quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

USINA HIDRELÉTRICA SANTO ANTONIO

Hiram Reis e Silva, Humaitá, AM, 28 de dezembro de 2011.

“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

Dando sequência a nossas pesquisas referentes a esta 4ª Fase do Projeto Desafiando o Rio-mar, no dia 19 de dezembro, fomos apresentados ao Jornalista José Carlos de Sá Júnior - Coordenador de Relações Institucionais da Santo Antônio Energia. O primeiro contato, na parte da manhã, na sede da empresa em Porto Velho, não poderia ser mais agradável do que foi, a lucidez, simpatia e inteligência de Sá Junior cativaram a todos que lá estavam. Sá é, sem dúvida, “The Right Man in The Right Place” (O Homem Certo, no Lugar Certo), à tarde tivemos o privilégio de acompanhá-lo em uma visita às instalações da Hidrelétrica.

Aqueles que condenam a construção de Usinas Hidrelétricas na Amazônia Legal se esquecem que é nesta região que se encontra 70% do potencial hidrelétrico ainda não explorado e que as hidrelétricas são a forma mais adequada de se obter energia necessária para garantir o desenvolvimento sustentável do país. Graças a essa nova demanda de energia limpa e barata os Estados de Rondônia e Acre viverão, a partir do ano que vem, um novo ciclo econômico sem as limitações impostas pela falta de oferta de energia.

- Construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio (19.12.2011)

Fonte: Santo Antônio Energia e José Carlos de Sá Júnior

O Projeto de construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio começou a ser desenvolvido em 2001, com a realização de estudos geológicos e de engenharia pelo consórcio Furnas-Odebrecht, para identificar o lugar mais apropriado para sua instalação, bem como a tecnologia de geração de energia mais indicada para o Rio Madeira e de menor impacto para as comunidades ribeirinhas e a biodiversidade amazônica. Santo Antônio será uma hidrelétrica com baixo impacto ambiental, considerando a relação entre a capacidade instalada e as dimensões do reservatório, passando a ser um marco na história de produção de energia por meios hídricos no país. A área do reservatório, de 271 km2, incluiu a calha natural do rio que é de 164 km2, e devemos considerar, ainda, que dos 107 km2 restantes, grande parte se constituía em regiões de várzea inundadas no período das cheias.

Neste ano ainda deve entrar em operação a primeira das oito turbinas do primeiro grupo de casas de força.

(José Carlos de Sá Júnior)

A construção teve início no trecho do rio que vai da margem direita à Ilha do Presídio no Rio Madeira, em Porto Velho - RO, em setembro de 2008, que foi isolado com a construção de ensecadeiras (aterros temporários para manter seco o leito do Rio a ser trabalhado). Nesta área teve início o trabalho de escavação em rocha que hoje abriga o primeiro dos quatro grupos de casas de força da Usina. Neste segmento da UHE, a primeira unidade geradora com oito de suas 44 turbinas do tipo bulbo, antecipando o cronograma em cinco meses, vai começar a operar em dezembro de 2011.

Curiosamente ao se construir uma das ensecadeiras verificou-se que sob as ciclópicas rochas, que se apresentavam aos olhos admirados daqueles que tiveram a oportunidade de conhecer a cachoeira no passado, se escondiam cotas negativas de seis metros abaixo do nível do mar só descobertas graças ao trabalho desenvolvido pelos engenheiros da Santo Antônio.

Santo Antônio será uma das quatro maiores usinas hidrelétricas do país, com capacidade instalada de 3.150,4 MW (2.218 MW de geração assegurada), energia suficiente pra abastecer cerca de 40 milhões de pessoas. Infelizmente, os “Talibãs Verdes” teimam em criticar esta diferença de valores mostrando sua ignorância em relação ao regime de águas da bacia amazônica e ao projeto de uma hidrelétrica que prima pela produção de energia limpa com a diminuição do uso das poluidoras termelétricas. As turbinas usadas em Santo Antonio trabalham com o processo denominado “fio de água” que aproveitam a alta vazão do Rio Madeira evitando a construção de grandes quedas d’água e consequentemente minorando os impactos ambientais decorrentes. É muito fácil criticar empreendimentos tão necessários ao desenvolvimento e melhoria das condições de vida dos amazônidas e demais brasileiros saboreando uma bebida gelada em ambiente climatizado como fazem os idiotizados “inocentes úteis” cooptados por ONGs que defendem inconfessos interesses estrangeiros.

- Turbinas Bulbo

Fonte: Santo Antônio Energia e José Carlos de Sá Júnior

Grande parte das Hidrelétricas do Brasil usa turbinas que ficam na vertical. Em Santo Antônio serão utilizadas turbinas bulbo que são instaladas na horizontal. As turbinas bulbo trabalham com a força da correnteza, ou seja, com o fluxo d’água, e não com a altura de sua queda. Justamente por isso não há necessidade de barragens muito altas nem de grandes reservatórios. Isso quer dizer menor área alagada, menor impacto ambiental e uma maior quantidade de energia gerada. O Índice de 0,09, que representa a relação entre a área do reservatório e a potência produzida de Santo Antônio é um dos menores do país.

- Sistema de Transposição de Peixes

Fonte: Santo Antônio Energia e José Carlos de Sá Júnior

O fantástico comentou recentemente, em tom de crítica, que o sistema de transposição de peixes adotado em Santo Antônio vai selecionar o tipo de peixe que vai subir o rio. O sistema foi criado atendendo orientações do IBAMA justamente para que não seja alterado o ecossistema a montante da usina.

(José Carlos de Sá Júnior)

Anualmente, os peixes nadam contra a corrente procurando locais mais adequados e seguros para reprodução. Esta construção, localizada na margem esquerda do rio e na ilha do Presídio, garantirá que os peixes não tenham seu ciclo de vida alterado. A velocidade das águas e a inclinação do sistema foram cuidadosamente planejados de maneira a impedir que as espécies que antes da construção não tinham acesso as águas a montante da cachoeira, não consigam fazê-lo agora. A piracema se dá durante todo o ano e hoje algumas espécies já estão subindo naturalmente o rio através desse sistema.

- Interceptor de troncos

Fonte: Santo Antônio Energia e José Carlos de Sá Júnior

A idéia inicial era deslocar toda a madeira para uma curva do rio de onde seria retirada. Em virtude da quantidade do material coletado não seria possível estocá-lo e se pensou em dar-lhe um aproveitamento industrial. (José Carlos de Sá Júnior)

Na UHE Santo Antônio será colocado um sistema de bóias em forma de funil que conduzirão os troncos para três vertedouros de 20m de largura que serão abertos de tempo em tempo para sua passagem. A empresa chegou a arquitetar um projeto que aproveitasse o material coletado impedindo que o mesmo continuasse a prejudicar a navegação no rio Madeira, a jusante da usina. O IBAMA, mais preocupado com microorganismos do que com a vida dos ribeirinhos ceifada constantemente por estes obstáculos flutuantes embargou o projeto. Somente aqueles que já navegaram pelo Madeira conhecessem o perigo que representam estas enormes armadilhas flutuantes. Recentemente a ponte da BR 319, em construção próxima a Porto Velho, teve seu pilar levado pela torrente em virtude do acúmulo de troncos, se ela já estivesse em operação inúmeras vidas teriam se extinguido, mas para o IBAMA isto não é importante. Será que o IBAMA é capaz de explicar sua absurda lógica aos familiares daqueles que perderam seus entes queridos, vítimas dos maravilhosos troncos cuja superfície é pródiga em microorganismos que precisam a qualquer custo serem preservados?

- Curiosidades

Fonte: Santo Antônio Energia e José Carlos de Sá Júnior

§ Será a sexta maior do Brasil em potência instalada (atrás de Itaipu, Tucuruí, Ilha Solteira, Jirau e Xingó), e a terceira em energia assegurada;

§ Sua geração será suficiente para suprir a necessidade de 44 milhões de brasileiros, o que equivale a quatro vezes a população da cidade de São Paulo;

§ As 44 turbinas bulbo da usina hidrelétrica são consideradas as maiores do mundo com essa tecnologia;

§ A quantidade de ferro usado na construção da usina (138 mil toneladas) daria para construir 18 torres Eiffel;

§ A construção de Santo Antônio irá consumir cimento suficiente para erguer 37 estádios do Maracanã.

- Livro

O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre.

Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:

http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false.

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Vice- Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil - RS (AHIMTB - RS); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

Blog: http://www.desafiandooriomar.blogspot.com

Um comentário:

Anônimo disse...

ORGULHO DE RONDONIA