segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

CASO JOÃO HÉLIO: E NÃO FIZEMOS NADA...

Há exatos 4 anos, o menino João Hélio foi trucidado, destroçado por bandidos no subúrbio do Rio de Janeiro. A comoção que se seguiu ao bárbaro assassinato foi enorme. E justificada. E, pode-se dizer, até muito positiva, pois em uma cidade e em um país que se acostumou já com crianças mortas por balas perdidas, com mulheres assassinadas em cruzamentos, com passageiros de ônibus queimados vivos, é positivo que ainda haja barbaridade que cause indignação. Sinal de que nossa sociedade não está morta. Ainda…
Mas uma coisa que estes 4 anos mostraram é que essa capacidade de se indignar vai diminuindo cada vez mais.
A capa do número da revista Veja que se seguiu à morte do menino vinha com o seguinte título em destaque: "… NÃO VAMOS FAZER NADA?"
E o que fizemos, afinal? Houve alguma mudança estrutural considerável para que a população sentisse que casos como o de João Hélio não vão mais acontecer? Uma das medidas que foi muito discutida à época do crime foi a diminuição da maioridade penal, e inúmeros políticos aproveitaram a onda, mas deu em nada. Que é ridiculamente absurdo que jovens possam votar a partir de 16 anos, mas que não possam arcar criminalmente com suas atitudes erradas, só um idiota o negaria.
Ou seja, um rapazote serve bem para votar no candidato que seus professores de Filosofia e Sociologia (sim, isto está no currículo agora) pintam em cores lindas e brilhantes durante suas "aulas", mas, caso ele resolva arrastar de carro pelas ruas um menino de 6 anos preso pelo cinto de segurança, ele deve poder fazê-lo sem que seja punido de acordo com seu crime.
Um dos assassinos, o "menor" Ezequiel, após 3 anos em uma instituição para jovens infratores, quase entrou em um programa para proteção de adolescentes ameaçados de morte. Não fosse a gritaria popular, Ezequiel estaria soltinho e mamando nas tetas do Estado.
Atualmente, segundo informações, ele está cumprindo medida sócio-educativa em regime semi-aberto por 2 anos. Ou seja, por volta de 2012 ele estará livre! Isto é Brasil.
Mas o que mais revolta é o que tivemos de ouvir e ler nos dias seguintes ao bárbaro crime. Não faltou gente, os de sempre, a falar que o crime foi cometido por todos nós, ou que devemos atacar as causas que levam a isto, ou que não devíamos buscar soluções fáceis no calor da emoção, etc. Um blablablá que faz muito sucesso nas salas de aula da UERJ ou da USP, mas que não traz de volta o menino João Hélio de volta e nem lhe faz justiça.
Um exemplo deste papo-cabeça enrolador pode ser a declaração do sociólogo Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, que chamado pelo portal G1 para dar sua opinião de especialista sobre o clamor público que pedia, entre outras coisas, a redução da maioridade penal, saiu-se com esta:

"Isso seria uma resposta bárbara a um crime bárbaro que só faria aumentar a espiral da barbárie. Vejo nisso uma repercussão excessiva, apesar do caráter extremamente perturbador do crime, um raciocínio primitivo porque as pessoas estão reagindo emocionalmente. Tentar extrair políticas públicas de um caso extremo como esse é demais.”
Pois é… Gente como o sociólogo Ignacio Cano achava, e provavelmente acha ainda, que o caso de um menino de 6 anos arrastado por 7 Km, tendo seu corpo destroçado na via pública, teve "repercussão excessiva". Querer que a sociedade seja protegida ou ao menos tenha como punir exemplarmente quem comete crimes de tal porte, para o sociólogo, é uma "resposta bárbara".
Talvez fosse o caso de se perguntar ao sociólogo se agora, passados já 4 anos, já é ou não o tempo de se buscar soluções. Talvez devêssemos perguntar a ele se seu radar civilizatório já permite que ao menos discutamos a redução da maioridade penal. Ou será que isto ainda é classificado por ele como barbaridade?
Nossa sociedade, principalmente a sociedade carioca com seus dândis politicamente corretos metidos a cosmopolitas e antenados com o progressismo mais retrógrado, há 4 anos achou por bem homenagear o menino recém falecido com uma faixa durante desfile de uma escola de samba; outra escola chegou ao máximo da benevolência ao fazer sua comissão de frente mostrar seu nome em uma coreografia.
Lindo, não? A um menino despedaçado por frios criminosos, nada como homenagear seu nome em meio a uma festa com muita gente nua, regada a muito chope, com todo mundo afetando alegria e deixando de lado qualquer limite moral. Isto, na minha opinião de não-sociólogo, é que é barbaridade!
O fato é que, passados 4 anos, Sergio Cabral foi reeleito, Lula foi reeleito (ah, sim… Dilma…) e o Rio de Janeiro continua com seus carnavais pomposos e luxuriantes. E nós aqui continuamos esperando um novo caso João Hélio acontecer.

E quando isto ocorrer, bastará um bando de foliões gritando o nome da vítima da vez e um monte de especialistas a dizer que temos que nos acalmar. Afinal, o importante é o samba jamais parar, não é mesmo?

Fonte: Contra o Aborto.

ACEITAÇÃO

Por João Bosco Leal

Em uma pequena reunião outro dia algo me chamou bastante a atenção. Presente entre os convidados estava um casal de pessoas já bem idosas.

Como todo casal já em uma idade bastante avançada começa a ser comum certa impaciência um com o outro, seja por já não conseguirem se ouvir direito seja por insistirem para que o outro se lembre de algo por que passaram quando este já não consegue se lembrar. Acabam assim com pequenos atritos inconsequentes, mas chatos na convivência dos casais já com aquela idade.

Já havia notado isso em diversos casais idosos mas uma coisa me chamou muito a atenção naquele. Durante nosso encontro, um dos dois passou por um lapso de memória, muito comum em pessoas nessa fase de idade, e não sabia que remédio deveria tomar naquele horário, confundindo os da manhã com os da noite e, por esse motivo, tendo ficada bastante ansiosa, sem saber o que fazer e tendo que recorrer às suas anotações para acabar com as dúvidas.

Pude notar no olhar, e na expressão do outro seu parceiro, com quanta tristeza estava em seu coração de ver aquilo ocorrer com sua amada, sua parceira, a companheira de toda a vida. Sua angústia de ver aquele quadro era tão visível que me doeu na alma.

Penso que, quando isso ocorre com alguém, que se sente incapacitado de fazer algo para ajudar, deve doer muito, pois provavelmente entende, com fatos assim, que seu companheiro ou companheira já está próximo do fim e que, certamente, ele também.

Pior, quando os filhos começam palpitar, dizendo que um é chato, intransigente, implicante com o outro, ou algo assim. Não é nada disso. Pelo exemplo citado, nota-se claramente, que o amor e o carinho entre ambos ainda é muito forte, latente, e o que ocorre é que, por também já estar bastante idoso, um não consegue entender como o outro não se lembra daquilo que ele sim, e vice versa, ou como o outro não escutou sua pergunta.

Os filhos deveriam aceitar e relevar as chatices e intransigências dos mais velhos, levando suas implicações como o desejo destes de, com sua experiência de vida, querer nos ensinar ou sugerir algo, e acatar esse ensinamento como se crianças fossem, sem discussão, pois os mais velhos possuem muita dificuldade em entender que aqueles seus pequeninos cresceram e hoje já possuem sua própria opinião e, assim como também eles fizeram no passado, acham que não precisam mais de conselhos e sugestões.

É muito comum que o mais velho fique tenso, nervoso, por não entender o motivo pelo qual aquele seu ente querido, bem mais novo e por isso menos experiente, pense que algo do que diz não está correto, se tudo o que diz que tenta passar de sua experiência, é com muito amor e carinho, para que os mais jovens não precisem passar pelo mesmo erro que ele ou algum ancestral já passou, muitas vezes com sacrifício, e com ele aprendeu.

Precisamos amadurecer o suficiente para entender melhor os idosos que nos rodeiam, e com eles aprender, pois certamente, no futuro seremos nós com os mesmos problemas, com as mesmas picuinhas, e com as mesmas tristezas, que não poderemos socorrer nosso companheiro em suas dificuldades, sejam físicas ou mentais.

Aceitar os mais velhos com suas rabugices, picuinhas e intransigências é, além de um amadurecimento, uma obrigação, pois foram estes, hoje velhos, que aceitaram nossos choros, manhas e incapacidades infantis.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A BESTA CRIADA PELA BESTA!

ESTE MUNDO É UM CIRCO

Direto ao Ponto – Brasileiros Inteligentes Acordem...
Um golaço de Celso Arnaldo: ‘O presidente que se gaba de nunca ter lido um livro foi sucedido por alguém que se jacta de ter lido todos os livros que nunca leu’

Dilma visita uma estante de livros em companhia de Fernando Pimentel

Por Celso Arnaldo Araújo

Um recorte de jornal me assombra desde o dia 26 de dezembro, quando saiu no caderno Poder, da Folha, matéria do competente Fernando Rodrigues com o título “Dilmoteca básica”. Seis dias antes da posse, o jornal pretendia contrapor o perfil da presidente eleita ao do padrinho, sobretudo em termos culturais.
Há textos que você começa a ler e não consegue mais parar. Outros que você não consegue deixar de largar. Este tem o dom de inverter as forças de atração: é ele que não me larga desde a primeira leitura, há mais de um mês. O recorte correspondente me acompanha, como um miasma, obrigando a releituras diárias, a cada dia mais espantosas. Deve ser guardado como prova de um contraste histórico que jamais se repetirá: o presidente que se gaba de nunca ter lido um livro foi sucedido por alguém que se jacta de ter lido todos os livros que nunca leu. Se leu, não assimilou. Se assimilou, nunca demonstrou. Naquele célebre vídeo do guru Marcelo Branco, Dilma levou constrangedores segundos para lembrar o livro que estava lendo, só o fazendo, penosamente, após o sopro amigo da assessora. Por isso, a tal “Dilmoteca básica” é uma coleção extraordinária de embustes transformados em gênero literário.
A tese central da matéria da Folha ─ “De todas as diferenças entre a presidente eleita e seu antecessor, uma das mais marcantes é a sólida formação literária da próxima ocupante do Palácio do Planalto” ─ é desmentida a cada linha do texto. Mas as paixões literárias da presidente são tantas e tamanhas que, a certa altura, ela diz que chegou a pensar em comprar uma casa só para guardar seu “acervo”. José Mindlin era mais modesto: o maior bibliófilo do país morava na própria casa onde mantinha seus 30 mil livros.
Não era intenção de Fernando conversar com a “bibliófila” Dilma Rousseff, mas compor seu perfil biográfico. Primeiro falou a fã de esportes, que de pronto recordou-se de sua “primeira vez” no Maracanã, em 1969. (Teria sido um jogo do Flamengo, mas ela não lembra contra quem. Detalhe que deixa essa história muito estranha: Dilma/Stella estava na clandestinidade – que tipo de guerrilheira com a cabeça a prêmio, ainda por cima mineira, se arriscaria a ir ao Maracanã à toa, naquela época duríssima? O pessoal do MR-8 esteve na porta do estádio no dia 7 de setembro daquele mesmo ano, mas para desovar o embaixador Charles Elbrick (jogavam Fluminense e Cruzeiro). Dilma se expôs para ver a festa da torcida do Flamengo: “Eu fiquei assim abestalhada com as bandeiras. É de perder o fôlego”. De perder o fôlego é o amor de Dilma pelos livros, desde cedo.
A transição de assuntos ─ domingo no Maracanã para hábitos de leitura ─ foi meio brusca. Ela desanca a falar: “Sobre a memória, quem tem razão era o Proust. Ele falava do sabor e do odor, dois sentidos primitivos que suportam um edifício imenso da recordação”. Esse Proust da Dilma, que “falava” do sabor e do odor, parece um enófilo, não o célebre escritor homônimo. Mas para provar que leu o monumental “Em busca do tempo perdido”, ela faz referência às… às madeleines, única coisa que quem nunca leu Proust sabe sobre Proust.
Depois de revelar que, “em matéria de poesia”, gosta de João Cabral, Cecilia Meirelles e Fernando Pessoa (de quem Dilma, numa entrevista célebre antes da eleição, surrupiou o célebre “navegar é preciso”, atribuindo-o a Ulysses Guimarães), entra mais um olhinho puxado na história: “Eu consigo além disso gostar do Bashô, sabe quem é Bashô?”, pergunta ela ao colunista, para em seguida responder e mostrar autoridade: “Um monge japonês que inventou o haicai”. Bem, Bashô não era monge e quem diz que ele “inventou” o haicai não é propriamente um leitor de haicais, escola poética que exige precisão formal absoluta.
Para demonstrar que não tem “um” gosto, Dilma vai então do Japão medieval de Bashô à Inglaterra vitoriana. “Gosto apaixonadamente de uma mulher chamada Emily Dickinson, a senhora de Amherst”. De novo, a leitora de fachada ou de orelha se trai com epítetos esquisitos – “senhora de Amherst”? Quem se refere assim a “uma mulher chamada” Emily Dickinson é para mostrar que sabe onde a autora nasceu, apenas isso. Gostaria de ouvir Dilma discorrendo sobre a obra de Emily. Bastaria um livro.
Espere: a coisa está ficando melhor. Ela retorna a Proust, o das madeleines. “Gostei do Proust para mais de metro”, diz a bibliófila métrica. Mas, eclética, vai logo de Paris a Ilhéus, das madeleines ao cacau: “Também adorei, aos 13 anos, quando meu pai me deu o Jorge Amado”. Como assim, “o Jorge Amado”? Ela explica: “Foi Capitães da Areia, São Jorge dos Ilhéus, todos os outros”. Ou seja: a obra toda do autor. Imagine o cenário: Belo Horizonte, 1960 ─ Dilma tinha 13 anos, ainda usava laçarotes na cabeça e Jorge Amado já tinha escrito 11 títulos. Petar Roussev chega em casa equilibrando-se atrás de um pacote de livros. Dilma adorou “o Jorge Amado”.
Era uma menina de paixões literárias arrebatadoras, ecléticas. “Amei de paixão o Machado de Assis (“o” Machado significando, claro, toda a obra dele), mas também o Monteiro Lobato.” Para não deixar dúvida sobre o Lobato a que se referia, explicou: “A Emília, o Pedrinho, a Narizinho, o Visconde, a Cuca”, a turma toda.
Pois bem: a menina que se entregava a obras completas de autores seminais deu lugar à moça idealista que pegou em armas e esteve na clandestinidade ou presa por muitos anos ─ e a biblioteca do DOPS não era exatamente a do Congresso americano. Depois, à “economista” que logo entraria para o serviço público e não largou mais o osso, sempre absorta em relatórios enormes sobre kilowatts/hora e, mais recentemente, o Minha Casa, Minha Vida. A leitura “literária” naturalmente ficou em segundo plano, não? Errado. “Eu compro muito livro, sempre mais do que consigo ler. Tenho aquela teoria de que estou fazendo um estoque (…) Vai que aconteça alguma coisa e eu não tenha condição de ficar comprando livro? Então, eu estoco”.
O melhor do estoque foi guardado para o final. O texto relata que Dilma, em viagem à China com Lula, fez uma demanda sui generis: “Enchi a paciência do embaixador para me dizer qual era o romance chinês equivalente aos romances nossos. Qual é o Charles Dickens deles. Qual era o Balzac, o Flaubert, o Shakespeare”.
Não sei se o senhor embaixador chegou a apontar o “Shakespeare chinês”, mas deve ter indicado alguma coisa: Dilma contou a Rodrigues que trouxe para o Brasil um catatau local traduzido para o inglês. Três volumes. “Mas o diabo não era isso. Eram os nomes dos personagens”. Dilma estranhou aqueles nomes esquisitos: “Temos uma baixíssima familiaridade com nomes chineses”, surpreende-se ela, sem levar em conta que os chineses também não têm muita familiaridade com nomes como Rousseff, Carvalho ou Eustáquio. Mas Dilma, que leu o Balzac chinês de cabo a rabo, não se apertou, porque tinha uma estratégia: “Você anota todos os nomes num papel para não se perder totalmente”.
Esse pedaço de papel — com os nomes chineses caprichosamente anotados pela presidente Dilma — sem dúvida valeria mais no mercado de obras raras do que os originais dos Pergaminhos do Mar Morto ou dos Protocolos dos Sábios de Sião.
A celebração da ignorância em 45 palavras
Transformado pela Universidade Federal de Viçosa no primeiro doutor honoris causa da história que nunca leu um livro nem aprendeu a escrever, o ex-presidente Lula resolveu transfomar o auditório da UFV em palco do segundo assombro da noite de 28 de janeiro. Depois de entregar-lhe o diploma, a reitora em exercício Nilda de Fátima Ferreira Soares convidou-o a assinar o Livro de Ouro que registra a passagem de visitantes ilustres. O novo doutor achou que uma assinatura era pouco. E a UFV foi premiada com o terceiro manuscrito de Lula.
Sem correções nem retoques, a coluna transcreve o documento histórico: “Para os amigos e amigas da UFV com agradecimento pelo trabalho prestado ao povo brasileiro com educação de qualidade, garantindo ao povo brasileiro a certeza de bons profissionais para atender o desenvolvimento do nosso querido Brasil. Abraços do amigo Lula. Sem medo de ser feliz”. Somadas ao diploma de doutor, as 45 palavras rabiscadas comprovam que até professores universitários decidiram aderir ostensivamente à celebração da ignorância.
Eles fugiram da escola, escaparam da cadeia e já governam o Senado
Parece que foi há muitos séculos, e no entanto faz menos de 20 anos. No começo de 1990, já não era numericamente desprezível o bloco dos senadores cujo prontuário implora por longas temporadas na cadeia, em regime de estudos forçados. Mas havia vida inteligente e homens de bem no Senado. Os melhores e os mais capazes conseguiam, simultaneamente, enquadrar os imbecis sem remédio, manter os delinquentes sob estreita vigilância, conduzir a instituição e garantir-lhe a independência. Eles sabiam remover tumores que colocassem em risco valores morais irrevogáveis. Nada a ver com a Casa do Espanto que Lula criou e o clube dos cafajestes agora administra.
O presidente nem tentaria fazer em 1990 o que anda fazendo há meses com um Senado em estado terminal. Mesmo que tivesse atingido os 103% de popularidade prometidos pelos institutos de pesquisa, logo saberia com quem estava falando. O mais loquaz dos governantes perderia a fala no segundo minuto de conversa com Afonso Arinos ou Roberto Campos. O capitão-do-mato não iria além da primeira grosseria se o aliado fosse Darcy Ribeiro. O palanqueiro debochado não se atreveria a insultar oposicionistas como Mário Covas ou Franco Montoro.
É por saber com quem está falando que Lula humilha antigos companheiros e ofende adversários. Sabujice não inspira respeito. Não se teme o revide que não virá. É por saber com quem está lidando que Lula abençoa a base alugada com salvo-condutos, absolvições sumárias, agrados retóricos e presentes em dinheiro. Não há um acordo políticos entre o ex-sindicalista que ficou moderno e os velhos oligarcas que se tornaram menos antigos. O que houve foi um acerto entre um presidente deslumbrado e gente que se alia a qualquer governo para manter-se no poder e ganhar muito dinheiro com a corrupção institucionalizada.

Quem acompanhou na terça-feira o depoimento de Lina Vieira e, nesta quarta, a sessão do Conselho de Ética viu em ação um bando fora-da-lei, esbanjando truculência e cinismo no cumprimento de missões confiadas pelo chefe. A quadrilha do faroeste subjugou o lugarejo. O presidente honorário é José Sarney. Paulo Duque comanda o Conselho de Ética. Romero Jucá lidera a bancada do governo e é o relator da CPI da Petrobras presidida pelo suplente amazonense. Renan Calheiros chefia a base alugada. Fernando Colllor comanda uma comissão. Abjeções como Wellington Salgado e Almeida Lima aceitam qualquer encomenda. Tudo parece dominado.
O PT foi reduzido por Lula a duas consoantes descartáveis. A líder do governo no Congresso é Ideli Salvatti, um berreiro à procura de uma ideia. O líder da bancada é Aloízio Mercadante, promovido a Herói da Rendição por atos de bravura em defesa de capitulações ultrajantes. Nesta semana, constatou-se que aprendeu com Eduardo Suplicy a fazer de conta que acha intragável o que não para de engolir.
Para fazer de conta que não gostou da absolvição de Sarney, crime que ajudou a tramar por ordem de Lula, colocou o cargo à disposição da bancada. O cargo sempre esteve, está e estará à disposição da bancada. Quem finge não saber disso topa qualquer negócio para ficar. Quem quer sair se demite ─ e em caráter irrevogável. Por acharem que há limite para tudo (e por lembrarem que a eleição vem aí), os senadores Flávio Arns e Marina Silva deixaram o partido. Os que permanecerem no rebanho pastoreado pela quadrilha são comparsas.
O Senado em decomposição ensina que só os cretinos sem cura e os farsantes juramentados dividem o Brasil em esquerda e direita, soldados do povo e carrascos da elite. O que se vê é um país que acredita na democracia, ama a liberdade e respeita a lei ameaçado pela ofensiva do primitivismo. Para os dirceus e berzoinis, os burgueses malandros são apenas companheiros de viagem que encurtam o caminho que conduz ao paraíso socialista. Para os renans e jucás, os comunistas de araque são apenas os sócios do momento. Os casos para psiquiatra e os casos de polícia só acham antiético perder a eleição e a gazua. Todos têm como objetivo comum o arrombamento dos cofres federais.
É hora de cortar-lhes o avanço. O general parece invencível? A tropa parece crescer em tamanho e agressividade? A maioria parece satisfeita com a vida não vivida? Não importa. Movimentos de resistência nunca tomam forma no ventre da multidão. Não é preciso nascer grande para ter força.
Basta ter razão.

Fonte: O Grande Mentiroso - Imagens da Internet (Google)-fotoformatação (PVeiga).

DESAFIANDO O RIO-MAR - BELTERRA

Mirando o Futuro sem olvidar o Passado

Hiram Reis e Silva, Santarém, PA

“Weir ensinou o pessoal a fazer enxertos da forma correta. Mas o verdadeiro problema, disse o patologista, era que a Fordlândia não tinha espécimes seguros de onde tirar enxertos. Assim Edsel concordou com o pedido de Weir de viajar ao sudeste da Ásia, para Sumatra e Malásia, a fim de encontrar espécimes garantidos. Weir partiu, em junho de 1933, e obteve rapidamente 2.046 troncos enxertados de uma seleção garantida de árvores de alto rendimento. Embalados em serragem esterilizada, eles deixaram Cingapura no fim de dezembro, cruzaram o oceano Índico, passaram pelo Canal de Suez no início de 1934, atravessaram o Mediterrâneo e o Atlântico e subiram o Amazonas”. (Greg Grandin).”

Belterra

Somente em 1932, depois do fracasso da baixa produtividade em Fordlândia, a companhia decidiu contratar um especialista no cultivo de borracha, o botânico James R. Weir, que havia trabalhado na American Rubber Mission. James reportou em seu relatório inicial uma série de omissões em aspectos elementares de gestão agrícola, e sugeriu como medida de urgência a importação do Sudeste Asiático, de clones de alta produtividade garantida e sugeriu a troca da área de Fordlândia por uma nova área, de 281 mil hectares a 48 quilômetros de Santarém, que além de permitir a navegação regular de navios de grande calado durante todo o ano, o terreno era melhor drenado, mais ventilado e menos úmido – condições menos favoráveis à propagação do “Mal-das-folhas”. A localização parecia perfeita e Ford denominou o local de “Bela Terra”, mais tarde conhecido como “Belterra”. Belterra era uma “cidade americana no coração da Amazônia”, com hospitais, escolas e casas de madeira, no estilo americano. Ford havia aprendido com Fordlândia e, agora, mesmo a Vila Americana onde residiam os altos funcionários foi construída de madeira, as construções faraônicas que no projeto anterior abrigaram o refeitório, a casa de força e fábrica, foram substituídas por instalações bem mais modestas. A massa de operários que lá era recrutada dentre os ribeirinhos não afeitos à rigidez do regime do trabalho e à disciplina impostos pelos capatazes de Ford foi suprida, em grande parte, por trabalhadores braçais oriundos do sertão nordestino, que fugiam da Grande Seca de 1929. Seis anos depois de ter implantado a Fordlândia, a Companhia Ford tentava, novamente, produzir borracha na Amazônia Brasileira.

A data de 04 de maio de 1934, foi primordial na história de Belterra.
A origem do município de Belterra, que Ford chamou de "Bela Terra", está intimamente ligada a essa época e ficou conhecida como "a cidade americana no coração da Amazônia!

Em 1934, chegaram os 53 clones selecionados por Weir, mas apesar da melhor localização, salubridade e seleção das mudas o seringal também foi atacado pelo “Mal das Folhas”. Mas graças à utilização de práticas de manejo, seleção de sementes, emprego de mudas mais resistentes, enxertia de copa e controle com fungicidas, permitiram que o seringal passasse a conviver com o Microcyclus. Belterra de 1938 a 1940 foi um dos maiores produtores de seringa do mundo. Com o final da 2ª Guerra Mundial, e a consequente importação da borracha do sudeste asiático, a grande incidência de doenças nos seringais e, principalmente, a descoberta da borracha sintética contribuíram para a decadência do projeto e a Companhia Ford “abandonou o sonho”.

A “cidade americana” foi transformada, então, em Estabelecimento Rural do Tapajós (ERT), sob a jurisdição do Ministério da Agricultura e, somente em 1997, conseguiu sua emancipação.

Visita a Belterra (3 de fevereiro de 2011)


Prefeito de Belterra Geraldo
Irineu Pastana de Oliveira e
Valdemar Sanches da Silva
Chefe de Gabinet

Agendamos uma visita a Belterra onde fomos gentilmente recebidos pelo senhor Valdemar Sanches da Silva, Chefe de Gabinete do Prefeito Geraldo Irineu Pastana de Oliveira. Valdemar discorreu, com entusiasmo, sobre a história e os projetos que estão em andamento na sua cidade. Diferente do descaso e da omissão verificada pelos políticos de Fordlândia a Prefeitura de Belterra partiu corajosamente na busca de parceiros para recuperar seu patrimônio e sua história. Acompanhados pelo Chefe de Gabinete passeamos pela cidade e conhecemos a oficina – que ainda utiliza máquinas da década de 30, do século passado, recuperadas pelos zelosos funcionários da Prefeitura. Conhecemos a Casa Um, a Vila Americana, a Vila Mensalista e a Vila Operária. Infelizmente poucas são as casas que mantém seus jardins bem cuidados como nos tempos áureos da borracha e, infelizmente, todas exibem cercas em seus terrenos que não existiam na época do Projeto de Ford. Curiosamente na gigantesca Caixa D’água de metal ainda existe o mesmo apito que tocava e ainda toca nas mesmas horas do longínquo pretérito em memória de um sonho americano que não vingou.

Por ser considerada "A cidade
Americana no Coração da Amazônia",
Belterra, assim como Fordlândia,
possui uma arquitertura singular,
lembrando uma típica cidade do
interior dos Estados Unidos.
A casa 1 foi projetada para receber
Henry Ford. Isso nunca aconteceu,
pois 40 dias antes da viagem
prevista para Belterra, Ford
perdeu o filho e desistiu da
viagem e do projeto

A Casa Um, localizada na estrada 02, tinha vista privilegiada para o Rio Tapajós. Possui ampla varanda, grande salão e várias dependências. Existem, ainda, no local, utensílios originais deixados pelos americanos. Esta casa foi projetada para servir de residência a Henry Ford quando ele visitasse Belterra, o que nunca aconteceu. A Vila Americana era residência dos funcionários do primeiro escalão da Companhia Ford. A Vila Mensalista era residência dos funcionários do segundo escalão da Companhia que recebiam seus pagamentos mensalmente, daí a origem do nome da Vila. As residências são menores que as da Vila Americana. A Vila Operária era restrita aos funcionários do terceiro escalão, formada por carpinteiros, mecânicos, motoristas e outros. Estes operários eram pagos quinzenalmente. As casas eram bem mais simples e não possuíam varandas. Passamos pelo Hospital, necrotério e encerramos nossa visita no Centro de Memória de Belterra.

Visita ao Centro de Memória de Belterra

Encontramos no Centro de Memória o professor Osenildo Maranhão, agente de atendimento, filho de seringueiros da Companhia Ford que nos apresentou entusiasmado os projetos e o acervo do Centro. A instalação servia, antigamente, de residência para os médicos do “Hospital Henry Ford” e foi o primeiro prédio histórico restaurado pelo Projeto “Muiraquitan Brasil”, fruto da parceria com o Instituto Butantan e a OSCIP (Organização de Sociedade Civil de Interesse Público) Ama Brasil. O Centro localiza-se na Vila Americana nº 108, Bosque das Seringueiras.

“Pesquisadores do Butantan em conjunto com o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) trabalham de forma intensa na reconstrução do acervo histórico desta cidade e este Centro serve de apoio ao trabalho de pesquisa e possibilita o acesso as informações para os moradores e estudantes da região”.
(Otavio Azevedo Mercadante, diretor do Instituto Butantan)

O Centro, inaugurado em 01 de maio de 2010, tem a missão de incentivar e divulgar pesquisas sobre a história do Município através de projetos e ações educativas destinados à valorização do patrimônio e da memória local. Para atingir esse objetivo o Centro recolhe, cataloga, preserva e disponibiliza acervos históricos adquiridos para consulta pública. O Projeto é bastante amplo e pretende mudar, parcialmente, a face da cidade fazendo-a retornar ao seu antigo visual. É uma missão árdua que tem o Prefeito Pastana e seus colaboradores pela frente, mas que, certamente, se for concretizada, trará benefícios para todos seus moradores.

É um exemplo louvável e que deve ser imitado por administradores de todos os níveis de governo e em todas as regiões do país. Um país que não cultua o seu passado, que não valoriza suas origens, que não é capaz de aprender com os acertos e os erros pretéritos certamente não merece, nem será capaz de empreender uma marcha segura para o futuro.

Fontes: GRANDIM, Greg. Fordlândia: Ascensão e queda da cidade esquecida de Henry Ford na selva. Editora Rocco-Rio de Janeiro.

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E–mail: hiramrs@terra.com.br

Imagens da Internet (Google) - fotoformatação (PVeiga).

sábado, 5 de fevereiro de 2011

RUBENS BUENO APRESENTA PROJETO QUE IMPEDE MANIPULAÇÃO DE PESQUISAS ELEITORAIS

O líder do PPS na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR), apresentou nesta quinta-feira (03/02) Projeto de Lei (confira a íntegra abaixo) para evitar abusos cometidos pelos institutos de pesquisa de intenção de voto. A proposta tem o objetivo de punir as empresas responsáveis por erros grosseiros às vésperas da eleição e também pretende dar um basta na promiscuidade entre candidatos e institutos de pesquisa. Pelo projeto, os institutos que, na véspera das eleições, divulgarem pesquisas eleitorais com resultados completamente divergentes do verifica do nas urnas (acima da margem de erro) podem pagar multa de até R$ 1 milhão. Atualmente, a lei eleitoral prevê multa de 50 mil Ufirs e detenção de seis meses a um ano.

O projeto também pretende impedir que institutos de pesquisas, por serem contratados ao mesmo tempo por candidatos, partidos e veículos de comunicação, manipulem ou fraudem resultados de pesquisas. Ele estabele que "a existência de vínculo formal de partido político ou de coligação com a entidade ou a empresa responsável pela divulgação de pesquisa fraudulenta, no período de um ano antes da eleição, pode resultar na cassação do registro ou do diploma" do candidato beneficiário.

"Queremos impedir fraudes e erros crasos que influenciam diretamente o resultado das elei&ccedi l;ões. Com a multa pesada para os institutos e a possibilidade de cassação de candidatos, as empresas certamente terão mais cuidado na divulgação de pesquisas. Isso também visa impedir a proliferação das chamadas pesquisas compradas, que beneficiam o candidato que paga mais", afirma Rubens Bueno.

Últimas eleições

Segundo o líder do PPS, os levantamentos na última eleição demonstram grandes distorções, que induzem os eleitores e influenciam diretamente nos resultados das eleições. Ele cita como exemplo a diferença de votos entre os candidatos ao Senado no Paraná – Gustavo Fruet (PSDB) e Roberto Requião (PMDB). No Ibope da véspera das eleições, Fruet aparecia com 27% das intenções de voto e Requião com 47%. O resultado foi bem diferente: Requião teve 24,8% dos votos e Fruet 23,1%.

Outro erro grotesto apontado por Rubens Bueno diz respeito a eleição para o Senado em São Paulo. Um dia antes da eleição, o Ibope apontava empate entre Marta Suplicy (PT) e Netinho de Paula (PCdoB ), ambos com 27% dos votos válidos. Aloisyo Nunes Ferreira (PSDB) aparecia em terceiro lugar com apenas 19% dos votos válidos. Nas urnas, o tucano foi eleito em primeiro lugar com 11.189.168 votos (30,42%) e Marta teve 8.314.027 votos (22,61%). Netinho, dado como eleito pelo Ibope, ficou de fora com 7.773.327 votos (21,14%).

Rubens já processou o Ibope em 2004

Rubens Bueno também já foi v&iac ute;tima da manipulação de pesquisas. Em 2004, quando disputou a prefeitura de Curitiba, o Ibope lhe dava 13% das intenções de voto um dia antes do pleito. Abertas as urnas, ele obteve 20,04% dos votos. Rubens ingressou com ação contra o Ibope, que está tramitando na Justiça. "Mesmo com o Ibope me colocando fora da disputa no sábado, o que me trouxe imenso prejuízo, tive mais de 20% dos votos", destaca.

"É um absurdo. A legitimidade da vontade da população não pode ser distorcida", afirma o deputado, que também é secretário-geral a Executiva Nacional do PPS.

Projeto de Lei nº 96/2011 de 2011
Altera o § 4º e acr escenta os § § 5º e 6º ao art. 33 da Lei nº 9.504/97, para majorar a multa e ampliar o conceito de pesquisa fraudulenta, além de estabelecer novas sanções.

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º. O Art. 33 da Lei nº 9.504/97 passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 33 ............................................................................ .

§ 4º A divulgação de pesquisa fraudulenta constitui crime, punível com detenção de seis meses a um ano e multa no valor de quinhentos mil a um milhão de reais.

§ 5º Caracteriza-se também como fraudulenta a pesquisa quando ela for realizada e divulgada até cinco dias antes da eleição e o resultado do respectivo pleito divulgado pela Justiça E leitoral estiver acima da margem de erro registrada pela entidade ou empresa responsável.

§ 6º Configura utilização indevida dos meios de comunicação social, apurada nos termos do art. 22 da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, a existência de vínculo formal de partido político ou de coligação com a entidade ou a empresa responsável pela divulgação de pesquisa fraudulenta, no período de um ano antes da eleição, sujeitando o candidato beneficiário à cassação do registro ou do diploma.” (NR)

Art. 2º. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICATIVA
As eleições gerais de 2010 mostraram a necessidade de se estabelecer novos parâmetros legais para a regulação das pesquisas de intenção de voto. Em quase todo o país as pesquisas erraram. E a sensação que ficou não foi de um simples erro, mas de fraude, tamanha a discrepância entre os números das pesquisas e o resultado apurado nas urnas.

Não se pode deixar de ressaltar os efeitos que as pesquisas produzem não apenas junto ao eleitorado, mas dentro da própria equipe de campanha. Com efeito, a sensação de que um determinado candidato será o vencedor pode acarretar a perda de intenção de votos dos demais candidatos e o desânimo até mesmo das pessoas que estão envolvidas na campanha de quem estiver em desvantagem nas pesquisas.

Por isso, parece-me que os valores de multas previstos na atual legislação estão em desco mpasso com a necessidade de coibir a prática da manipulação de pesquisas. Assim, uma multa que tenha piso de quinhentos mil reais e teto de um milhão de reais fará com que as empresas e entidades responsáveis pela divulgação de pesquisas tenham mais rigor e critério ético ao divulgar os números.

Também estou propondo que as pesquisas que vierem a ser divulgadas em até cinco dias antes da eleição sejam consideradas fraudulentas – e, portanto, passíveis da multa já mencionada – quando o resultado das eleições ficar acima da margem de erro daqueles levantamentos.

Por fim, é preciso coibir também a eventual utilização dessas pesquisas fraudulentas em favor de candidaturas. Para tal mister, o presente projeto propõe que a mera existência de vínculo formal de entidades e empresas que realizem pesquisas de intenção de votos com partidos políticos caracteriza utilização indevida dos meios de comunicação social se a pesquisa for fraudulenta. Assim, se um candidato for beneficiado por uma pesquisa cuja margem de erro estiver acima do resultado final, ele poderá ter seu registro ou seu diploma cassado, desde que o partido ao qual esteja filiado, ou a coligação pela qual concorre tenham vínculo formal com a empresa ou entidade responsável pela divulgação da pesquisa fraudulenta.

Por tais razões é que apresento o presente Projeto de Lei, esperando poder contar com o apoio de meus pares.

Brasília, 03 de fevereiro de 2011.

Deputado RUBENS BUENO

ERA UMA VEZ...

É impressionante como os petistas tentam re-escrever a história nacional. A historia deixa de ser lida pelos fatos, mas INTERPRETADA de acordo com interesses partidários e suas devidas estratégias de DOUTRINAÇÃO para uma covarde dominação de mentes. Assim o clássico " Era uma vez" foi substituído pelo termo 'Nunca antes neste país"
Só quem tenta recriar a realidade são as crianças e os loucos. As crianças de forma natural, através do pensamento mágico, pré-racional. E os loucos em seus delírios de grandeza, perseguitórios etc....
Para os criadores de fábulas, o país está maravilhoso. Não foi LULA quem disse que nosso SISTEMA DE SAÚDE ERA PERFEITO E DEVÍAMOS EXPORTÁ-LO PARA OS EUA. Não foi dona DILMA quem falou que nosso SISTEMA DE SEGURANÇA era "quase" maravilhoso.
O escritor George Orwell, na distopia 1984, chamou de "duplipensar" a técnica totalitária de doutrinação:
"Usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardião da democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra "duplipensar" era necessário usar o duplipensar".

Na obra, o Big Brother, usando desse artifício, dizia: "Guerra é paz. L'iberdade é escravidão. Ignorância é força". No Brasil, nossos progressistas complementam: "Censura é liberdade de expressão"

DEPOIS DESSA - "SOMENTE A FRASE DA SEMANA"

"Se a Amazônia é o pulmão do Mundo, Brasília é o intestino grosso"

Fonte: Graça no país das maravilhas.

SAPPORO

Vendo no Blog do meu amigo Juma o lindíssimo vídeo “Sapporo Beer Commercial”. Cujo nome, Sapporo, homenageia a cidade japonesa onde é produzida a cerveja de graduação alcoólica 4,78%, despertou-me interesse em conhecer essa cidade, assim pelo Google consegui o seguinte resultado:

Japão Setentrional HOKKAIDO, na extremidade norte do arquipélago, é a segunda maior ilha do Japão, abrangendo uma área de 78.073 km², ou seja, aproximadamente 21% da área total do país.


Como atração turística, Hokkaido apresenta uma grande beleza natural, uma flora e fauna de grande originalidade e um ambiente social peculiar criado pela história de seu povoamento, iniciado apenas em meados do século 18.

Pode-se chegar a Hokkaido, pelo trem expresso especial de Tóquio, em aproximadamente 9 horas, e por avião (direto a Sapporo), em 1 hora e 15 minutos.

Sapporo, com população de 1.770.112 habitantes, é a sede do governo da ilha, ou seja, o centro político, econômico e educacional da região. Localizada na extremidade meridional da planície de Ishikari, na parte central da ilha, a cidade abrange 1.118 km², a maior área ocupada por uma cidade japonesa. Foi traçada segundo um plano americano, com ruas retas cruzando-se em ângulo reto.

Sapporo é essencialmente uma cidade de consumo, mas suas indústrias produzem alimentos e madeira. Algumas das poucas grandes indústrias se dedicam à fabricação de cerveja, linho e laticínios.

A cidade tornou-se internacionalmente famosa com a realização das Olimpíadas de Inverno, em 1972. Entre as atrações turísticas, contam-se a centenária Universidade de Hokkaido
(em japonês: 北海道大学 Hokkaido daigaku?) ou Hokudai (em japonês: 北大?) foi fundada como um instituto de agronomia em 1876 no período de aproximação com o governo dos Estados Unidos), os Jardins Botânicos com grandes coleções de todos os tipos de plantas, o Museu Histórico de Hokkaido, tendo em seu acervo trajes Ainu e Giliak, bem como canoas, arpões e muitos outros objetos dos primeiros habitantes da região, e finalmente, a Avenida Odori, com a torre de TV que se eleva a uma altura de 147 metros.

Normalmente, entre os dias 5 e 11 de fevereiro realiza-se em Sapporo o Festival de Neve. Ao longo das principais vias públicas da cidade alinham-se figuras esculpidas na neve. Festas semelhantes ocorrem em Asahikawa, Monbetsu, Abashiri e Obihiro.

Jozankei, a mais próspera estação hidrotermal nas vizinhanças de Sapporo, a uma hora de ônibus da Estação de Sapporo, oferece, no verão, panoramas verdes, que no outono se transformam num espetáculo colorido e no inverno, em pistas de esqui.

Parque Nacional de Akan, com área de 87.498 ha, compreende as províncias de Kushiro e Kitami, na extremidade oriental de Hokkaido, com grandes vulcões cujos contornos constituem uma bela curiosidade para todo o mundo. A maior parte do parque é ocupada por vulcões e pelos dois grandes lagos vulcânicos de Akan e Kussharo. Entre outros, há o misterioso e tenebroso Lago Mashu, cuja profundidade transparente é de 41,6 metros, um recorde no mundo.

Os picos que mais se destacam são o Me-Akan e o O-Akan. Noboribetsu, a 13 minutos de ônibus da Estação de Noboribetsu, pode ser visitada a partir de Sapporo por trem expresso, em 1 hora e 30 minutos. É a maior estação hidrotermal em Hokkaido, situada num desfiladeiro verdejante rodeado de montanhas cobertas de árvores, perto da extremidade sul do Parque Nacional de Shikosu Toya. Jigokudani, o vale do inferno, a poucos minutos a pé da estação, é uma depressão profunda preenchida por cones e colinas de sedimentos oriundos das fontes termais.

Veja: Sapporo (é a quinta maior cidade do Japão) capital da província de Hokkaido - 1 de Abril de 1972; século XIX; Jogos Olímpicos de Inverno; 3 de Fevereiro; lagos; zona temperada; estações do ano; neves; Sibéria; pluviométrica; ramen; miso; década de 1950;

Fontes: Blog Fabiomw - Wikipédia e Google Imagens – fotoformatação (PVeiga).

Tive a satisfação de degustar uma "Sapporo Beer" a 15

(+ou-) anos passados lata de l000ml (deliciosa),

que ganhei de minha mana Terezinha.

Guardei a latinha como relíquia – veja só...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

MARTA ADMOESTOU SUPLICY: DOR DE COTOVELO FORA DE HORA?

Editado por Andréa Haddad

(Giulio Sanmartini) A senhora Marta Tereza Smith de Vasconcelos não prima pela lisura em sua conduta. Casou-se com Eduardo Matarazzo Suplicy, acrescentando a seu sobrenome o do marido e suprimindo o de sua família, ficando conhecida como Marta Suplicy.

Não sei porque, mas Smith de Vasconcellos, sempre me pareceu nome de loja de ferragens e logo imagino a situação do carpinteiro dizendo ao seu ajudante: “Ô Mane, vai lá no ‘Chimite de Vasconcelos’ e me compra meio quilo de prego 13×18”.

Marta Suplicy era conhecida como sexóloga, isso é professora de altas sacanagens, mas aí resolveu em 1981 entrar na política, convenhamos que não é muito fora de sua anterior ocupação. Pendurada como rabo de cometa ao marido, filiou-se ao PT sendo eleita deputada federal (1995) e, em 2000, prefeita de São Paulo. Aí a fama subiu-lhe à cabeça e resolveu trocar o marido por um argentino, com cara de gigolô cantor de tangos em cabarés de terceira categoria, chamado Luiz Favre, anos mais jovem que ela. Fez um casamento de noivinha deslumbrada em que o convidado mais ilustre foi o na época presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou ao “garden party” junto com a “primeira patroa” num helicóptero, como sempre pago pelo contribuinte, eles foram também padrinhos da noiva.

O pobre ex-marido sofreu com o golpe e a prefeita, por interesses políticos, continuou com o nome do marido abandonado. O castigo como sempre veio a cavalo. Passados oito anos o argentino deu-lhe um pé no devido lugar. Pior ainda: Eduardo Suplicy, passada a primeira dor, superou tudo e arrumou uma jovem namorada.

Mas antes de ser dispensada pelo marido, Marta foi uma colecionadora de derrotas eleitorais, ficou desempregada, mas o padrinho lhe arrumou uma “boquinha” de ministra do Turismo, de onde saiu para se eleger senadora.

Nessa onda de puxa-saquismo ao feminismo de opereta bufa interpretado por Dilma Rousseff, Marta foi eleita primeira vice-presidente do Senado, convenhamos que ser vice de Sarney em qualquer coisa que seja, é uma merda, não é mesmo?

Nessa quinta (3), Marta estreou no comando de uma sessão plenária da Casa e teve postura rigorosa para controlar o tempo destinado a cada senador durante seus discursos, revelando-se especialmente dacroniana com o ex-marido, Eduardo Suplicy (PT-SP) que excedeu-se no tempo. Marta admoestou-o uma, duas, três vezes e simplesmente cortou-lhe o microfone. Um observador menos atento poderia até pensar que tenha sido uma dor de cotovelo, meio diferente e fora de hora.

Alguém devia dizer-lhe: “Calma dona Menina, relaxa e goza”.

Fonte com o título: "Acá la Vice-Presidenta soy yo, carajo" - Prosa & Política.

Imagens da Internet - fotoformatação (PVeiga).

O GOVERNADOR BETO RICHA E O MINISTRO DA JUSTIÇA FORMALIZAM PARCERIA PARA COMBATER O CRIME

O governador Beto Richa e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reuniram-se no Palácio das Araucárias nesta sexta-feira (4) para discutir formas de integrar as políticas públicas estaduais e federais no combate à violência, à criminalidade e resolver questões como a superpopulação carcerária. “Temos um planejamento de ações para combater o crime e a violência, com foco especial às drogas e região de fronteira. Fico feliz em saber que teremos a mão estendida do governo federal para enfrentar esse grave problema, que é apontado pelos paranaenses como a grande prioridade”, afirmou.

Governador pediu encaminhamento de projeto ao Congresso para obter recursos para construir unidades carcerárias. Secretário da Segurança Pública, Reinaldo de Almeida César, apresentou projeto para criar Gabinete de Gestão Integrada de Segurança

O governador Beto Richa e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, formalizaram uma parceria para a realização de ações conjuntas de combate ao crime no Paraná. O acordo foi feito durante reunião no Palácio das Araucárias, em Curitiba, nesta sexta-feira (4), para discutir formas de integrar as políticas públicas estaduais e federais no combate à violência, à criminalidade e resolver questões como a superpopulação carcerária.

“Temos um planejamento de ações para combater o crime e a violência, com foco especial às drogas e a região de fronteira”, disse o governador. “Para nós, isso é uma prioridade e fico feliz em saber que teremos a mão estendida do governo federal para enfrentar esse grave problema”, afirmou.

Por determinação do ministro, um grupo de técnicos do ministério voltará ao Paraná na próxima semana para uma visita à fronteira com Paraguai e Argentina para verificar as dificuldades e criar um plano de combate à criminalidade na região.

Cardozo disse que é uma diretriz de governo o enfrentamento da violência e o combate do crime organizado. Ele afirmou que é necessário que os governos estaduais e federal desempenhem juntos essa tarefa. “É necessário integrar esforços na questão da segurança pública”, reforçou o ministro.

Gestão Integrada - O secretário da Segurança Público do Paraná, Reinaldo de Almeida César, apresentou um conjunto de ações e propôs a criação de um Gabinete de Gestão Integrada, com participação dos diversos organismos policiais e de inteligência, do Estado e da União, para nortear as ações de combate ao crime no Paraná. “O projeto terá apoio do ministério”, destacou.

O governador Beto Richa também entregou ao ministro um ofício requisitando ao ministro Cardozo e a presidente Dilma Rousseff o reencaminhamento ao Congresso Nacional de um projeto de lei para que o Paraná possa receber recursos para a construção de unidades prisionais.

Além do secretário estadual de Segurança Pública, Reinaldo de Almeida César, e da secretária de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, participaram do encontro a secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, o diretor do Departamento Penitenciário, Augusto Rossini, do diretor geral da Polícia Federal, Leandro Coimbra, e do diretor geral da Polícia Rodoviária Federal no Paraná, Hélio Derenne.

Também estiveram presentes no encontro a senadora Gleisi Hoffmann, os deputados federais Alfredo Kaefer, André Vargas, Doutor Rosinha, Eduardo Sciarra, Fernando Francischini e Zeca Dirceu, e o deputado estadual professor Lemos.

Informações e foto da Agência Estadual de Notícias do Paraná - www.aen.pr.gov.br

A FALÁCIA SINDICAL LULISTA

Por Fernando Alves de Oliveira

No Brasil, o Partido dos Trabalhadores,
de Lula, representa a elite de
capitalistas sindicais que está a
colonizar o aparelho do Estado com
seus quadros gestoriais, convertendo-se
em poderosa máquina de gestão
da crise capitalista a serviço das
grandes empresas

Ao cabo de oito anos, afinal, qual o saldo favorável do Governo do ex-operário e líder sindical, exatamente na esfera que serviu de catapulta à sua vida política, alçando-o à presidência do País pela vontade popular?

Lamentavelmente, após dois mandatos, a resposta isenta é única. Favorável, nenhum. Pernicioso, muito. O sindicalismo chafurdou ainda mais no movediço plano da incredulidade, que de há muito se acha relegado. E só não foi –e nem continua sendo- dimensionado em sua real intensidade perante a opinião pública porque os holofotes midiáticos persistem em não focar o tema sindical, produto da Era 40, originário do ditador Vargas e de um Brasil colonial inteiramente inverso ao gigantismo da atualidade e da modernidade das relações do Trabalho.

Ao invés de assear e revigorar seu empobrecido e desmoralizado estado de indigência, quer no campo institucional, como –e de forma primordial- nos âmbitos moral e ético, suas ações foram profundamente nefastas ao sistema, de vez que o presidente Lula preferiu trafegar pela contramão, contemplando não a sociedade para a qual deveria governar, mas à facção composta por seus ex-colegas. Exemplo maior disto foi o episódio da oficialização das centrais sindicais fora do contexto de uma outrora anunciada ampla e completa reforma sindical, que, além de não se confirmar, culminou na cessão de generoso aporte de novos recursos do Estado.

Com efeito, perderam a coletividade sindical representada pelos contribuintes das entidades sindicais –que são os reais financiadores e beneficiários do sistema- e a sociedade como um todo. Ganharam os interessados na preservação do status quo, os privilegiados agentes operativos do mercado sindical do setor laboral, seus ex-colegas, justamente a quem cabe o dever de servirem e não o de serem servidos. Mais uma consumação de deslavada e vergonhosa inversão de valores.

Embora a prova maior disso seja recorrente para a vanguarda sindical, de vez que assunto foi objeto de profundos comentários anteriores, abordado em profundidade que foi em meu último livro e, à época de seu acontecimento, no artigo específico “O (provado) retrocesso sindical no Governo Lula”, continuo sendo um dos poucos, senão o único, a ter a coragem de denunciar o engodo, de vez que a grande mídia calou-se ante a desfaçatez desse logro, materializado entre as edições das PECs-252/2000 e 369/2005. A primeira, de maio/2000, dois anos e meio, antes do PT ascender o Poder. A segunda, de 2005, já como Governo. Ambas escritas e subscritas pela mesma mão. A de Ricardo Berzoíni. A primeira, como deputado federal e a outra já como ministro do Trabalho do governo Lula.

Aos que –ainda- não tomaram conhecimento disso, eis apenas um trecho (e só para ficar nele) das preciosidades escritas e subscritas pelo Governo que prometeu -entre várias outras modificações saneadoras da legislação sindical- extinguir a contribuição sindical obrigatória: “(...) A unicidade e a contribuição compulsória são exemplos de uma estrutura que não mais condiz com a realidade da classe trabalhadora, hoje mais dinâmica e consciente. A Constituição de 1988, embora tenha trazido alguns avanços e proclamado alguns princípios para o movimento sindical, ainda manteve a forma corporativa de organização inaugurada na Era Vargas, que coloca o sindicato à sombra da ação estatal. Valendo-se dessa estrutura anacrônica, alguns sindicatos desprovidos de qualquer legitimidade, sobrevivem em razão das contribuições compulsórias e da visão protecionista do Estado. (...)”.

Destarte, o que ficou consagrado foi uma completa antítese do escrito e assinado.

Em contraposição, Lula foi rápido e direto ao mote que interessava. Oficializou e alimentou de forma generosa as centrais sindicais, até então entes espúrios na legislação sindical e que até então eram sustentadas pelas próprias entidades sindicais. Para isto, não foi necessário implantar a prometida “reforma sindical para valer”, conforme o petismo se comprometera quando na oposição e que o faria quando se tornasse Governo.

Mas não foi só a legalização que importava, mesmo que gritantemente fora do contexto originariamente concebido. O mais importante era formalizar a concessão de novos e fartos recursos do Tesouro. Ainda que ao arrepio da Constituição. Foi dessa forma que as centrais sindicais foram contempladas com a metade do valor que o ministério do Trabalho recebe do rateio de cada contribuição sindical paga pelo trabalhador. Assim, ao invés de 20%, o Ministério do Trabalho passou a ficar com 10%, repassando a metade. Óbvio e evidente que não demorará a conceder os restantes 10%. A gula dessa gente é conhecida. É absolutamente insaciável.

Claro que a CUT, braço direito do PT, ficou com a maior parte do bolo desse rateio sindical. Como tal, cabe a indagação legítima e pertinente: o que são as centrais senão um contingente que dá respaldo político e eleitoral a quem paga por seus “serviços”? Quais as suas reais serventias em relação ao trabalhador, ao contribuinte do sindicato? Claro que o STF foi instado e até hoje julga a constitucionalidade desses repasses, só que com o conhecido vagar de nosso sistema Judiciário. É mais uma querela do Governo Lula que, como outras, competirá à corte do Supremo Tribunal Federal decidir.

Assim, se é discutível a tese da prevalência da contribuição obrigatória para o financiamento do modelo sindical brasileiro, está comprovado com letras garrafais que, ao longo destes setenta anos, esses recursos foram sendo desvirtuados, passando a ser a fonte de todos os vícios e mazelas de um sistema corrompido.

Atentem ao absurdo constitucional. A contribuição sindical tem características de tributo, pois está amparada pelo artigo 149 da CF como sendo de âmbito parafiscal. Contudo, não pode ser fiscalizada pelo Estado, pois a mesma Constituição Federal prescreve no inciso I do artigo 8º que o Estado não poderá imiscuir-se na vida sindical. Quando esse ardil constitucional será revisto? Essa revisão Interessa aos donatários do feudo?

Em consequência, após novembro de 1988, a fiscalização da aplicação desses recursos ficou ao sabor das próprias entidades, através de seu órgão estatutário competente (Conselho Fiscal). Ou seja, sindicalista fiscalizando colega... Claro que isso só ocorre quando há disputa interna e na inexistência de conchavos e de “composições amigáveis” entre as partes...

É inegável que o ainda sustenta o financiamento do sindical laboral é o preceito de lei contido na legislação prevalecente e que obriga o empregador a descontar do empregado o valor correspondente e o repassar (sob pena de incidir em gravames) ao sindicato profissional correspondente. Numa única frase: a empresa é um agente gratuito e garantidor da cobrança e do repasse do valor da contribuição que sai do bolso do empregado.

No tocante ao sindicalismo patronal, em que fica ao livre arbítrio da empresa efetuar ou não o recolhimento à entidade sindical patronal representativa de sua categoria econômica, obviamente que a saúde financeira dessas entidades está fortemente debilitada pela crise de identidade existente. Só agora seus dirigentes estão acordando para a realidade que outrora os recalcitrantes sempre preferiram ignorar: a de que chegaria o tempo dos recursos minguarem. Somente agora e diante de uma crise financeira que ameaça engolfar de vez o sistema, fala-se abertamente na absoluta necessidade de adoção do associativismo, como fórmula redentora. Antes, mera opção. Hoje, inegável e absoluta necessidade! Forma alternativa de sobrevivência e desenvolvimento, sem a presença do Estado.

Portanto, é profundamente gratificante constatar que o setor de vanguarda do patronato envereda, finalmente, pelo rumo do associativismo como fórmula redentora. Ainda mais auspicioso é tomar conhecimento de trabalhos em profundidade das principais confederações patronais, especialmente o elaborado pela CNI, sob o título “O associativismo em foco”, que embasa e reafirma tudo aquilo que tenho pregado ao longo de minha vida profissional como incansável cultor e praticante do associativismo e cujas teses podem ser comprovadas em meus livros, artigos e na palestra temática por mim produzida e apresentada em várias entidades e federações, pontificando de forma invariável que é o associativismo o fator gerador da união, indispensável para a consolidação de um sistema que o tempo e as circunstâncias desfavoráveis tornaram-no combalido.

Tanto isto é verdade que hoje, salvo raras e honrosas exceções, a tendência crítica generalizada é o de conceituar o sindicato como um órgão estático e antipático, que se limita a arrecadar recursos impositivos.

Assiste, pois, inteira razão ao deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) que, por ocasião do último Encontro Nacional da Indústria, realizado recentemente em São Paulo, afirmou que no Governo de Dilma Rousseff não haverá reforma sindical enquanto estiver na pasta do Trabalho o ministro Carlos Lupi, que, diga-se de passagem, vem se permitindo à prática de legislar através da edição de sucessivas Portarias, obrigando os prejudicados, como ora ocorre com as entidades do patronato, a valer-se do Judiciário. Caso específico da Portaria 982, em que a Justiça Federal em São Paulo suspendeu sua vigência, de vez que pela Lei (que o ministro insiste em querer modificar por simples atos administrativos) os sindicatos estão vinculados a entidades superiores -de acordo com a atividade econômica e consoante o capitulado na CLT- e não por vontade de filiação. Foi o que ocorreu com seu último e desditoso documento acima citado, em que ele resolveu submeter, ao arrepio da Lei e da Constituição, uma nova forma de partilha da contribuição sindical recebida pelas entidades do patronato.

Fernando Alves de Oliveira-Autor dos livros SOS SINDICALpt e O sindicalismo brasileiro clama por socorro, ambos editados pela Editora LTr e de dezenas de artigos sobre o tema, além da palestra “Enfrentamento e superação da crise institucional sindical, especialmente no setor patronal”, apresentada em sindicatos e federações patronais.. Veja em http://falvesoliveira.zip.net/ Contatos em falvesoli40@terra.com.br

Imagem da Internet - fotoformatação (PVeiga).