito a ocupar pelo quociente partidário.
Votos válidos são os votos nominais aos candidatos e os votos nas legendas nas eleições proporcionais. Os votos nulos e em branco são descartados.

2. Sistema distrital

Com o sistema de representação distrital, os legisladores dariam mais representatividade aos candidatos regionais. Toda região estaria representada nos parlamentos municipal, estadual e federal. Atualmente, um distrito pode ter dois ou mais representantes e outro, nenhum. O voto distrital é o que existe na Inglaterra, por exemplo. O país é dividido em pequenas regiões, onde cada partido lança seus candidatos. O mais votado em cada uma das regiões é eleito. Em linhas gerais, os defensores do "voto distrital" argumentam que tal sistema permite uma maior capacidade de controle dos representantes pelos representados, além de efetivar a representação territorial.
A representação distrital é o sistema em que os parlamentares (vereadores, deputados estaduais e federais) são eleitos por voto majoritário, com o país, estados e municípios divididos em distritos (o que define um distrito é um núcleo populacional). O mais votado em seu distrito está eleito. É o sistema usado na esmagadora maioria dos países, inclusive no presidencialista Estados Unidos da América.
No sistema distrital os candidatos serão eleitos via majoritária. Vencerá o candidato que obtiver mais votos. A vantagem deste sistema é evidente. O candidato eleito conheceria de perto as necessidades locais e as reivindicações dos eleitores. Assim, poderia defendê-las com mais propriedade na Câmara Municipal, Assembléia Legislativa e Câmara Federal. Os candidatos manteriam escritórios políticos no distrito pelo qual foram eleitos e que representam, onde ouviriam seus representados, prestariam contas de sua gestão e estariam sujeitos ao controle dos eleitores, independente do partido ao qual pertençam. A fiscalização de sua atividade seria bastante próxima e efetiva. Seria o que a Constituição determina: "legítimo representante do povo".
No Brasil, esse sistema tem sido objeto de estudos detalhados, após a Constituição de 1988, na qual não foi dada a devida importância a este sistema que tem sido aplicado com sucesso em outros Estados, tanto na sua forma pura como na sua forma mista.
Se a legislação brasileira adotasse o sistema distrital, seriam eleitos os candidatos a vereadores, deputados estaduais e federais, ficando fora os candidatos da modalidade majoritária.
Verifica-se, portanto, que o desejo de mudança no sistema eleitoral consagra-se à quantidade de representação. O representante eleito pela via distrital estaria sujeito a um maior controle, devido à proximidade até física entre eles e seus eleitores, os quais estariam permanentemente fiscalizando e aferindo o grau de comprometimento do representante com o seu distrito e o volume de benefícios por ele proporcionados.

3. Sistema distrital misto

O sistema distrital misto é o que existe na Alemanha e, como o nome diz, é uma mistura dos outros dois sistemas: uma porcentagem é eleita pelos distritos e outra, por eleições proporcionais.
No sistema distrital misto, o legislativo é composto, metade por eleitos por votação majoritária obtida em distritos eleitorais (que seriam criados por lei) e a outra metade por candidatos "gerais", que recebem votação em todo o território do município, estado ou país, inclusive do próprio distrito. Aqui há, portanto, semelhança com o atual voto de legenda, ou de representação proporcional, visto que o candidato é indicado pelo partido; não há candidaturas avulsas. Neste sistema, o eleitor dispõe de dois votos; um para o candidato distrital, outro para um candidato "geral" (ou de toda coletividade).
Para tanto, o território será dividido em distritos eleitorais, que elegerão a metade dos assentos à casa legislativa. Cada partido apresenta seu candidato pelo distrito. Esta eleição é majoritária. Vence o que obtiver mais votos. As demais cadeiras (50%) serão preenchidas pelo sistema proporcional, nos mesmos termos hoje vigentes (voto de legenda, quociente eleitoral e quociente partidário). Para esta metade, tanto poderia ser adotada lista partidária fechada, como a "aberta", isto é, os mais votados em cada legenda. Estes representantes consideram-se indispensáveis para qualquer casa legislativa, por sua experiência passada, por sua projeção, relevo de suas posições, liderança, etc. Evita-se assim a "paroquialização" da política ou "provincianismo" dos representantes eleitos. Têm-se então uma representação local, sem prejuízo de nomes respeitados, conhecidos, ou experientes que integrarão o mesmo corpo legislativo.

4. Sistema majoritário

Os sistemas eleitorais adotados pela legislação brasileira são os sistemas majoritário e proporcional.
O sistema majoritário consiste na representação de determinada circunscrição eleitoral e é utilizado para a eleição de Presidente da República, Governadores, Senadores e Prefeitos. Na eleição para Presidente da República e Governadores realiza-se um segundo turno entre os dois candidatos mais votados, caso nenhum deles tenha obtido a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno. Na eleição para prefeitos de cidades com mais de duzentos mil eleitores procede-se igualmente à eleição para Presidente da República e Governadores se nenhum candidato alcançar a maioria absoluta dos votos válidos na primeira votação.
No caso de eleição para Senadores e de Prefeitos de cidades com até 200 mil eleitores, são eleitos os candidatos mais votados (maioria relativa ou simples), sem a realização de segundo turno.

5. Sistema proporcional

A eleição proporcional visa à representação da população de determinada circunscrição eleitoral, almejando assegurar a participação dos diversos segmentos da sociedade, organizados em partidos políticos.
Através da eleição proporcional, são escolhidos os Vereadores, Deputados Estaduais, Distritais (Distrito Federal) e Deputados Federais. Diferentemente do sistema majoritário, na representação proporcional nem sempre o candidato mais votado será eleito. É necessário que seu partido (ou coligação) receba da população que deseja representar um mínimo de apoio manifestado pelo voto.
O apoio popular é verificado através do quociente eleitoral (QE), que é a divisão de todos os votos válidos (votos nominais + votos de legenda) pelo número de vagas a serem preenchidas, desprezada a fração se igual ou inferior a meio, se a fração for superior meio arredonda-se para cima (Código Eleitoral, art. 106). Só poderão concorrer à distribuição das cadeiras os partidos ou coligações cuja soma dos votos válidos tiver alcançado o quociente eleitoral. Assim, se num grupo de leitores de 113.000, o número de cadeiras para parlamentares é 13, o quociente eleitoral é 113.000:13=8.692. Neste caso para ter direito a vagas o partido político ou coligação tem que alcançar o quociente eleitoral.
No exemplo acima, digamos que tenha hipoteticamente três partidos políticos: PA, PB, PC e a coligação D.
Uma vez obtido o QE, passa-se à distribuição das vagas a serem preenchidas.
Na primeira fase, a distribuição das vagas é feita através do quociente partidário (QP), que é a divisão do número de votos válidos de um partido ou coligação pelo quociente eleitoral.

5.1. Distribuição das vagas pelo quociente partidário (QP)

Supondo que os três partidos e a coligação do exemplo acima citado obtenham a seguinte votação:
Partido A (PA) – 22.000 votos
Partido B (PB) – 27.000 votos
Partido C (PC) – 8.690 votos
Coligação D (CD) – 55.310 votos
Nota-se que apenas o partido C (PC) não alcançou o quociente eleitoral (8.690<8.692), portanto não terá direito a preencher vaga no certame. Diferentemente, porém, os partidos A e B, e a coligação D conseguiram atingir o quociente eleitoral e terão direito a preencher as vagas disponíveis.
Agora, calcula-se o quociente partidário. O quociente partidário define o número inicial de vagas que caberá a cada partido ou coligação que tenham alcançado o quociente eleitoral. "Determina-se para cada partido ou coligação o quociente partidário, dividindo-se pelo quociente eleitoral o número de votos válidos dados sob a mesma legenda ou coligação de legendas, desprezada a fração" (Código Eleitoral, art. 107).
Matematicamente teremos:
PA – 22.000/8.692=2,53 (despreza-se a fração). O partido A terá direito a duas vagas pelo QP.
PB – 27.000/8.692=3,10. O partido B terá direito a três cadeiras pelo quociente partidário (QP).
PC – 8.690. Não alcançou o quociente eleitoral, não terá direito a vagas.
CD – 55.310/8.692=6,36. A coligação D terá direito a seis lugares na circunscrição eleitoral pelo QP.
Pelo método do quociente partidário, a distribuição das cadeiras ficaria assim:
PA – 2 cadeiras
PB – 3 cadeiras
CD – 6 cadeiras
Serão eleitos os candidatos registrados por um partido ou coligação que obtiverem maior votação, respeitado o número de lugares alcançado pelo quociente partidário daquele partido ou coligação. "Estarão eleitos tantos candidatos registrados por um Partido ou coligação quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido (Código Eleitoral, art. 108)".
Na hipótese acima, se somarmos os números de vagas que cada partido ou coligação obtiveram pelo quociente partidário (11), vai ser um número menor do que o número de vagas oferecidas (13). Sobraram, portanto, duas vagas. Isso ocorre porque todos os lugares disponíveis não foram preenchidos pelo método do quociente partidário (QP). Nesse caso, as vagas remanescentes serão preenchidas pelo cálculo das médias, também vulgarmente chamada de "distribuição das sobras das vagas".

5.2. Distribuição das vagas pelo cálculo das médias

A distribuição das vagas restantes será, portanto, feita pelo cálculo das médias, que se procede da seguinte forma: Toma-se o total de votos válidos de cada partido ou coligação de partidos e divide pelo número de vagas já por ele preenchidas, mais um. O partido ou coligação que obtiver a maior média ficará com a vaga. "Dividir-se-á o número de votos válidos atribuídos a cada Partido ou coligação de Partidos pelo número de lugares por ele obtido, mais um, cabendo ao Partido ou coligação que apresentar a maior média um dos lugares a preencher" (Código Eleitoral, art. 109, I). O cálculo se repetirá para a distribuição de cada um dos lugares restantes. Neste exemplo serão 2 (duas) rodadas de cálculos. Assim teremos:
PA – 22.000/(2+1)=7.333
PB – 27.000/(3+1)=6.750
CD – 55.310/(6+1)=7.900
Neste caso, a primeira vaga a ser preenchida ficará com a coligação D, por ter obtido a maior média. Assim, a coligação D fica agora com sete cadeiras.
Em seguida para preencher a outra cadeira remanescente, repetir-se-á a operação.
PA – 22.000/(2+1)=7.333
PB – 27.000/(3+1)=6.750
CD – 55.310/(6+1+1)=6.913
Nesta rodada a vaga fica com o partido A, pois obteve maior média (7.333). Ficando assim distribuídas as cadeiras:
PA – 3 cadeiras
PB – 3 cadeira
CD – 7 cadeiras
O preenchimento das vagas com que cada partido ou coligação for contemplado obedecerá, isoladamente, à ordem de votação recebida por seus candidatos. Em caso de empate será eleito o candidato mais idoso (art. 110, CE).
Mas ainda existe uma possibilidade que ainda não foi analisada por este trabalho. É a hipótese em que nenhum partido ou coligação recebe votação que atinja o quociente eleitoral. Nessa hipótese restarão eleitos os candidatos com o maior número de votos, independentemente de partido ou coligação, respeitado o número de lugares oferecidos (Código Eleitoral, art. 111).
Percebe-se que no sistema proporcional existe a possibilidade matemática de um candidato ser eleito com apenas um voto (o próprio), de acordo com o que dispõe a própria lei eleitoral.
Só para exemplificar, uma das possibilidades estaria na hipótese de haver dois candidatos de um partido político ou coligação em certa disputa eleitoral, e o quociente eleitoral daquela circunscrição fosse, por exemplo, 2.000 (dois mil) votos. O referido partido ou coligação houvesse obtido uma votação de 4.002 votos válidos. Portanto, esse partido ou coligação teria direito a dois lugares no certame eleitoral. Se um dos candidatos obtivesse 4.000 votos e houvesse um voto de legenda, certamente o outro candidato receberia apenas um voto. Como o partido ou coligação teria direito a duas cadeiras, os dois candidatos restariam eleitos pelo quociente partidário. Nessa hipótese o sistema proporcional de eleições foge à democracia em relação à pessoa do segundo candidato, ficando caracterizada tão-somente a representatividade popular do primeiro candidato e do partido ou coligação de partidos.

6. Número de candidatos

Nos sistemas eleitorais adotados pela legislação brasileira tem um certo limite para o registro de candidatos a concorrerem às eleições.
Cada partido poderá registrar candidatos para a Câmara dos Deputados, Câmara Legislativa, Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, até cento e cinquenta por cento do número de lugares a preencher. No caso de coligação para as eleições proporcionais, independentemente do número de partidos que a integrem, poderão ser registrados candidatos até o dobro do número de lugares a preencher.
Nas unidades da Federação em que o número de lugares a preencher para a Câmara dos Deputados não exceder de vinte, cada partido poderá registrar candidatos a Deputado Federal e a Deputado Estadual ou Distrital até o dobro das respectivas vagas. Se houver coligação, esses números poderão ser acrescidos de até mais cinqüenta por cento.
Do número de vagas resultante das regras referidas acima, cada partido ou coligação deverá reservar o mínimo de trinta por cento e o máximo de setenta por cento para candidaturas de cada sexo.
Em todos os cálculos, será sempre desprezada a fração, se inferior a meio, e igualada a um, se igual ou superior. No caso de as convenções para a escolha de candidatos não indicarem o número máximo de candidatos, os órgãos de direção dos partidos respectivos poderão preencher as vagas remanescentes até sessenta dias antes do pleito.
Os partidos e coligações solicitarão à Justiça Eleitoral o registro de seus candidatos até as dezenove horas do dia 5 de julho do ano em que se realizarem as eleições.
Nas eleições majoritárias será admitido o registro de apenas um candidato por partido político ou coligação para concorrer às vagas oferecidas.

ENTENDAM!
FATO A SABER: DOS 583 PARLAMENTARES ELEITOS NO ÚLTIMO PLEITO, APENAS 36 (7%) DO TOTAL FORAM ELEITOS POR SEUS PRÓPRIOS VOTOS! OS 547 RESTANTES FORAM ELEITOS POR LEGENDAS E OS TAIS QUOCIENTES, O QUE INDICA CLARAMENTE QUE EM SUA ESMAGADORA MAIORIA ELES NÃO TÊM COMPROMISSO COM O POVO DE LUGAR ALGUM! SEU ÚNICO COMPROMISSO É COM SEUS PROJETOS PESSOAIS!
Blog do MENEZES

INDÚSTRIA DA SECA

Infelizmente, o semiárido continua a impulsionar uma indústria de escândalos nos órgãos federais.
O da vez envolve o centenário Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Novamente, um braço do Estado é usado para produzir benefícios privados e dividendos político-partidários. Repete-se lá uma tônica disseminada na gestão petista.
Ontem, O Globo divulgou os resultados de um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) apontando prejuízo de R$ 312 milhões na gestão de pessoal e em contratações irregulares feitas pelo órgão, subordinado ao Ministério da Integração Nacional.
"O relatório de 252 páginas revela uma sucessão de pagamentos superfaturados, contratos com preços superestimados e 'inércia' da direção do órgão para sanar irregularidades que prosperaram ao longo da última década", informou o jornal. As contas do Dnocs de 2008, 2009 e 2010 também foram consideradas irregulares.
Repetindo o mesmo vício do ministro da Integração, o chefe do Dnocs também privilegiou um estado em detrimento dos demais na liberação de verbas. Se Fernando Bezerra desequilibrou os repasses em favor de Pernambuco, o diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, superfaturou os recursos para o Rio Grande do Norte de seu padrinho político, o deputado Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara.
De 47 convênios firmados com municípios para ações de defesa civil, 37 contemplaram prefeituras potiguares, que ficaram com 43% dos recursos liberados. Segundo a Folha de S.Paulo, 20 dessas cidades no RN são administradas pelo PMDB.
A maior parte dos contratos (23) tem irregularidades, envolvendo empresas de fachada, conforme aponta a CGU.Um diretor do Dnocs já caiu e o chefe-geral equilibra-se no cargo.
O noticiário político de hoje diz que os atritos produzidos na área detonaram uma rusga brava entre o PSB do ministro Bezerra e o PMDB dos apadrinhados de órgãos ligados à Integração Nacional - que incluem ainda Sudene e Codevasf, agora também sujeitos ao crivo do escovão.
É de indignar ver comandantes de instituições que deveriam se dedicar a buscar saídas para o semiárido engalfinhando-se em torno de cargos e não de propostas, programas e soluções para problemas que ainda afligem milhões de brasileiros.
O episódio atual não destoa, no entanto, da parca atenção efetiva que a gestão petista tem dado ao Nordeste. Há muita propaganda e oba-oba em torno de feitos supostamente "históricos" para a superação dos atrasos da região, mas a dura realidade difere bem disso.
Obras espetaculares como a transposição do rio São Francisco e a construção da Transnordestina serviram muito bem para abrilhantar os programas de TV da então candidata a presidente da República. Mas até hoje não produziram um benefício efetivo sequer para a população nordestina.
A mais longeva obra inconclusa do Nordeste, a ferrovia foi prometida para o fim do governo Lula.
Hoje apenas 10% de seus 1.728 km estão prontos, mas, mesmo assim, só são utilizados para transportar material para a construção da própria Transnordestina. Se tudo correr bem, com pelo menos quatro anos de atraso a promessa será cumprida.
Outra promessa lulista, a transposição do São Francisco já encareceu 40% e sequer ficará pronta no governo atual. Parte da estrutura já feita, construída às pressas para figurar na campanha eleitoral de Dilma, hoje apodrece sob o sol inclemente. Nenhuma gota d'água chegou ao sertão.
O Nordeste vem apresentando taxas chinesas de crescimento nos últimos anos.
Muito se deve ao empreendedorismo e ao esforço próprio de seu povo.
O governo central pouco ajuda neste processo de superação.
A região quer emancipação e progresso, e não continuar a servir de subterfúgio para que a política miúda siga produzindo escândalos em série.
Do Blog Camuflados - Fonte: Instituto Teotônio Vilela

SER CHIQUE SEMPRE


Por *Glória Kalil
NUNCA O TERMO “CHIQUE” FOI TÃO USADO PARA QUALIFICAR PESSOAS COMO NOS DIAS DE HOJE.
A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas. Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano.
O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.
CHIQUE mesmo é ser discreto. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.
CHIQUE é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.
CHIQUE é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.
É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.
CHIQUE mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar-se do aniversário dos amigos.
CHIQUE mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.
CHIQUE mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.
É “desligar o radar”, “o telefone”, quando estiver sentado à mesa do restaurante, prestar verdadeira atenção a sua companhia.
CHIQUE mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.
CHIQUE mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!
CHIQUE do chique é não se iludir com “trocentas” plásticas do físico… quando se pretende corrigir o caráter: não há plástica que salve grosseria, incompetência, mentira, fraude, agressão, intolerância, ateísmo… falsidade.
Mas, para ser chique, CHIQUE MESMO, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos terminar da mesma maneira, mortos sem levar nada material deste mundo.
Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem, que não seja correta.
Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!
Porque, no final das contas, chique mesmo é Crer em Deus!
Investir em conhecimento pode nos tornar sábios… mas, Amor e Fé nos tornam humanos!
*Gória Kalil-(Guaratinguetá, São Paulo) é uma jornalista, empresária e consultora de moda brasileira... Diretora de confecções como Fiorucci e Jeigikei, desde meados de 1995 dedica-se à consultoria de estilo e negócios ligados ao campo da moda e do comportamento. Faz palestras e projetos especiais, como vídeos, planos de marketing para lojas de varejo e assessorias para indústria e organizações institucionais como o Senac. Colabora também com matérias de moda para a imprensa escrita, televisão e outras mídias. É autora dos livros Chic, Chic Homem, Alô Chics e Chic[érrimo].

AZEITE, VINHO E O RESTO DA VIDA

Por * Elsa Quandt

Tá.
Você envelheceu. Nem notou, mas o tempo passou.
Preste atenção... reflita sobre como está se comportando diante das coisas corriqueiras, tem agido como
os velhos de sua adolescência ou ainda guarda o humor, a irreverência e o espírito aventureiro de seus 25, 30 anos?
Não... você tem agido como um velho. Quando sentou na calçada - no chão, pela última vez pra bater um papo?
Quando perdeu a hora conversando de olhos fechados ao telefone com uma paixão - ainda que platônica?
Quando foi que andou sem pressa pela chuva, quando ouviu com paciência um amigo chato, quando foi que pediu um sorvete de morango e se deliciou com a sensação gelada na língua?
Ah... mas está sempre meio ansioso, compromissos demais - ou de menos... esperando por alguma coisa que não vem, uma batida de rock que vai te embalar madrugada adentro, uma mesa de bar com companheiros de verdade, borboletas farfalhando no estômago, um corpo quente e cheio de vontade que não volta mais...
Ah, você envelheceu pelo lado de dentro, foi isso.
Mas cara, por quê? O que te fez desistir daqueles planos de ser feliz? E tudo aquilo que você quis, sonhou, planejou... onde foi que enfiou? Não, não me diga que o tempo fez estragos, que as pessoas não tem mais ânimo, que sua cara metade já não está mais aqui. Não! Você está!!! E está desperdiçando seu tempo como se não estivesse vivo e não fosse fiel aos seus sonhos.
Olha só, vai ali e pega uma taça de vinho, coloca o som da sua alma pra tocar, curta a melhor música e vá pra cozinha.
Sim, pra cozinha.
Passe suas mãos pelas formas generosas de tudo o que pode produzir uma comida boa, pegue o melhor azeite, faça um prato pra você. Mesa arrumada, perfume pelo corpo, sorriso genuíno, se agrade. O azeite é a base para viver mais e melhor. Tudo fica mais interessante com azeite... pense...
Se quiser dividir, chame alguém, há alguém que te aqueça a alma e que você nem tem notado. Sempre há, caramba!!!
Mas você anda tão chato e carrancudo, exigente e impaciente, egoísta na sua mania de achar que a vida te sacaneou que nem vê. E aquele cara que passava as noites embalado pelo rock, pelas bandas, pelas ruas, bares, mesas, pernas, camas, bancos traseiros ou de frente pra praça? Quem não levava tudo a ferro e fogo, quem tinha todo o tempo do mundo pra resolver problemas, tinha memória curta pra ofensas, tolerava atrasos, corria riscos, corria a 140 por hora - onde foi parar? Quem curtia capas de discos, quem deitava de costas e acompanhava os acordes das guitarras mais insanas, quem fumava, cheirava, aspirava e sorvia a vida sabendo que ela em si era um risco?
Cara, tô de cara!
Você esqueceu!!! Não era pra ser assim agora! Olha para você e lembre-se do que queria, ainda dá tempo de recuperar, mas depende de você.
Busque ali naquele espelho o brilho dos seus olhos, olhe bem ali no fundo que tem um monte de mensagens que ainda nem leu... tem gente esperando aquele telefonema, tem gente querendo um dedo de prosa, tem gente doida por um abraço daqueles que são só seus. Os dias que se foram já foram, mas o que vem, ah... esses te interessam!
O resto da vida espera pela sua verdade. Não se deixe engolir pela ferrugem, pelo ranço, pelo medo da corrente de ar, pelo receio de se expor, pelo corpo mais pesado, um tanto lento, pela juventude que te cerca e teima em tecer comparações...
Você agora tem a chance de ser diferente, porque igual você sempre foi! Diferente dos "velhos" da sua juventude, sua louca, maravilhosa e inconseqüente juventude... mas que mora no passado. Agora você é maduro, tem a memória repleta de determinações para quando fosse "velho" e não precisasse trabalhar mais...
Bom, chegou!!! Relaxe, aproveite, seja genuinamente livre. Seja verdadeiramente apaixonado por você, seja a melhor companhia para você mesmo. Role pelo chão com seus filhos - e se deu tudo certo, com seus netos! Mas eles ainda virão, ainda que "emprestados". Viaje pra lugares insólitos, peça comidas estranhas, arrisque, se desafie! Declare seu amor, ainda que seja por um irmão, um filho.
Pare de fazer caras e bocas pra tudo o que for diferente do seu ideal. Isso é coisa de gente velha!!! Crie e solte risadas largas pra tudo o que te encanta. Deseje e viva coisas fulminantes como paixões e alegrias - e tire da cabeça a palavra que lhe veio com o "fulminante"... Vibre com as alegrias dos amigos, aceite o diferente com a mesma naturalidade que fazia há 25 anos. É... 25 anos já cabem na sua memória fácil, fácil...
Caramba... reúna os amigos, mesmo aqueles que se perderam nas diferenças, faça novos parceiros de viagens, vá ao encontro dos virtuais, dê um abraço verdadeiro, quente, terno, fraterno, cúmplice. Crie novos laços, cheios de emoção e desapegados de padrões, de paradigmas, de exigências - as mesmas que você não quer que lhe façam...
Só assim conseguirá ser o cara legal, ligado, antenado e disputado, mas acima de tudo, será feliz e leve, sereno e completo.
Vivo, pelo resto da vida.

Texto escrito em homenagem aos amigos contemporâneos, que como eu, tendem a deixar os dias que completam anos a modificar o estilo, a vontade e o padrão que nos fez únicos e tão parecidos, todos encantados e apaixonados pela vida.
*Elsa Quandt, é mourãoense, mora em Curitiba – texto encaminhado ao amigo Juma, que me repassou solicitando publicação e, com muita satisfação, o reproduzo aqui, esperando outros artigos... PVeiga.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

MANOEL DO NASCIMENTO - "O MANECO DA FARMÁCIA"

Por ILIVALDO DUARTE

Dia 20 de janeiro a folhinha marcou o "Dia do Farmacêutico". Para homenagear a classe, estamos de volta com a tradicional ENTREVISTA DE DOMINGO e homenagem ao mais experiente farmacêutico em atividade em Campo Mourão. É o conhecido Manoel do Nascimento, o "Maneco da Farmácia" - na foto ao lado da sua esposa Lori.

Membro fundador do Rotary Club de Campo Mourăo e da Santa Casa de Misericórdia, Maneco atua a 56 anos no setor farmacêutico e com 74 anos ainda trabalha, atualmente na Farmácia Catedral, no centro da cidade. Nascido em Guarapuava, em 6 de julho de 1938, veio para a região de Juranda, e depois tentou a sorte em Campo Mourão. “Enquanto criança, criado na roça, eu trabalhava e tive uma infância sofrida. Desfiava a palha das espigas, alimentava os animais com milho debulhado na mão e cortava lenha com o machado. Não completei os estudos porque no interior de Guarapuava, onde eu morava, não tinha escola. Quase não me sobrava tempo para brincar”, conta.
Maneco é um dos fundadores do Clube 10 de Outubro e participou da Fundação do Rotary Club Campo Mourão, do qual ainda é sócio e participa. "Campo Mourão é uma cidade muito boa de se viver, é uma cidade tranquila. Sou amigo de todo mundo e só não me conhece quem nunca tomou injeção”, diz com satisfação.
Boa leitura, conhecendo ou relembrando um pouco da história deste cidadão simples, simpático, sensível e entusiasta que gosta das coisas certas e do que faz. Um exemplo a ser seguido. Gente da nossa terra, gente de valor.

QUEM É MANOEL DO NASCIMENTO?
Nasci no dia 6 de julho de 1938, sou filho primogênito de Maria Joana do Nascimento, que casou com o lavrador João Cândido Ferreira e tiveram mais quatro filhos: Júlio, Helena, Amélia e Salvador. Eu queria aprender e ser alguém na vida. Na comunidade São Francisco, em Guarapuava, moravam o farmacêutico e homeopata, Roldão Batista Braz e sua esposa, professora Helena Connor Braz, com os quais passei a residir e a trabalhar. Eles me adotaram e me registraram como filho legítimo. Cheguei à região, em Juranda, com meus pais e um irmão adotivo, no início de 1949, com 11 para 12 anos de idade. Lembro-me que existiam muitos animais selvagens, boa caça e cobras peçonhentas em quantidade. As mais comuns e venenosas eram a Cascavel e a Urutu-Cruzeiro.
O SENHOR É CASADO. QUANTOS FILHOS E NETOS TEM?
Sou casado com Lorí Goeettl desde 22 de julho de 1961, temos três filhas – Márcia, esposa de Olivaldo José dos Santos, Marisa (Assistente Social) casada com Diego Unicas Dias e Maristela, solteira, acadêmica de Medicina Veterinária do CIES. Temos quatro netos – Mariel, Mariane, Felipe e Luíza, e um bisneto Lorenzo.

O neto Mariel e o bisneto Lorenzo

COMO FOI A SUA INFÂNCIA?
Tive uma infância difícil em Guarapuava. Enquanto criança, criado na roça, eu trabalhava e tive uma infância sofrida. Desfiava a palha das espigas, alimentava os animais com milho debulhado na mão e cortava lenha com o machado. Não completei os estudos porque no interior de Guarapuava, onde eu morava, não tinha escola. Quase não me sobrava tempo para brincar. Vim mocinho com a família Braz, que me adotou, para desbravar o sertão de Juranda. A família Braz lidava com safras de porcos que se criavam soltos. Plantaram os primeiros pés de café. As filhas: Rute casou com o pastor Higino Bento dos Santos e Odila com Elias Pinto Portugal (Ioio), que mais tarde residiram em Campo Mourão. “Trabalhávamos duro, de sol a sol, derrubando a mata no machado e serra manual”. Helena e Roldão deixaram Guarapuava movidos pela saudade dos filhos. Adquiriram 100 alqueires de terra em Juranda e abriram a “Fazenda Salmo 23”. Dali para Campo Mourão foi um pulinho. Aqui tentei a sorte e venci.
O SENHOR ESTUDOU ATÉ QUE ANO?
Estudei até o terceiro ano primário na escola em que dona Helena lecionava. Íamos juntos para a escolinha, não prossegui nos estudos porque logo comecei a trabalhar.
QUANDO PASSOU A TOMAR GOSTO PELA ÁREA DE FARMÁCIA?
O “seo” Roldão Braz manipulava remédios homeopáticos e os vendia em Guarapuava. Eu ajudava, quando então comecei a tomar gosto por farmácia, cuidar da saúde das pessoas e ganhar meus primeiros trocados. Fui incentivado pelo meu pai adotivo Roldão Braz e por Osvaldo Wronski.

QUANDO CHEGOU A CAMPO MOURÃO?
Em 1955 tentei a sorte em Campo Mourão. Queria minha independência, vim com o cobrador de ônibus, Nilo, que fazia a linha Campo Mourão/Ubiratã pela poeirenta estrada (hoje-BR-369). Quando chovia, parava tudo. O centro da cidade de Campo Mourão se resumia na praça com algumas casas de madeira em volta, que dava para contar nos dedos. Hospedei-me no antigo casarão do Hotel Paraná, que também era restaurante e salão de baile. A cidade mais se parecia com uma vila. Nada de conforto, sem pavimentação asfáltica, a luz elétrica era fraca gerada por um motor a diesel que ficava estacionado lá na Usina.
CONTE-NOS MAIS ALGUMAS CURIOSIDADES DA CIDADE NAQUELA ÉPOCA?
Cheguei aqui jovem e solteiro. Conheci os farmacêuticos Antonio Lourival Borba, da Farmácia Santo Antonio - ao lado da Relojoaria Fuchs-, o Valdemar Roth, da Farmácia Luz e o Nilo Ragugnetti. O Bar Caiçara do Hamilton Gonçalves era o mais movimentado e na madrugada servia uma canja de galinha especial aos boêmios. O melhor sorvete e frapê com coca-cola, preparado pelo Chafic, era do Bar do Malluf, ao lado do Cine Império, por ali onde está hoje a Tapovic. Tinha também o Bar Pinguim, muito bom, do Elói Leão, onde está o Banco Itaú, que ficava ao lado do Cine Mourão. Nesse tempo tinha o “Clube Operário 1º de Maio”, onde está a sede da Comcam/Acamdoze, que logo acabou. Foi quando começaram a construir o “Clube 10 de Outubro”, um enorme casarão de madeira, presidido, pela primeira vez, pelo Juiz de Direito, doutor Sinval Reis. O novo clube lotava e dava bailes super animados. Deram início a urbanização da “Praça Getúlio Vargas”, que antes se chamava “Praça 10 de Outubro”, onde estava o primeiro campo de jogo de futebol, na pura terra.

QUAIS FORAM OS SEUS EMPREGOS?

Meu primeiro emprego e salário ganhei como frentista e lavador de carros no Posto Brasil Esso (atual Pingo d’Água), na esquina da Rua Araruna com a Avenida Irmãos Pereira. O segundo emprego foi de balconista comissionado na Loja Aparecida (atual Loja Nunes), com Nicolau e Nabi Assad. A moda na época era chapéu Prada, Ramezoni e Panamá. Camisas 3 Patinhos, Volta ao Mundo, Ramezoni e cuecas “samba canção”. O terceiro e mais duradouro emprego, por 13 anos onde me aprimorei como prático farmacêutico foi na Farmácia América, no sobrado comercial do Osvaldo B Wronski, ao lado do Edifício Alvorada, perto da antiga Pelicano, que depois foi Morifarma, a qual eu adquiri mais tarde. As primeiras farmácias quando cheguei a Campo Mourão eram a do Nilo Ragugnetti na Rua Araruna (Hidrobombas) e a do Valdemar Roth (Farmácia Luz) na esquina da Rua Roberto Brzezinski (antiga Rua Curitiba) com a Avenida Manoel Mendes de Camargo, que depois foi comprada pelo João Seratiuk.
E A SUA PRIMEIRA FARMÁCIA, QUANDO E COMO FOI?

Em 1969 inaugurei a Farmácia Estrela, em sociedade com Antonio Malluf, no térreo do Edifício Mourão. Então, em 1975, abri a sociedade e fiquei como único proprietário. Vendi a Farmácia Estrela ao Guilherme Campos Martins – Tio do Ilivaldo Duarte – e comprei a Morifarma em sociedade com o Paulo Passos. Em 1980 inaugurei a CAMPOFARMA em frente ao Hospital Bom Jesus, na Avenida Manoel Mendes de Camargo, que mantive até 1996 quando passei a trabalhar na Farmácia Nova dos amigos Tereza e Haru. Eles posteriormente abriram a Farmácia Catedral, no centro de Campo Mourão, onde trabalho atualmente.

O SENHOR É UM DOS FUNDADORES DE VÁRIAS ENTIDADES NA CIDADE?
Sim, sou um dos fundadores do Clube Social e Recreativo 10 de Outubro. Não só participei da fundação como ajudei a carpir o mato da quadra ali onde ele está, serrei muita madeira para erguer a construção, uma das primeiras coberta de telhas. Na segunda gestão do presidente Domingos Maciel Ribas, foi iniciada a construção do prédio em alvenaria, que ali permanece até hoje, em seu projeto arquitetônico original. Não pertenço mais ao quadro social, nem mesmo com o reconhecimento de sócio-remido. Depois que me casei, nunca mais fui convidado a participar de qualquer evento naquele clube, assim como tantos outros fundadores relegados ao ostracismo. Há mais de 30 anos participei da Fundação do Rotary Club de Campo Mourão, ao qual sou afiliado até hoje e participo ativamente sempre que o tempo me permite.

Sou um cristão temente a Deus e frequento a minha igreja evangélica – Presbiteriana do Brasil – religiosamente, com a minha família. Participo e ajudo em tudo que posso na área social. Contribui muito com as creches, com o Asilo São Vicente de Paula e com a Santa Casa de Misericórdia, principalmente quando empresário e, atualmente, sempre que minhas posses permitirem.

QUAL SEU ESPORTE PREFERIDO E TIME DO CORAÇÃO?
Futebol: sou santista e vi o Santos jogar em Campo Mourão, aos 17 anos, contra o CAFE de Cianorte no estádio RB.

POR QUE O NÚMERO TÃO GRANDE DE FARMÁCIAS E QUANTAS TÊM EM CM?

Está muito desgastante e diferente dos tempos antigos. Há muita concorrência desonesta, temos mais de 50 farmácias entre as de manipulação e hospitalar.

SER ROTARIANO É...
É motivo de muita honra, participo desde a fundação do Rotary Campo Mourão, o mais antigo da cidade.

Ao lado de Ademar Batista de Melo, companheiro do Rotary Campo Mourão e governador do Distrito 4630 no ano rotário de 1991/92.

QUAL PROJETO GOSTARIA DE REALIZAR QUE AINDA NÃO ACONTECEU?
Se pudesse voltar no tempo, jamais teria o vício de fumar.
CITE PERSONALIDADES (FORTE DO ESPORTE) EM CAMPO MOURÃO?
Itamar Tagliari, Rosinha do Banco do Brasil, Francisco José Filho, o “Gordinho”.
A CAMPO MOURÃO DO PRESENTE É...
Uma cidade acolhedora...
A CAMPO MOURÃO DO FUTURO SERÁ?
Uma grande cidade depende das administrações.
CAMPO MOURÃO É...
Uma cidade que amo, onde nasceram minhas filhas e a maioria dos meus netos. Vivo feliz com a minha família e tenho milhares de amigos. Campo Mourão é uma cidade boa e vai ficar melhor ainda. Campo Mourão é uma cidade muito boa de se viver. Ganhou modernidade, organização administrativa e sentiu um grande impulso na gestão do prefeito Milton Luiz Pereira. Daí pra frente seus sucessores só tiveram trabalho de dar continuidade com altos e baixos. Campo Mourão é uma cidade tranquila. Sou amigo de todo mundo e só não me conhece quem nunca tomou injeção.

Os agradecimentos do Blog aos historiadores Pedro da Veiga e Wille Bathke Júnior, pela importante colaboração para a publicação desta ENTREVISTA DE DOMINGO.
Fonte: Blog do amigo Ilivaldo.