sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

SOBERANO SINGULAR

Durante milênios Ele foi aguardado. Falava-se de um soberano poderoso, governador das estrelas. Um Ser, cujo poder abalaria o mundo.

Os homens O idealizaram coberto de riquezas, rodeado de servos.

Imaginaram que Seu nascimento seria noticiado a todos os poderosos da Terra.

Que haveria sons de trombetas e anúncios bombásticos. Então, Ele chegou. Aguardou um dia em que a cidade regurgitava de estrangeiros e todas as mentes estavam voltadas para as questões das suas próprias existências.

Buscou um lugar mais afastado, longe do burburinho das gentes. Um estábulo. Entre o feno foi-Lhe preparado um improvisado berço. E Ele veio à luz, tendo como testemunhas silenciosas um boi e um burro.

Animais que simbolizam o trabalho e a submissão.

Escolheu por pai um carpinteiro, um homem de índole pacífica e rija têmpera. Por mãe, uma jovem mulher, portadora de peregrinas virtudes e invulgar sabedoria.

Como arauto de Sua chegada teve um coro de vozes celestiais segredando a almas simples, no campo, as notícias alvissareiras: chegara o Rei.

E os pastores, deixando suas ovelhas, foram procurar o menino envolto em panos, conforme lhes falara o celeste mensageiro.

Um nascimento na noite/madrugada. Um menino que dividiria a História da Humanidade, que conquistaria o reino mais difícil de ser encontrado: o coração da criatura humana.

Na fragilidade em que Se exilou, de forma temporária, pacientemente

aguardou que o tempo Lhe fosse propício à semeadura para a qual viera.

Quando o tempo se fez, deixou o lar paterno e foi amealhar Seus seguidores.

A nenhum prometeu valores amoedados ou projeção pessoal.

Ao contrário, falou de abnegação, de perseverança e dedicação.

Alertou que nada deviam esperar do mundo porque Ele próprio não era detentor de uma pedra sequer para repousar Sua cabeça.

Alertou do trabalho incansável a que Ele Se devotava, da mesma forma que o Pai que está nos Céus.

Disse das aflições e das perseguições que padeceriam, simplesmente por segui-lO e divulgar a Sua mensagem.

Veio para servir, jamais desejando para Si qualquer honraria ou deferência.

Encontrou o coração dilacerado de uma mãe viúva, conduzindo o corpo do filho ao túmulo e o restituiu ao materno carinho.

Estendeu convite a um jovem rico de ambições, a uma mulher equivocada, a um cobrador de impostos, a uma vendedora de ilusões.

Consolou os aflitos corações das mulheres que por Ele derramavam lágrimas, no caminho do Calvário.

Entregou-Se em sacrifício, sem nenhuma nota dissonante, e dignificou a morte, aceitando-a em preces ao Pai.

Na data em que Seu nascimento é lembrado, entre cânticos de venturas e mimosas trocas de presentes, nossos corações se erguem, em preces, louvando-Lhe a Celeste presença.

E, com sempre inusitada alegria, reunimos a família em torno da mesa, visitamos os amigos, abraçamos os colegas.

Tudo em nome e em homenagem a um menino, Celeste Menino, vindo das estrelas ao nosso ainda pobre e sofrido planeta de provas e expiações.

Rei solar. Rei dos céus. Pastor das almas. Mestre e Senhor. Nosso Senhor Jesus.

Imagens do Google – fotoformatação PVeiga

OLHANDO PARA CIMA

Por João Bosco Leal

De uma amiga recebi um e-mail retratando um falcão, um morcego e um zangão em situações parecidas.

O falcão havia sido colocado em um cercado de tela com o diâmetro de um metro quadrado onde, apesar da parte superior ser totalmente aberta, ele se tornara prisioneiro, simplesmente por estar acostumado a dar uma pequena corrida em terra antes de alçar vôo. Sem o espaço para sua corrida, permanecia prisioneiro de uma cela sem teto, sem ao menos tentar bater suas asas e voar.

O morcego, famoso por suas habilidades e agilidades no ar, acostumado a se lançar em vôo para baixo, quando colocado em um piso totalmente nivelado não consegue sair, andando de forma confusa, procurando alguma pequena elevação de onde possa se lançar ao vôo, sem sequer experimentar jogar-se para cima e bater suas asas.

O zangão colocado em um pote com a tampa aberta lá permanecerá até sua morte, totalmente destruído, por persistir na tentativa de sair pelas laterais próximas ao fundo, onde não há saída, jogando-se contra as paredes do vidro sem buscar a saída pelo alto

Existem pessoas que se comportam como o falcão, o morcego e o zangão, atirando-se contra obstáculos sem buscar outras possíveis saídas para seus problemas.

E mesmo quando nenhuma saída é encontrada, são incapazes de olhar para uma que sempre existiu, existe e existirá, aquela que está acima de tudo e de todos. Olhe para cima certamente a encontrará.

Imagino um pai, de qualquer raça, origem, posição social, financeira, cultura e educação. Ele é incapaz de impor a seu filho uma carga maior do que a que ele poderá suportar. Assim penso do meu, o mesmo de todos.

Depois de muitas outras já realizadas e comemorando a cura de um câncer, adquiri uma motocicleta nova, da marca e modelo sonhada durante anos e com amigos parti para uma nova viajem a um país vizinho.

Tudo estava perfeito, tranquilo, até que na volta, a poucos quilômetros de chegar ao Brasil, um bêbado estacionado com seu veículo às margens da rodovia resolveu fazer o contorno, exatamente no momento em que ia passar por ele.

A pancada nem cheguei a ver, ou se vi não me lembro, mas sei que metade do fígado foi perdido no impacto, fiquei doze dias em coma, passei por treze cirurgias num espaço de duzentos e oitenta dias e permaneci vinte e seis meses entre cama, cadeira der rodas, andador e muletas.

Em nenhum momento após estar lúcido, alguém me viu reclamar de algo, uma dor, nada. Não era necessário e de nada adiantaria, não poderiam me ajudar e eu já sabia que a batalha seria vencida, pois se aquilo me ocorria era porque tinha capacidade de suportar.

Era a resposta que dava a todos os amigos e amigas que me perguntavam sobre dores, como suportava sem nada reclamar ou estava sempre pronto para qualquer nova intervenção cirúrgica que os médicos julgassem necessária.

Esse é o motivo que me faz levar com tranquilidade todas as dificuldades colocadas em meu caminho. Sei que vencerei.

Apesar de haver perdido meu pai biológico ainda com doze anos, meu pai celestial, o de todos, sempre mostrou ter por nós um amor muito maior do que recebido pelos que possuem o seu na terra e se os terrenos querem bem aos filhos, imagine ÊLE.

Aprendi que sou capaz de superar todas as dificuldades, simplesmente olhando para cima. Lá, à distância de uma simples oração, está QUEM sabe que sou capaz.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O (P)ARTIDO (T)ORPE E O FASCISMO QUASE DISFARÇADO


Por *José Serra

Nos anos recentes, o ímpeto petista para cercear a liberdade de expressão e de impressa vem sendo contido por dois fatores: a resistência da opinião pública e a vigilância do Supremo Tribunal Federal.

Poderia haver também alguma barreira congressual, mas essa parece cada vez mais neutralizada pela avassaladora maioria do Executivo.

É um quadro preocupante, visto que o PT só tem recuado de seus propósitos quando enfrenta resistência feroz. Aconteceu no Programa Nacional de Direitos Humanos, na sua versão petista, o PNDH-3.

Aconteceu também na última campanha eleitoral, quando a candidata oficial precisou assumir compromissos explícitos com a liberdade para evitar uma decisiva erosão de votos.

Mas não nos enganemos. Qualquer compromisso do PT com a liberdade e a pluralidade de opinião e manifestação será sempre tático, utilitário, à espera da situação ideal de forças em que se torne finalmente desnecessário.

Para o PT, não basta a liberdade de emitir a própria opinião, é preciso "regular" o direito alheio de oferecer uma ideia eventualmente contrária.

O PT construiu e financia ao longo destes anos no governo toda uma rede para não apenas emitir a própria opinião e veicular a informação que considera adequada, mas para tentar atemorizar, constranger, coagir quem por algum motivo acha que deve pensar diferente.

Basta o sujeito trafegar na contramão das versões oficiais para receber uma enxurrada de ataques, xingamentos e agressões à honra.

Outro dia um prócer do petismo lamentou não haver, segundo ele, veículos governistas. Trata-se de um exagero, mas o ponto é útil para o debate. Ora, se o PT sente falta de uma imprensa governista, que crie uma capaz de estabelecer-se no mercado e concorrer.

Mas a coisa não vai por aí.

O que o PT deseja é transformar em governistas todos os veículos existentes, para anular a fiscalização e a crítica.

O governo Dilma Rousseff deve ter batido neste primeiro ano o recorde mundial de velocidade de ministros caídos sob suspeita de corrupção. E parece ainda haver outros a caminho

As acusações foram veiculadas pela imprensa, na maioria, e a presidente considerou que eram graves o bastante, tanto que deixou os auxiliares envolvidos irem para casa.

Mas, no universo paralelo petista, e mesmo na alma do governo, trata-se apenas de uma conspiração da imprensa.

Pouco a pouco, o PT procura construir no seu campo a ideia de que uma imprensa livre é incompatível com a estabilidade política, com o desenvolvimento do país e a busca da justiça social.

E certamente tentará usar a maioria congressual para atacar os princípios constitucionais que garantem a liberdade de crítica, de manifestação e o exercício do direito de informar e opinar.

Na vizinha Argentina assistimos ao fechamento do cerco governamental em torno da imprensa. A última medida nesse sentido é a estatização do direito de produzir e importar papel para a atividade.

O governo é quem vai decidir a quanto papel o veículo tem direito. É desnecessário estender-se sobre as consequências desse absurdo.

O PT e seus aliados continentais têm tratado do tema de modo bastante claro, em todos os fóruns possíveis. Seria a luta contra o "imperialismo midiático", conceito que atribui toda crítica e contestação a interesses espúrios de potências estrangeiras associadas a "elites" locais.

Um arcabouço mental que busca legitimar as pressões liberticidas.

Um fascismo (mal) disfarçado. No cenário sul-americano, o Brasil vem por enquanto resistindo bastante bem a esses movimentos, na comparação com os vizinhos.

Ajudam aqui a Constituição e a existência de uma sociedade civil forte e diversificada.

Mas nenhuma fortaleza é inexpugnável. Especialmente quando a economia depende em grau excessivo do Estado, e, portanto do governo.

Nenhuma liberdade se conquista sem luta, sabemos disso. Lutamos contra a ditadura, ombreados, inclusive, aos que só estavam conosco porque a ditadura não era deles.

Mas essa liberdade que obtivemos precisa ser defendida a todo momento, num processo dinâmico, pois os ataques a ela também são permanentes. Fascismo quase disfarçado.

*JOSÉ SERRA foi deputado federal, senador, prefeito e governador de São Paulo, pelo PSDB.

Do blog Camuflados

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O PCdoB - DOS REVOLUCIONÁRIOS DO ARAGUAIA CHEGAM AO CÚMULO DE DEFENDER O TIRANO KIM JONG

O PCdoB, dos revolucionários do Araguaia, consegue chegar ao cúmulo de defender o tirano Kim Jong-Il. É nojento! É podre demais!

E são esses VERMES que "lutavam pela democracia" na década de 60, segundo a história reescrita pelos defensores da Comissão da "Verdade".

Preciso de um Engov. É dureza...

Por Orlando Miranda

Vergonha!!!

Vejam amigos, como essa turma de esquerdopatas do Brasil querem fazer crer que são "amantes da democracia". E que seus "heróis" do Araguaia lutavam por "liberdade" e, ao mesmo tempo, enaltecem líderes que dedicam a vida para restringir liberdades.

A "intelligentsia" ficaria chocada se um político falasse bem de Hitler hoje em dia, e com toda razão.

Mas ignora que tem gente, de partido OFICIAL, aliado do governo, que ainda defende o COMUNISMO, primo do nazismo.

O PCdoB, dos revolucionários do Araguaia, consegue chegar ao cúmulo de defender o tirano Kim Jong-Il.

É nojento! É podre demais!
E são esses VERMES que "lutavam pela democracia" na década de 60, segundo a história reescrita pelos defensores da Comissão da "Verdade".
Preciso de um Engov. É dureza!

http://www.pcdob.org.br/noticia.php?id_noticia=171494&id_secao=3

Segue a matéria:

PCdoB se solidariza com o povo coreano pela morte de Kim Jong Il.

Em nota divulgada nesta segunda-feira (19) o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) se solidariza com o povo coreano e com o Partido do Trabalho da Coreia pela morte do líder da República Popular Democrática de Coreia (RPDC), Kim Jong Il.

A nota - assinada pelo presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, e pelo secretário de Relações Internacionais do Partido, Ricardo Abreu Alemão - destaca a dedicação de Kim Jong Il pela independência da RPDC, pela luta antiimperialista e pela construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas - baseados nos interesses e necessidades das massas populares. Leia abaixo a íntegra da nota:

Estimado camarada Kim Jong Un

Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia
Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia.
Durante toda a sua vida de destacado revolucionário, o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta antiimperialista, da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.
O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana, inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung, defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.
Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano. Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricardo Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB.

19 de dezembro de 2011

Do blog do Klauber Cristofen Pires

Imagens do Google - fotoformatação PVeiga

PORTO VELHO-RO

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 20 de dezembro de 2011.

Hino do Município de Porto Velho

(Letra e Música: Claudio Feitosa)

No Eldorado uma estrela brilha

Em meio à natureza, imortal:

Porto Velho, cidade e município,

Orgulho da Amazônia ocidental, (...)

Nascente ao calor das oficinas

Do parque da Madeira-Mamoré

Pela forja dos bravos pioneiros,

Imbuídos de coragem e de fé.

És a cabeça do estado vibrante:

És o instrumento que energia gera

Para a faina dos novos operários,

Os arquitetos de uma nova era.

No Eldorado uma gema brilha

Em meio à natureza imortal:

Porto Velho, cidade município,

Orgulho da Amazônia ocidental.

A Origem do Nome (18.12.2011)

Fonte: www.portovelho.ro.gov.br

Oficializada em 2 de outubro de 1914, Porto Velho foi criado por desbravadores por volta de 1907, durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Em plena Floresta Amazônica, e inserida na maior bacia hidrográfica do globo, onde os rios ainda governam a vida dos homens, é a Capital do Estado de Rondônia. Fica nas barrancas da margem direita do Rio Madeira, o maior afluente da margem meridional do Rio Amazonas.

Desde meados do século XIX, nos primeiros movimentos para construir uma ferrovia que possibilitasse superar o trecho encachoeirado do Rio Madeira (cerca de 380 km) e dar vazão à borracha produzida na Bolívia e na região de Guajará Mirim, a localidade escolhida para construção do porto onde o caucho seria transportado para os navios seguindo então para a Europa e os EUA, foi Santo Antônio do Madeira, Província de Mato Grosso.

As dificuldades de construção e operação de um porto fluvial, em frente aos rochedos da cachoeira de Santo Antônio, fizeram com que construtores e armadores utilizassem o pequeno porto amazônico localizado 7 km abaixo, em local muito mais favorável.

Em 15 de janeiro de 1873, o Imperador Pedro II assinou o Decreto-Lei nº 5.024, autorizando navios mercantes de todas as nações subirem o Rio Madeira. Em decorrência, foram construídas modernas facilidades de atracação em Santo Antônio, que passou a ser denominado Porto Novo.

O Porto Velho dos militares continuou a ser usado por sua maior segurança, apesar das dificuldades operacionais e da distância até Santo Antônio, ponto inicial da EFMM. Percival Farquhar, proprietário da empresa que afinal conseguiu concluir a ferrovia em 1912, desde 1907 usava o velho porto para descarregar materiais para a obra e, quando decidiu que o ponto inicial da ferrovia seria aquele (já na província do Amazonas), tornou-se o verdadeiro fundador da cidade que, quando foi afinal oficializada pela Assembléia do Amazonas, recebeu o nome Porto Velho. Hoje, a capital de Rondônia.

Porto Velho Antigo

Fonte: www.portovelho.ro.gov.br

Após a conclusão da obra da E.F.M.M. em 1912 e a retirada dos operários, a população local era de cerca de 1.000 almas. Então, o maior de todos os bairros era onde moravam os barbadianos - Barbadoes Town - construído em área de concessão da ferrovia. As moradias abrigavam principalmente trabalhadores negros oriundos das Ilhas Britânicas do Caribe, genericamente denominados barbadianos. Ali residiam, pois vieram com suas famílias, e nas residências construídas pela ferrovia para os trabalhadores só podiam morar solteiros.

Era privilégio dos dirigentes morarem com as famílias. Com o tempo passou a abrigar moradores das mais de duas dezenas de nacionalidades de trabalhadores que para cá acorreram. Essas frágeis e quase insalubres aglomerações, associadas às construções da Madeira-Mamoré foram a origem da cidade de Porto Velho, criada em 02 de outubro de 1914. Muitos operários, migrantes e imigrantes moravam em bairros de casas de madeira e palha, construídas fora da área de concessão da ferrovia.

Assim, Porto Velho nasceu das instalações portuárias, ferroviárias e residenciais da Madeira-Mamoré Railway. A área não industrial das obras tinha uma concepção urbana bem estruturada, onde moravam os funcionários mais qualificados da empresa, onde estavam os armazéns de produtos diversos, etc. De modo que, nos primórdios havia como duas cidades: a área de concessão da ferrovia e a área pública. Duas pequenas povoações, com aspectos muito distintos. Eram separadas por uma linha fronteiriça denominada Avenida Divisória, a atual Avenida Presidente Dutra. Na área da railway predominavam os idiomas inglês e espanhol, usados inclusive nas ordens de serviço, avisos e correspondência da Companhia. Apenas nos atos oficiais, e pelos brasileiros era usada a língua portuguesa. Cada uma dessas povoações tinham comércio, segurança e, quase, leis próprias. Com vantagens para os ferroviários, face à realidade econômica das duas comunidades. Até mesmo uma espécie de força de segurança operava na área de concessão da empresa, independente da força policial do estado do Amazonas.

Essa situação gerou conflitos frequentes, entre as autoridades constituídas e os representantes da Railway. Portanto, embora as mortes a lamentar durante sua construção tenham sido muitas, a ferrovia da morte, como chegou a ser denominada a Estrada de Ferro Madeira Mamoré é, na verdade a ferrovia da vida, para Porto Velho e seu povo. A importância da EFMM para a formação da cidade pode ser medida pelo texto da lei de sua criação, aprovada pela Assembléia Legislativa do Amazonas, que diz: Artigo 2° - O Poder Executivo fica autorizado a entrar em acordo com o governo Federal, a Madeira-Mamoré Railway Company e os proprietários de terras para a fundação imediata da povoação, aproveitando na medida do possível, as obras do saneamento feitas ali por aquela companhia, e abrir os créditos necessários à execução da presente lei.

Nos seus primeiros 60 anos, o desenvolvimento da cidade esteve umbilicalmente ligado às operações da ferrovia. Enquanto a borracha apresentou valor comercial significativo, houve crescimento e progresso. Nos períodos de desvalorização da borracha, devido às condições do comércio internacional e a inoperância empresarial e governamental, estagnação e pobreza.

Universidade Federal de Rondônia - UNIR (18.12.2011)

“A ética é o fundamento que orienta as pessoas para que possam ter uma vida digna e justa. A corrupção é um mal que se estabelece nas sociedades através de pequenos vícios, portanto não deve ser encarada como algo natural, mas sim um desvio de conduta adquirido através de maus exemplos. Tem como fruto a miséria, a falta de saúde, falta de educação, falta de moradia digna etc. Rondônia tem sido alvo de pessoas inescrupulosas que utilizam o serviço público em defesa de seus interesses pessoais. O movimento unificado pela ética e contra a corrupção espera que essa lamentável situação seja a base de uma reflexão mais profunda sobre os efeitos maléficos da corrupção visando a banir de nosso meio a longa e dolorosa tradição de apropriação indevida do aparato público”.
(Manifesto do Movimento Unificado pela Ética e Contra a Corrupção)


O Tenente Thiago Teixeira Baptista nos acompanhou até as instalações da Universidade Federal de Rondônia. O número de obras paralisadas em virtude dos últimos acontecimentos é impressionante, mas o que mais chamou atenção de nossa pequena comitiva foi a falta de ação dos encarregados da segurança que permitiam uma grande quantidade de pessoas perambularem, no domingo, pelas instalações sem qualquer tipo de controle, a falta de manutenção das instalações, além do descaso com os gastos com energia elétrica já que a maioria das salas de aula, embora vazias, estavam com as luzes acesas e os aparelhos de ar condicionado ligados. Curiosamente em todas elas estava fixado um aviso para que os mesmos fossem desligados ao sair da sala.

No dia 14 de setembro deste ano, professores e alunos da UNIR se uniram em movimento grevista reivindicando melhores condições de trabalho. O Laudo de Vistoria Técnica, de 21 de outubro de 2011, realizado pela Diretoria de Serviços Técnicos do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia confirmaram as denúncias dos grevistas: o Campus Universitário, inaugurado em 1984, não vinha sofrendo qualquer tipo de manutenção e a deterioração ameaçava a segurança dos profissionais e alunos da UNIR além de prejudicar as atividades de ensino. O Comando de Greve, mais tarde, incorporou-se ao Movimento Unificado pela Ética e Contra a Corrupção reivindicando o afastamento da administração anterior envolvida em inúmeras irregularidades administrativas. Representantes do Movimento levaram pessoalmente um dossiê de 1.500 páginas a Casa Civil da Presidência da República onde foram informados que a administração da UNIR contava com o apoio da base aliada do Governo Federal no Congresso e nada poderia ser feito.

As pressões continuaram e, finalmente, no dia 23 de novembro de 2011, o Reitor da UNIR José Januário de Oliveira Amaral apresentou sua renúncia ao Ministro da Educação. Januário argumentou que não tinha mais condições de permanecer no cargo em virtude da série de denúncias de desvio de recursos envolvendo a Fundação Rio Madeira - RIOMAR, que serve de apoio à UNIR. No dia 24 de outubro, a Secretaria de Educação Superior (SESU) nomeou uma comissão de auditores, integrada por representantes do MEC e da Controladoria-Geral da União (CGU), para auditar as contas da RIOMAR e da UNIR.

Um movimento legítimo bem diferente do que se verificou recentemente na USP onde riquinhos baderneiros, travestidos de estudantes, reivindicavam a liberdade de fumar maconha no Campus Universitário.

Usina Hidrelétrica de Samuel (18.12.2011)

Nas proximidades de Porto Velho, ao Norte a BR 364, observamos um dos extensos diques da Hidrelétrica de Samuel. Dele avistamos o grande reservatório da barragem que nessa oportunidade estava bastante seco.

No local onde existia a cachoeira de Samuel no Rio Jamari, afluente do Rio Madeira, foi construída a barragem da Hidrelétrica de Samuel, com potência instalada de 216 MW. Em virtude do relevo pouco acentuado da bacia do Jamari foram construídos 70 km de diques para conter extravasamento da água represada no seu reservatório de 540 Km2 para os igarapés vizinhos. Em 1982, a construção da usina teve início e em consequência da falta de verbas só foi concluída catorze anos depois.

A construção da Usina Hidrelétrica de Samuel fez surgir no lugar de uma antiga colônia de pescadores a sede do Município de Candeias do Jamari. Os royalties proporcionados pela Usina Hidrelétrica de Samuel favoreceram, além de Candeias do Jamari, mais três municípios: Alto Paraíso, Cujubim e Itapuã do Oeste. Atualmente, 90% dos 52 Municípios do Estado são beneficiados com energia desse sistema isolado da Eletronorte. Rio Branco, a capital do Acre, a partir de novembro de 2002, passou a ser abastecida com a energia de Samuel e, em maio de 2006, esse sistema foi ampliado, permitindo que a geração térmica do Acre fosse substituída pela hidráulica, proporcionando a substituição da geração a derivados de petróleo. Além de Samuel, a ELETROBRAS ELETRONORTE opera a Usina Termelétrica Rio Madeira, que produz 90 MW. Somada à geração dos produtores independentes de energia, a potência instalada em Rondônia é de 403 MW.

Livro

O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre.

Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:

http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Vice- Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil - RS (AHIMTB - RS); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

Blog: http://www.desafiandooriomar.blogspot.com

LUIZ DLUGOSZ... MEU PRIMO!!!

Por João Marcos Durski

Não posso deixar de falar um pouco sobre esse cara.

Moramos dois anos na mesma república, em Bandeirantes, no Paraná, onde fizemos agronomia.

Alguns falaram que eu sou inteligente. Mas confesso que perto do Luigi, sentia-me ínfimo, diminuto...

Além de bom agrônomo, o Luigi era uma das pessoas que mais habilidades tinha com as mãos. Suas pinturas são lindas, temos um quadro maravilhoso, que o Luigi pintou só com pontinhos, à lápis, uma perfeição. E muitas outras coisas que ele sabia fazer.

Sempre sorridente, humilde, não era de fazer alaridos. Quietinho, levando sua vida, nos deixou um grande exemplo de ser humano íntegro.

Acho que a perfeição com que fazia suas coisas, trabalho, artes e outras, foram o motivo pelo qual Deus o chamou tão cedo. Certamente quer sua ajuda nas alturas!

Nessas horas de sentimento de perda, é que avalio o quanto fui privilegiado por ser seu primo. Seus irmãos então, Ana e Fernando, foram mais ainda**

"O prazer dos grandes homens consiste em poder tornar os outros felizes." (Blaise Pascal)

Luiz Dlugosz, parabéns pela sua passagem por aqui...!

Nunca será esquecida.

De seu primo João Marcos Durski

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"DIREITOS DA CRIANÇA" - ESTÃO ROUBANDO OS DIREITOS DOS PAIS E DESTRUINDO A FAMÍLIA

Observe bem, o ovo da serpente

O povo dos EUA já colheu os frutos malditos das leis internacionais da ONU e dos "direitos da criança", que impedem os pais de serem pais.

No início são pedidos para "PROTEGER AS CRIANÇAS DOS PAIS MAUS” (como se não houvesse leis para isso), mas o objetivo é o controle por parte do governo do que se passa dentro do sagrado interior do lar (alguns ainda acham, como eu, que o lar é sagrado, não se espantem).

Na Suécia, filhos são tomados dos pais por razões as mais simples, mas como é um país "desenvolvido' nada é questionado.

Prestem atenção, pois o ovo está sendo implantado aqui há anos e não se vê a maioria silenciosa agir.

O estado não pode tratar os pais como criminosos!


No Brasil, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) só foi possível porque o governo brasileiro assinou e ratificou a Convenção da ONU dos Direitos da Criança. O resultados dessa legislação da ONU que interfere nos direitos dos pais são patentes em toda a sociedade brasileira.

Os pais e mães americanos estão lutando para que o governo americano não tenha um ECA. Eles percebem consequências que nós brasileiros conhecemos muito bem.

Para se engajar mais nessa luta, visite o blog do Julio Severo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

DIA DO PARANÁ

19 de Dezembro de 2011 – Nesta data o Estado do Paraná completa 158 anos desde a sua Emancipação Política

EMANCIPAÇÃO DO PARANÁ

  • Por * Pedro da Veiga (Palestra proferida no Colégio Mal. Rondon)

Estamos aqui hoje reunidos nesta solenidade cívica, presidida pelo Excelentíssimo Senhor Dr. Eraldo Teodoro de Oliveira, Presidente do Egrégio Legislativo Mourãoense, autor da proposição, aprovada pelos demais pares, para a realização desta cerimônia, da qual temos a honra de participar dirigindo-lhes a palavra, para falar sobre a EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO PARANÁ.

PARANÁ – em guarani quer dizer rio caudaloso”. As primeiras movimentações de colonizadores no Estado do PARANÁ tiveram início no século XVI, quando diversas expedições estrangeiras percorreram a região à procura de madeira de lei. No século XVII, portugueses e paulistas começaram a ocupar a região, a partir da descoberta de ouro e à procura de índios para o trabalho escravo. A mineração, no entanto, foi legada a segundo plano pelos colonizadores, que se dirigiram em maior número às terras de Minas Gerais. Até o século XVII, existiam apenas duas vilas na região: Curitiba e Paranaguá. Esse processo retardou a ocupação definitiva da área, que pertenceu à Província de São Paulo até meados do século XIX, com sua economia baseada na pecuária.

O atual PARANÁ faz parte do primeiro pedaço de terra onde a Coroa Portuguesa instalou oficialmente um efetivo e inicial núcleo de colonização no Brasil. Esse pedaço – 45 léguas (270 quilômetros) de costa de Bertioga (SP) até a ilha do Mel (PR) – formava a Capitania Hereditária de São Vicente, doada a Martim Afonso de Souza logo após a fundação, em 1532, da Vila de São Vicente (SP), a primeira da terra descoberta por Cabral.

Um ano antes, em 1531, Martim Afonso explorou a Baía de Paranaguá de forma detalhada – fato que deu início à história e a ocupação do atual PARANÁ.

Em 1578 ficou registrado que as lavras de ouro estavam em pleno funcionamento na região de Paranaguá. A história da mineração e, em conseqüência, do povoamento começou efetivamente em 1646 com Gabriel de Lara.

Em l648, Paranaguá foi elevada à categoria de Vila.

Teve início, então, o processo da ocupação paranaense. Entrando pela planície litorânea, onde se estabeleceram em sesmarias (como a do Porto de Cima, por exemplo), os primeiros povoadores chegaram às encostas da Serra do Mar. Logo depois subiram e chegaram às terras inexploradas do primeiro planalto, rompendo a barreira do Tratado de Tordesilhas, pois tudo o que ficava a Oeste pertencia à Espanha.

Em 1640, surgiu o núcleo de Atuba, onde se reuniram as primeiras famílias que fariam nascer o povoado de Curitiba. Contudo, notícias certas mesmo são as de 1661: na região de Barigüi moravam Baltasar Carrasco dos Reis e Mateus Leme. A vila, com o nome de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, foi constituída a 29 de março de1693. As normas de governo apareceram somente em 1721 com os provimentos do Ouvidor Pardinho.

Em 1660, o governo criava a Capitania de Paranaguá, constituída pelos territórios que outrora compunham a Capitania de Sant’Ana. Essa criação vinha a beneficiar o senhor Marquês de Cascais, herdeiro de Pero Lopes de Souza, donatário da Capitania de Sant’Ana. Paranaguá como Capitania existiu até 11 de setembro de 1711, quando foi vendida pelo Marquês de Cascais, com seu território incorporado a São Vicente e Santo Amaro, formando-se mais tarde a Capitania e Província de São Paulo, passando Paranaguá a integrá-la como sua 2ª Comarca. E o nosso atual território passou a depender de São Paulo.

Já nos Campos Gerais, o estabelecimento de famílias deu-se por volta de 1720, área da sesmaria da Conceição, que o paulista Pedro Taques de Almeida recebera, em 1704, de Portugal, abrangendo os atuais municípios de Castro, Jaguariaiva, Pirai do Sul e parte de Ponta Grossa.

Os campos de Guarapuava, por sua vez, foram conquistados a partir de 1770. A verdadeira conquista de Guarapuava e Palmas aconteceu, no entanto a partir de 1808, com a vinda da família real para o Brasil.

Em 1812, a 2ª Comarca de São Paulo (Paranaguá), passa a ser a 5ª Comarca de São Paulo (Curitiba e Paranaguá), com sede na “cidade berço da civilização paranaense”, passando ali a residir o seu Ouvidor.

A importância cultural de Paranaguá, todavia, não impede que a sede da Comarca seja transferida para serra acima – para Curitiba.

Alegam-se razões econômicas. A prosperidade dos caminhos das tropas. A necessidade de controlar as rendas do registro de gado – que circulava desde o continente de São Pedro do Rio Grande até a Feira de Sorocaba, pelo grande caminho do Viamão, às margens do rio Iguaçu. E assim é a 12 de março de 1812.

A distância entre o foro da Comarca Sulina e a Capital da Província, traça diferenças culturais e dificuldade em conduzir o governo, tanto que a única grande empreiteira de iniciativa do governo paulista em todos esses anos foi, tão somente, a criação do “Liceu Coritibano”, em 1846 (o atual Colégio Estadual do Paraná).

Em 1820, a Comarca de Curitiba compreendia, “além de sua sede, as cidades de Guaratuba, Paranaguá, Antonina, Cananéia e Iguape, no litoral; Lages (SC) Castro e Vila Nova do Príncipe, ou Lapa, no planalto”, segundo registro feito por Saint-Hilare.

A 6 de julho de 1811, ocorreu em Paranaguá a primeira manifestação formal em favor da emancipação da então Comarca de Paranaguá, clamando separação da Capitania de São Paulo. Esse pedido de autonomia, o primeiro da História pela emancipação do PARANÁ foi encaminhado diretamente ao Príncipe Regente Dom João VI (no Brasil desde 1808).

Não há notícia de qualquer resposta.

A família real retorna a Portugal. Exatamente dez anos depois, em 1821, no dia 15 de julho, também em Paranaguá, junto ao Rio Itiberê, ocorreu um episódio que ficou conhecido como a Conjura Separatista. Por ocasião do juramento público da Constituição do Reino Unido (Portugal, Brasil e Algarve) diante do juiz de fora Antonio de Azevedo Melo e Carvalho, um grupo de pessoas aproveitou a oportunidade para pedir a imediata autonomia. O brado foi dado pelo bravo paranaense Floriano Bento Viana, da Companhia do Regimento de Milícias de Paranaguá, como porta-voz do grupo, que bradou diante da tropa: Vamos nos separar de São Paulo”. Resposta do juiz: ”Ainda não é tempo”, e não só repreendeu os arroubos do Capitão de Milícias como o levou preso, humilhando-o perante o povo. Bento Viana fora abandonado à hora da proclamação pelos seus companheiros de sedição, conforme narrativa do escritor Nascimento Júnior.

Os desfechos nada favoráveis aos interesses dos futuros paranaenses não os intimidavam, firmando cada vez mais o ideal emancipacionista. Mesmo tratando-se de um Estado unitário como se estruturava o império brasileiro (já no século XIX), onde a divisão do território não dava autonomia frente ao Poder Moderador, o povo destas bandas clamava por separação.

As Câmaras de Vereadores de Paranaguá, Morretes, Antonina, Vila do Príncipe (Lapa), Coritiba (Curitiba) e Santo Antônio do Iapó (Castro) solicitavam, não raro, já ao Imperador a autonomia política.

A Revolução Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos) no Rio Grande do Sul (1835-1845) e a Revolução Liberal de Sorocaba (1842) alimentaram mais uma vez o desejo da autonomia. Para evitar que os paranaenses aderissem a Sorocaba, estabelecendo assim uma ponte com os “farrapos” do Sul, colocando o próprio Império em perigo, o Presidente da Província de São Paulo, Barão de Monte Alegre, prometeu trabalhar em favor da autonomia da 5ª Comarca.

Parte daí a luta parlamentar. A divisão era inevitável. Os deputados paulistas em um ato de desespero por estarem próximo de perder grande parte do seu território, propõem a divisão do Estado de Minas Gerais, criando a província de Sapucaí, reacendendo a velha disputa entre os dois, que provocou uma mudança política na Câmara e o atraso nas discussões sobre o futuro do PARANÁ. Somente quando se debatia, em 1850, a criação da Província do Amazonas, atendendo interesses baianos e mineiros, Monte Alegre, cumprindo a promessa, pediu ao Conselho de Ministros do Império que a Comarca de Curitiba fosse elevada à categoria de Província.

No entanto, ainda antes do eminente desmembramento, a Assembléia Provincial de São Paulo, a 17 de julho de 1852, mobiliza-se e vota a Lei nº. 437, que mutila a Comarca de Curitiba. Aquela que era, até então, a 5ª Comarca de São Paulo, passa a ser a 10ª, perdendo os terrenos às margens do Rio Ribeira do Iguape, os sertões de Xiririca e Cananéia, os horizontes verdes e azuis – ainda hoje em litígio, de limites não definidos, na Serra da Virgem Maria.

Devemos aos parlamentares Cruz Machado e Carneiro de Leão a defesa eloqüente da nossa causa.

Chegamos a 2 de agosto de 1853, quando o projeto é aprovado pela Assembléia Geral Nacional, sendo sancionado pelo Imperador a 26 do mesmo mês.

Assim, nasceu a Província do PARANÁ, a história oficial começou, com a publicação, em 29 de agosto de 1853, a 152 anos atrás, da lei nº. 704, assinada pelo Imperador Dom Pedro II, que desmembrou a região da Província de São Paulo. E o nome deve-se ao mineiro Honório Hermeto Carneiro Leão. No Senado, ele ofereceu uma emenda ao projeto de lei de emancipação: Em lugar de Curitiba, chame-se Província do PARANÁ”, numa homenagem ao grande rio que corre no Extremo-Oeste do território. Consta que, depois, o Imperador Dom Pedro II também determinou uma mudança: Em vez de Carneiro Leão, quero que se chame Marquês do Paraná”, outorgando assim esse título ao ilustre parlamentar.

O primeiro Presidente da Província do PARANÁ era baiano. Nomeado pelo Imperador Dom Pedro II, o Conselheiro Zacarias de Góes e Vasconcellos assumiu no dia 19 de dezembro de 1853 e ficou só 16 meses no governo, mas deu vitalidade à nova terra. Era, enfim, chegada a ocasião de transformar-se a antiga e atrasada Comarca de Curitiba na esperançosa Província do PARANÁ”, disse em 1854 num relatório de governo.

As instruções que trouxe do Rio, sede da Corte, se constituíram em programa de governo: ensino público, abertura e conservação de estradas, desenvolvimento agrícola, estudos para a criação de núcleos coloniais, e a ordem pública. Zacarias convocou eleições e instalou a Assembléia Provincial. Criou uma companhia policial e a imprensa oficial. Dividiu a Província em três Comarcas: Curitiba, Paranaguá e Castro.

Zacarias era um político dos mais experientes e, antes de vir ao PARANÁ, tinha presidido as Províncias do Piauí e de Sergipe. Depois de ter deixado o governo paranaense, em abril de 1855, ainda foi deputado-geral pelo PARANÁ na legislatura de 1861, além de ministro e chefe de vários gabinetes imperiais.

Naquela época o PARANÁ era bem maior do que é agora. Quando se emancipou de São Paulo, do qual era a 10ª Comarca, o território da nova Província se estendia de São Paulo até o Rio Grande do Sul. Só uma faixa litorânea, de São Francisco do Sul até Laguna ou um pouco mais, não estava incluída no mapa paranaense: era a Província de Santa Catarina.

Os 36 anos de duração da Província (1853-1889) foram marcados por grandes acontecimentos, como a Guerra do Paraguai, a abolição da escravatura, a chegada de imigrantes europeus e a criação de colônias. Na guerra contra o país vizinho, a jovem Província mandou colunas de militares e voluntários (os Voluntários da Pátria) para os combates no Rio Grande do Sul, Mato Grosso e no próprio Paraguai.

A ocupação do território foi preocupação de muitos dos 41 presidentes provinciais. Zacarias de Góes e Vasconcellos mandou construir a Estrada Graciosa. Pádua Fleury (1864-1866) enviou expedições de exploração aos rios Paranapanema, Ivaí e Tibagi. Lamenha Lins (1875-1877) fundou inúmeras colônias.

Nessa época surgiram projetos para fazer ligações do PARANÁ com o Mato Grosso, quer por meio de ferrovia como por caminhos fluviais. No governo de Manuel de Souza Dantas (1879-1880), foi iniciada a construção da ferrovia Curitiba-Paranaguá. O último presidente provincial foi Jesuíno Marcondes.

CURIOSIDADES

Os nomes do PARANÁ

1533 - Capitania de São Vicente e Capitania de Santana

1660 - Capitania de Paranaguá

1723 - Comarca de Paranaguá ou 2ª Capitania de São Paulo

1812 - Comarca de Curitiba e Paranaguá ou 5ª Comarca de São Paulo

1852 - Comarca de Curitiba ou 10ª Comarca da Província de São Paulo

1853 – Paraná.

De Iguape ao Rio Prata - De 1723 até 1738, o território da Comarca de Paranaguá incluía as Vilas de Iguape e Cananéia (SP), a de São Francisco, a Ilha de Santa Catarina, a Vila de Laguna (as três catarinenses) e daí por diante até o Rio da Prata, além do planalto curitibano. Em 1738, foi criada a capitania de Santa Catarina.

Os primeiros senhores do PARANÁ - Antes da chegada do homem branco, o PARANÁ era habitado pelos índios guaranis, tanto no litoral quanto no Oeste, às margens do Rio PARANÁ. Já na Serra dos Dourados, no atual município de Cruzeiro do Oeste, viviam os xetás. E os caingangues ocupavam as terras dos campos de Palmas e Guarapuava, além dos sertões dos rios Tibagi e Ivaí. Por subgrupos, a divisão era a seguinte: carijós e tupiniquins, no litoral; tingui, no planalto de Curitiba e em Palmas; dorins e votorões, em Guarapuava; botocudos, nas regiões de CAMPO MOURÃO, Pitanga e Peabiru; e itambaracás, no Centro-Norte.

Os curitibanos - Não existiam paranaenses até 1853. Todos os naturais e habitantes da 5ª Comarca de São Paulo, com sede em Curitiba, eram chamados de curitibanos. E eram paulistas.

O primeiro jornal - Começou a circular no dia 1º de abril de 1854 o primeiro jornal paranaense: “O Dezenove de Dezembro”, feito pelo tipógrafo Cândido Lopes, que trouxe os equipamentos de impressão de Niterói (RJ), a pedido do governo provincial. O jornal, que no início era semanal, chegou a ser diário e circulou até 1890.

Sede do governo = O primeiro Palácio do Governo situava-se na Rua das Flores (hoje XV de Novembro) esquina com a atual Barão do Rio Branco, em Curitiba.

Primeira inflação - Conta o historiador Ruy C. Wachowicz que nos tempos da emancipação política do Paraná houve uma grande queda na produção de alimentos (feijão, milho, farinha de mandioca) e, em conseqüência, um elevado aumento no custo de vida. “Era a primeira grande inflação da História brasileira. Na época, o fenômeno era chamado de carestia”. Em 1852, por exemplo, os preços dos alimentos chegaram a subir 200%.

Finalizando esta explanação, ainda resta esclarecer que o Poder Legislativo no Paraná nasceu com a criação da Província do PARANÁ, pelo Imperador Dom Pedro II em 1853 e a instalação da Assembléia Provincial em 1854.

Na condição de Comarca, o território não tinha sua própria constituição e regia-se pelas Leis Gerais da Província de São Paulo.

Era evidente para os paranaenses que, somente libertando-se da tutela de São Paulo, o PARANÁ iria trilhar seu próprio caminho, atingindo toda sua magnitude no seu desenvolvimento sócio-cultural e econômico. Trabalhando nesse sentido, no dia 12 de julho de 1854, foi realizada uma primeira Sessão Preparatória à Assembléia Legislativa, numa Casa adquirida por quatro contos de réis, no local onde hoje se situa a Biblioteca Pública do PARANÁ, hoje Rua Cândido Lopes.

Pessoalmente, o próprio Presidente Zacarias encarregou-se de escolher entre “a massa de cidadãos ativos”, aqueles que preenchiam os requisitos constitucionais para serem os primeiros deputados da Assembléia Provincial quando se fizeram presente à Sessão Preparatório doze dos vintes Deputados que as Assembléias Provinciais tinham direito. No dia 15 de julho de 1854, aconteceu a Sessão Solene de instalação da primeira Assembléia Provincial do PARANÁ, fazendo-se presente todos os vinte Deputados, todos paranaenses de nascimento.

Nos 36 anos que antecederam a República e que se constituíram no período provincial, o PARANÁ passou por 50 mudanças de governo, foram 18 biênios legislativos, já que as eleições para a Assembléia realizavam-se de dois em dois anos – 41 Presidentes passaram pelo Executivo paranaense, com alguns exercendo o cargo por mais de uma vez.

Em 1880 houve a abertura de estradas e rodovias, o que acelerou a ocupação. Daí em diante aconteceu o grande fluxo de migrantes mineiros e de outros estados pelo baixo valor das terras e sua grande fertilidade. Com o advento da República, o PARANÁ se torna Estado em 1889.

No século XX a história do PARANÁ foi marcada pela opulência das moradas e do viver dosbarões da erva-mate”, donos de engenhos. A madeira farta atraía os ingleses, que povoaram os vazios das florestas derrubadas. Neste mesmo século chegaram os imigrantes não-europeus, como os japoneses na segunda década. O Paraná viveu o ciclo do ouro, da madeira, da erva-mate e do café, até finalmente diversificar sua economia.

O Estado é conhecido como o maior e mais ativo celeiro do País. Seu parque industrial não pára de crescer e diversificar-se. O aproveitamento do extraordinário potencial energético de uma privilegiada bacia hidrográfica, formada principalmente pelos rios PARANÁ e Iguaçu, é um dos responsáveis por este grande crescimento. Os últimos anos foram marcados por grandes transformações e pela sua consolidação como um dos mais importantes estados brasileiros, ocupando o seu lugar em importância econômica.

Assim, o território que hoje é o Estado do PARANÁ foi conquistado com bravura, idealismo e em grande parte diplomaticamente. Trata-se de uma enorme região que se afirma por sua riqueza e pela presença do trabalho incessante do paranaense e de todos aqueles que optaram em ter o PARANÁ com sua terra.

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Bibliografia:

História do Paraná: Formação Territorial (coleção de fascículos). Curitiba: Jornal

Gazeta do Povo, 2003.

Páginas Escolhidas: história. – Curitiba: Assembléia Legislativa do Paraná, 2003.

Páginas Escolhidas: símbolos, discursos e comemorações. – Curitiba: Imprensa

Oficial, 2004.

História do Paraná: site - www.paranaturismo.com.br/historia.asp

CRONOLOGIA E ANÁLISES DAS MOTIVAÇÕES DA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO PARANÁ

1645 - O ouro faz surgir, em Paranaguá, o povoamento da região. Gabriel de Lara instala o “pelourinho” e, como capitão fundador e povoador da região, fica a frente da Capitania de Paranaguá por 36 anos.

1654 - Ébano Pereira funda Curitiba, que nasceu às margens do rio Atuba. Destacam-se Baltazar Carrasco dos Reis e Mateus Leme, figuras importantes no povoado, sendo este último seu dirigente.

1693 - 29 de março é constituída a Vila de Curitiba – Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.

1700 – 22 de junho foi criada a Ouvidoria Geral para as capitanias do sul, com sede em São Paulo. As capitanias do sul eram formadas pelos atuais estados de SP, PR, SC e RS. Os ouvidores possuíam o poder de lavrar e promulgar leis, estabelecer Câmaras de Vereadores, atuar como comissários de justiça e, principalmente, ouvir as reclamações e reivindicações da população sobre improbidades e desmandos administrativos por parte dos servidores do governo.

1710 – As capitanias de Paranaguá, São Vicente, Santo Amaro, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso passam a constituir a imensa Capitania Geral de São Paulo.
1719 – Rafael Pires Pardinho, engenheiro militar, agrimensor e experiente investigador criminal, foi nomeado Ouvidor Geral dessas capitanias do sul. Este cargo equivalia a de um “supervisor” geral dos assuntos desta região sul. Era uma autoridade imperial que passaria a visitar a região sul, investigar seus problemas e dar soluções que estavam a seu alcance. Quanto ao resto, voltaria ao Rio de Janeiro e as relataria a Portugal para providências posteriores.
1720 – Minas Gerais se desmembra da Capitania de São Paulo. Este é um primeiro passo para a futura emancipação do Paraná.

1721 – O Ouvidor Geral das capitanias do Sul, Rafael Pires Pardinho, visita Curitiba e Paranaguá. Esta foi a primeira correição na vila. Estabeleceu que a vila não pertencia mais ao Marques de Cascaes e também estabeleceu “normas do bem viver”, isto é, criou a primeira legislação específica para a região sul do Brasil. Tinha funções judiciais e em seu retorno demonstrou a necessidade de criar uma Ouvidoria própria para as capitanias do sul.

1723 – É criada a Comarca de Paranaguá. Isto é, Paranaguá passa a ser a “cabeça” da Comarca, equivalente a ser a “capital”.

1724 – 4 de agosto, Paranaguá passa a ter um Ouvidor próprio com jurisdição para todo o sul do Brasil, até o Rio do Prata, na fronteira com a Argentina e Uruguai.
1744 – Goiás se desmembra da Capitania de São Paulo. Mais uma emancipação política que é percebida pelos Paranaenses, que, logo começarão a pressionar o governo.

1748 – Mato Grosso se desmembra da Capitania de São Paulo.

1763 – A sede do governo geral do Brasil é transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. Dado o desmembramento de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, reconstitui-se o que sobrou da capitania de São Paulo, incluindo-se nelas as terras paranaenses.

1808 - D. João V, então Príncipe Regente de Portugal, transfere-se com a corte portuguesa para o Brasil (1808-1821) para fugir das ameaças de Napoleão Bonaparte.

1812 – O Alvará de 19 de fevereiro, emitido pelo Príncipe Regente D. João VI, determina que a vila de Curitiba seja “cabeça” de comarca e residência dos ouvidores das comarcas de Paranaguá e Curitiba. Isto é, este é o ato que transforma Curitiba na capital da comarca. A Ouvidoria de Paranaguá se transfere, então, para Curitiba. A Justiça era distribuída em 1ª. Instância pelos juízes ordinários, juízes de fora e pelos ouvidores. Os ouvidores atuavam também como 2ª. Instância.

1821 – Este é um ano de eventos políticos importantes, dado que as Cortes Portuguesas retornam a Portugal e revelam intenção de transformar o Brasil, novamente, numa colônia. Os liberais radicais se uniram ao Partido Brasileiro para tentar manter a autoridade do Brasil. As Cortes mandaram a decisão ao príncipe regente D. Pedro de Alcântara e uma das exigências era seu retorno imediato a Portugal.

Na Comarca de Curitiba --- como era chamada a região que depois será Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul --- em 15 de julho deste ano, em Paranaguá, ocorreu a CONJURA SEPARATISTA. Foi um ato público pacífico, mas bastante simbólico das pretensões emancipatórias dos paranaenses. A autoridade e o povo de Paranaguá juraram, em praça pública, fidelidade às bases da Constituição do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, bem como às autoridades de São Paulo. Convidaram o comandante Bento Vianna para dar o grito da separação, que acabou não ocorrendo. Preferiu levar a reivindicação de autonomia ao Juiz de Fora que estava em Paranaguá.
Os motivos da insatisfação dos Parnanguaras, eram:

a) ignorância e despotismo dos comandantes militares na comarca;

b) falta de justiça devido à dificuldade que havia em impetrar recursos perante as autoridades de São Paulo;

c) fornecimento, pela comarca de Curitiba, de grande número de praças de guerra às milícias portuguesas, sobretudo para as Entradas, deixando muitas famílias na miséria;

d) falta de moeda na comarca, devido às grandes somas que eram remetidas a SP; e) abandono administrativo da comarca de São Paulo.

A autonomia não foi concedida. Mas estes motivos continuarão como os principais motivos para a emancipação do Paraná.

1824 – É outorgada a primeira Constituição do Império, centralizadora.

1831 – Dom Pedro I abdica do trono. Inicia o Período Regencial que dura até 1840-Esse período regencial tem importância central para os desdobramentos políticos que conduzirão à emancipação do Paraná. É bem provável que se D. Pedro I não tivesse abdicado do trono, e o período regencial não tivesse ocorrido, a emancipação do Paraná ficaria para mais tarde. Mas o mais importante evento político desse período, para a emancipação do Paraná, será a Revolução Farroupilha gaúcha, e o papel estratégico para os interesses de São Paulo que Curitiba passou a ter nesse conflito entre São Paulo e o Rio Grande do Sul.

1832 – Em 29 de novembro, durante o período regencial, extingue-se o regime das Ouvidorias. Promulga-se o Código de Processo Criminal. Curitiba passa a ser a 3ª. Comarca de São Paulo. Criam-se, em todo o Brasil, os Juízes de Paz para cada Distrito (nomeados pelo imperador), um escrivão e inspetores de quarteirão. Criam-se também os tribunais de juri, o juiz municipal, o promotor e oficiais de justiça.

1834 – Também durante o período regencial foi publicado, em 12 de agosto, o Ato Adicional à Constituição de 1824. Este ato é uma espécie de “emenda constitucional”. Ele foi mais liberal e descentralizador do que a Carta de 1824. Por exemplo, ele muda o nome dos Conselhos Gerais de Província para Assembléia Legislativa Provincial e deu a elas considerável autonomia, sem suprimir o Poder Moderador ou a implementar um Estado Federativo. Mas a partir daí as Assembléias das Províncias passaram a ter autorização para elaborar os seus próprios regimentos e, desde que em harmonia com as imposições gerais do Estado, legislar sobre: a divisão civil, judiciária e eclesiástica local; instrução pública, não compreendendo as faculdades de medicina e os cursos jurídicos; casos de desapropriação; fixação de despesas e impostos; criação de cargos e empregos; estradas, penitenciárias e outras obras públicas.

1835 – Inicia a revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, de caráter liberal e autonomista. Um fato importante que motivou a insurreição foi a desigual distribuição de renda, que era feita pelo Governo Imperial, criando uma distorção, já que mesmo com uma produção elevada, o que lhe cabia não era compatível. Os rebeldes afirmavam que parte das dificuldades do Rio Grande do Sul decorria do fato de ele ter de sustentar outras províncias. A motivação básica para o enfraquecimento das relações da província com o centro, e que vai ter gerar a revolta armada, foi o sentido generalizado, por parte da oligarquia gaúcha, da opressão que o império realizava sobre a província. A Revolução terminará só dez anos depois, em 1845. Esta revolução liberal contra a monarquia é decisiva para a compreensão criação da Provincia do Paraná, pois o governo de São Paulo (pelo seu presidente Barão de Monte Alegre) providenciou para que Curitiba não apoiasse a causa farroupilha. Em troca comprometeu-se a apoiar a criação da Província.

1840 – Encerra o Período Regencial.

1842 – Neste ano, em 5 de fevereiro, Curitiba e Paranaguá deixam de ser vilas e são elevadas à categoria de “cidades”. O Presidente da Província de São Paulo, o Barão de Monte Alegre, dirige ao Ministro do Império um ofício propondo o desdobramento da Província. Seu sucessor reiterará o pedido de Barão de Monte Alegre, o que é um forte indicativo dos compromissos firmados entre Curitiba e São Paulo por causa da Revolução Federalista.

1843 – O Deputado paulista, Carneiro de Campos, apresenta à Assembleia Geral Legislativa um projeto de elevação da Comarca de Curitiba à categoria de Provincia. Os motivos do projeto eram basicamente de ordem geopolítica, ligados às necessidades de segurança nacional. O Ministro da Marinha, Rodrigues Torres, declarou-se favorável ao projeto.

1845 – Encerra a Revolução Farroupilha, iniciada em 1835.

1850 – O Senado aprova uma Resolução da Câmara de Deputados que transformava a Comarca do Amazonas em Província. Alguns senadores pedem isonomia para a Comarca de Curitiba. Os defensores mais entusiastas da causa curitibana foram o Senador Antonio Cândido Cruz Machado, da Bahia, e o Senador Honório Hermeto Carneiro Leão, Marquês do Paraná, ex-presidente da província do Rio de Janeiro e de Pernambuco.

1852 – Curitiba passa a ser a 5ª. Comarca de São Paulo.

1853 – O projeto de emancipação do Paraná retorna à discussão e é aprovado no Senado. Vai para a sanção do Imperador D. Pedro II, que o converte na LEI 704, de 29 de agosto de 1853.

LEI Nº 704 sancionada pelo imperador em 29 DE AGOSTO DE 1853 - Emancipação política do ParanáEleva a Comarca de Coritiba na Provincia de São Paulo á cathegoria de Provincia com a denominação de - Provincia do Paraná. Dom Pedro, por Graça de Deos e Unanime Aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil. Fazemos saber a todos os Nossos Subditos que a Assemblea Geral Legislativa Decretou e Nós Queremos a Lei seguinte.

Artigo 1º - A Comarca da Coritiba na Provincia de São Paulo fica elevada á cathegoria de Provincia com a denominação de - Provincia do Paraná - A sua extensão e limites serão os mesmos da referida Comarca.

Artigo 2º - A nova Provincia terá por Capital a Cidade da Coritiba, em quanto a Assemblea respectiva não decretar o contrário.

Artigo 3º - A Provincia do Paraná dará um Senador e um Deputado á Assemblea Geral: sua Assemblea Provincial constará de vinte Membros. Artigo 4º - O Governo fica authorizado para crear na mesma Provincia as Estações Fiscaes indispensáveis para a arrecadação e administração das Rendas geraes, submetendo depois o que houver determinado ao conhecimento da Assemblea Geral para definitiva approvação.

Artigo 5º - Ficão revogadas as disposições em contrário.

Carta de Lei pela qual Vossa Magestade Imperial manda executar o Decreto da Assemblea Geral que houve por bem sanccionar, elevando a Comarca da Coritiba na Provincia de São Paulo á cathegoria de Provincia, como assim se declara.

Para Vossa Magestade Imperial Ver.

Mapa da Provincia de São Paulo (que inclui o atual Paraná), em 1850. Recortado do Brasilien und Guiana. (with) Umgebung von Rio Janeiro. E. Biedermann sculp. (Stich, Druck und Verlag des Bibliographischen Instituts in Hildburghausen, 1860)
Mapa da Província do Paraná em 1866, recortado do New map of Brazil compiled from the latest government & other authentic sources, for William Scully, Editor of the Anglo Brazilian Times, Rio de Janeiro, 1866. Published By William Scully, Rio de Janeiro. Drawn & engraved by George Philip & Son, Liverpool & London
Quadro de John Henry Elliot. Vista de Curitiba em 1855

Fontes:

Secretaria da Cultura. Historia do Poder Judiciario no Paraná, Ind. Gráfica Serena. 1982

Costa, Samuel Guimarães da. História política da Assembléia Legislativa do Paraná. Alep, 1995, Vol I.

Wachowicz, Ruy. História do Paraná. Imprensa Oficial do Paraná, 10ª. Ed. 2002

http://www.pr.gov.br/museupr/historico_parana.shtml

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*-Pedro da Veiga - historiador – autor do livro: ”CAMPO MOURÃO – Centro do Progresso”