terça-feira, 29 de março de 2011

PEDRO DA VEIGA FALA E ESCREVE

Por Wille Bathke Júnior

“Minha paixão é a comunicação. Inauguramos serviços de alto-falantes e a Rádio Colmeia. Amo Campo Mourão desde que aqui cheguei. Com as células vivas, nos dedicamos de corpo e alma, às causas nobres da cidade, este grande Centro do Progresso, título do meu livro, que deixo como legado às gerações. Orgulho-me de ter filhos e netas, todos mourãoenses”.

Pedro da Veiga nasceu dia 9 de dezembro de 1938, no Distrito de Cinzas (atual Jundiaí do Sul), município de Santo Antonio da Platina (PR). “Jundiá quer dizer bagre e y é água (Rio do Bagre). Jundiaí foi criado na mesma data de Campo Mourão, 10 de outubro de 1947, pelo governador Moisés Lupion”, explica.

Pedro é filho do safrista de porcos e delegado de polícia, José Batista Leite Veiga (Nhonhô) e de Theodora Cardoso de Lima Veiga. Tem seis irmãos: Maria casada com Silveira Claudino, Terezinha, Paulo marido de Inês Hannel, Deodato esposo de Telma Vieira, Joana e Carlos Magno.

Infância – Quando menino gostava de nadar no Rio Jundiaí e brincar de “mocinho e bandido”, influenciado por heróis do “far-west” que via no cinema local. Lembra-se dos filmes de Tex Ritter, Roy Rogger, Rock Lane e dos seriados do Zorro, Deusa de Jôba e Flash Gordon. “Comecei a trabalhar de locutor nos serviços de alto-falantes do cinema e da igreja matriz de São Francisco de Assis, padroeiro da minha cidade natal. Fazia reclames (comerciais), anunciava filmes, animava quermesses, tocava os sinos às dezoito horas, rezava a Ave Maria e rodava músicas até pouco antes da missa das sete da noite”. Pedro da Veiga foi “coroinha” e “congregado mariano”. “Eu ajudava frei Henrique de Trevíso - que me batizou - depois o padre Carlos Weiss, a celebrar as cerimônias e auxiliava na limpeza da igreja”, recorda feliz. “Meu primeiro emprego, com doze anos, foi com José Milani, dono da Casa Popular, um senhor de idade, alegre e sacristão. Nós dois co-celebrávamos as missas”, sorri.

Estudante – Pedro da Veiga iniciou os estudos aos sete anos. Concluiu o primário no Grupo Escolar Governador Moisés Lupion. “A diretora era Uacy Machado Pereira e minha professora, Eliza Armindo Pinto, que me marcou muito no dia da formatura. Meus colegas ganharam presentes das madrinhas, menos eu. Eliza era a minha. Esperei meio jururu, e nada. Quando a cerimônia estava terminando ela veio sorridente, me parabenizou, me beijou e deu um abraço tão gostoso, um dos maiores presentes que já recebi na minha vida”, relata emocionado. “Fiz o exame de admissão ao ginásio e estudei o primeiro semestre em Santo Antonio da Platina – Jundiaí não tinha ginásio e a outra metade do ano em Apucarana, mas tive que parar por mudanças da família”, conta Pedro.

Curitiba – Aos 16 anos deixou Jundiaí do Sul. “Meu pai comprou uma pensão perto da Praça Ozório em Curitiba, em sociedade com a irmã Maria Batista Veiga de Oliveira (tia Mariquinha). Não deu certo. Em 1955 viajamos com destino a Campo Mourão, de trem até Maringá. Quando estávamos em Londrina a composição descarrilou. Foi uma parada brusca e um choque violento. Apavorante! O vagão onde eu estava com a família, pendeu violentamente e por pouco não tombou”, conta assustado.

Campo Mourão – “Desembarcamos na estação ferroviária de Maringá. Seguimos de ônibus por uma estrada mal conservada e poeirenta. Atravessamos o Rio Ivaí de balsa e chegamos a Campo Mourão. Moramos com o avô materno, Egydio Cardoso de Lima, cafeicultor, no Distrito de Barreirão do Oeste, atual município de Boa Esperança. Tudo era sertão, habitado por animais selvagens. Meu pai gostava de caçar pacas, de carne macia e gostosa”, narra Pedro da Veiga. O desbravador, Egydio Cardoso de Lima, denomina uma rua no Jardim Country Clube de Campo Mourão. A família Veiga chegou a Campo Mourão no início da década de 50. “Amigo de Moisés Lupion, meu pai foi nomeado guarda florestal, designado para vigiar as matas e coibir a invasão na inóspita terra de Cascavel. Ficamos sozinhos em Campo Mourão. Morávamos em uma casa de madeira, sem luz, água de poço, na Avenida Goioerê, no meio das capoeiras do cerrado, perto do antigo Armazém do Licínio Rodrigues, entre o atual Supermercado Carreira e o Mercado Municipal”, localiza. “Meu pai ficava dias sem nos ver por causa das dificuldades das estradas, que praticamente não existiam entre as vastas regiões de Cascavel e Campo Mourão”, recorda.

Av. Irmãos Pereira (1950) trecho entre Rua Brasil e Francisco Albuquerque-clique na imagem p/ampliar

Disão de futuro – “Desde que avistei Campo Mourão - um vilarejo de poucas casas que se resumia ao miolo da praça - me impressionou o traçado da cidade despovoada. Tive certeza que aqui seria um verdadeiro Centro de Progresso, pela posição estratégica na geografia do Paraná. Esse slogan foi escolhido pela comunidade na década de 70, no auge da economia do café, da madeira e início da agricultura mecanizada. Nesse período Campo Mourão expandiu-se rapidamente e, nos últimos anos deu uma parada. Faltam mais empresas e mercado de trabalho”, observa Pedro.

Educação e trabalho – Com residência fixa em Campo Mourão, Pedro da Veiga voltou aos folguedos, estudar e trabalhar. “Sempre gostei de banho de rio. Com meus amigos nadávamos perto da Laje Grande (bica) e na voltinha do Rio do Campo. Fui orador da segunda gestão do Grêmio Lítero Esportivo Barão do Cerro Azul (GLECA) presidido por Wille Bathke Júnior e presidente da Turma Brasília, a segunda de formandos do Ginásio Campo Mourão, propriedade do professor Ephigênio José Carneiro, perto do Estádio Municipal”, relembra. Estudou com pioneiros do ensino ginasial de Campo Mourão: “Egydio Martello, Nicon Kopko, Áurea Margarida Carneiro, Nilton Bussi, Hains Ravache e Iran Martins Sanches”, nomina. Em 1956 trabalhou na Casa Nossa Senhora Aparecida de Nicolau e Nabi Assad, uma casa de madeira perto do Bar Aparecida. “Fiquei só três dias. Colocaram-me em um depósito fechado a fim de espanar a poeira das mercadorias. Quase morri afogado de tanta poeira e saí fora”, risos.

Alto-falantes – O primeiro alto-falante (caixinha de som) instalado em Campo Mourão no início de 1950, ficava no alto da porta do Bar Estrela de Pedro Gênero – hoje Drogaminas - na esquina da Rua Brasil/Avenida Irmãos Pereira. Só se ouvia músicas caipiras. O segundo, com locução e músicas, foi o da Bicicletaria Central, na esquina da Avenida Irmãos Pereira/Rua Francisco Ferreira Albuquerque. O terceiro era “A Voz Amiga da Cidade” do Cine Mourão, de Teodoro Methcko, e o quarto o do Cine Império de Chafic Bader Maluf. “Até 1958 não existia a Rádio Difusora Colmeia”, justifica. Os serviços de alto-falantes operavam cerca de duas horas por dia: no horário de almoço e no final da tarde, com anúncios comerciais, músicas populares, programação e síntese dos filmes em cartaz. “A convite do Theodoro Metchko, fui locutor da Voz Amiga da Cidade e o Danúbio Vieira do Cine Império. Depois passei a trabalhar nos dois cinemas”, conta da concorrência. “Não tinha salário. Investia em discos e meu lucro era a sobra da venda dos comerciais”, sorri.

Rádio Colmeia – Na primeira semana de agosto de 1958 a Rádio Colmeia foi ao ar em caráter experimental. A primeira voz ouvida foi a do professor Hainz Ravache, que falava desde a casa do transmissor e da antena, em frente ao antigo almoxarifado municipal. A primeira música transmitida foi Cu-cu-ru-cu-cu Paloma, cantada pelo mexicano Miguel Aceves Mejias. “Oficialmente, a Rádio Colmeia inaugurou dia 2 de agosto de 1959”, registra Pedro da Veiga, primeiro locutor assalariado, contratado pelo diretor Otávio Rottili. “Fizeram parte da primeira equipe de funcionários: Elza Brisola Maciel (discotecária), Aroldo Tissot (locução geral), o gerente J. Ambrósio Neto (locutor esportivo e comercial), Natália Domanski (secretária), Raimundo Spacki e Osvaldo Morais (técnicos de som). A Rádio Colmeia foi instalada ali, no Edifício Gênero da Rua Brasil”, aponta Pedro da Veiga.

Jornalismo – O primeiro jornal falado da Rádio Colmeia chamava-se “O Mundo em Foco”, inicialmente apresentado por Pedro da Veiga e J. Ambrósio Neto e depois com Aroldo Tissot. “Por muitos anos continuei como âncora do Mundo em Foco. As notícias eram quentes, captadas pelo telegrafista Carlos Mareck, que eu buscava, de bicicleta, no Correio da Rua Harrison José Borges, onde antigamente tinha a CAFE do Paraná pouco acima da Móveis Rio Grande e depois na casa do Odilon Jofre Tayer, na esquina da Rua Brasil/Avenida Goioerê, perto do Colégio Marechal Rondon. Muitas vezes furamos o famoso Repórter Esso, apresentado por Heron Domingues, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro”, conta vitorioso. “A primeira agente do Correio em Campo Mourão foi Jovita Messias Marques e o segundo, Carlos Mareck, ambos de fundamental importância aos noticiosos da Rádio Colmeia. O único problema era traduzir os telegramas cifrados, porque não dava tempo de redigir os artigos, pontos e vírgulas. Felizmente sempre me sai bem nas leituras”, sorri realizado.

Desfile na gestão Dr. Renato Fernandes
Silva, PV e Wille Bathke Jr. narrando
pelos microfones da Rádio Colmeia

Imprensa escrita - Em 1962, Pedro da Veiga, deixou a Rádio Colmeia. Trabalhou como chefe de escritório da Casa Rosa, contratado pelo gerente Laurindo Rosa Gameiro. “A Casa Rosa, filial de Apucarana, propriedade de José de Oliveira Rosa, vendia secos e molhados, materiais de construção e confecções. Abriu o primeiro supermercado na cidade, na Rua Mato Grosso, ali no Edifício Erica. Depois ampliou e se instalou ao lado, onde funcionaram o Riomar, o Daimaru e recentemente o Mercadão”, localiza Pedro da Veiga. Em sociedade com Getúlio Ferrari e Wille Bathke Júnior comprou e foi editor do jornal Folha de Campo Mourão, fundado pelo londrinense José Marcelino Monteiro. Escreviam para a Folha: José Egídio Quintal (sociedade), Adinor Cordeiro (Jibóia), Osvaldo Broza (estudante), Deodato Veiga (colunista) e o Wille (esportes, com o pseudônimo Wibaju). “Fazer jornal na época era idealismo. Raras empresas investiam em propaganda. A montagem era tipográfica, letra por letra, artesanalmente impresso em uma plaina gigantesca, difícil de acertar o nível da tinta para compor o papel. Gráfico em jornal tinha que ser artista”, brinca. “Deixei a Folha para trabalhar na Prefeitura, nomeado pelo prefeito Horácio Amaral e, em meu lugar na Folha, entrou o Celso Romualdo Ferrari. O jornalista Maurino de Souza, respondia pelas matérias publicadas. A Folha de Campo Mourão ficava no térreo do Edifício Leila, esquina da Rua São Paulo/Avenida Manoel Mendes de Camargo, hoje farmácia do Val”, recorda.

Servidor - De 1º de abril de 1971 a fevereiro de 1993, Pedro da Veiga, foi diretor e secretário administrativo da Prefeitura de Campo Mourão. Inicialmente, nomeado Diretor do Departamento Agropecuário (Portaria 17/71) por Horácio Amaral e empossado pelo prefeito em exercício Getúlio Ferrari, então presidente da Câmara Municipal. “Tive a honra de trabalhar como secretário e mestre de cerimônias dos prefeitos Horácio Amaral, Renato Fernandes Silva, José Pochapski e nas duas últimas gestões de Augustinho Vecchi. Aposentei-me por tempo de serviço, no início da gestão do Rubens Bueno”, relata.

Conquistas - “Por onde passei deixei minha contribuição. Sempre vesti a camisa das empresas onde trabalhei. Na prefeitura não foi diferente. Em 1975 fundamos e presidimos a Associação dos Servidores Municipais e a Cooperativa de Consumo 1º de Maio. Implantamos o organograma das secretarias, com atribuições a cada cargo. Implantamos o Regime Único dos Servidores. Elaboramos o Sistema de Avanços de Carreira. Organizamos a Previdência Municipal (Previscam) dirigida pelo doutor Roberto Pedro Ribeiro de Castro, ao qual sucedi. Durante o período de Secretário Administrativo mantivemos o teto de vinte salários mínimos ao primeiro escalão e o salário mínimo municipal acrescido de pelo menos quinze por cento a mais que o piso nacional. Foi o prefeito Augustinho Vecchi, quem legalizou todas estas melhorias”, elogia Pedro da Veiga.

Diocese – “Fato marcante para mim, foi a criação da Diocese e a posse do Bispo Dom Eliseu Simões Mendes, dia 23 de abril de 1960, quando a Catedral de São José estava edificada pela metade, lotada de fiéis. Depois a sagração de Dom Virgílio de Pauli, na Catedral de São Carlos (SP) em 1982 e a sua posse na Catedral de São José, em cerimônia presidida pelo núncio apostólico de Roma no Brasil, Dom Carlo Furno. Solenidades que tive o privilégio de transmitir pela Rádio Colmeia. Colaborei por vários anos com Dom Eliseu, nos Cursilhos da Cristandade e atuei na qualidade de Ministro da Eucaristia junto aos fiéis de Campo Mourão”, enfatiza.

Esporte – “A equipe de esportes da Rádio Colmeia entre 1964 e 1976 era espetacular pela qualidade e profissionalismo: Anísio Morais (narrador), Wille Bathke Júnior (comentarista), Manoel Rodrigues Correia (técnico de apoio) e Pedro da Veiga (repórter de campo). Transmitimos todos os jogos da Associação Esportiva e Recreativa Mourãoense desde a primeirona até a 1ª divisão do futebol paranaense. Entrevistei craques famosos como Pepe, Ramos Delgado e Negreiros do Santos F.C., Djalma Santos e Luiz Chevrolet da S.E. Palmeiras, dentre outros.

Fundamos a primeira Comissão Municipal de Esportes de Campo Mourão ao lado de Alcyr Costa Schen, Wille Bathke Júnior, Vicente Piazza, Álvaro Gomes e José Aladic, criada pelo prefeito Renato Fernandes Silva, que realizou a memorável 30ª Edição dos Jogos Abertos do Paraná em 1976, oportunidade em que inaugurou o Ginasião BC e o Ginasinho JK, construídos na sua gestão.

Transmiti a abertura e os Japs pela Rádio Colmeia e o Wille pela TV Tibagi ao lado de Fiori Luiz. Na imprensa, nosso maior interesse sempre foi o de divulgar o nome de Campo Mourão, sem receber nada em troca”, recorda eufórico.

Política - “Como servidor público fui neutro em política. Atendia as pessoas sem discriminação partidária. Participei da fundação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e do Partido Popular (PP).

No 1º plano, Dr. Horácio Amaral,
discursando: no 2º plano, da esquerda:
Pedro da Veiga, Bento Munhoz da
Rocha Neto, Dr. Renato Fernandes
Silva e Prof. Ephigênio José Carneiro

Fui conselheiro e tesoureiro da Fundação de Ensino Superior de Campo Mourão (Fundescam) na presidência de Dom Eliseu, na dura batalha que precedeu a implantação da Faculdade de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam). Desempenhei cargos de secretário, coordenador de campanha eleitoral e delegado partidário, mas nunca aceitei concorrer a cargo eletivo”, descarta Pedro da Veiga.

Sociedade - “Atuei como diretor da avenida de comunicação do Rotary Club na gestão de Aiton Dezan. Tive a honra de transmitir desfiles de misses e shows dos cantores Jorge Goulart, Nora Nei, Agnaldo Raiol, Mazaropi e Agostinho dos Santos. Narramos dezenas de apurações de resultados eleitorais e desfiles cívicos nas datas festivas de Campo Mourão, ao lado de importantes autoridades como Moisés Lupion, Paulo Pimentel, Ney Braga, Jayme Canet Júnior, deputados e secretários de Estado, inclusive, entrevistados por mim, através da Rádio Colmeia”, registra Pedro da Veiga.

Casamento – Com Vilma Bathke, filha de Maria da Conceição e do cartorário Vile Bathke, casou-se no dia 30 de maio de 1963, depois de sete anos de namoro. Pedro da Veiga é pai do empresário Adriano, casado com Cristina Matsumi; do advogado Adalberto, esposo de Aparecida Simohigashi; Andrea (assistente social), Alessandra (economista) e Alexander (músico e radialista). “Tenho cinco netas, quatro mesticinhas, lindas: Marcela, Débora, Kristine e Karine e mais recentemente nasceu a Mariah”, conta orgulhoso. Divorciado, hoje tem como companheira Geni Berbet (servidora municipal), mãe de: Deivide, Maykon (in memorian) e Pablo.

Folclore – “A famosa zona do meretrício, as “damas” e as charretinhas que só a elas serviam; a Boite Sorriso da dona Lucrécia, as canjas de galinhas das madrugadas nos bares do Mineirão (na zbm), Caiçara e Aparecida no centro de Campo Mourão; os suculentos sanduíches de pão francês com pernil de porco no Bar do Verdadeiro ao lado do Posto do Tanaka retratam a época dos coronéis, gigolôs e boêmios de Campo Mourão. A cidade sempre teve figuras folclóricas, carinhosamente adotadas pela população. Nas décadas de 40 e 50 era o temperamental e meigo “mudo” Emílio, com apenas um dente de ouro na boca, andar pesado, chapéu grande desabado na cabeça, arcado e mãos cruzadas nas costas. Contemporâneo do Mudo havia o famoso Adão - Filósofo Perebinha - que pontuava num canto do balcão do Bar Estrela e a todos que entravam oferecia um verso sem rima, a troco de uma pinguinha. Adão de Tal tinha estatura pequena, esquálido, cabelos de índio e pele cor de cuia. O Macuco, “malandro” carioca, batuqueiro, massagista do Madrugada FC, foi trazido pelo advogado sindicalista Wilson Brandão e trabalhava em seu escritório. O elegante e polêmico Orlandinho, ex-goleiro da Portuguesa de Desportos, que quando não estava “mamado”, era prestativo e trabalhava aqui e ali. Seo Flor, o mestre dos jardins, com sua filosofia própria sobre a natureza, plantas, tipos de grama e flores, que defendia tenazmente. Hoje vemos a briguenta e xingadora dona Dolores e o andarilho Vardo (Sujinho), que corre pelas ruas, descalço, não conversa, pede café nos portões, limpa as ruas de fora pra dentro, jogando as sujeirinhas nos quintais particulares. Isso pode parecer nada, mas são marcas registradas de uma cidade”, rindo muito das simpáticas figuras.

Hoje – “Vivo a vida que pedi a Deus. Dei minha contribuição a Campo Mourão. Editei o livro histórico e documentário, “Campo Mourão Centro do Progresso”, revisado por Egydio Martelo e prefaciado por Milton Luiz Pereira. Continuo garimpando nossa história e pretendo lançar outras edições, se encontrar respaldo. Dá muito trabalho, mas eu gosto. “Pena que a maioria da população não tem o hábito da leitura e poucos se ligam à nossa história e tradições”, lamenta Pedro da Veiga, ao elogiar o Projeto Raízes, “corajosa e feliz iniciativa da Tribuna do Interior”, concluiu.

Wille Bathke Júnior – Tribuna do Interior – Projeto Raízes

Imagens Acervo e fotoformatação (PVeiga).

6 comentários:

Juma Durski disse...

Muito bonita a história! Parabéns ao Pedro, Parabéns ao Wille!

Juma Durski disse...

Saímos na rua e encontramos um monte de "amigos"!
Mas aqui, eu vejo o quanto esses mourãoenses são tímidos, frios, e tem vergonha de postar um simples oi ao Pedro. Eles não lembram que moram na cidade onde você ajudou a construir a história.
Triste povo, não sabe de onde veio, nem para onde vai.Pobres de espírito!

Pedro da Veiga disse...

Liga não Juma, já me acostumei com a indiferença de nossa gente, exemplo da edição de meu livro "CAMPO MOURÃO - centro do progresso" labutei muito para conseguir o respaldo para pagamento da Editora, ninguém quer comprar livro esperam receber de presente, e ainda com autógrafo, quando consegui o numerário para pagamento da edição, parei de vaender, ainda tenho uns quinhentos exemplares em estoque... E já viu né? Estou coletando material para dar continuidade a esse compêndio... Ah, juntamente com o Jair Elias edidatamos o livro "ORATÓRIAS HISTÓRICAS", ufa, como foi difícil angariar recursos para pagamento da Editora...

Juma Durski disse...

Seu livro é motivo de orgulho para mim. É a obra mais linda e "completamente completa" sobre Campo Mourão.

Anatoli. disse...

Caro PEDRO DA VEIGA:

Li, e emocionei-me com a beleza de relato e com o exemplo de vida dedicada ao bem-estar da sociedade mourãoense.
Emocionei-me, também, por constatar que o AMIGO aplica na PRÁTICA a máxima:
"NÃO VIVA PARA QUE SUA PRESENÇA SEJA NOTADA, MAS PARA QUE SUA FALTA SEJA SENTIDA".
Um grande abraço e que DEUS o prteja SEMPRE!!!

Pedro da Veiga disse...

Caro amigo Anatoli grato pela gentileza e pela visita ao blog - é a luta por um ideal, propugnando pela divulgação da cidade que me acolheu, berço de meus filhos e pelo empenho na busca de material (depoimentos, fotos, etc...) da história de Campo Mourão para retratar em livro...
Abraços: PVeiga