quarta-feira, 23 de novembro de 2011

SABIÁ LARANJEIRA AVE SÍMBOLO DO BRASIL

Ave-simbolo, sabiá-laranjeira alegra
com seu canto matas e quintais de
todo o Brasil

País campeão em espécies de aves – mais de 1.800 – desde 1968, o Brasil comemora, no dia 5 de outubro, o Dia da Ave. Mas, só em 2003, o País ganhou uma ave nacional, o sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), que foi a espécie escolhida pela popularidade que exerce na cultura e no folclore brasileiro.

De acordo com o renomado ornitólogo Dalgas Frisch, autor da proposta inicial para que o Turdus rufiventris tornasse-se a espécie símbolo do Brasil, o sabiá é verdadeiramente um companheiro dos brasileiros que vivem no campo ou na cidade. Segundo ele, o sabiá tem qualidades impares. Não existem dois sabiás que cantem da mesma maneira. Alem disso é o som mais audível ao ouvido humano. Na Primavera, é o primeiro canto que se ouve, antes mesmo do clarear do dia, diz o ornitólogo. Apaixonado com o canto da ave, Dalgas costuma afirmar que para ele os sons maravilhosos do sabiá desabrocham nos jovens corações veios poéticos, tão puros e belos como se um cego abrisse seus olhos ao ver a luz e as cores das flores na terra. Dalgas conta que uma lenda indígena assegura que quando uma criança ouve, durante a madrugada, no início da Primavera, o canto do sabiá será abençoada com muita paz, amor e felicidade.

Jacques Viellard, professor da Unicamp e membro da Academia Brasileira de Ciências, diz que a escolha do sabiá como ave nacional foi a melhor porque seu canto maravilhoso ilustra a alma brasileira: alegre ou cheia de saudade.

A bióloga Mônica Koch, ex-Cemave e atual coordenadora de projeto da Renctas, acredita que a escolha do sabiá-laranjeira como Ave Nacional do Brasil é a melhor porque o sabiá é uma ave que está por toda parte, nas matas, nos parques, nos quintais, terreiros e até dentro das cidades, onde exista um mínimo de arborização. Assim, a espécie tem uma ampla distribuição geográfica e, por isso mesmo, é fácil buscar o engajamento das pessoas, especialmente das crianças, na luta pela preservação ambiental. Todo mundo já viu e conhece o canto do Sabiá. Se entrarmos numa sala de aula e perguntarmos para a criançada: quem conhece uma música ou uma poesia com o nome de sabiá? Não há quem não levante a mão.

Proteger o sabiá e todas as espécies da avifauna brasileira

O sabiá pode dar mil argumentos para uma bela aula de educação ambiental. Pela forte presença na literatura e no cancioneiro popular brasileiro, o sabiá é uma ave que está sempre na cabeça das pessoas de Norte a Sul do Brasil. Por isso, independentemente de raça ou de poder aquisitivo de quem defende seu status de ave símbolo, o sabiá bem que pode ser utilizado como bandeira para a sensibilização das pessoas, conscientizando cada uma do seu papel para maior e melhor conservação do meio ambiente.

- E por que o sabiá, um símbolo, pode representar bem as aves neste doce ensinar a nós seres racionais, como melhor conservar e proteger o meio ambiente? Simples, explica Dalgas Frisch: Porque as aves são úteis no dia-a-dia, podem controlar pragas no campo, disseminam sementes e plantas, têm cantos fascinantes, embelezam e alegram a vida dos deuses e dos homens. Mais: admirar e estudar as aves para preservá-las e protegê-las significa dar maior valor à natureza. É compreender como um elemento tão frágil pode ser um elo tão forte e tão essencial na complexa rede da vida. Dalgas pede que todos os brasileiros que amam seus filhos e netos, que plantem em seus jardins pelo menos uma pequena muda de amoreira, pitangueira ou jabuticabeira, pois certamente um casal de sabiás e de outras aves como o bem-te-vi, joão-de-barro, rolinhas, todas irão visitar seus lares trazendo amor e harmonia à família.

As aves símbolos no mundo

Na mitologia grega, as aves tiveram importância extraordinária e os povos antigos tinham aves que eram literalmente adoradas. As aves típicas de cada região do mundo se identificam com as populações, com seus costumes e suas crenças. Elas acabam fazendo parte da cultura e das crenças de muitos países. Cada nação, entre seus símbolos nacionais - como o Hino e a Bandeira - têm também uma ave típica para representá-la. Uma espécie de ave, que pela beleza e pela característica da região, se entranha no espírito de sua gente. Assim, por exemplo, a andorinha (Hurunda rustica) é a ave nacional da Áustria, pois essa andorinha é a expressão da liberdade de seus poetas e músicos. A cotovia (Alauda arvensis) que canta lidamente em pleno mergulho é a ave nacional da Dinamarca. O Uruguai tem no cardeal-do-banhado (Amblyramphus holosericeus) sua ave nacional, pois é uma ave que possui a cabeça vermelha como um soldado em alerta na guarda de suas terras. A ave nacional da Argentina é o joão-de-barro, conhecido lá como hornero (Furnarius rufus), pois sabe se proteger do vento minuano e de inverno rigoroso construindo seu ninho de barro. A ave nacional da Alemanha é a cegonha (Ciconia ciconia) e da Grã-Bretanha é o robyn (Erithacus rubecula) que inspirou com seu canto Shakespeare em Romeu e Julieta. Assim, cada país tem, desde há muito, sua ave nacional, fato que o Brasil só conseguiu em 2002.

Abaixo, o Decreto que instituiu o sabiá como ave símbolo do Brasil:

DECRETO DE 3 DE OUTUBRO DE 2002

Dispõe sobre o "Dia da Ave" e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso II, da Constituição,

DECRETA:
Art. 1º O "Dia da Ave", instituído pelo Decreto no 63.234, de 12 de setembro de 1968, será comemorado no dia 5 de outubro de cada ano.

Art. 2º O centro de interesse para as festividades do "Dia da ave" será o Sabiá (Turdus Rufiventris), como símbolo representativo da fauna ornitológica brasileira e considerada popularmente Ave Nacional do Brasil.

Art. 3º As comemorações do "Dia da Ave" terão cunho eminentemente educativo e serão realizadas com a participação das escolas e da comunidade.

Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º Revoga-se o Decreto no 63.234, de 12 de setembro de 1968.

Brasília, 3 de outubro de 2002; 181º da Independência e 114º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

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