quinta-feira, 29 de maio de 2008

A Origem dos Nomes dos Meses


A Origem dos Nomes dos Meses
( José Augusto Carvalho )

No calendário de Rômulo, o primeiro rei de Roma e seu fundador, o ano começava em março e tinha dez meses, cujos nomes primitivos eram Martius (em homenagem ao deus da guerra, Marte), Aprilis (nome relacionado a Apros ou Afros, designativo de Afrodite, nome grego da deusa Vênus, a quem abril era dedicado, ou ao sânscrito áparah, que significa “posterior” , da mesma raiz do gótico afar ou aftra, que significa “depois” ; Aprilis era o nome de um dos espíritos que seguiam o carro de Marte), Majus (em homenagem à deusa Maia, uma das Atlântidas, amada de Júpiter e mãe de Mercúrio), Junius (em homenagem à deusa Juno, equivalente à deusa Hera dos gregos), Quintilis, Sextilis, September, October, November e December. A relação de aprilis com aperire (abrir) surgiu posteriormente, na vigência do calendário de Numa Pompílio, por ser abril o mês da primavera, em que “todas as coisas se abrem”.

Numa Pompílio (circa 715-circa 672 a.C.), sucessor de Rômulo, querendo igualar a contagem do tempo romano à dos gregos e fenícios, reformou o calendário de Rômulo, instituindo os meses de Januarius (em homenagem ao deus Janus, protetor dos lares) e Februarius, do latim februus, adjetivo de primeira classe que significa “o que purifica, purificador”. Februus
ornou-se o nome de um deus infernal. No mês de fevereiro, realizavam-se cerimônias de purificação, como sacrifícios expiatórios e os ritos de purificação chamados “lupercálias”. O t nome “Luperca” designa a loba, que amamentou os gêmeos Rômulo e Remo na gruta chamada Lupercal. Na realidade “lupus”, lobo, em latim, primitivamente, não tinha feminino. A loba-animal era “lupus femina”. “Lupa” designava a cortesã, daí o nome “lupanar” para designar o prostíbulo. A “lupa” que amamentou os gêmeos era, na verdade, uma cortesã chamada Aca Laurentia ou Laurentina. Os sacerdotes romanos é que “purificaram” a origem de Roma atribuindo à loba-animal a amamentação dos gêmeos que fundaram a cidade. As lupercálias eram festas em homenagem a , realizadas no dia 15 de fevereiro, em que jovens saíam nus da gruta Lupercália flagelando os transeuntes com um cinto de pele de cabra chamado também lupercal, considerado capaz de eliminar a esterilidade e provocar partos felizes. Lupercus se teria originado da justaposição de lupus (lobo) com hircus (bode), mas, como era outro nome de Pã, deus dos pastores e dos rebanhos, presume-se que lupercus signifique também “o que afasta o lobo”.

Os meses Quintilis e Sextilis foram rebatizados com os nomes de julho e agosto, em homenagem aos dois primeiros dos doze césares: Julius (Júlio César) e Augustus. Para que julho e agosto tivessem o mesmo número de dias, subtraíram-se dois dias do mês de fevereiro. Repare-se que as festas de junho são juninas (de Juno), mas as festas de julho são julianas (de Júlio), e não “julhinas” ou “julinas”, nomes que não existem.

Nas modificações efetuadas por Numa Pompílio no calendário de Rômulo, o ano civil tinha um erro de dez dias em relação ao ano solar, por isso ele tentou corrigir o erro acrescentando um período de dez dias entre 23 e 24 de fevereiro. Mas essa solução trouxe tantos problemas que, em 44 a.C., Júlio César resolveu modificar novamente o calendário, dando ao ano a duração de 12 meses ou 365 dias, de acordo com o calendário egípcio. Foi um astrônomo de Alexandria, chamado Sosígenes, que descobriu que o ano civil tinha seis horas menos que o ano solar. Assim, Roma instituiu que a cada quatro anos seria acrescentado um dia em fevereiro. O dia 24 de fevereiro era chamado “sexto das calendas” (calendas era o nome do primeiro dia de cada mês). O dia adicional era acrescentado após o dia 24 de fevereiro, com a mesma numeração, e não, como hoje fazemos, ao final do mês. Havia portanto dois sextos (=bissexto) das calendas. Essa é a origem do nome “ano bissexto”.


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