sábado, 25 de dezembro de 2010

"O BRASIL PIOROU"

Detesto estragar esse clima de fim de ano, de congraçamento, Natal, Ano-Novo, essas coisas boas e bonitas. Mas aprendi muito cedo que a verdade precisa ser dita, ou não deve ser dita nunca. Fico com a primeira opção.

Nos últimos tempos, uma sensação anestésica de conformismo e satisfação generalizados, e mesmo de euforia, tomou conta de muita gente no Brasil. A propaganda oficial e oficiosa - ou seja: do governo e da imprensa chapa-branca - dedica-se diariamente a nos bombardear com frases ululantes como "o Brasil melhorou", ou "agora o País está no caminho certo" (como se antes estivesse à beira do caos). Tudo para enaltecer a ele, o Guia Genial, o pai da pátria, o Cara, o verdadeiro descobridor e inventor do Brasil. Um clima de ufanismo de dar inveja à ditadura militar na época do "milagre".

Pois bem. Tenho uma péssima notícia para os pachecos e pombas-lesas que se deixaram engabelar, de vontade própria ou não, por essa patacoada dos petralhas: sob os oito anos do mandarinato lulo-petista, o Brasil não melhorou coisa nenhuma. Muito pelo contrário: o balanço é negativo. O Brasil piorou. E muito.

Antes que parem por aqui achando que digo isso apenas porque sou do contra, faço um convite e um desafio: tentem refutar o que vem em seguida. Desafio qualquer um, qualquer intelectualzinho petista da USP ou da UnB, a provar que o que está nos próximos parágrafos é mentira.

Primeiro, estamos falando de política? Pois se estamos, os fatos não são nada abonadores para a turma da estrela vermelha. Nunca antes na história destepaiz houve um governo que desceu tão baixo e tão fundo nos porões e esgotos da corrupção, da ladroeira, da bandidagem. Nos últimos oito anos, tivemos uma média de um escândalo por semana. Coisa de deixar o governo Collor parecendo um convento de freiras. Nem vou desfilar aqui o rosário de roubalheiras envolvendo direta ou indiretamente o supremo chefe da nação, pois tudo isso é sabido de todos, e além disso o texto ficaria interminável. Verdade ou mentira?

(E antes que digam que tudo isso, ou seja, todas as denúncias, mensalões, dossiês etc., não passaram de "tentativa de golpe" e de "conspiração das elites e da mídia" - a última explicação arranjada pelo Apedeuta, que já inventou outras, como "não sei nada", "fui traído" e "todo mundo faz" -, eis aqui mais uma prova de que estamos mesmo indo de mal a pior: nos últimos oito anos, assistiu-se não apenas à deterioração da moralidade na política e ao achincalhe das instituições, mas também, e principalmente, ao aumento desbragado do cinismo, ao embrutecimento intelectual do País. Imaginem se, em vez de Lula, fosse FHC o mentor do mensalão: conseguem vislumbrar a gritaria que seria?.)

Segundo, é de economia que estamos falando? OK, não sou especialista na área, e vou admitir, aqui, que nesse campo houve alguma melhora. A economia voltou a crescer, a inflação está sob controle, os brasileiros estão melhorando de vida etc. Tudo isso é verdade. Mas aqui não dá para negar que Lula e seus cupinchas pegaram o bonde andando. Ou vão me dizer que o controle da inflação e a lei de responsabilidade fiscal, para citar apenas duas medidas que tornaram possível o que temos hoje, foi obra deles, os lulo-petistas? Pelo contrário: lembro bem de onde estava Lula em 1994, quando chamava o Plano Real de "estelionato eleitoral", e, alguns anos mais tarde, quando os petistas se opuseram, com todas as forças, à Lei de Responsabilidade Fiscal. Sem falar nas privatizações, como a das telecomunicações, que eles não engoliram até hoje, mas que, por alguma razão misteriosa, decidiram manter. (Aliás, é engraçado: se FHC deixou para seu sucessor uma "herança maldita" em economia, então por que raios Lula e sua equipe mantiveram a mesmíssima política econômica do antecessor? Deixa pra lá...) Não, se a economia vai bem, isso não é por causa de Lula e de sua turma: é apesar deles. Os mesmos resultados, e muito mais e melhor, poderiam ter sido alcançados sem eles. Quanto ao PAC, não passa de uma farsa, uma miragem feita de vários projetos desengavetados do governo anterior e reunidos numa sigla nova para ganhar eleições.

Além do mais, ainda que os índices econômicos do governo Lula fossem a maravilha que este diz ser, e que muita gente acredita - e notem que eu escrevi ainda que -, quem disse que a economia é um álibi para desmandos éticos e políticos? Quer dizer que se o governo Collor, por exemplo, tivesse sido um êxito econômico, e não o desastre que foi, com megainflação e confisco da poupança, ele estaria a salvo de ter sofrido impeachment? Alguém conhece argumento mais estúpido do que esse?

Mas e os "avanços sociais"? Suponho que quem faça essa pergunta esteja falando de coisas como o Bolsa-Família, carro-chefe do governo na área. Muito bem. Eu poderia dizer que, assim como a estabilização da moeda, o Bolsa-Família foi, na verdade, uma criação do governo anterior, de FHC. Que, assim como fizeram com o PAC, os lulo-petistas reuniram dois ou três programas com nome parecido e "reinauguraram" a coisa, com pompa e cerimônia, dizendo que foram eles os pais da criança. Mas prefiro lembrar os argumentos que o próprio Lula e sua corriola diziam até bem pouco tempo atrás: que programas do tipo não passam do mais crasso assistencialismo, um paliativo inventado pelas "elites" (as mesmas que ele de vez em quando ataca, sem dar nome aos bois) para que o povão votasse "com a barriga, não com o cérebro". Prefiro dizer, como o senador Jarbas Vasconcelos - o único político brasileiro com coragem para afirmar o óbvio (por favor, ergam uma estátua para ele, só por isso ele merece) - que o Bolsa-Cabresto é o maior programa de compra de votos do mundo, uma medida demagógica e eleitoreira que promove o conformismo e o clientelismo, e não a "igualdade social". Uma gigantesca compra de consciências, em troca de um prato de lentilhas. Prefiro lembrar que foi essa mesma prática que ajudou a perpetuar a miséria do povo e garantiu o poder dos coronéis e oligarcas dos grotões, gente como Fernando Collor e José Sarney, que Lula antes dizia abominar e que agora são seus novos amigos de infância. Coisas da política? Nada disso. Coisas da safadeza mesmo.
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Ainda há quem diga, entre cínico e ingênuo: "E daí que ele seja corrupto e demagogo? O importante é que o povo está comendo três vezes ao dia" etc. Pois eu digo que esse é o raciocínio mais cretino e imbecil que alguém poderia usar para justificar o Bolsa-Cabresto. Equivale, na verdade, a uma confissão de culpa, à glorificação da demagogia. É o mesmo argumento usado na economia ("se a economia vai bem, por que se importar com a democracia?"), e um retrocesso de pelo menos cinquenta anos na política brasileira, um retorno do clássico "rouba, mas faz". É mais uma prova do abismo moral em que o Brasil foi atirado pelo lulo-petismo.
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E a política externa? Deixei-a para o final, por dois motivos: primeiro, porque o assunto (infelizmente) não é muito popular no Brasil, não tira nem dá voto. E segundo, porque aqui o governo Lula deu vazão a tudo que tem de pior, eu diria mesmo que mostrou sua verdadeira cara.
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Como tudo o mais, a propaganda chapa-branca mostra a diplomacia da era Lula como um exemplo de sucesso, e o Brasill, como um país finalmente respeitado entre os grandes etc. É mais uma mentira, talvez a maior de todas.
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Seguindo fielmente a linha do Foro de São Paulo (por favor, não me façam explicar de novo o que é, há material abundante na internet, pesquisem se quiserem), e entregando os assuntos internacionais a gente do naipe de um Marco Aurélio Garcia, Lula deu apoio total a tiranetes ridículos como Hugo Chávez na Venezuela, justificou os rompantes demagógicos de Evo Morales, chamou dissidentes de criminosos em Cuba e meteu-se numa intervenção desastrada nos assuntos internos de Honduras (a primeira vez, até onde eu sei, que o Brasil se prestou a esse papel lamentável). O governo brasileiro notabilizou-se por dar guarida a terroristas condenados em seus países de origem, tendo expostas as relações de membros do alto escalão do poder em Brasília com os narcotraficantes colombianos das FARC. Ao mesmo tempo, absteve-se de condenar, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, tiranias genocidas como a do Sudão enquanto condenava, sem pestanejar, Israel e os EUA.
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Mas o pior veio em maio deste ano: demonstrando que a megalomania é mesmo prima-irmã-gêmea-siamesa da ignorância, Lula deixou-se usar pelo louco nuclear e negador do Holocausto Mahmoud Ahmedinejad num acordo fajuto que foi logo torpedeado pela ONU, numa humilhação sem tamanho. Antes disso, o Apedeuta já tinha cometido a infâmia de justificar a fraude eleitoral e as barbaridades da polícia secreta iraniana contra manifestantes pela democracia no Irã, além de ter recebido, com rapapés, o "querido amigo" Ahmadinejad em Brasília. Uma cusparada na cara de quem ainda acredita em coisas como democracia e direitos humanos, e mesmo em princípios como não-intervenção e respeito à soberania e à autodeterminação dos povos (princípios, é bom que se diga, consagrados na Constituição Federal, que Lula e o PT não assinaram). Sob Lula, o Itamaraty entregou-se a uma orgia de antiamericanismo bocó e de caipirice megalomaníaca, que levaram o País a apoiar um antissemita e queimador de livros para a direção da... UNESCO (!). (Aliás, o Brasil colecionou fracassos retumbantes em todas - repito: todas - as candidaturas que lançou para a direção de órgãos internacionais.) Hoje, Lula virou piada em Israel.

Em suma: na área da política externa, assim como na política interna, não houve infâmia, baixeza, canalhice que Lula e sua corja não tenham cometido. E, o mais incrível: em todos os casos, puderam contar com quem os aplaudisse com entusiasmo.

Eu poderia me estender. Tem muito mais. O aparelhamento do Estado pela quadrilha petista e seus apaniguados. O desrespeito e o deboche do presidente da República em relação à Justiça Eleitoral. O apoio oficial (financeiro, inclusive) aos vândalos do MST e a seu projeto revolucionário maoísta. A derrama de dinheiro público para ONGs picaretas e movimentos pretensamente sociais. A propaganda mentirosa e caluniosa contra adversários políticos, a ponto da intimidação física (infelizmente, contra adversários covardes e incapazes de uma oposição decidida). A exploração demagógica das diferenças regionais. As declarações infelizes e cretinas sobre praticamente qualquer assunto. A desmoralização das instituições democráticas. A mistificação da História. A glorificação da ignorância. O caso Celso Daniel. A implantação do racismo oficial nas universidades e no serviço público. O abastardamento da democracia. As tentativas de revogar a Anistia e de censurar e tutelar a imprensa. Os atentados contra a liberdade de expressão e até mesmo religiosa, mediante a imposição do politicamente correto e da agenda da militância gayzista e abortista. A lista é infindável.

A tudo isso, os pachecos e pelegos, cúmplices da cleptocracia petista, respondem com uma frase só: "Ele é popular". E daí? Hitler, Mussolini e Saddam Hussein eram populares. O general Médici também era. Acho que até Nero, Calígula e Átila, o Huno devem ter sido populares. E isso não diminui um milímetro que seja a enormidade dos crimes que cometeram. Pelo contrário: aumenta ainda mais a perplexidade com o nível realmente soviético a que pode chegar a lavagem cerebral e o culto da personalidade, quando não há quem se oponha de verdade e isso. Anotem aí mais um legado da Era da Mediocridade: o anestesiamento de milhões de mentes. O crescimento assustador da burrice.

O que está acima seria suficiente para colocar Lula da Silva não em uma galeria de líderes respeitáveis, mas no rol dos maiores pilantras, vigaristas e picaretas que já governaram um país, em qualquer época, ou no banco dos réus. Mas Lula deixou para o final aquela que talvez seja sua maior ignomínia: não tendo conseguido impor um terceiro mandato presidencial, pinçou do meio da companheirada uma completa desconhecida, uma nulidade que seguirá até a morte suas ordens, para concorrer em seu lugar e ser eleita para a Presidência da República, usando e abusando da máquina estatal para garantir o continuísmo. Alguém de passado nebuloso, idéias idem e incapaz de elaborar um raciocínio simples em português, conhecida apenas pela obediência servil ao chefe. Podem ter certeza: sob a era Lula, o Brasil piorou; com Dilma Vana Rousseff, irá piorar ainda mais.

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