quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

UMA VIAGEM AZUL NO PARAÍSO VERDE

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 27 de novembro de 2012.

A história do Amazonas é a mais oficial, a mais deformada, encravada n mais retrógrada e superficial tradição oficializante da historiografia brasileira. Pouco estudada, verdadeiramente abandonada, com uma bibliografia parca e documentação rara e saqueada por inescrupulosos que se julgam proprietários do passado. Um história escrita com a letra minúscula do preconceito e da distorção mentirosa. (SOUZA)
-  Arrogância Intelectual
Por ocasião de minha descida pelo Rio Madeira, fiquei profundamente aborrecido com o discurso de posse de um companheiro da Força Terrestre na cidade de Manicoré. Com a arrogância típica dos europeus de outrora o desavisado militar considerava-se um ateniense cercado por uma horda ignara.
Viajantes de outrora oriundos da Europa e Norte América, fossem naturalistas, pesquisadores, negociantes ou simplesmente turistas olhavam com desdém nossos amazônidas. Consideravam-se no topo da pirâmide da intelectualidade, achavam-se superiores aos nossos indígenas e caboclos e os olhavam com total desdém. Volta e meia ouço pronunciamentos de autoridades, intelectuais e estudantes que em breves visitas à região assumem a mesma postura crítica de antanho. Por isso, acho cada vez mais importante nosso trabalho de divulgar as coisas e as gentes da Amazônia. 
Estes “intelectualóides” de araque não são capazes de absorver a sabedoria de um pescador entregue ao seu labor diário. Descrevi, encantado, no meu livro “Desafiando o Rio-mar - Descendo o Rio Solimões” uma dessas passagens:
Seu Joaquim, leve e silenciosamente, afundava o remo na água e manobrava a canoa por entre vegetações aquáticas do cano do Mamirauá. Viu, ou sentiu, o leve movimento das águas e, sem pressa, pressentiu a direção seguida pelo cardume de aruanãs, ergueu o braço empunhando a haste e, num impulso rápido e preciso, lançou o arpão a alguns palmos à frente da leve ondulação na superfície (siriringa). Seu Joaquim sabia que a “siriringa” era provocada pelo cardume que nadava próximo a superfície. A haste fincou o bico de ferro em forma de flecha no Corpo da aruanã, mantendo preso o formoso peixe às farpas do bico de ferro do arpão que se soltou da haste. O animal foi recolhido com a mesma destreza com que fora arpoado. (...) 
Novamente atento aos mais leves movimentos na água, ele se aproximou de um grande aglomerado de capim-memeca com a intenção de pescar um tambaqui. Usando um “enganador”, um tosco caniço com um peso amarrado na ponta da linha, batia na água simulando a queda da “arati”, frutinha que é o objeto de desejo do saboroso peixe. Na outra mão usava, num igualmente tosco caniço, a frágil “arati” como isca. Se usasse a delicada “arati” para atrair o peixe, ela se desprenderia do anzol. Não demorou muito para que um grande tambaqui fosse puxado para a canoa pelo seu Joaquim. 
As poesias sempre me arrebataram desde a mais tenra idade. Lia encantado Augusto dos Anjos, Carlos Drummond de Andrade, Castro Alves, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Gonçalves Dias, Manoel Bandeira, Mario Quintana, Vinícius de Morais e tantos outros artesãos das palavras conhecidos pela maioria dos brasileiros. Nas minhas pesquisas e andanças pela misteriosa e encantadora Amazônia fui garimpando, com humildade, o fruto da inspiração dos poetas da selva e maravilhado descobri um Thiago de Mello a quem tive o privilégio e a honra de conhecer pessoalmente.
Palmilhei, extasiado, estrofes encantadas de poetas amazônidas como Aldisio Gomes Filgueiras, Almino Álvares Affonso, Antônio Mavignier de Castro, Arnaldo Garcez Teixeira, Barreto Sobrinho, Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, Ernesto da Silva Penafort, Hemetério Cabrinha, Joaquim de Alencar e Silva, Jonas Fontenelle da Silva, Jorge de Lima, José Joaquim da Luz, Luiz Augusto de Lima Ruas, Sérgio Luiz Pereira, cujas produções fiz questão de reproduzir em meus livros. Sempre busquei romances que tenham como pano de fundo a história, aprecio uma boa leitura, mas gosto de aprender ao mesmo tempo. Descobri, em Óbidos, “Os Dias Recurvos” de Ildefonso Guimarães onde ele relata, no seu romance histórico, magistralmente a Revolta que culminou com a Batalha de Itacoatiara.
Deixo estas pequenas divagações para chamar a atenção daqueles “intelectualóides” que vindo de outras plagas para esta bendita terra das águas achando-se mais capazes que a boa gente daqui. Meu escritor preferido foi e sempre será Euclides da Cunha. Não só pela sua invulgar sagacidade e magia no trato com as letras, mas também, pelo exemplo de vida e dedicação à pátria. Subindo o Purus para realizar uma missão, essencialmente técnica, de demarcação de fronteiras, o grande Euclides, sem perder o foco de seu principal objetivo, consegue, graças à sua visão holística invulgar, fazer comentários de cunho antropológico, aspectos do relevo, solo, fauna, flora, clima da região e sobre o caráter divagante do Rio Purus, baseado na concepção do “ciclo vital”. Durante a viagem teve, ainda, o cuidado de recolher amostras de fósseis e rochas, posteriormente encaminhadas ao Museu do Pará (atualmente Emílio Goeldi). Depois de chefiar a “Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus”, seu inquebrantável apego pela justiça determinou que voltasse os olhos para a questão da demarcação das fronteiras entre a Bolívia e o Peru. Assumindo, apaixonadamente, partido da Bolívia, tornando-se o “Cavaleiro andante da Bolívia contra o Peru”, conforme ele mesmo se definia.
Muitos talvez não compreendam que, numa época de cerrado utilitarismo, alguém se demasie em tanto esforço numa advocacia romântica e cavalheiresca, sem visar um lucro, ou interesse indiretos. Tanto pior para os que não o compreendam. Falham à primeira condição prática, positiva e utilitária da vida, que é aformoseá-la... (CUNHA) 
Nas minhas eternas perambulações intelectuais amazônicas descobri o primor literário de Raymundo Moraes que nos reporta ao grande Euclides da Cunha de quem era grande admirador e discípulo sem, contudo, deixar-se influenciar ou perder seu modo próprio de dizer as coisas, de interpretar as matizes telúricas carregadas de amazônico nativismo. Seus líricos relatos, carregados de emoção, são flagrantes que vivenciou e paisagens que impregnaram sua alma durante quase trinta anos. São crônicas de quem apreendeu com as águas e as gentes, com os seres da floresta, os ventos e as chuvas. O fascínio e a magia de navegar pelas artérias vivas da hiléia fizeram-no seguir a carreira do pai chegando a Comandante dos “gaiolas”. As infindas jornadas despertaram seu amor pela leitura. Autodidata de invulgar inteligência e sensibilidade aliou o conhecimento científico e literário adquirido com as experiências que recolhia e anotava nas suas viagens. Raymundo Moraes é um dos melhores exemplos que existe para se caracterizar a diferença entre a cultura e a sabedoria. A falta de estudo não o impediu, absolutamente, de visualizar as belezas que o cercavam e de ser capaz de reportá-las com a sagacidade de um sábio. Raymundo teve como mestres a natureza, as águas e o Grande Arquiteto. 
Infelizmente, nossos “intelectualóides” de hoje mais parecem experimentos de laboratório que de suas gaiolas, apartados das vivências diárias, são capazes apenas de reproduzir aquilo que já leram, ouviram ou que alguém já constatou. Serão eles, um dia, capazes de entender e respeitar a sabedoria dessa maravilhosa gente da terra das águas independentemente de sua posição geográfica ou grau de escolaridade? 
-  1° SEHMA 2012 
Fizemos alusão no tópico anterior à discriminação que nossos irmãos do Norte sofrem por parte daqueles que se julgam detentores do conhecimento, pois notamos nas palavras de alguns palestrantes um enorme ressentimento em relação a isso.
Fui convidado a participar do I Seminário de História Militar Terrestre da Amazônia Brasileira (1° SEHMA 2012), consegui o patrocínio das passagens com as linhas Aéreas Azul-Trip e parti para Manaus. Minha apresentação baseou-se na “Viagem da Real Escolta”, de José Gonçalves da Fonseca, nos idos de 1749, pelo Rio Madeira. Mostrei a importância do Diário de Viagem de Gonçalves da Fonseca para a cartografia e como era possível, graças à precisão de seu relato, acompanhar-lhe passo a passo, remada a remada pelo Madeira. 
No Seminário tive a oportunidade de conhecer Márcio Souza, autor de Galvez, Imperador do Acre. Nessa obra, Márcio Souza, retrata Galvez como um aventureiro em busca de fortuna. Galvez encontra uma classe dominante e perdulária sustentada pela exploração da borracha. Galvez comanda uma expedição às “tierras non descobiertas”, ou seja, terras ainda não exploradas pelos bolivianos declara a independência e é coroado imperador.
Diferente de Porto Alegre, a mídia atenta, me encontrou. Fui entrevistado pela equipe do Zappeando, da Amazon Sat, capitaneada pela encantadora apresentadora Ananda Chamma para quem relatei os desafios de minha próxima jornada pelo Rio Juruá. 
-  Retorno Conturbado
Na viagem de retorno para Porto Alegre, com escala no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, MG, um passageiro da poltrona 21A, eu viajava na 23A, teve problemas cardíacos e teve de ser atendido pela tripulação e por um médico que viajava como passageiro. Foi impressionante verificar o profissionalismo e a dedicação da tripulação do Vôo 5303. O médico foi chamado e após os primeiros cuidados uma das comissárias sentou-se ao lado do passageiro dispensando-lhe toda a atenção possível. O próprio Comandante Fernando Canto veio avisar-lhe que a equipe de solo já fora informada e o tempo que faltava para o pouso. Chegando a Confins os socorristas subiram a bordo e encaminharam imediatamente o passageiro para o hospital. 
Gostaria de manifestar meu reconhecimento ao tratamento eficiente, profissional, mas, sobretudo ao carinho e à solidariedade que dispensaram a um ser humano em situação de crise. Parabéns Linhas Aéreas e, em especial, à tripulação do Vôo 5303 do dia 25/11/2012, da Base POA:
-      Comandante:  Fernado Canto
-      Co-piloto:       Canto
-      Comissárias: Letícia Fraga
                            Catrina
                            Carla
Fontes:
CUNHA, Euclides da. Peru Versus Bolívia – Brasil – São Paulo – Cultrix, 1975. 
SOUZA, Márcio. A Expressão Amazonense, do Colonialismo ao Neocolonialismo – Brasil – São Paulo – Editora Alfa-Omega, 1946. 
-  Livro do Autor 
O livro “Desafiando o Rio-Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Associação dos Amigos do Casarão da Várzea (AACV) – Colégio Militar de Porto Alegre. 
Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil - RS (AHIMTB - RS); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

VERA CRUZ, A HOLLYWOOD TROPICAL

Por Luiz Antonio Domingues – in Orra Meu!

Imediatamente no período do pós-guerra, e efervescência cultural na cidade de São Paulo foi muito grande.
Grupos teatrais, cineclubes e museus abriam e agitavam a pauliceia, numa profusão muito acentuada onde muitas dessas ações tinham a generosa participação financeira e do empenho de trabalho de pessoas como Francisco Matarazzo Filho (o popular "Ciccilo" Matarazzo); o empresário das comunicações , Assis Chateaubriand e Franco Zampari.
Ciccilo estava empenhado na criação de museus, principalmente, dando maior ênfase às artes plásticas, sua paixão maior. Mas era um entusiasta de outros ramos artísticos também.
Tanto foi assim, que auxiliou o seu amigo de infância, Franco Zampari a fundar o TBC , Teatro Brasileiro de Comédia, onde um polo de dramaturgia se criou na cidade de São Paulo.
Com a proximidade do advento da televisão no Brasil, graças aos esforços de Assis Chateaubriand e com apoio de Ciccilo, Franco Zampari percebeu que era o momento ideal para a realização de um outro sonho seu.
Franco Zampari sonhava com a criação de uma companhia cinematográfica super estruturada, nos moldes dos grandes estúdios norte-americanos e europeus e sentindo esse momento borbulhante na cidade, com tantos indícios bons na área da cultura e comunicações, lançou a Companhia Cinematográfica Vera Cruz.
A base artística para a Vera Cruz, Zampari já tinha, com o excepcional elenco de atores e diretores do TBC. 
Com o apoio de Ciccilo, um importante passo foi dado na questão logística, com a cessão de um enorme terreno que pertencia à família Matarazzo, na cidade de São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. 
Ali funcionava uma granja que foi desativada e onde se construiu então as instalações da Vera Cruz, com os galpões de set de filmagem, salas de edição, oficinas de cenotécnica etc. etc.
Em novembro de 1949, estava sacramentada a ata inaugural da Cia. Cinematográfica Vera Cruz e já em 1950, suas primeiras produções estavam prontas : "Painel" e "Santuário", dois documentários dirigidos por Lima Barreto.
E no mesmo ano, foi lançado o primeiro longa-metragem, "Caiçara", dirigido pelo ator/diretor italiano, Adolfo Celi, que também dirigia peças teatrais no TBC.
Zampari contratou técnicos franceses, italianos e ingleses. Nos primeiros tempos, teve apoio decisivo de Alberto Cavalcanti, diretor de documentários com carreira construída na Inglaterra, onde era muito respeitado.
E todo o equipamento importado, era o que havia de melhor tecnologicamente naquela época.
Logo em "Caiçara", a Vera Cruz mostrou o que seria a sua marca registrada, com filmes tecnicamente sofisticados, buscando superar o padrão de estúdios mais antigos como a Cinédia e Atlântida, onde o rigor técnico não era tão valorizado.
Não economizando na ânsia de ter qualidade no padrão de 1° mundo, Zampari passou a pagar salário fixo e altíssimo ao elenco de atores, seguindo a tendência de estúdios norte-americanos e providenciando também uma estrutura extra-set de filmagens, garantindo o glamour dos artistas no imaginário do público, certamente seguindo o padrão yankee.
Outros êxitos de público e crítica sucederam-se : "Angela", "Terra é Sempre Terra", "Apassionata", "Veneno" ...
E eis que surge "Tico-Tico no Fubá", cinebiografia do compositor Zequinha de Abreu, compositor da famosa música que dá título ao filme. Seguindo a cartilha do cinema norte-americano, o filme é cheio de recursos estilísticos típicos das cinebiografias de artistas da música, como os americanos costumavam realizar.
Um grande sucesso, sem dúvida, com Anselmo Duarte e Tônia Carrero como protagonistas.
A seguir, a Vera Cruz lança duas comédias incríveis, revelando o talento de Amácio Mazzaropi, com "Sai da Frente" e "Nadando em Dinheiro".
Outro grande sucesso, ambientado no Brasil colonial, "Sinhá Moça", é lançado em 1953.
Numa produção frenética, em ritmo de produção industrial (e era isso mesmo), lança no mesmo ano, "A Família Lero-Lero", outra comédia.
"O Cangaceiro", de Lima Barreto, ganha prêmios, prestígio entre os críticos e encanta o público.
"Uma Pulga na Balança" e "Esquina da Ilusão", são mais duas comédias lançadas.
"Luz Apagada" é outro drama e uma curiosa comédia dirigida por Ugo Lombardi (pai da atriz Bruna Lombardi), chamada "É Proibido Beijar", causa um certo alvoroço pelo tema, ainda que fosse uma comédia romântica.
"Na Senda do Crime", um filme policial veio a seguir.
Então, mais uma comédia sensacional de Mazzaropi, chamada "Candinho" (particularmente, a minha predileta dessa fase dele na Vera Cruz).
"Floradas na Serra" foi o único filme da carreira de Cacilda Becker. Inacreditável que uma atriz daquele quilate não tenha sido melhor aproveitada pelo cinema. Um grande filme, ambientado em Campos do Jordão, com a estória girando em torno de pessoas internadas numa clínica de recuperação para tuberculosos.
"São Paulo em Festa", foi o último documentário, dirigido por Lima Barreto.
E os últimos longas, "Ravina", um thriller psicológico e "Macumba na Alta", uma comédia.
Entrando num processo de profunda crise, a Vera Cruz encerrou atividades em 1958.
Qual a razão de um estúdio desse porte, que produzia um material de qualidade artística indiscutível e sucesso de público e crítica, ter terminado dessa forma?
Segundo pessoas ligadas à Vera Cruz, o que a prejudicou tremendamente foi o caótico acordo de distribuição, onde era refém desse elo da corrente que não tinha autonomia, ganhava apenas 40% da renda das bilheterias.
Zampari havia pensado em todos os detalhes, menos nesse que era crucial para a continuidade financeira do estúdio, infelizmente.
Outro fator muito duro para a Vera Cruz, eram as regras comerciais da época, pois o governo brasileiro pagava a diferença cambial da defasagem entre o dólar oficial e o paralelo, para os estúdios internacionais, fazendo com que os distribuidores/exibidores se desonerassem desse resíduo, portanto preferindo sempre exibir filmes estrangeiros, americanos sobretudo, em detrimento da produção nacional.
Sendo assim, não houve meio de continuar, lamentavelmente para o cinema brasileiro.
Ficou o legado de grandes obras, com a parte técnica de muita qualidade, grandes atores, técnicos, diretores e boas estórias.
* Luiz Antonio Domingues (músico das bandas PEDRA,Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada, Kim Kelh e os Kurandeiros).

CREDICOAMO - 23 ANOS



Cooperados, diretoria e funcionários da Credicoamo comemoraram no dia  (16/11) os 23 anos de sucesso da cooperativa de crédito dos cooperados da Coamo. Com atuação forte e bem estruturada a Credicoamo vem cumprindo importante papel como agente de desenvolvimento do setor agropecuário.  "São mais de duas décadas de um trabalho sério, determinado, planejado e motivado para o desenvolvimento e o atendimento às necessidades dos nossos cooperados", comemora José Aroldo Gallassini, diretor-presidente da cooperativa que está presente em 35 municípios nos estados do Paraná e Santa Catarina, presta serviços para 10 mil cooperados com o profissionalismo de 170 funcionários.
A Credicoamo Crédito Rural Cooperativa foi fundada em 17 de novembro de 1989 por um grupo de vinte e nove produtores rurais em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná,  com o objetivo de proporcionar apoio creditício aos cooperados, na condução das suas atividades. "A Credicoamo é uma cooperativa que está na vanguarda no seu segmento, sendo referência e sinônimo de qualidade e segurança na prática de um cooperativismo alicerçado nos princípios da solidariedade, união, confiança, cooperação e muito trabalho, para o bem comum", afima Gallassini
Segundo Gallassini, um dos grandes motivos para o sucesso da Credicoamo está na efetiva participação dos seus cooperados, profissionalismo da diretoria e funcionários, cujos resultados contabilizam em maior movimentação financeira a cada exercício, e no atendimento com excelência as necessidades do quadro social.
"A Credicoamo é uma cooperativa que está na vanguarda no seu segmento, sendo referência e sinônimo de qualidade e segurança na prática de um cooperativismo alicerçado nos princípios da solidariedade, união, confiança, cooperação e muito trabalho, para o bem comum. Ela é motivo de orgulho para todos – cooperados, diretoria e funcionários-, com a certeza de estarmos promovendo o desenvolvimento sustentável para milhares de pessoas em dezenas de comunidades com linhas exclusivas de produtos e serviços."
Antonio Marcio dos Santos-Assessoria de Imprensa Coamo

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ELIA KAZAN E O MACARTISMO

Por Luiz Antonio Domingues
Era a noite da cerimônia do Oscar de 1999 e como de costume, chegou o momento da entrega do prêmio honorário. Todo ano a Academia homenageia um grande nome do cinema pelo conjunto da obra e neste ano, o agraciado foi o consagrado diretor Elia Kazan.
Grandes nomes do cinema, entre atores, produtores e diretores vinham recebendo esse reconhecimento desde os anos vinte e artisticamente falando, não havia nenhuma surpresa em ter Elia Kazan como homenageado. Todavia, quando esse momento chegou, uma reação radical de vários convidados ilustres sentados na plateia chamou a atenção, tornando impossível que a geração de imagens oficial do evento, pudesse disfarçar o descontentamento de muitos com a presença de Kazan no palco para receber seu Oscar. Ed Harris, Ed Bengley Jr., Nick Nolte, Holly Hunter, Ian McKellen, entre outros, recusaram-se a aplaudir e de semblantes pesados, mostravam claramente estar protestando contra a decisão da Academia. Rod Steiger, Richard Dreyfuss e Sean Penn chegaram a formalizar nota de repúdio formal na Academia antes da cerimônia e no caso de Sean, era também algo pessoal, pois seu pai fora vítima das perseguições do Macartismo.
E afinal de contas, o que Elia Kazan teria feito que tivesse causado tanta contrariedade e o que significou o Macartismo? Retroagindo aos anos quarenta, digo que o ambiente logo após o final da segunda guerra mundial, afunilou-se para a dualidade capitalismo/comunismo, com os Estados Unidos da América assumindo o comando do bloco capitalista e a União Soviética fazendo o mesmo em relação ao comunismo.
Estabelecida a polarização ideológica em que o mundo se colocou, a guerra fria passou a monopolizar todo o jogo estratégico da política, militarismo e das agências de espionagem. E claro, toda uma rede de pessoas oriundas de todas as camadas da sociedade, engajaram-se em esforços colaborativos, atuando em diversas atividades, notadamente a espionagem, com direito às delações.
Instaurou-se uma nefanda instituição nos Estados Unidos, denominada: "Comitê de Investigações de Atividades Anti-Americanas". E seu principal artífice, foi o senador Joseph McCarthy.
Truculento e fanático, comandou uma arbitrariedade atrás da outra, violando os direitos civis, numa lamentável demonstração só conhecida em países de terceiro mundo.
Tamanha a sua contundência nos tribunais inquisidores (algo parecido com as CPI's que parlamentares convocam, aqui no Brasil), logo o seu nome ficou marcado e o termo "Macartismo" ("McCarthyism" em inglês), tornou-se o emblema dessa fase negra da história norte-americana. Pessoas de qualquer estrato social, de todas as profissões, eram convidadas a esclarecer denúncias vazias que davam conta de suas supostas atividades antiamericanas (leia-se pró-União Soviética), numa "caça às bruxas" sem precedentes, desde as bruxas (literais...) de Salém.
Pessoas tiveram suas carreiras destruídas, mediante muitas vezes, falsas denúncias. Professores, cientistas, estudantes universitários e artistas tornaram-se os principais alvos. Muita gente sofreu boicote, tendo que buscar outro rumo na vida, visto ser impossível trabalhar. Houve casos de suicídios, inclusive.
Um dos mais célebres prejudicados por essa perseguição, foi sem dúvida, Charles Chaplin. E com isso, exilou-se na Suíça, sem condições de viver mais nos Estados Unidos.
A lista de perseguidos foi enorme e só com a mobilização da opinião pública, graças às denúncias (foi corajoso, sem dúvida), do jornalista Edward R. Murrow, da CBS, McCarthy foi desmascarado, execrado e caiu no ostracismo. Tarde demais, pois muitas pessoas inocentes tiveram suas vidas destruídas indevidamente por denúncias falsas. E o que Kazan teve com isso?  Nascido em Constantinopla, numa época onde o Império Otomano ainda comandava a região, Elia Kazan era filho de gregos. Emigrando para os Estados Unidos com a família, Kazan cresceu interessando-se por teatro inicialmente e nutriu simpatia pela revolução soviética. Tornou-se um entusiasta da causa proletária, principalmente durante os anos trinta, em meio à grande depressão. Segundo suas próprias palavras, o mote das peças teatrais que dirigia nessa época, era o de "contos de fadas típicos, onde as injustiças sociais eram superadas pela mobilização das massas." No início dos anos quarenta, Kazan chegou à Hollywood e numa guinada de posicionamento, abandona seus ideais de outrora. E no fim dos anos quarenta, passa a fazer delações para o Comitê de McCarthy, entregando pessoas que supostamente agiam de forma "antiamericana". Em seu filme clássico, "On the Waterfront" ("Sindicato de Ladrões"), retrata quase sua autoconfissão, com a estória de um homem dividido entre manter a lealdade ao sindicato ou denunciar as falcatruas deste, à polícia. Infelizmente no caso do tribunal da "caça às bruxas" de McCarthy, a realidade não era bem essa e muita gente inocente foi prejudicada por denúncias falsas ou infundadas.
Eu considero Kazan um grande diretor. Filmes como "On the Waterfront", "Pinky", "A Streetcar Named Desire", "Viva Zapata", "East of Eden", "Splendor in the Grass" e "Wild River", entre outros, são obras significativas demais. Portanto, separo o artista do homem comum, que colaborou com uma onda de arbitrariedades. Isso foi execrável, claro e além de Kazan, nomes fortes de Hollywood também participaram dessa onda de delações, como o criador de personagens tão adorados no mundo inteiro e cheios de candura, um certo Walt Disney... Portanto, foi compreensível o protesto político de muita gente, quando Elia Kazan, já idoso, subiu ao palco para receber o seu Oscar, aliás merecido, pela grande obra artística.