terça-feira, 10 de janeiro de 2012

CRACOLÂNDIA: JOGO DE EMPURRA

Por Luiz Antonio Domingues

Recentemente, a Polícia Militar do Estado de São Paulo promoveu uma mega-operação para acabar em definitivo com a mácula que envergonha a cidade de São Paulo, chamada pejorativamente de "Cracolândia", onde milhares de usuários do famigerado "crack" vivem como verdadeiros zumbis, no quadrilátero próximo à Estação da Luz, no centro velho da capital paulista. Assisti os noticiários da TV com grande interesse e comemorei o fato daqueles pobres viciados enfim serem lembrados pelo poder público e como carona dessa operação, todas as pessoas de bem que vivem ou trabalham naquela região, terem enfim uma ação urbana que lhes proporcione segurança, limpeza pública e, sobretudo a possibilidade de ter sua cidadania respeitada, com a presença do Estado atenta e eficaz nas respostas às demandas urbanas. Todavia, a síndrome de vira-lata a que Nelson Rodrigues sempre se referia, voltou a nos assolar, a seguir...

Demonstrando uma completa desarticulação e falta de planejamento, o prefeito e o governador deram declarações desencontradas sobre a operação, batendo cabeças, publicamente. Ambos alegaram que não sabiam da operação e que fora uma iniciativa exclusiva da PM. Ora, como pode a PM articular uma operação desse porte sem a autorização do governador? E como podem ambos, agir sem o apoio do poder público municipal? Isso por si só, já fazia cair por terra abaixo toda a admiração pela iniciativa, mas coisa pior estava por vir.

Com estrutura de saúde pífia para atender esses milhares de viciados, a ação mais se assemelhou às praticas nazifascistas de "higienização", portanto, ato execrável sob o ponto de vista humanitário. Outro ponto: Expulsaram esses pobres coitados das ruas daquele quadrilátero e o óbvio aconteceu: Eles começaram a invadir bairros vizinhos. O inferno da Luz, agora apenas mudou de endereço e aterroriza as ruas de Santa Cecília, Campos Elíseos e Barra Funda.

O que irão fazer agora os nossos governantes desencontrados, esses mesmos que se arvoram de serem "grandes administradores públicos”? Reproduzo aqui a opinião de um policial militar sobre o assunto, que li no jornal "Folha de São Paulo", no dia 8 de janeiro de 2012: "Você prefere tratar um câncer localizado ou com ele espalhado por todo o corpo? É isso o que estamos fazendo... espalhando o câncer!"

2 comentários:

Juma Durski disse...

Muito bom o texto do Luiz.
Parabéns à ele e ao Blog do Pedro da Veiga

Anônimo disse...

Excelente texto, Luiz! Beijinho, Cida Cunha