sexta-feira, 25 de março de 2011

A ÚLTIMA EDIÇÃO

Por Osvaldo Broza

Depois de ser repórter e colunista na Folha de Campo Mourão de 1968 a 71; Assessor de Imprensa da Prefeitura de Campo Mourão em 78 e em alguns meses de 79; trabalhar por doze anos na Folha de Londrina de 79 a 91; e ser sócio da PHD Propaganda num bom período dos anos noventa, acho que peguei gosto pela coisa. A comunicação me contaminou, virou cachaça, me embebedou.

Em 2004, comprei o meu próprio jornal, o Entre Rios que, infelizmente, teve vida curta e prejuízo comprido. A última edição foi no dia 26/08/2006, que nem gosto de lembrar. Foi uma das passagens mais tristes da minha vida.

Aliás, pensando bem, esse negócio de edição é meio parecido com a vida da gente. Nos editamos todos os dias até que, de repente, será a última vez.

Muitos outros jornais foram fundados em Campo Mourão e, infelizmente, também já tiveram sua última edição, conforme consta no livro do Pedro da Veiga, “Campo Mourão – Centro do Progresso”. O primeiro deles, o Correio de Campo Mourão, surgiu em 1951, por iniciativa do “saudoso idealista” Nelson Bittencourt Prado. Fechou e ressurgiu em 1954, com outro nome, Correio do Noroeste, já impresso em oficina própria. Também não aguentou.

Depois vieram: A Verdade (meados da década de cinquenta), de José Dutra de Almeida Lira; O Piquirivaí (1959), de Nelson Bittencourt Prado e José Dutra de Almeida Filho; Jornal do Campo (1963) e Perfil (1975), de Aroldo Tissot; Jornal de Notícias (1967), de Edir Castelli; Folha de Campo Mourão (1968), de José Marcelino Monteiro, Pedro da Veiga, Getulio Ferrari e Wille Batke Jr; Gazeta Popular (1969) e Folha do Campo (1978), de Dickson Fragoso Veras; Gazeta do Oeste (1977), de José Gilberto de Souza; e Folha do Vale (1981), de Pedro Martins. A maioria com vida curta. O Piquirivaí e A Gazeta Popular, por exemplo, tiveram apenas duas edições. A Gazeta Popular foi fechada pelo Governo Militar que considerou uma de suas matérias atentatória aos interesses nacionais. Também não durou muito o outro jornal do Dickson – menos de um ano – o diário Folha do Campo que era impresso em oficina própria.

Vida longa, porém, teve (e tem), outro jornal fundado pelo Dickson em 1968 - juntamente com Joel D’Aparecida Albuquerque e Edilberto Parigot de Souza -, a Tribuna do Interior, que hoje se constitui num dos diários mais importantes do interior do Paraná.

Justiça também seja feita ao Aroldo Tissot que, depois que não conseguiu viabilizar o Jornal do Campo e o Perfil, fundou a Gazeta do Centro Oeste, em 28 de março de 1982, hoje transformado em diário e com circulação em toda a região da COMCAM. E, ao contrário da Tribuna do Interior, que já passou por diversos donos – entre eles, o próprio Pedro da Veiga -, A Gazeta do Centro Oeste continua sendo dirigida pelo seu fundador.

Quanto ao Entre Rios, não foram seus fundadores que o afundaram. Comprei-o já em andamento e estava sozinho na direção. Direção perigosa.

Tomei uma atitude que tantos outros veículos de comunicação impressa viriam a tomar e continuam tomando por esse mundão a fora, depois do grande avanço da comunicação virtual. O jornal sueco Post Och Inrikes Tidningar, por exemplo, fundado em 1645, deixou de ser impresso a partir de janeiro de 2007 e passou a ser publicado apenas na internet. Até então, era o jornal mais antigo do mundo em circulação. O jornal francês Le Monde, o maior diário daquele país e um dos mais importantes do mundo, foi vendido depois de ter acumulado uma dívida de 100 milhões de euros. Entre os brasileiros mais famosos, o “Jornal do Brasil”, fundado em 1891, portanto com quase 120 anos, publicou sua última edição no dia 31/08/2010. Entre os paranaenses de maior destaque, o Diário Popular encerrou suas atividades em agosto de 2010. A revista americana Newsweek, fundada em 1933, foi arrematada num leilão por apenas um dólar, mas com encargos que ultrapassam 50 milhões de dólares. E a Reader’Digest, editora da revista Seleções, entrou em concordata nos Estados Unidos – só nos Estados Unidos (mas já saiu) - por ter acumulado dívidas de 1,6 bilhão de dólares.

Eu fui um pouco mais esperto, portanto, não deixando que as minhas dívidas chegassem nem na metade disso.

Mas, continuo embebedado. Por isso, vou escrevendo minhas crônicas. Até a minha última edição. Que, aliás, não tenho nenhuma pressa que chegue logo.

Um comentário:

Juma Durski disse...

O Broza poderia fazer um blog, e nele, ir postando tópicos de seu livro.
Pedro, pode sugerir isso à ele?