sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O BURACO NO MURO

Por João Bosco Leal

Foto: Maurício Andrés Ribeiro
Uma experiência muito bem sucedida
de inclusão digital na Índia,
que vale a pena conhecer
veja vídeo abaixo

Pela internet tive acesso a um vídeo realizado pelo repórter Rory O'connor, que mostra a experiência realizada pelo Dr. Sugata Mitra, chefe de pesquisa e desenvolvimento de uma empresa de informática da Índia, a NIIT, cuja paixão já há alguns anos tem sido a de educar crianças pobres principalmente através de sua inclusão digital.

País com mais de um bilhão de habitantes, onde vive um de cada seis habitantes do planeta, possui metade de sua população completamente analfabeta. Só um quarto desta possui acesso a água limpa, e a grande maioria sofre de extrema pobreza.

A mesma Índia, porém, abriga também a sede de algumas empresas de alta tecnologia mais avançadas do mundo.

Transpor a fronteira digital é de extrema importância para o ser humano, diz o Dr. Mitra, e seu objetivo é criar possibilidades para que todos tenham acesso, o que o fez iniciar, em 1999, a experiência que ficou conhecida como "O buraco no muro".

Durante seu trabalho, passando por uma favela em Nova Delhi, o repórter pode ver, na prática, a experiência do Dr. Mitra, que conectou um computador à internet de alta velocidade e o encaixou em um muro, que separava a empresa NIIT de uma favela adjacente, cercado de crianças.

Colocando esse computador à disposição dos moradores da favela, o Dr. Mitra começou a observar o início de seu uso pelas crianças que, curiosas, foram atraídas ao computador e perguntavam se podiam tocá-lo. A resposta dele foi: "está do seu lado do muro", o que, naquele país, significa que pode ser tocado, e então, elas começaram a tocá-lo, e em minutos, sem nenhuma orientação, descobriram como apontar e "clicar". No final do dia já estavam navegando no mundo da internet.

Com essa pequena oportunidade de acesso as crianças que o tocavam aprendiam, sozinhas, os passos rudimentares da linguagem computacional e aqueles que, mesmo sem tocar, tiveram a oportunidade de olhar, também aprendiam.

Um garoto se sobressaiu, usando joguinhos, e já tentava também usar ferramentas diferentes, como a de desenho, ou entrar na internet, visitando o site da Disney. Dias depois esse garoto já contava haver entrado em um site de notícias e lido sobre o Talibã, Bin-Laden, e sobre a existência de uma guerra entre a América e o Talibã.

Esse garoto, que não sabia sequer o que era um computador, havia saltado o que poderia ser descrito como dois ou três mil anos de história da humanidade, em apenas alguns minutos. Observações mais aprofundadas puderam notar também que a autoconfiança daquele menino se firmou muito após ele conhecer, e aprender, sozinho, a utilizar o computador.

Perguntado sobre o que, para ele, era a internet, a resposta foi: "aquilo com o que se pode fazer qualquer coisa". A experiência foi então alastrada por diversos lugares da Índia, sempre nos bairros mais pobres e o resultado foi sempre semelhante, com as crianças aprendendo, sozinhas, a navegar na internet.

Com atitudes simples como esta, de um simples buraco no muro, podemos abrir, para os menos favorecidos, uma enorme porta para o conhecimento, para o mundo e para as oportunidades.

Obs.Tomei a liberdade de incluir o vídeo acima citado pelo amigo João Bosco (PVeiga).

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

HEMODIÁLISE

O que é isso?
É um procedimento que filtra o sangue.
Através da hemodiálise são retiradas do sangue substâncias que quando em excesso trazem prejuízos ao corpo, como a uréia, potássio sódio e água.
Esse tratamento é feito com a ajuda de um dialisador ou filtro, ele é formado por um
conjunto de pequenos tubos chamados "linhas". Durante a diálise, parte do sangue é retirado do corpo, passa através da linha em um lado, onde o sangue é filtrado e retorna ao paciente pela linha do lado oposto. Atualmente tem havido um grande progresso em relação a segurança e a eficácia das máquinas de diálise, tornando o tratamento bastante seguro. Existem alarmes que indicam qualquer alteração que ocorra no sistema.

A hemodiálise é feita três vezes por semana, com duração de quatro horas cada sessão. Mais isso varia de acordo com o tamanho e a idade de cada paciente, por exemplo adultos de grande porte podem necessitar de um tempo maior. Atualmente, podemos medir a quantidade de diálise e podemos mudar essa quantidade, aumentado ou diminuindo o tempo de diálise, o número de sessões semanais, o fluxo de sangue ou o tamanho do dialisador.
Mas o médico é quem realmente determina a quantidade de hemodiálise que o paciente precisa de acordo com o estado de atividade do corpo, da alimentação e ingestão de líquidos.
Saindo um pouco do assunto para falar sobre líquidos pois um paciente que esta em tratamento não pode tomar muito liquido, alguns copos de agua a mais podem influir no tempo de cada sessão de hemodiálise, e também prejudica certos pacientes que não conseguem urinar.

O objetivo do tratamento é que o paciente esteja sempre se sentindo bem, bem nutrido, livre de inchaço, com a pressão controlada e com os exames de sangue mostrando quantidade aceitável de potássio, uréia, etc.

A hemodiálise é feita por um tubo que é colocado em uma veia grossa que é o acesso vascular para hemodiálise. É o que permite a retirada e a devolução do sangue para a pessoa. O tipo mais frequente de acesso vascular é a fístula.Consiste numa ligação entre uma artéria e uma veia através de uma pequena cirurgia.

Mantenha sempre o braço ou perna da fístula bem limpo, lavando sempre com água e sabonete. Isto evita infecção que podem inutilizar a fístula. Qualquer sinal de inchaço ou vermelhidão deve ser comunicado imediatamente ao médico ou a enfermeira. Lembrando sempre de fazer exercícios físicos no membro em que a fístula estiver localizada, nunca durma por cima pois pode fazer com que a fístula para de funcionar. Nunca permitir verificações de pressão arterial onde ela estiver localizada. Não permita a retirada de sangue ou o uso de medicamentos nas veias do braço da fístula a não ser que seu médico autorize. Use sempre compressas de gelo e agua morna no braço ou perna da fístula e procurar sentir a fístula sempre que possível no caso da fístula parar procure seu medico!
Medicamentos usados na hemodiálise:

Vitaminas:
Algumas vitaminas perdem-se durante a diálise. A ingestão de vitaminas repõe o seu nível.

Acetato ou Carbonato de Cálcio:
Fornece um suplemento de cálcio, além de evitar a absorção do fósforo e diminui a acidose do sangue. Reduzindo a absorção de fósforo evita-se a doença óssea do doente renal.

Ferro:
Para melhorar a anemia.

Eritropoetina:

Para aumentar a produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea e corrigir a anemia.

Vitamina D ativada (calcitriol):
Para aumentar a absorção intestinal de cálcio e melhorar a mineralização dos ossos.

Anti-hipertensivos:
Os pacientes com hipertensão arterial que não baixa depois da sessão de diálise necessitam de medicação para controlá-la.

O médico indicará qual é o mais adequado para cada paciente.

Qualquer desses medicamentos, até os considerados mais inócuos, tomados sem controle médico, podem ter efeitos desastrosos. Por isso, é absolutamente imprescindível que cada paciente siga as instruções de seu médico.

ESTAMOS ABERTOS AO DIÁLOGO E PARCERIAS, DIZ RICHA EM ENCONTRO COM REPRESENTANTES DE 38 PAÍSES

O governador Beto Richa recebeu nesta quinta-feira (3) no Palácio das Araucárias um grupo de representantes de 38 países que integram a Sociedade Consular do Paraná. Ele falou que deseja estimular o diálogo com governos e empresários de todas as nações que desejem realizar investimentos no Estado. “Estamos mostrando à sociedade o nosso estilo: um governo de portas abertas, que busca o diálogo, com respeito. Queremos estabelecer parcerias que sejam produtivas para os paranaenses”, disse o governador.

Edson Ramon presidente da
Associação Comercial do Paraná
Foto: Márcia Toccafondo

O presidente da Sociedade Consular do Paraná, Edson Ramon, que representa a Sérvia e preside a Associação Comercial do Paraná, disse que a iniciativa de reaproximação do governador veio em boa hora porque existem possibilidades concretas de investimentos internacionais no Paraná. Ele afirmou que indústrias da Ucrânia, Itália e França estudam instalar unidades no estado. “Fazemos esse intercâmbio há 60 anos e acreditamos que este é o momento de ampliar as parcerias e incentivar as relações comerciais do Paraná com o mundo”, disse Ramon.


A consulesa da Ucrânia, Laryssa Myronenko, entregou uma carta de saudação do ministro das Relações Exteriores de seu país, Kostyantyn Gryshchenko, que lembrou a importância da boa relação com o Paraná, estado que tem a maior colônia ucraniana do país, com mais de 400 mil pessoas (são 500 mil no Brasil).

Larissa Myronenko consulesa da
Ucrânia em Curitiba e o ministro
das Relações Exteriores ucraniano
Kostyantyn Gryshchen

“É um governo com novas intenções, que estimulam a cooperação e isso é muito importante no ano em que se comemora os 120 anos da imigração ucraniana ao Brasil e 20 anos da independência de nosso país. Temos uma parceria estratégica entre nossas nações”, disse a cônsul.


Os ucranianos deram grande contribuição na colonização e desenvolvimento da agricultura no centro-sul do Paraná e no centro-norte de Santa Catarina, no início do plantio de centeio e trigo e outros cereais, na implantação do sistema de cooperativas e no desbravamento e desenvolvimento dessa região.

Cônsul Geral Senegal PR SC
Ozeil Moura dos Santos

O cônsul geral do Senegal para o Paraná e Santa Catarina, Ozeil Moura dos Santos, disse que o encontro foi muito importante porque compareceram representantes 38 países. “São países que vêm ao Paraná em busca de integração comercial, cultural, científica, tecnológica, esportiva”, destacou. Ele disse que a África tem um bilhão de pessoas em 53 países que são eminentemente importadores. “A tecnologia que o Paraná tem é a que serve para a África”, disse.

Santos agradeceu ao governador que, quando foi prefeito de Curitiba, criou o Portal Africano na Praça Zumbi dos Palmares. “É o maior portal africano do mundo, com 53 totens. Hoje esta obra é uma grande atração turística para o Paraná e para os africanos que aqui vêm”, disse.

Informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná. Mais informação acesse www.aen.pr.gov.br

Imagens da Internet – fotoformatação (PVeiga).

CRÔNICA SOBRE O "BBB"

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço... A décima terceira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil, encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha, mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.

Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados.

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns).

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avôs... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.

Fontes: [Bereianos] e [ Index Reformado ]

Obs.: Segundo informações (veja aqui), este texto não foi escrito por Luis Fernando Veríssimo. Até o presente momento não possuímos informações de quem realmente seja o autor do mesmo. Se alguém souber, favor deixar um comentário com a fonte na internet.

Imagens da Internet – fotoformatação (PVeiga).

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

RICHA FALA DE UNIÃO, QUALIDADE DA GESTÃO PÚBLICA E DESENVOLVIMENTO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

O governador Beto Richa apresentou nesta quarta-feira (02/02) a mensagem do Plano de Governo na primeira sessão da 17ª legislatura da Assembléia Legislativa do Paraná. Ele reforçou a importância da independência e da cooperação entre os poderes em busca do bem comum. “A implantação de políticas públicas de nossa iniciativa buscará sempre ser antecedida de amplo debate com os deputados”, disse o governador.

Além de relatar as primeiras medidas que adotou no campo financeiro e em áreas prioritárias da administração, como a educação, a saúde, a segurança pública e a promoção social, Richa falou sobre os contratos de gestão, das medidas para recuperar o porto de Paranaguá, do reestabelecimento do planejamento de longo prazo nas ações do Estado.

O governador lembrou que entre as primeiras providências que adotou ao assumir o governo foi decretar uma moratória nos pagamentos, sem afetar serviços essenciais, para reconstituir a capacidade de investimento e recompor o equilíbrio financeiro do Estado. “Suspendemos os pagamentos pelo prazo de noventa dias e começamos a cortar em 15% os gastos correntes”, disse.

Ainda no campo da gestão, afirmou que vai “reorganizar a administração e profissionalizar a estrutura estatal, reconhecendo o papel fundamental do servidor público”. “Vamos restaurar a confiança no Estado como mediador das soluções esperadas pela sociedade e como indutor do desenvolvimento sustentável”, destacou.

Cooperação - Richa disse que buscará a cooperação com o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público, contribuindo para que sua administração não se afaste dos princípios que regem a administração pública — legalidade, moralidade, publicidade, eficiência e impessoalidade.

Ele afirmou no pronunciamento que não era por acaso que buscou nos quadros destas duas instituições os nomes que ocupam as secretarias da Justiça, a Procuradoria Geral do Estado, e as secretarias especiais de Controle Interno e Corregedoria e Ouvidoria-Geral. “Não há democracia nem aperfeiçoamento das instituições republicanas sem o protagonismo da Justiça”, assinalou.

O governador voltou a falar sobre o compromisso assumido de retribuir a confiança das famílias paranaenses e dar primazia em seu governo as áreas de educação, saúde, segurança pública e promoção social, que foram poupadas do corte de gastos.

Área Social - Na área de educação, sob direção do vice-governador Flavio Arns, Richa disse que foi encaminhada a contratação emergencial de professores, para evitar que faltem mestres em sala de aula no início do ano escolar, no próximo dia 8. “É preciso concentrar energias na melhoria do ensino fundamental, na expansão de vagas do ensino médio e na maior oferta de oportunidades de qualificação profissional. Estou ciente que nada disso será possível se não houver também o reconhecimento do trabalho dos professores, com foco absoluto no aprendizado do aluno”, salientou.

O governador disse que determinou ao secretário da Segurança Pública, ao comandante da Polícia Militar e ao delegado-geral da Polícia Civil a definição de um plano emergencial com metas a serem atingidas ainda em 2011, prevendo a redução dos índices de criminalidade no menor prazo possível. O governo também trabalha na imediata readequação do Instituto Médico Legal, cujo funcionamento ainda causa grande angústia à população.

Richa disse que, em seu governo, a saúde terá os investimentos necessários, como determina a Constituição Federal, e que vai investir na qualificação da gestão dos recursos dessa área, fixar metas e monitorar os resultados. Neste início de gestão, uma das dificuldades é o combate à dengue. A Secretaria de Saúde adotou medidas emergenciais para o combate preventivo à doença, priorizando as regiões com maior número de casos.

Infraestrutura - Richa disse que já adotou medidas para recuperar as condições operacionais do Porto de Paranaguá e que espera para breve a licença ambiental para lançar uma licitação para a dragagem de manutenção dos canais de acesso. O projeto de ampliação e modernização dos portos de Paranaguá e Antonina prevê investimentos de R$ 1 bilhão.

Ele lembrou que a nova postura administrativa do estado já resultou em valorização de mais de 20% nas ações da Copel e da Sanepar, empresas públicas de sentido estratégico para o desenvolvimento estratégico do Paraná.

Desenvolvimento econômico - O governador disse que em breve vai enviar à Assembléia um projeto para criação da Agência Paraná de Desenvolvimento, para atuar na formulação da política industrial, valorização da agricultura e na criação de mecanismos de inovação científica e tecnológica.

Richa lembrou que “apesar do magnífico desempenho de nossa agricultura, cuja produtividade cresceu várias vezes nas últimas décadas, e em que pese o grande potencial do nosso parque industrial, o Paraná perdeu terreno, ficou pra trás”. Ele criticou o desperdício de oportunidades de investimentos e o relaxamento na infraestrutura de transporte. “Faltou diálogo com a iniciativa privada e o capital produtivo foi tratado com arrogância”, disse.

O governador reconheceu o acerto dos programas sociais e os méritos da política de isenção fiscal para pequenas e microempresas, que respondem por mais de 50% dos empregos no Estado, e que por isso irá manter e ampliar a política fiscal e aperfeiçoar os programas sociais. “Vamos aperfeiçoar a política de transferência de renda, com soluções que busquem emancipar as famílias menos favorecidas”, afirmou.

Por fim, evocando palavras do ex-governador José Richa, em discurso de março de 1983, disse que seu desafio é unir a gente paranaense e garantir a unidade do Estado em torno de seus legítimos interesses no contexto da Federação. “Definitivamente, os investimentos federais no Estado precisam ser compatíveis com os impostos recolhidos por empresas e trabalhadores paranaenses”, afirmou.

FONTE: AGÊNCIA DE NOTÍCIAS – PARANÁ - Secretaria de Estado da Comunicação Social - SECS

JOÃO-DE-BARRO UM GRANDE ARQUITETO CONSTRUTOR

Recebo diariamente em meu quintal um bando de pássaros - bem-te-vis, pombinhas, sabiás, pardais, joão-de-barro... aos quais alimento e forneço água todos os dias...

João-de-barro no meu quintal (PVeiga)

Como o João-de-Barro constrói sua casa?

Tudo começa com a coleta da matéria-prima. Além de barro úmido, retirado do solo, a ave, cujo nome científico é Furnarius rufus, usa esterco misturado à palha. A casa é construída em conjunto pelo macho e pela fêmea, que chegam a fazer centenas de viagens no transporte do material. Galhos de árvores, postes e beiradas de casas são os locais preferidos pelo joão-de-barro para instalar seu ninho, que, em geral, tem formato esférico e cerca de 30 centímetros de diâmetro. Para construir as paredes (de 5 centímetros de espessura), o casal amassa as bolas de barro com os bicos e os pés. Uma engenhosidade do ninho é a divisão em dois cômodos. O acesso ao primeiro se dá pela porta, feita na medida para que a ave entre sem precisar se abaixar. A câmara mais interna, forrada com penas, pelos e musgo, serve para a postura de ovos e acomodação dos filhotes, que ficam a salvo de predadores.

Outra peculiaridade da casa é a localização da porta de entrada, estrategicamente posicionada na direção contrária à chuva e ao vento. Até hoje os ornitólogos (estudiosos das aves) não sabem como o joão-de-barro desenvolveu essa habilidade, que o mantém protegido das intempéries. Após cerca de duas semanas, o ninho fica pronto e a fêmea põe seus ovos.

Inexplicavelmente, depois de tanta ralação, o casal só usa o cafofo por um ano, período em que tem até quatro ninhadas. Em seguida, a dupla abandona o lar e começa a construção de um novo! Isso que é gostar de trabalhar!

Reza uma lenda popular que o joão-de-barro seria extremamente ciumento e vingativo. Se ele desconfia que esteja sendo traído, toma uma atitude radical: prende a companheira no ninho, tapando a porta, e deixa a coitada morrer lá dentro. Essa história toda, contudo, não tem o menor fundamento científico. O que não impediu, claro, que ela virasse até tema de uma famosa música caipira, “João-de-barro”, interpretada pela dupla Tonico e Tinoco.

http://biomundi.blogspot.com/2009/08/como-o-joao-e-barro-constroi-sua-casa.html


LENDA INDÍGENA DO JOÃO-DE-BARRO


Uma lenda indígena, brasileira, conta-nos a estória do João de Barro. Antes de se transformar em pássaro, João de Barro era um jovem muito bonito, que se apaixonou pela filha de um pai bastante severo. Por ser assim, ele exigia duras provas daqueles que disputavam a mão de sua filha. O jovem Jaebé foi um desses que tiveram que provar a ferro e fogo o amor pela donzela. Como prova de amor o pai da moça exigiu que Jaebé fosse enrolado num pesado couro de anta e que permanecesse nove dias sem comida ou bebida. Agindo assim, ele se livraria definitivamente do pretendente. Acontece que Jaebé, se submeteu sem reclamar àquele sepultamento. Sua pretendente, que também se apaixonara pelo jovem, ao ver sua coragem, rezava por ele sem cessar. E foi assim que, no último dia, todos tiveram grande surpresa. Ao abrir o couro que servia de sarcófago, de seu interior saiu um lindo pássaro de olhos vivos com penagem brilhante e perfumada. Sua namorada ao ver aquilo também se transformou em pássaro e ambos fugiram para a floresta. O João de Barro, até hoje dá provas de seu amor infinito quando constrói para sua amada uma casinha com esmero e dedicação.

http://vida-de-indio.blogspot.com/2009/02/o-joao-de-barro.html

DESAFIANDO O RIO-MAR - OPERAÇÃO TAPAJÓS - BERÇO DA HUMANIDADE I

Hiram Reis e Silva, Santarém, PA

“(...) por uma grande lapa feita, e talhada por modo de uma grande Igreja, ou Templo, que bem mostra foi obra de arte, ou prodígio da natureza.”

(Padre João Daniel)

Minha permanência em Santarém, depois de aportar na Pérola do Tapajós, tinha por finalidade dar continuidade a uma série de pesquisas que me permitiriam tirar conclusões mais fiéis a respeito das narrativas de pesquisadores e escritores modernos e antigos. Eu concluíra a navegação, mas não as pesquisas referentes à 3ª Fase do Projeto. Uma de minhas maiores indagações se encontrava nas páginas da célebre obra “Tesouro Descoberto no Rio Amazonas”, do Padre João Daniel, escrito na prisão, entre 1757 e 1776. Daniel menciona pelo menos um local, na Bacia do Tapajós, que os nativos reverenciavam como o “Berço da Humanidade”. Como pesquisador, lancei-me de corpo e alma na tentativa de tentar averiguar “in loco” a existência do mesmo. Reproduzo, abaixo, dados do autor e seu intrigante relato para que o leitor compreenda meu interesse.

João Daniel (1776)

Segundo o Pe. João Daniel o
baeijaflor tem "um biquinho
comprido como um alfinetecom
o qual anda sempre chupando
flores

João Daniel nasceu em Travassos, Província de Beira Alta, Portugal, em 24 de julho de 1722. No dia 17 de dezembro de 1739, ingressou na Companhia de Jesus e dois anos depois foi enviado para o Maranhão e Grão-Pará, onde completou sua formação no Colégio São Luís. Viveu dezesseis anos na fazenda Ibirajuba, considerada, na época, a melhor possessão dos jesuítas onde conviveu durante seis anos com nativos de diversas aldeias. Em 1757, o Marquês de Pombal determinou que todos os jesuítas fossem presos e deportados. O Padre João Daniel foi encarcerado no Forte Almeida, Portugal, de 1758 a 1762 e, depois, na Torre Julião, até o dia de seu falecimento em 19 de janeiro de 1776. Sua obra, escrita no período em que permaneceu cativo, revela com riqueza de detalhes incomparável três temas fundamentais: a terra, o homem e a cultura da Amazônia do século XVIII. Embora Padre Daniel faça dois relatos distintos a respeito de monumentos naturais na Bacia do Tapajós alguns autores advogam a possibilidade, ainda que remota, de que se trate do mesmo local já que os relatos poderiam se referir um à época das cheias e outro das vazantes. Digo remota porque na época das cheias as cavernas do Cupari ficam parcialmente submersas e, portanto, a descrição delas deveria ser diversa da apresentada ao Padre Daniel.

Padre João Daniel redigiu um
relato que mencionava vários
animais. Um dos que mais o
impressionaram foi o tamanduá,
que ele descreveu assim: "a sua
vida e sustento é caçar e comer
formigas, e como estas na América
são inumeráveis, nunca padece fome".
O religioso comenta ainda que o
cabelo do bicho "poderia servir
de espanador de sala"

“Junto à catadupa do Rio Tapajós, acima da sua foz pouco mais de cinco dias de viagem, está uma fábrica, a que os portugueses chamam convento, por ter o feitio dele. Consiste este em um comprido corredor com seus cubículos por banda, e com suas janelas conventuais em cada ponta do corredor. É fábrica, segundo me parece das poucas notícias que dão os índios brutais em cujas terras está, de pedra e cal, e conforme a sua muita antiguidade mostra ser feito por mãos de bons mestres. É todo de abóbada, e muito proporcionado nas suas medidas, e não é feito, ou cavado em rochedo por modo de lapa, ou concavidade, como são os templos supra, mas obra levantada sobre a terra. Alguns duvidam se toda a fábrica consta de uma só pedra, porque não se lhe vêem as junturas: famoso calhau se assim é e, na verdade, só sendo um inteiro calhau parece podia durar tanto, pois segundo o ditame da razão se infere que ou é obra antes do universal dilúvio, ou ao menos dos primeiros povoadores da América, que por tão antigos ainda se não sabe decerto donde foram, e donde procedem. A tradição, ou fábula, que de pais a filhos corre nos índios, é que ali moraram, e viveram nossos primeiros pais, de quem todos descendem, brancos e índios; porém que os índios descendem dos que se serviam pela porta, que corresponde às suas aldeias, e que por isso saíram diferentes na cor aos brancos, que descendem dos que tinham saído pela porta correspondente à foz, ou boca do Rio; será talvez a principal, e ordinária serventia do palácio, e a outra uma como porta travessa: outros dizem que naquele convento moraram os primeiros povoadores da América, e que repartindo a seus filhos, e descendentes aquelas terras, eles bulharam (discutiram irracionalmente) entre si sobre quem havia de ficar senhor da casa, e que finalmente só se acomodaram desamparando a todos.

Eu não disputo agora sobre estas tradições, cuja ponderação deixo à discrição dos leitores, só digo que o palácio, ou convento bem merece veneração por velho e gozar dos privilégios dos mais antigos. Algum autor houve, que discorria ser a América o paraíso terreal, onde Deus pusera Adão, apontava para isso várias razões, fundadas já na sua grande fertilidade, e já nos seus grandes Rios; e outros que não aponto por me parecerem quiméricos, além de assentarem os maiores escriturários, que o lugar do paraíso era, e é na Ásia, encoberto, e oculto aos homens; e também pode ser na América do que prescindo; só digo que os que o põem na América têm neste “Convento” e tradição dos índios grande fundamento. A verdade é que os índios lhe têm tal respeito e veneração, que se não atrevem a morar nele, não obstante o viverem em suas fracas choupanas quanto basta a encobrir os raios do sol, e incomodidade da chuva; nem têm instrumentos para maiores fábricas, por não terem uso do ferro; e tendo ali casas feitas, e bem acomodadas, as deixam estar solitárias, servindo de covis aos bichos do mato, e de palácio aos grandes morcegos, e aves noturnas, que ali vivem, e moram muito contentes, e sossegadas, enquanto os tapuias não lhes dão caça com as suas flechas, para deles fazerem bons assados, e melhores bocados para os seus sair pela sua porta os índios, e por isso saíram tisnados (enegrecidos), e vermelhos: e quem fumo, e algumas vezes fogo por entre pedras; talvez que nele se tisnassem ao sair pela sua porta os índios, e por isso saíram tisnados, e vermelhos; e quem sabe se por causa deste fogo, e fumo, não habitam o convento? (...)

Mais curiosos foram os que mediram outra semelhante no Rio Tapajós, que com grande cabedal (caudal) deságua acima do Rio Coroa. Entre os mais Rios, e Ribeiras, que recolhe o Tapajós é um o Rio Cuparis, a pouca mais distância de três dias, e meio de viagem da banda de Leste no alegre sítio chamado Santa Cruz; é célebre este Rio, mais que pelas suas riquezas, de muito cravo, por uma grande lapa feita, e talhada por modo de uma grande Igreja, ou Templo, que bem mostra foi obra de arte, ou prodígio da natureza. É grande de cento e tantos palmos no comprimento; e todas as mais medidas de largura, e altura são proporcionadas segundo as regras da arte, como informou um missionário jesuíta, dos que missionavam no Rio Tapajós, que teve a curiosidade de lhe mandar tomar bem as medidas. Tem seu portal, corpo de Igreja, Capela-mor com seu arco; e de cada parte do arco uma grande pedra por modo de dois Altares colaterais, como hoje se costuma em muitas Igrejas; dentro do arco, e Capela-mor tem uma porta para um lado, para serventia da sacristia. O missionário que aí quiser fundar missão, já tem bom adjutório (auxílio) na Igreja, e não o desmerece o lugar, que é muito alegre. Bem pode ser que nos mais Rios e Distrito do Amazonas, e seus colaterais haja algumas outras Igrejas, ou Capelas; nestes três Rios Tapajós, Coroa e Xingu se descobriram estas, por serem mais frequentados”. (DANIEL)

Jazidas de Gipsita no Rio Cupari

“A ocorrência de gipsita do rio Cupari foi reconhecida desde 1948 por Harald Sioli em trabalho versando sobre a topografia e limnologia do rio Cupari. A jazida está localizada no local denominado Manoel João, no baixo curso do rio Cupari, a 10 km de sua foz. (...) O mercado nacional de gipsita é abastecido, praticamente, na sua quase totalidade, pelas minas do Nordeste Brasileiro, o que reveste o jazimento do rio Cupari com características promissoras para o abastecimento dessa matéria-prima na região Amazônica, podendo eventualmente, atingir os centros consumidores de outras regiões do país, e quiçá, de mercados internacionais”. (CPRM)

O Cupari despertou, mais recentemente, a atenção da mídia, nos idos de 1948, quando foi relatada a existência de gipsita nas suas proximidades. O mineral de múltiplas aplicações é usado na produção do gesso, fertilizante, retardador de cimento, na fabricação cerâmica, de ácido sulfúrico, cervejas, moldes para fundição, vidros, esmaltes, desidratante, aglutinante, corretivo do solo, e aparelhos ortopédicos.

Incursão ao Cupari (26 de janeiro de 2011)

Depois de Fordlândia meu interesse se concentrou na incursão ao Rio Cupari (Curupará ou Cuparis) e ao “Berço da Humanidade”. Partimos às onze horas para a foz do Cupari onde deveria estar nos aguardando um guia como fora anteriormente acordado, em Aveiro, com o Padre Sidney Augusto Canto, que nos acompanhava na Expedição. Aguardamos trinta minutos pelo guia que não apareceu e depois de colher informações desencontradas, de toda ordem, partimos, às 12h20, para a Comunidade de São Raimundo. O bravo Piquiatuba enfrentava a forte correnteza do Cupari, que beirava os 17 km/h, com muita valentia e mantinha uma velocidade em torno dos 12 km/h. Navegar em um Rio estreito permite que se observem as margens com mais detalhe. Apesar da beleza da vegetação da Floresta Nacional do Tapajós, cujo limite Norte era o próprio Rio, podia-se notar a ausência dos gigantes da floresta vítimas da ação antrópica. Depois de quatro horas de viagem, cinquenta quilômetros percorridos, aportamos na Comunidade de São Raimundo (3°56’48,2”S/55°19’24,5”O). Para se ter uma idéia da sinuosidade do Cupari basta dizer que a foz ficava em linha reta a apenas vinte e cinco quilômetros de distância. Logo que chegamos o pessoal foi visitar a comunidade que estava bastante movimentada com o resultado da recente caçada: duas pacas, três cutias, um mutum e um tatu. O burlesco festim me fez lembrar uma recente refeição na qual “preservacionistas dialéticos” consumiram, sem qualquer constrangimento, dois pequenos jabutis, de menos de dez centímetros. Embora tenha sido iniciado na arte da caça ainda adolescente, aprendi, desde cedo, a preservar os filhotes e as fêmeas das diversas espécies. Nas praias sulinas retirávamos das redes, com cuidado, os siris que mais tarde serviriam de repasto, mas com a preocupação de devolver ao mar as fêmeas. Como Capitão, servindo em Aquidauana, MS, saíamos para caçar “porcos monteiros”, porcos domésticos criados a campo, e conscientemente evitávamos vitimar as matrizes. Fico impressionado como o discurso, de uns e outros, está longe da ação efetiva. A tolerância no consumo de filhotes de qualquer espécie não se coaduna, absolutamente, com qualquer um que pretenda se proclamar como defensor do meio-ambiente.

O Padre Sidney anunciou, novamente, que iria celebrar uma missa e incitei-o para que isso fosse feito com a presença da Comunidade local. A cerimônia simples foi realizada na escolinha e emocionou a todos nós. Quando jovens adultos mencionaram o fato de ainda não terem sido sequer batizados me aproximei do Padre e afirmei a ele que nada na vida acontecia em vão. O Sidney já havia feito menção de realizar uma missa a bordo em Fordlândia e que por fatores estranhos à nossa vontade não se concretizou. Certamente a cerimônia realizada em São Raimundo surtira um efeito muito maior do que a anteriormente programada. Voltamos para o barco tomando o cuidado de tirar os calçados embarrados e lavá-los nas águas do rio para não sujar o convés.

Buscando o Berço da Humanidade

(27 de janeiro de 2011)

Partimos, debaixo de chuva, às 6h50min, rumo às cabeceiras do Cupari. Improvisamos capas de chuva com sacos de lixo de cem litros tentando nos proteger da chuva fina e fria. Passamos por uma novilha que lutava, com dificuldade, contra a correnteza forte. Soubemos, mais tarde, que ela fora “piedosamente salva” das águas pelos ribeirinhos que a carnearam sem compaixão. Aportamos nas imediações da casa do senhor Francisco Sales que nos serviria de guia, ele se esquecera de tirar a “malhadeira” e a hélice do 40hp enroscou nela. Nosso piloto, soldado Marçal, teve de lançar mão de um canivete para livrar a hélice, e ao recolher a rede verificamos que havia capturado um peixe cachorro de uns sessenta centímetros. Deixamos a rede e o peixe na embarcação do Sales que se aproximara rapidamente. À medida que subíamos o Cupari a vegetação se tornava mais densa e luxuriante. As gigantescas castanheiras e samaumeiras destacavam-se majestosamente sobre a copa das demais irmãs da floresta. No Solimões estas espécies dominavam a terra firme e agora eram senhoras absolutas da várzea. Cruzamos por um magnífico casal de araras azuis e uma infinidade de “ciganas” que se afastavam rapidamente à medida que nos aproximávamos.

Cigana ou Jacu-cigano (Opisthocomus hoazin): ave nativa do Norte da América do Sul. Habita regiões pantanosas e de várzea da bacia do Amazonas e Orinoco. A principal característica dos filhotes é um par de garras na ponta das asas, entre o primeiro e segundo dedos, que se perde quando atingem a maturidade. Os dedos são usados na proteção contra predadores, usando as garras para subir pelas árvores e fugir do ameaça.

Por volta das 7h50 chegamos à bifurcação com o Cuparizinho e continuamos até encontrar umas pedras que impediram nossa progressão por água por volta das 9h30. Descemos para esticar as pernas, analisar o terreno e fazer um pequeno lanche. Consultei o GPS e verifiquei que estávamos próximos à BR 230, ouvimos, ao longe, o som de carros na Transamazônica que estava no máximo a quatro quilômetros de distância. Ao regressarmos consultamos um morador que informou que as “cavernas” ficavam logo depois de nossa última parada e que o melhor acesso era por terra, via Transamazônica. Só então, o padre Sidney lembrou de que depois de Rurópolis, na BR 230, quilômetro 77, havia uma placa anunciando as tais cavernas que certamente eram nosso objetivo. Decidimos tentar, novamente, acessar o “Berço da humanidade” na próxima semana via terrestre.

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS); Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS); Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E–mail: hiramrs@terra.com.br

Imagens da Internet - fotoformatação (PVeiga).

O CRIADOR DA FRASE "O FUTEBOL É UMA CAIXINHA DE SURPRESAS"

(*)-Por Mauricio Stycer-(01/02/2011)

De todas as frases feitas do mundo esportivo, talvez a mais famosa seja: “o futebol é uma caixinha de surpresas”. Desde que me entendo por gente, este comentário é um exemplo do “clichê”, da falta de originalidade – o chamado lugar-comum, banalizado pelo uso repetitivo – que deve ser evitado a todo custo.

Ao mesmo tempo, é uma frase que sempre me fascinou. Por que o futebol seria uma caixinha de surpresas? É uma imagem que remete ao universo infantil, mas que dá conta, realmente, de uma das principais características deste esporte – o inesperado. No futebol, o melhor nem sempre vence, o jogador ruim tem momentos de gênio, o craque perde gol embaixo da trave, um time pode ser derrotado nos últimos cinco minutos após estar vencendo por 2 a 0, e por aí vai.

Lendo a biografia do radialista Luiz Mendes, “Minha Gente”, descobri que o criador da expressão foi outro radialista, Benjamin Wright (1919-2000). Mendes menciona Wright ao falar do trabalho na Copa do Mundo de 1954, na Suíça, que ambos cobriram pela Rádio Globo.

Wright, descobri, teve uma longa trajetória no rádio. Atuou na Rádio Nacional em seus primórdios, onde tentou a carreira como cantor. Seu nome artístico era Ben Wright. Segundo um de seus filhos, o ex-árbitro José Roberto Wright, “ele tinha voz semelhante ao (cantor americano) Bing Crosby”.

A carreira como cantor foi deixada de lado na década de 50, quando Wright mergulhou no jornalismo esportivo. Trabalhou na Rádio Continental e depois na Globo. Segundo sua outra filha, Ana Maria, cobriu seis Copas, entre 1950 e 1970. Foi comentarista de futebol e de arbitragem.

Conversei com os dois filhos de Wright no esforço de descobrir mais sobre a frase “o futebol é uma caixinha de surpresas”. Ambos têm orgulho da criação do pai, mas desconhecem em que circunstâncias Benjamin a formulou. “Se não fosse uma frase tão boa, não seria tão repetida”, observa José Roberto.

Concordo com ele. “O futebol é uma caixinha de surpresas” é uma frase tão boa que passou a ser usada de forma indiscriminada na explicação de “fenômenos” ocorridos dentro e fora do campo. O uso excessivo “gastou” a expressão, banalizando-a, tornando-a sinônimo de falta de originalidade. Mas como definir melhor a derrota do Internacional para o Mazembe no final do ano passado? Ou, bate na madeira, o que dizer se o Tolima superar o Corinthians amanhã?

(*)-Mauricio Stycer é jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 23 anos. É repórter especial e crítico do UOL.

Fotos: Álbum de família (na segunda, com o então presidente Juscelino Kubitschek).

SÓ FALTA BIAL ENTRAR NA CASA PARA CONVENCER MARIA A BEIJAR WESLEY

Por MAURICIO STYCER - Crítico do UOL

O apresentador Pedro Bial fez de
tudo para convencer Maria a
esquecer o ex Mauricio e ceder
aos encantos de Wesley:
"Viva a vida", implorou

Pedro Bial estabeleceu, ao longo dos anos, uma rotina no BBB no momento da eliminação. Com seus recados disfarçados de discursos “poéticos”, tem utilizado estes momentos solenes para orientar e dar dicas aos candidatos.

Deixando de lado as frases sem sentido, que nem ele entende, aproveita para deixar “mensagens” que, depois de digeridas, costumam alterar o comportamento dos “brothers” e “sisters”. É uma interferência nítida – aceita, sem reclamações, tanto por quem está dentro quanto fora da casa.

Nesta terça-feira, Bial se superou. O seu alvo foi Maria. A ex-namorada de Maurício, eliminado há uma semana, dá sinais de interesse por Wesley, o médico que entrou na casa no último domingo. Compreensivelmente, porém, Maria teme passar uma má imagem caso ceda aos encantos do jovem nefrologista loiro.

No esforço de convencer Maria a deixar os escrúpulos de lado, e não se preocupar com o que o público pode pensar, Bial só faltou entrar na casa para convencer a atriz. Primeiro, criticou “a liga de mulheres moralistas”, referindo-se às colegas de confinamento de Maria, que a alertaram para o risco de trocar de namorado em uma semana.

Em seguida, estimulou a candidata aos gritos: “Viva a vida, Maria!” Disse que ela está sendo “visivelmente correspondida”, repetiu o grito de guerra (“viva a vida!”) e filosofou: “O que se leva desta vida? Desta vida se leva o rock´n´roll”.

Talvez surpresa, talvez tentando entender a difícil dica de Bial, Maria se calou. Mas Diogo, não. “Você quer ver o circo pegar fogo, Bial”, resumiu, de forma a ajudar a colega, famosa pelo pensamento menos ágil.

Em seu esforço de persuadir Maria a dividir o edredon com Wesley, Bial só não mencionou que Mauricio, seu ex na casa, pode ser eleito pelo público para, brevemente, voltar ao BBB11. Como se sabe, os cinco eliminados até o momento ficarão confinados numa “casa de vidro”, num shopping no Rio, à espera que o público escolha um deles para retornar.

Definitivamente crente que formar casais é a salvação deste reality show, Bial ainda provocou Lucival sobre o suposto relacionamento entre Natalia e Diana e, depois, mandou um tiro no peito da recém-chegada Adriana: “Você entrou no BBB para ficar falando do namorado aqui fora?” A menina só conseguiu perguntar: “Falei muito?” Ao que o gentil apresentador replicou: “Uma vez já é demais”.

Se Maria ficou quieta diante de Bial, e Adriana se encolheu, Paula deu o troco. Depois de ouvir pela enésima vez piadas do apresentador sobre o seu apetite, a moça mandou: “Ah, Bial, para de falar do que eu como!”. Touché!

O NEURÔNIO INDOMÁVEL LANÇOU NA VISITA À ARGENTINA O BESTEIROL EM CONTA-GOTAS

Por Augusto Nunes - Veja Online

Foto: Juan Mabromata/AFP
Na visita de menos de 7 horas à Argentina, Dilma Rousseff achou pouco emocionar-se apenas na conversa com Cristina Kirchner e no encontro com as Mães da Praça de Maio. Para provar que no peito da mulher mandona bate um coração hipersensível, emocionou-se também ao descobrir que a declaração conjunta das duas presidentes fora lida no Salão dos Pensadores Argentinos. Aquilo merecia um falatório de improviso, resolveu. Depois de explicar que o salão da Casa Rosada “é dedicado a escritores e cientistas”, a especialista em não dizer coisa com coisa decolou espetacularmente: “Acho uma simbiose estar aqui. Este é o sentimento da nossa cooperação”.

“Simbiose é uma relação mutuamente vantajosa entre dois ou mais organismos vivos de espécies diferentes”, avisam todos os dicionários. O que fez o neurônio solitário misturar simbiose e pensadores na sopa de letras em dilmês erudito? O que induziu a viajante a decretar que cooperação é sentimento? Os argentinos afundaram no silêncio dos perplexos. Os brasileiros fingiram ter entendido tudo. Nenhum jornalista da comitiva solicitou à declarante que traduzisse o palavrório impenetrável em língua de gente.

A primeira apresentação no exterior mostrou que Dilma tem-se esforçado para assimilar a lição ministrada por João Santana. “Para ocupar o espaço de uma rainha”, ensinou-lhe o marqueteiro do rei, é preciso falar só de vez em quando e limitar-se a platitudes ou perfumarias decoradas alguns dias de antecedência. Na Argentina, em pouco mais de seis horas, falou o que Lula fala em menos de cinco minutos. Tanto bastou para que os jornalistas incorporados à comitiva presidencial enxergassem em Buenos Aires a estreia internacional do que qualificam de “estilo contido e discreto”.

Se não lhes faltasse coragem para ver as coisas como as coisas são, fariam a gentileza de contar aos leitores que, com a redução do ritmo da fábrica de disparates que funcionou em tempo integral durante a campanha, o neurônio solitário ficou mais lento. Mas continua indomável. Dispensada da continuação do caudaloso Discurso sobre o Nada, Dilma agora capricha no besteirol em conta-gotas.

OS BORGS E A COMISSÃO DA VERDADE

Por IVES GANDRA DA SILVA MARTINS - Folha de São Paulo

Por ser visceralmente contra a tortura, sinto-me à vontade para criticar a "ideologização" dos fatos passados, a meu ver enterrados com a Lei da Anistia

Sou um admirador das séries de "Star Trek". Suas edições refletem muito a história da humanidade. Os Borgs são um povo de humanos robotizados e respondem a um comando central único, que pretende "assimilar" todos os povos do universo. Assimilar é fazer com que pensem rigorosamente como eles e obedeçam como uma só unidade. Senão, são mortos.

Os Borgs representam as ditaduras ideológicas, que não admitem contestação e que procuram dominar os povos, eliminando as oposições e as verdadeiras democracias. Se a 1ª Guerra Mundial foi um embate pela realocação de poderes na Europa, a 2ª Guerra já foi uma guerra entre as democracias e os regimes totalitários (alemão, italiano e russo, visto que, no início, Stálin apoiou Hitler na invasão à Polônia).

A vitória de princípios democráticos naquele conflito, que gerou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 10/12/1948, nem por isso eliminou essa luta permanente entre ideologias totalitárias, que não admitem contestação e que continuam poluindo a convivência das nações e das democracias.

Rawls, em dois de seus livros, "Uma Teoria da Justiça" e "Direito e Democracia", mostra que a democracia só pode ser vivida se as teorias políticas não forem abrangentes em demasia e possam conviver, em suas diversidades, com outras maneiras de pensar. Teorias abrangentes provocam a eliminação dos opositores ou a "assimilação", no estilo dos Borgs da "Star Trek", daqueles que vivem sob seu jugo.

Estamos no início de um novo governo, tendo a presidente sinalizado, mais de uma vez, que quer fazer um governo de união, mas com respeito aos opositores.

Não creio que a Comissão da Verdade venha auxiliar muito esse seu projeto, na medida em que, sobre relembrar fantasmas do passado e rememorar dolorosos momentos de história em que militares e guerrilheiros torturaram e mataram, tende a abrir feridas e a acirrar ânimos.

Como ex-conselheiro da seccional de São Paulo da OAB, durante seis anos no período de exceção, estou convencido de que com a arma da palavra fizemos muito mais pela redemocratização do que os guerrilheiros com suas armas, que, a meu ver, só atrasaram tal processo.

À evidência, sou favorável a que os historiadores -e não os políticos- examinem, pela perspectiva do tempo, o ocorrido naquele período, pois não são os políticos que contam a história, mas, sim, aqueles que se preparam para estudá-la e examinam-na sem preconceitos ou espírito de vingança.

Apoio, entretanto, o entendimento do ministro Nelson Jobim de que, se for instalada Comissão da Verdade, ela deve refletir o pensamento dos dois lados do conflito.

Tenho fundados receios de que uma pequena ala de radicais, a título de defender "direitos humanos" por um único e distorcido enfoque -e os vocábulos permitem uma flexibilização infinita para todos os gostos-, pretenderá "assimilar", à maneira dos Borgs na "Star Trek", todos os que não pensem da mesma maneira, transformando uma Comissão da Verdade em Comissão da Vingança.

Pessoalmente, como combati o regime de então -sofri em 1969, inclusive, pedido de confisco de meus bens e abertura de um IPM (Inquérito Policial Militar), processos felizmente arquivados- e participei da Anistia Internacional, enquanto tinha um ramo no Brasil, por ser visceralmente contra a tortura, sinto-me à vontade para criticar a "ideologização" dos fatos passados, a meu ver enterrados com a Lei da Anistia, de 1979.
Que os historiadores imparciais -e não os ideólogos- contem a verdadeira história da época, pois são para isso os mais habilitados.

Fonte: Movimento da Ordem Vigília Contra Corrupção.
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, 75, advogado, professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra, é presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

IMAGINE SE TIVÉSSEMOS A CORAGEM DESTE BISPO QUE SE OPÔS AO TERCEIRO REICH

Chuck Colson

No começo desta semana, lhes contei a história de Lothar Kreyssig, o juiz alemão protestante que desafiou o programa do Terceiro Reich de livrar a Alemanha do que chamavam de “vidas indignas de viver”.

Mas embora Kreyssig tivesse sido uma exceção, ele não estava sozinho.

Clemens August Graf von Galen (1878-1946)
bispo de Münster (Alemanha) durante a era
nazista. Levantou sua voz em defesa dos
pobres e dos doentes, protestando contra
a eutanásia, a perseguição dos judeus e a
expulsão dos religiosos. Por causa de sua
coragem, ficou conhecido como o "Leão de
Münster)
Foto: DA Münster

Clemens August Graf von Galen era o Bispo de Muenster. Ele se tornou bispo em 1933, no mesmo ano em que Hitler chegou ao poder, e desde o início ele dificultou a vida para as autoridades nazistas.

Ele se opunha às políticas do Reich na educação e seus ataques à liberdade religiosa. Quando outros estavam fazendo tudo o que podiam para evitar provocar os nazistas, von Galen partiu para a ofensiva retórica: Ele zombava da ideologia nazista e defendia a autoridade do Antigo Testamento contra os ataques nazistas.

Mas o confronto mais importante de von Galen com o regime ocorreu por causa do programa Ação T4 — a campanha nazista para eliminar os deficientes físicos e mentais. Em 1941, a perseguição nazista aos católicos, a qual incluía enviar milhares de padres para campos de concentração, havia feito com que importantes prelados alemães, conforme o historiador Richard Evans descreveu, “mantivessem a cabeça baixa”.

Mas à medida que mais e mais pacientes deficientes estavam sendo assassinados, manter a cabeça baixa se tornou equivalente à cumplicidade com a maldade. Além disso, como von Galen percebeu, era fútil — porque os nazistas iam perseguir a Igreja Católica, de todo jeito.

Portanto, em julho e agosto de 1941, ele deu uma série de sermões que denunciavam o regime nazista. Ele disse para o povo alemão que se os deficientes podiam ser mortos com impunidade, “então o caminho está aberto para o assassinato de todos nós, quando ficarmos velhos e fracos e assim improdutivos”. Se dava para um regime desprezar o mandamento contra o assassinato, dava também eliminar os outros nove mandamentos”.

Os sermões provocaram sensação internacional: Cópias foram enviadas para os soldados alemães nas linhas de frente; a BBC leu trechos no ar. O líder nazista local exigiu que von Galen fosse executado. A irmã do bispo, uma freira, foi detida e trancada no porão do convento, do qual ela escapou subindo e saindo pela janela.

O próprio von Galen esperava ser martirizado. Mas algo extraordinário ocorreu: Os nazistas recuaram. Os sermões do bispo estimularam o público: enfermeiras e assistentes hospitalares começaram a obstruir o programa. Então, Hitler decretou uma ordem suspendendo que adultos deficientes fossem mortos nas câmaras de gás.

Embora os nazistas tivessem continuado a matar os deficientes, principalmente as crianças, eles mataram menos e faziam todo o possível para esconder o que faziam. Conforme Evans escreveu, não fosse pelas ações de von Galen, os nazistas teriam prosseguido sem impedimentos em sua meta de livrar a sociedade alemã “daqueles que continuavam a ser um peso sobre ela”.

Von Galen viveu mais do que o Terceiro Reich, mas não muito: logo depois de ser feito cardeal em 1946, ele morreu de uma infecção de apêndice. Mas ele não foi esquecido: em 2005, ele foi beatificado pela Igreja Católica. Em termos católicos, isso faz dele o “Bendito Clemens von Galen”. Mas somos nós que somos abençoados com exemplos como o dele e o de Lothar Kreyssig. Eles assumiram a postura de defender a vida em circunstâncias difíceis que não podemos imaginar e forçaram uma ditadura demoníaca a recuar.

Imagine o que poderíamos realizar hoje com o tipo de compromisso e coragem deles.

Este artigo foi reproduzido com permissão de breakpoint.org

Traduzido por Julio Severo: http://juliosevero.blogspot.com

Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/imagine-if-we-had-the-courage-of-this-bishop-who-opposed-the-third-reich

Imagem da Internet - fotoformatação (PVeiga).