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segunda-feira, 30 de julho de 2012
GETÚLIO
Dos anos de formação à conquista do poder (1882-1930)
Autor: Lira Neto
Getúlio Dornelles Vargas (1882-1954) é a figura histórica sobre a qual mais se escreveu no Brasil. No entanto, na copiosa bibliografia dedicada a ele, não havia até agora uma biografia completa, de cunho jornalístico e objetivo, que procurasse reconstituir em minúcias a trajetória pessoal e política do personagem do modo mais isento possível.
A monumental trilogia Getúlio, de Lira Neto, da qual se lança agora o primeiro volume, vem suprir com sobras essa lacuna. Ao longo de dois anos e meio, o autor se debruçou sobre uma vastíssima gama de documentos - muitos deles inéditos ou pouco explorados - para ajudar a decifrar a “esfinge Getúlio” e mostrar como foi possível que convivessem no mesmo indivíduo o revolucionário, o ditador, o reformador social e o demagogo.
Sem desdenhar nenhum tipo de fonte ou arquivo, Lira Neto se serviu de cartas pessoais e memorandos oficiais, de diários íntimos, autos judiciais, boletins de ocorrência, notícias de jornal, anúncios de publicidade, charges, hinos, marchinhas, livros de memórias, entrevistas, depoimentos etc.
O resultado desse árduo trabalho, acompanhado de um mergulho na bibliografia histórica sobre o período, é um relato envolvente, por vezes eletrizante, ao qual o talento narrativo do autor confere a vivacidade e o ritmo de um bom romance.
A herança política caudilhista, sob a égide dos caudilhos gaúchos Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros; a formação positivista, com uma forte tendência anticristã depois abafada por conveniências políticas; as escaramuças da sangrenta política regional gaúcha; o aprendizado da política (e da politicagem) em âmbito nacional na capital da República; as relações ambivalentes com as velhas oligarquias e com a inquietação tenentista; o esboço das ideias trabalhistas e da tutela do estado sobre as relações entre o capital e o trabalho; o desenvolvimento de uma personalidade política ardilosa; a oscilante candidatura de oposição à presidência em 1930 e por fim a Revolução vitoriosa que liquidou a Primeira República e instaurou uma nova era na política brasileira - tudo isso é narrado de modo vívido neste primeiro volume.
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-Adquiri esse livro da Companhia das Letras – acabo de recebê-lo, agora vamos iniciar sua leitura e conhecer a história de Getúlio Vargas -
AS MÃES E SUAS CRIAS
Por João Bosco Leal
Tanto entre os humanos quanto entre os animais, existem mães e mães. Entre nós há as que trabalham e as que não, as que bebem, usam drogas, são prostitutas, não se respeitam, mas mesmo estas merecem e normalmente são respeitadas por seus filhos.
No mundo animal, há vacas que protegem suas crias de qualquer um, que lutam desesperadamente contra quaisquer predadores para não perder sua cria, e as que simplesmente observam a mesma ser devorada por outros animais.
Outras que abandonam seus bezerros logo ao nascer, deixando-os à própria sorte, os chamados “guachos”, que, se encontrados a tempo por um humano, muitas vezes tornam-se mais fortes do que seus contemporâneos, mesmo tendo crescido sem nenhum “afago” materno.
As galinhas cobrem com as asas os pintinhos recém-nascidos, para que não sejam devorados por gaviões e para que não sofram com a chuva e o frio. Existem, porém, aves que raramente chocam o próprio ovo, como as galinhas d’angola, os marrecos e outras, que por esse motivo, são de difícil procriação.
Entre os suínos e caninos, o filhote que, desde os primeiros momentos de vida, tendo que disputar as tetas com os irmãos, se esforça para mamar mais e fica cada dia mais forte que seus irmãos, que não se esforçaram, e por isso ficam cada vez mais fracos.
Algumas mães, entretanto, suprem seus filhos de todas as necessidades que estejam ao seu alcance, mesmo quando o “filhinho" ou a "filhinha” já são adultos, mas assim como nos animais, essa superproteção cria um ser fraco, que por nunca haver lutado por nada, quando essa mãe não estiver mais presente, terá muitas dificuldades para sobreviver num mundo onde há disputas por tudo.
Ao contrário de ajudar, elas proporcionaram um enorme prejuízo a esses filhos, que sempre perderão, em todos os sentidos, para os que cresceram fortes por terem tido de buscar, sem ajuda, o que necessitavam.
No entanto, sem sua proteção e tendo que buscar seu próprio sustento e programar seu futuro sabendo que nada mais será ganho, aprenderá, ainda que tardiamente, assim como aquele filho ou filha que foi desamparado, mal tratado, abandonado e até mesmo desprezado por essa mãe, que por ter lutado sozinho por sua sobrevivência e aprendizado, tornou-se um adulto mais forte e para ele nada mudará quando essa mãe partir.
Por isso e por mais que seja dolorido, assim como ocorre em todo o reino animal, em determinado momento as mães necessitam desmamar seus filhos, pois aquelas que contrariando a natureza, escolhem dar proteção a um filho normalmente fracassam em seu sonho, e fazem fracassar o filho protegido.
Perceber esse erro, certamente gera uma enorme sensação de fracasso na mãe para a qual seu filho protegido obteria somente sucessos, e essa descoberta normalmente provoca um distanciamento cada vez maior desta mãe com o filho que ela desprezou e que hoje é um forte.
Os que lutaram com suas próprias mãos, certamente criarão seus filhos assim, dando-lhes amor, carinho e apoio, mas ensinando-lhes a buscar seu lugar ao sol com seu próprio esforço, pois o mundo não passará a mão na cabeça de ninguém, quando não tiverem mais a retaguarda dos pais.
E quando a grande maioria fizer o mesmo, nascerá uma nova geração de homens e mulheres fortes, que construirão o futuro de um grande país, deixando de lado e para trás os fracos que criaram filhos e nações fracas.
As nações são o resultado de como as mães criaram seus filhos nas décadas anteriores.
*João Bosco Leal-Jornalista, escritor e produtor rural.
IDEOLOGIA DE PRIVADA
Vão criar editais para fomento cultural e "científico" a favor dos sem-banheiro, o MSB
Quando eu morava num kibutz em Israel nos anos 80, num dos banheiros masculinos, estava escrito na porta, “fighting for peace is like fucking for virginity” (lutar pela paz é como trepar pela virgindade).
Gays sempre deixaram inscrições nas portas e paredes dos banheiros masculinos, afirmando seus desejos e dotes físicos. Quanto aos femininos, sempre foram objeto de mistério e desejo, afinal, ver mulheres sem roupa sempre foi um sonho de todo cara. Além do fato óbvio de que os órgãos excretores são os mesmos envolvidos no ato sexual. Claro, não apenas eles.
Qualquer iniciado em Freud vê algo de obviamente sexual na nossa relação com banheiros. Fantasias sexuais sempre encontraram nos banheiros um santuário para suas taras. E mais: formas diversas de perversões sexuais envolvendo funções excretoras sempre povoaram o universo das fantasias sexuais mais “heavy”.
Talvez alguém ache que eu deva pedir perdão por usar uma expressão como “perversões sexuais” num mundo como o nosso, no qual um sujeito pode gostar de espancar e ser espancado, mas exige seu direito de cidadania “sado-maso”. Mas não vou pedir perdão não, tá?
Como já disse antes, hoje em dia todo mundo quer ser “legal” e ninguém quer ser pecador. O cara gosta de transar com cães de grande porte, mas recicla lixo, anda de bike na praça Pan-Americana e come rúcula, e por isso ele é o que chamo de “sado-maso” sustentável, ou seja, “sado-maso” de boutique. Sade vomitaria nele, mas sem nenhum tesão.
Até pouco tempo atrás, isso era tudo que se podia imaginar em termos de metafísica de banheiro. Algo na fronteira do “trash” e do mistério. Imagine quantos meninos já sonharam em se esconder no banheiro das meninas para vê-las sem roupa. Uma “cheerleader” no banheiro é um clássico sonho de consumo. Mas hoje, metafísica de banheiro é coisa “séria”. A cidadania passa pela latrina: rosa ou azul? Logo vão inventar a ideia de que “direitos sanitários” não são apenas o direito a saneamento básico (rede de esgoto, boca de lobo, privadas e similares), mas o direito de invadir o banheiro alheio num movimento, talvez inspirado no MST (as Farc brasileiras), que podemos denominar MSB, “os sem-banheiro”.
Há algum tempo que ouço frases (que acho bem bregas, aliás) como “na Europa não existe mais banheiro de homem e mulher”. Toda pessoa que faz esse tipo de comparação entre Brasil e “o Primeiro Mundo” revela sua alma de vira-lata metido a chique, um dos piores tipos na galeria de comportamentos esteticamente ridículos. Viajo muito, para minha infelicidade, e continuo vendo banheiros divididos por sexo. Sei também que está na moda falar “gêneros” (sexo é construção social), mas eu que não acredito nisso, continuo falando “sexos”.
Normalmente lá, quando não há separação, é porque você está num lugar “chiquinho-cabeça” (antros de mal-educados ideologicamente motivados) ou por miséria de banheiro mesmo. Aliás, quem diz que a Europa é Primeiro Mundo em banheiro é quem não conhece a Europa mesmo, porque lá muitos banheiros são horrorosamente imundos, quando não apenas uma fossa num cubículo.
Quem mais sofre com a invasão ideológica do banheiro alheio são as mulheres, que normalmente são bem preocupadas com privacidade neste assunto, a ponto de muitas vezes, desde pequenas, desenvolverem patologias intestinais ou urinárias devido ao hábito de “se reprimirem” em situações de privação de privacidade sanitária.
Proponho fiscais nos banheiros femininos para assegurarem que os invasores farão xixi sentados para não sujarem tudo.
Vivemos em tempos ridículos (tempos pautados por um acúmulo de conforto e por isso todo mundo fica meio besta): daqui a pouco vão criar editais especiais para fomento cultural e “científico” (o povo da teoria de gênero aplicada a privadas) a favor do MSB, “os sem-banheiro”.
E o incrível é que ninguém diz de uma vez que esse papo de crítica de gênero aplicada a privadas é papo furado de quem no fundo quer justificar ideologicamente seus pequeno sintomas, e não respeita a privacidade alheia, principalmente das mulheres.
*-Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve as segundas na versão impressa de "Ilustrada". (jornal FSP) | Outra fonte para este artigo: AQUI.
BAFO DE ONÇA
A onça é um animal carnívoro, palavra que vem do latim carne , mais vorare, cujo significado é devorar. Ela se alimenta basicamente de herbívoros como capivaras, antas, veados, coelhos e outros animais de pequeno porte, e para isso a natureza lhe concedeu os dentes e garras afiadas com que consegue rasgar e triturar com facilidade os tecidos das presas que captura. Mas também come peixes que é capaz de “pescar?” até com certa facilidade, pois é excelente nadadora.
Segundo explicação dada pela revista Superinteressante em sua edição de abril/2005, normalmente a onça só come o animal que abate, não sendo comum ela se alimentar de bichos que morreram de causas naturais. “A pintada não precisa se preocupar em defender a carcaça de sua presa, porque não há nenhum outro competidor com ela em seu hábitat”, diz Carlos C. Alberts. Vem daí a famosa expressão popular que diz respeito a seu hálito. O felino nem sempre tem um bafo de onça, mas, quando caça animais grandes, pode se alimentar de determinada carcaça por alguns dias. Acontece que a carne em florestas tropicais apodrece logo por causa da umidade, e sendo assim, não tem quem aguente o odor exalado pela boca do felino. Nem quem é amigo da onça.
Surgiu daí a expressão “bafo de onça”, aproveitada para qualificar o mau hálito, ou halitose, de muita gente que anda por aí com um sorriso no rosto, mas atormentando o olfato dos que não têm como escapulir de uma conversa a dois com esses indivíduos. Segundo o Portal ABC da Saúde, esse cheiro ruim consiste nos odores desagradáveis oriundos da cavidade bucal ou através da respiração. Desde que o mundo é mundo as pessoas se queixam desse problema. Há uns 3,5 mil anos, o médico grego Hipócrates já prescrevia um bochecho de vinho com ervas aromáticas para melhorar o hálito, e um jovem fabricante de cosméticos, na velha Roma, ficou riquíssimo quando inventou e começou a produzir essência de hortelã para melhorar o hálito.
Mas 90% desse "bafo repulsivo" que muita gente tem, procede dos resíduos alimentares daquilo que comemos durante o dia, sem que tenhamos acesso ou tempo para escovar os dentes após cada refeição. Minúsculas partículas de comida são acolhidas no intervalo dos dentes, das pontes ou dentaduras que usamos, provocando o que chamamos de “bafo de onça.” Mas ao contrário dos homens, a onça, coitada, não tem como se livrar disso.
A halitose é um sinal de que algo no organismo está em desequilíbrio e deve ser identificado e tratado. Existem mais de 50 causas e, que em aproximadamente 90% dos casos, se manifestam na boca. Podem ser de origem fisiológica (hálito da manhã, jejum prolongado, dietas inadequadas), razões locais (higiene bucal deficiente, placas bacterianas retidas na língua - saburra - e/ou amídalas, baixa produção de saliva, doenças da gengiva) ou mesmo razões sistêmicas (diabetes, problemas renais ou hepáticos, prisão de ventre e outros).
Mas além desses casos, os que costumam beber além da conta também têm seu hálito apelidado dessa forma, ou seja, depois de uma bebedeira, o ar exalado pelo pinguço é chamado de bafo de onça. E a curiosidade é que isso virou nome de bloco carnavalesco. Quem conta essa história é Márcio Cotrim, autor de vários livros.
Diz ele que “no dia 12 de dezembro de 1956, dentro de um boteco no bairro carioca do Catumbi, Sebastião Maria, carpinteiro e policial militar, idealizou o bloco. Conhecido como Tião Carpinteiro, ele tinha o hábito de formar o bloco do "eu sozinho", saindo fantasiado de onça pelas ruas e continuando bem bebido até a Quarta-Feira de Cinzas. No dia da fundação do bloco, todos os seus integrantes saíram bêbados efantasiados de onça em homenagem a seu
fundador e à sua emanação odorífera. O samba que dá nome ao bloco, composto por Osvaldo Nunes, tornou-se êxito carnavalesco e até hoje é cantado assim: "Nessa onda que eu vou/ olha a onda iaiá/ é o Bafo de Onça/ que acabou de chegar/ olha a rapaziada/ vem dizendo no pé/ as cabrochas gingando,oba!/ e como tem mulher/ olha a empolgação, oba/ esse é o bafo da onça/ que eu trago guardado/ no meu coração/ é o bom, é o bom, é o bom ...”
Por carta ou e-mail, através do serviço SOS Mau Hálito, a Associação Brasileira de Halitose (ABHA) avisa à pessoa que tem esse problema, mas sem identificar o autor do pedido, que é para evitar constrangimentos. Na mensagem enviada, a associação esclarece o que é halitose, fala das causas do problema, dá dicas de como eliminar o mau hálito e mostra uma lista de profissionais credenciados pela ABHA. O texto explica que a halitose (nome científico do mau hálito) não é uma doença, e sim um sintoma de que algo não vai bem no organismo. “A halitose nem sempre é sinônimo de uma má-higiene, podendo ser causada por inúmeros outros motivos”, diz a mensagem da ABHA.
FERNANDO KITZINGER DANNEMANN
domingo, 29 de julho de 2012
‘SE O RÉU É CULPADO, A PENA FOI POUCA. SE O RÉU É INOCENTE A PENA FOI MUITA’
Portanto, faça-se a justiça dos homens.
História de um filme francês
A exemplo da conclusão de “Justice Est Faite”, alguém poderia dizer: “Se o réu é culpado, a pena foi pouca.” Mas não houve pena alguma; não há sequer o conforto de dizer que “de qualquer forma, a justiça dos homens foi feita”. Uma turba aglomerada do lado de fora do tribunal toma conhecimento do veredicto. Comoção. Tumulto. A polícia busca proteger o trio retirando-o de camburão. O filme termina com a viatura em chamas e seus três ocupantes – os dois culpados e o inocente – carbonizados. (A Casa da Mãe Joana).
DOIS SÃO CULPADOS
Por Marco Dourado, Curitiba, PR – in Criacionismo
André Cayatte (1909-1989) graduou-se em Direito e doutorou-se em Filosofia e Letras. Em 1938, contratado por um estúdio cinematográfico para examinar um caso de plágio, interessou-se pela sétima arte e resolveu seguir carreira no cinema. Primeiro, foi roteirista; depois, diretor. Doze anos mais tarde, venceu o Leão de Ouro em Veneza com “Justice Est Faite” (“O Direito de Matar” ou Justiça Seja Feita). O filão explorado por Cayatte abordava dois dentre os temas mais valorizados em dramaturgia adulta: a busca pela verdade e o apelo à justiça. O cineasta costumava participar de seus filmes por meio de pequenas intervenções. “Justice Est Faite”, por exemplo, conta a história do julgamento de um crime com previsão de pena capital.
Sensibilizado com o clamor do réu, o juiz se atormenta em dúvidas e o condena a oito anos de reclusão. Genial como de hábito, Cayatte enriquece a história com sua visão de jurista: “Se o réu é culpado, a pena foi pouca. Se o réu é inocente, a pena foi muita. De qualquer forma, a justiça dos homens foi feita.”
Em 1963, Cayatte lançou “Le glaive et la balance” (“Dois são culpados” ou A Espada e a Balança), com destaque para Anthony Perkins, o demente de “Psicose”. Outra história de julgamento. Um garoto é sequestrado e morto. Três suspeitos são detidos. Pelo abundante relato de testemunhas é indubitável que dois deles cometeram a barbárie. O terceiro apenas teve o azar de estar nas proximidades da cena do crime. Sendo impossível precisar qual dos três é o inocente, cada um dos advogados de defesa busca convencer o júri da insuficiência de provas para a condenação de seu respectivo cliente. A estratégia resulta eficaz. Dada a altíssima possibilidade de cada suspeito ser inocente, os jurados concordam que todos poderiam ser, em tese, inocentes. São, então, absolvidos em bloco.
A exemplo da conclusão de “Justice Est Faite”, alguém poderia dizer: “Se o réu é culpado, a pena foi pouca.” Mas não houve pena alguma; não há sequer o conforto de dizer que “de qualquer forma, a justiça dos homens foi feita”. Uma turba aglomerada do lado de fora do tribunal toma conhecimento do veredicto. Comoção. Tumulto. A polícia busca proteger o trio retirando-o de camburão. O filme termina com a viatura em chamas e seus três ocupantes – os dois culpados e o inocente – carbonizados.
O desfecho da ficção acima ajuda a compreender o zelo intransigente e quase inquisitorial dos arautos do macro evolucionismo, também conhecido como Teoria Geral da Evolução ou TGE. Em seu século e meio de reinado, ela mudou profundamente a forma de o indivíduo relacionar-se consigo mesmo e com o seu semelhante. Embora parte dos evolucionistas acredite em Deus (ou algo similar), a TGE prescinde inteiramente dessa possibilidade. Ela é filha dileta do naturalismo mecanicista, um pressuposto puramente filosófico. Semelhante a Saturno, a TGE gerou, ao menos em parte, vários e destrutivos “ismos” em seu ventre: relativismo, ateísmo, hedonismo, existencialismo, nazi fascismo, socialismo, entre outros. Essa Caixa de “Pandorismos” vem influenciando os pensamentos e atos de significativa parcela da humanidade.
Abramos agora um parêntese: sabemos que ninguém suporta o logro. Melhor dizendo, ninguém suporta ser logrado. A frustração e o rancor do lesado costumam ser, no mínimo, proporcionais à crença investida no engodo e à extensão final do prejuízo. Guardemos para mais adiante esse conceito: EXTENSÃO FINAL DO PREJUÍZO.
Voltando à TGE, um de seus mais agressivos arautos, Richard Dawkins (foto acima), é bem conhecido do público. Não satisfeito em alçar sua teoria predileta à condição de verdade indiscutível, Dawkins ainda prega o ateísmo militante. Mais ingrato que Nero, ele convenientemente se esquece de que seu sucesso acadêmico e profissional se deve a uma das maiores contribuições da religião que ele hoje achincalha – a ciência moderna. Coerente com essa deficiência, o etólogo de Oxford costuma usar a técnica mais comum dos chicaneiros de porta de cadeia: a negativa de autoria. A inexistência de Deus, argumento central de um de seus maiores sucessos, Deus, um Delírio, pode ser facilmente desmontada por qualquer estudante medíocre de filosofia. Salta aos olhos a penúria de suas principais premissas (coincidentemente elas se encontram na página 171 da edição brasileira). As falácias de Deus, um Delírio são tão evidentes, tão explícitas que não chegam a caracterizar um logro. Dawkins não recorre à insuficiência intelectual de seus leitores. Não precisa. Ele se vale de coisa pior: a artimanha da cumplicidade. Intencionalmente, o escritor cativa a simpatia do leitor à moda dos fascistas: adula-o, aliena-o ao transmutar seus defeitos em qualidades, solidariza-se até criarem um vínculo de permissividade e autocondescendência. Estratégia do Diabo: a delinquência intelectual e a pilantragem moral se retroalimentam mutuamente.
Em contraste diametral com o bestialógico do professor queniano, o Cristianismo prega a compaixão, a pureza, a caridade e a temperança. Sem concessões. Sem trapaças. Sem subterfúgios. Através de uma primologia e uma escatalogia bem definidas, situa a humanidade em geral e o indivíduo em particular em um contexto pleno de significado e propósito. Oferece sentido para o passado, serenidade para o presente e anelo no futuro. Então vem Dawkins-todo-cheio-de-graça e afixa em ônibus a sua pièce de resistance: “Deus provavelmente não existe. Agora pare de se preocupar e vá aproveitar a vida.” Dissequemos esta proposição: “Deus provavelmente não existe.”
Dawkins convida o leitor a brincar de assustar os outros praticando roleta-russa apostando que o pente da arma PROVAVELMENTE esteja vazio. Um ônibus é pequeno para a tradução da frase: “Eu creio com toda convicção que Deus não existe, porém, não tenho como prová-lo. Se Ele não existir, maravilha. Se existir, lembre-se: eu nunca lhe dei certeza do contrário. Logo, a proposta é minha – mas o risco é seu.” É como um narcotraficante aliciando um adolescente: “Meu ‘bagulho’ PROVAVELMENTE não irá viciá-lo. A polícia PROVAVELMENTE não irá prendê-lo. Seus pais PROVAVELMENTE não irão interná-lo.” Além de covarde, o propósito da assertiva é escandalosamente amoral.
“Agora pare de se preocupar.” Nesse caso, o advérbio “agora” tem a mesma função da conjunção conclusiva “portanto”. Apliquemos os termos corretos: “Em decorrência da provável não existência de Deus, você deve parar de se preocupar.” Essa frase, que será complementada pela próxima, tomografa as vísceras do nosso conselheiro ateu. Ao tentar ser matreiro, Dawkins acaba sendo apenas tosco. Para justificar o ateísmo, vale-se de clichês fossilizados, como os desvios lamentáveis do Cristianismo. Propositadamente, ele releva o principal ativo moral da cristandade: uma lista incomparável de princípio e virtudes – os quais moldaram o Ocidente em seu melhor. Tais virtudes, conforme anunciado por Cristo, dividem automaticamente as pessoas entre as que se “preocupam” e as que não se “preocupam” com a questão de Deus:
“Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele. Quem crê nEle não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que seja manifesto que as suas obras são feitas em Deus” (João 3:17-21).
Eis a chave para decifrar o comercial moleque de Dawkins: quem “faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz”. Para esses, Deus é uma fonte não apenas de preocupação mas também de angústias e culpas. Ou seja, essas pessoas têm plena consciência da injustificabilidade moral de seus atos e desejos. Entendem que seus intentos são maus e que terão que arcar com suas consequências. São esses a quem Dawkins se dirige: “A cosmovisão que vos ofereço não comporta Deus; logo, não existem bem, mal, trevas ou luz. Aleluia, irmãos ateus? Aleluia!” Assim, a execração da religião cristã como proposta por esse senhor destina-se tão-somente a cauterizar a consciência moral dos que ainda a têm. Essa é a boa-nova do evangelho ateu afixada nos ônibus; esse é o wishfull thinking dos malfeitores em potencial.
“Vá aproveitar a vida.” Chegamos ao ponto em que o nosso ateu adula o leitor apelando para as suas pulsões. Ora, o motivo de preocupação da pessoa visada por Dawkins é a impossibilidade de conciliar sua forma de “aproveitar a vida” com a existência de Deus. Não havendo Este, libera-se aquela (sempre lembrando que isso não passa de uma aposta temerária). Observe-se também que no oba-oba dawkinsiano não há limites explícitos ou implícitos para o tal “aproveitar a vida”. O Ministério da Saúde de Richard Dawkins não recomenda sequer o nosso conhecido “Aprecie com moderação”. “Aproveitar”, no caso, significa, dentro das limitações temporais e materiais, desfrutar de tudo o que nos possa proporcionar prazer. Vejamos o cardápio:
Intemperança, preguiça, drogas lícitas ou ilícitas? – aproveite. Promiscuidade, pedofilia, bestialismo ou sadomasoquismo? – aproveite. Irresponsabilidade familiar, social, ambiental ou política? – aproveite. Eu disse “dentro das limitações”? Perdoem minha crença ingênua na bondade humana. Coisa de crente. Se o prazer se presume irrestrito, irrestritas podem ser as formas de se alcançá-lo. O sequestro e morte do menino da ficção de Cayatte resultam do método destinado a obter os recursos que permitam aos dois culpados “aproveitar a vida”. A vingança coletiva pelo linchamento tenebroso dos culpados (e do inocente junto) também.
O Inferno de Dostoievski (“Se Deus não existe tudo é permitido”) passa a ser o Paraíso do enfant terrible, e essa utopia lhe é tão cara que ele não admite sequer o sucedâneo pós-ateísta proposto por John Le Carré (“Se Deus não existe tudo é permitido. Inclusive agir como se Deus existisse”). Eis o fruto proibido da sedução cínica de Richard Dawkins. Não admira que muitos evolucionistas – teístas, sobretudo – demonstrem justa preocupação com o seu convite aberto para uma orgia relativista.
“Deus provavelmente não existe.” Mas e se Ele de fato existir? E se fossem desnudadas as impossibilidades epistêmicas da TGE, hoje a maior aliada do ateísmo? E se fosse justificada a crença em um Projetista – o zeloso Deus cristão? Nesse caso, como ficaria o saldo espiritual dos que, seguindo o conselho do popstar da Nomenklatura Científica, “pararam de se preocupar” e resolveram “aproveitar a vida”? A conta da fatura revelaria a EXTENSÃO FINAL DO PREJUÍZO. Restaria ao clero de Darwin (os dois terços culpados e terço inocente) tentar se proteger dentro de um camburão apertado, cercado por uma turba de logrados portando tochas.
(Marco Dourado, Curitiba, PR)
O SIGNIFICADO DO SINAL DA CRUZ
“O SIGNIFICADO MÍSTICO DO “PELO SINAL DA SANTA CRUZ”
ESTA SERIA A POSIÇÃO CORRETA, COM QUE OS ANTIGOS CRISTÃOS USAVAM SE PERSIGNAR
PERSIGNAR-SE: o ato de fazer o sinal da CRUZ ou de benzer-se...
“Pelo Sinal da Cruz”
(†) Pelo sinal da Santa Cruz: ao traçarmos a primeira cruz em nossa testa, nós estamos pedindo a Deus que proteja a nossa mente dos maus pensamentos, das ideologias malsãs e das heresias, que tanto nos tentam nos dias de hoje e mantendo a nossa inteligência alerta contra todos os embustes e ciladas do demônio.
(†) Livrai-nos Deus, Nosso Senhor: com esta segunda cruz sobre os lábios, estamos pedindo para que de nossa boca só saiam palavras de louvor: louvor a Deus, louvor aos Seus Santos e aos Seus Anjos; de agradecimento a Deus, pois tudo o que somos e temos são frutos da Sua misericórdia e do Seu amor e não dos nossos méritos; que as nossas palavras jamais sejam ditas para ofender o nosso irmão.
(†) Dos nossos inimigos: a terceira cruz tem como objetivo proteger o nosso coração contra os maus sentimentos: contra o ódio, a vaidade, a inveja, a luxúria e outros vícios; fazer dele uma fonte inesgotável de amor a Deus, a nós mesmos e ao nosso próximo; um coração doce, como o de Maria e manso e humilde como o de Jesus.
Que é benzer-se?
“Benzer-se é fazer uma cruz, com a mão direita aberta, da testa ao peito e do ombro esquerdo ao direito, dizendo: Em nome do Pai, e do Filho, + e do Espírito Santo. Amém” (2º Catecismo da Doutrina Cristã).
Hoje, infelizmente, milhares de católicos não fazem mais o sinal da cruz; os mesmos “esparramam” os dedos pelo rosto, peito e ombros, parece que estão mais se lavando do que benzendo-se. É preciso fazer o sinal da cruz com o máximo de piedade e respeito: “Tomai cuidado, portanto, para não fazerdes sinais de cruz ridículos. Nunca traçá-los apressadamente; antes que executá-los mal, é melhor omiti-los” (Bem-aventurado José Allamano, A Vida Espiritual, Capítulo 27).
Por que o sinal da cruz é o sinal do cristão?
“O sinal da cruz é o sinal do cristão: 1º porque serve para distinguir os cristãos dos infiéis, e 2º porque indica os principais mistérios da nossa fé” (2º Catecismo da Doutrina Cristã).
É coisa útil fazer frequentemente o sinal da cruz?
“Sim; fazer frequentemente o sinal da cruz é coisa utilíssima, porque este sinal tem a virtude de avivar a fé, repelir as tentações e alcançar-nos de Deus muitas graças” (2º Catecismo da Doutrina Cristã).
“O sinal da cruz é o sinal do cristão, uma prece de louvor à santíssima Trindade, uma profissão de fé. Através do sinal da cruz alcançam-se muitas graças. Certa vez, como faltasse água potável e os passageiros do navio morressem de sede, São Francisco Xavier adoçou água do mar com o sinal da cruz. O frequente deste sinal é recomendado pelo catecismo e por muitos santos” (Bem-aventurado José Allamano, A Vida Espiritual, Capítulo 33).
Quando devemos fazer o sinal da cruz?
“Devemos fazer o sinal da cruz pela manhã, ao despertar; à noite, ao deitar; antes e depois das refeições; no princípio e no fim de qualquer trabalho; antes de começar a oração; nas tentações e nos perigos” (2º Catecismo da Doutrina Cristã).
“O cristão começa seu dia, suas orações e suas ações com o sinal-da-cruz, ‘em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém’. O batizado dedica a jornada à glória de Deus e invoca a graça do salvador, que lhe possibilita agir no Espírito como filho do Pai. O sinal-da-cruz nos fortifica nas tentações e nas dificuldades” (Catecismo da Igreja católica, 2157), e: “A cada ação, sempre que saímos ou voltamos para casa, lavando-nos, vestindo-nos, ao acendermos as luzes, durante a conversação, sempre fazemos o sinal da cruz” (Tertuliano, De Coron. milit., c. III), e também: “A cada ação, a cada passo, que a mão sempre trace a cruz” (São Jerônimo, Epist. 18 ad Eustoch.).
Publicado em Cruz, Santíssima Trindade
HÁ 92 ANOS NASCIA ANÍSIO SILVA
Anísio Silva (Rio do Antônio, 29 de julho de 1920 – Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 1989) foi um cantor e compositor brasileiro de estilo romântico bolero.
Anísio Silva nasceu numa fazenda, hoje pertencente ao município baiano de Rio do Antônio, na época território da cidade de Caculé, então em fase de emancipação da cidade de Caetité. Antes de iniciar carreira artística foi balconista de farmácia.
Em 1952, Anísio Silva deu inicio a sua carreira no Rio de Janeiro, já no estilo romântico.
Em 1957, assinou contrato com a gravadora Odeon, na qual viveria a melhor fase de sua carreira. Nesse ano seu primeiro grande sucesso "Sonhando Contigo", título também de seu primeiro LP.
O segundo, veio dois anos mais tarde intitulado "Anísio Silva Canta Para Você" da qual se destacou a guarânia "Quero beijar-te as mãos", de Arsênio de Carvalho e Lourival Faissal.
Em 1959, Anísio Silva gravou o bolero "Devolva-me", de João Correia. Todavia, o nome do compositor foi ocultado no selo da Odeon e na Edição, "comportamento comum" na época.
Mas o grande estouro de sua carreira veio em 1960, com o lançamento do disco "Alguém Me Disse" quando vendeu mais de dois milhões de cópias deste disco, tornando-se o primeiro cantor do Brasil a ganhar o disco de ouro.
A faixa-título, um bolero de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, tornou-se o maior sucesso da carreira de Anísio. A música foi regravada pela cantora Gal Costa em 1988. Voltou a gravar ao longo de sua carreira inúmeras músicas da dupla Jair Amorim-Evaldo Gouveia.
Em 1962, gravou mais um disco "O Romântico" com mais êxitos como: "Abraça-me", de Almeida Rego e Antônio Correia; "Ave-Maria dos namorados", de Evaldo Gouveia e Jair Amorim.
Gravou seus dois LPs pela Odeon no ano seguinte: "Só Penso Em Ti" e "Canção do Amor Que Virá". O último disco do período veio em 1964, intitulado "Estou Chorando Por Ti". Ficou afastado da vida artística por um período de três anos.
"Retorno" (1967) e "Lembrança de Você" (1968) foram seus últimos trabalhos pela Odeon. Afastando-se novamente em 1968, para dirigir uma casa noturna de sua propriedade no Rio de Janeiro.
Voltou esporadicamente à carreira artística. Vendeu mais de dez milhões de discos. Morreu no Rio de Janeiro de infarto em seu apartamento no bairro do Flamengo, em 18 de fevereiro de 1989.
Teve dois filhos: Jocely e Vini Silva.
CURIOSIDADES
*Primeiro cantor no Brasil a ganhar o Disco de Ouro por ter vendido mais de dois milhões de cópias do LP "Alguém me Disse" em 1960.
*Primeiro cantor no Brasil a ganhar o Disco de Ouro por ter vendido mais de dois milhões de cópias do LP "Alguém me Disse" em 1960.
*Amigo do Presidente Juscelino Kubitschek, Anísio Silva cantou na inauguração de Brasília em 1960.
*Apelidado de o rei do Bolero.
*Ficou sete anos como número um no Brasil segundo o Nopen.
*Campeão de vendagens de discos na época no Brasil, Argentina, Paraguai, Portugal.
*Recordista em Direitos Autorais segundo a revista do rádio da época.
*Artista que mais vendia na gravadora Odeon.
*Gravou mais de 50 discos entre LPs, Compactos.
*Em 1994 sua gravação de "Alguém me disse" foi incluída pelo crítico Ricardo Cravo Albin na coleção "As 100 músicas do século XX".
*Ainda hoje seus discos são relançados em CD pela EMI Music.
*Mesmo tendo falecido em 1989 suas músicas são ainda muito executadas no Brasil e no Exterior.
Discografia
Muitas coletâneas já foram lançadas pela gravadora EMI (que detêm o acervo da Odeon) dedicadas a Anísio Silva, mas a discografia original somente "Alguém Me Disse" é possível ser encontrado em CD.
Muitas coletâneas já foram lançadas pela gravadora EMI (que detêm o acervo da Odeon) dedicadas a Anísio Silva, mas a discografia original somente "Alguém Me Disse" é possível ser encontrado em CD.
FONTE: Wikipédia
sábado, 28 de julho de 2012
COM REVERÊNCIA E COMOÇÃO, CORINTHIANS INAUGURA BUSTO DE SÓCRATES
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| A viúva do jogador, Kátia Bagnarelli, e presidente do Corinthians, Mário Gobbi, se emocionaram no evento Foto: Léo Pinheiro/Terra |
Confeccionada pela escultora Nadja Venezian (americana radicada no Brasil há 30 anos) a partir de fotografias e vídeos, a obra tem uma marca característica de Sócrates: o punho direito cerrado e para o alto, como ele fazia nas comemorações de gol - pelo Corinthians, foram 172 em 298 jogos disputados.
Sócrates é considerado um dos maiores ícones da história do clube. Além dos seus feitos dentro de campo, ele liderou um movimento chamado de Democracia Corintiana, que buscava aumentar os direitos dos atletas dentro do clube. O jogador defendeu a camisa alvinegra entre 1978 e 1983, quando conquistou os Campeonatos Paulistas de 79, 82 e 83.
"Foi o maior que vi jogar na minha vida, o mais inteligente de todos os jogadores. Chegou um momento em que eu já não ia mais ver os jogos do Corinthians, mas sim a obra de arte do Sócrates. Com inteligência e os recursos que tinha, ele supria a carência de preparação física, pois não teve base por cursar Medicina", disse Mário Gobbi.
"O Sócrates amava o futebol, pensava em pontos importantes do futebol e do Brasil. Foi um cidadão que lutou por democracia. Ele está muito além de um jogador de futebol. Hoje estamos dando reconhecimento ao grande mito que ele foi. Tudo que se falar sobre ele será pequeno perto do que ele foi", completou o presidente.
A justa homenagem no Parque São Jorge foi marcada pela comoção e reverência dos torcedores presentes, que exibiam com orgulho a bandeira do time e a foto ou camisa do eterno craque corintiano. O presidente Mário Gobbi e a viúva de Sócrates, Kátia Bagnarelli, participaram do evento, que contou com uma missa e a benção de um padre no busto do jogador.
Sócrates morreu no dia 4 de dezembro de 2011, data em que o Corinthians consagrou-se pentacampeão Brasileiro. O sentimento do jogador pelo clube foi descrito em uma placa que acompanha o busto, na qual, com suas palavras, o ídolo define que os corintianos formam "uma gigantesca rede de genomas humanos com o mesmo DNA".
Para Sócrates, "jogar no Corinthians é como ser convocado para a guerra irracional e jamais duvidar de que ela é a mais importante de todas as que existiram. É ser sempre chamado a pensar como Marx, lutar como Napoleão, rezar como Dalai-Lama, doar a vida a uma causa como Mandela e chorar como criança...".
Vida no esporte
Nascido em Belém no dia 19 de fevereiro de 1954, Sócrates ganhou esse nome porque ser pai era apaixonado por literatura e estava lendo a obra "A República de Platão". Homônimo ao filósofo grego, o jogador parece ter sido predestinado a aliar a inteligência com o vigor físico.
Revelado nas categorias de base do Botafogo-SP, iniciou a carreira no futebol com 16 anos e, no ano seguinte, ingressou na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo. Depois de se destacar pelo time do interior, foi contratado pelo Corinthians em 1978, onde jogou a maior parte de sua carreira e se consagrou como ídolo do clube.
Sócrates ainda atuou na Fiorentina, Flamengo e Santos, onde encerrou a carreira. O jogador ainda se arriscou na função de treinador, onde também começou no Botafogo-SP em 1990. Ele ainda teve mais duas experiências na LDU, do equador, e na Cabo-friense, do Rio de Janeiro.
Com informações da Gazeta Esportiva
Fonte: Terra
MENSALÃO FOI O MAIOR CASO DE CORRUPÇÃO DO PAÍS, DIZ GURGEL
Felipe Seligman-Folha-de Brasília
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| Procurador-geral da República, Roberto Gurgel no STF Foto:Alan Marques 11.abr.12/Folhapress |
Em sua última manifestação formal antes do início do julgamento do mensalão, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou aos ministros do Supremo Tribunal Federal um documento no qual afirma que o caso foi "o mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil".
A expressão faz parte de um vasto memorial que foi entregue na última semana aos 11 integrantes do Supremo e obtido pela Folha. O julgamento começa na quinta.
Ao enviar o material, Gurgel visa facilitar o trabalho dos ministros, caso advogados contestem provas citadas pela acusação, ou afirmem que não existem indícios sobre um ou outro ponto.
O que Gurgel fez foi pinçar das mais de 50 mil páginas do processo o que chamou de "principais provas" contra os acusados. Esses documentos (como perícias, depoimentos e interrogatórios) foram separados pelo nome de cada réu, em dois volumes.
Nos últimos dias, advogados de defesa também entregaram os seus memoriais.
No texto em que Gurgel chama o mensalão de o mais "escandaloso esquema", o procurador retoma uma frase que usou nas alegações finais, enviadas ao Supremo no ano passado, quando havia dito que a atuação do STF deveria servir de exemplo contra atos de corrupção.
Agora, diz que "a atuação do Supremo Tribunal Federal servirá de exemplo, verdadeiro paradigma histórico, para todo o Poder Judiciário brasileiro e, principalmente, para toda a sociedade, a fim de que os atos de corrupção, mazela desgraçada e insistentemente epidêmica no Brasil, sejam tratados com rigor necessário".
Em outro ponto, ele afirma que o mensalão representou "um sistema de enorme movimentação financeira à margem da legalidade, com o objetivo espúrio de comprar os votos de parlamentares tidos como especialmente relevantes pelos líderes criminosos."
Em sua manifestação final, Gurgel tentou relembrar alguns detalhes fundamentais, como o papel do núcleo financeiro do esquema.
"Impressiona constatar que as ações dos dirigentes do Banco Rural perpassaram todas as etapas do esquema ilícito, desde sua origem (financiamento), passando pela sua operacionalização (distribuição) e, ao final, garantindo a sua impunidade pela omissão na comunicação das operações suspeitas aos órgãos de controle", afirma.
Ao resumir o que a ação contém, o procurador concluiu: "Colheu-se um substancioso conjunto de provas que não deixa dúvidas à procedência de acusação".
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