terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O MINISTÉRIO DE DILMA ROUSSEFF

Como você não será capaz mesmo de decorar o nome de todo mundo, guarde a matéria abaixo e saiba quem lidará com seu dinheiro em cada pasta do governo que se iniciou a 1º de janeiro de 2011.

Ministério de Dilma - Clique na imagem para ampliar. Foto Alan Marques/Folhapress




O trio econômico de Dilma:
parte de um ministério que
tem nada menos que 37 titulares
-foto: Congresso em Foco

O trio econômico de Dilma: parte de um ministério que tem nada menos que 37 titulares.

Rudolfo Lago

É possível que só mesmo a presidenta Dilma Rousseff seja capaz de guardar tantos nomes. O Ministério que assumirá amanhã (1º) com ela terá nada menos que 37 ministros. Vão desde nomes já bem conhecidos, como Antônio Palocci, que volta do ostracismo provocado pela quebra do sigilo fiscal do caseiro Francenildo Santos para o estratégico posto de ministro da Casa Civil, até figuras como a irmã menos ilustre de Chico Buarque, Ana de Hollanda, que assumirá o Ministério da Cultura. Fruto da complicada e ampla composição política que apóia a nova presidenta, o novo Ministério não está ao gosto ideal nem da própria Dilma. Enquanto era formado, chegou-se a ventilar que já nascia provisório. A marca da composição política está evidente em nomes de parlamentares sem qualquer inclinação maior com as pastas que irão exercer caso do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) na Previdência e do deputado Pedro Novais (PMDB-MA) no Turismo. De qualquer modo, serão eles que atuarão com o dinheiro e a estrutura pública dos órgãos que passarão a administrar. E é bom conhecê-los e saber como chegaram ao posto que ocuparão.

Leia abaixo um pequeno perfil de cada um dos ocupantes do novo governo que tomará posse amanhã com Dilma. Incluindo os perfis da própria Dilma, a primeira mulher brasileira na Presidência da República, e de seu vice, Michel Temer.

DILMA ROUSSEFF (PT)

foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A primeira presidenta
Mineira de Belo Horizonte, Dilma Vana Rousseff nasceu no dia 14 de dezembro de 1947. Há oito anos, quando Lula tomou posse como presidente em seu primeiro mandato, ninguém apostaria no nome dela para a sucessão. Àquela altura, Dilma não tinha sequer pretensões de vir a concorrer a um cargo eleitoral, quando mais ser presidente da República. Fruto das reviravoltas provocadas pela crise do mensalão, que derrubaram os nomes mais poderosos do PT, como José Dirceu e Antônio Palocci, Dilma passou a despontar quando o presidente Lula entregou a ela o comando da Casa Civil, e com ele, a administração das principais obras e investimentos do governo no país. Batizada como a "mãe do PAC" por Lula, a administradora de face por vezes turrona foi ganhando os contornos políticos necessários para se tornar a primeira mulher brasileira a exercer a Presidência da República.

Com sua chegada ao poder, completam-se os pilares da esquerda que se uniram para combater e derrotar a ditadura militar, de 1964 a 1985. Fernando Henrique Cardoso, o primeiro deles, foi o representante da elite intelectual brasileira que se opôs ao regime militar. Luiz Inácio Lula da Silva foi o líder operário, que ruiu com o regime dos generais ao comandar as greves no ABC no final da década de 1970. E Dilma é agora a representante da luta armada, da juventude que pegou em armas para enfrentar a ditadura.

Dilma militou nas organizações clandestinas Comando de Libertação Nacional (Colina) e Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Foi presa pelo regime entre 1970 e 1972, primeiramente na Operação Bandeirante (Oban) e depois no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), em são Paulo, tendo sido vítimas de sessões de tortura.

Após ser libertada, Dilma reconstruiu sua vida no Rio Grande do Sul, onde filiou-se ao PDT de Leonel Brizola. É no Rio Grande do Sul que seu lado de administradora pública desponta. Com a eleição do pedetista Alceu Collares para o governo do estado em 1985, Dilma torna-se secretária de Fazenda. Torna-se depois secretária de Minas e Energia, cargo que ocupa novamente no governo do petista Olívio Dutra. É quando deixa o PDT para se filiar ao PT, em 2001.

É por indicação de Olívio que ela passa a integrar a equipe de transição para o novo governo de Lula, em 2002, cuidando da área energética. Torna-se, então, ministra das Minas e Energia. Com a queda de José Dirceu, vai para a Casa Civil, de onde é catapultada, por escolha de Lula, à condição de sua candidata à Presidência em 2010. Eleita presidente, Dilma foi classificada pela revista Forbes como a 16ª pessoa mais influente do mundo.

MICHEL TEMER (PMDB)

foto: José Cruz/Agência Brasil

De bolha a vice-presidente
Antes mesmo de tomar posse em 2003 como presidente, no processo de montagem de seu governo, o presidente Lula não escondia sua antipatia por Michel Miguel Elias Temer Lulia. O paulista, nascido na cidade de Tietê no dia 23 de setembro de 1940 já era o presidente do PMDB, e tinha sido um dos principais artífices do apoio oficial que o partido dera ao tucano José Serra, que Lula derrotou. Comandando a transição, José Dirceu, que se tornaria o primeiro ministro da Casa Civil de Lula, desejava a formalização de uma aliança com o PMDB para o novo governo. A aliança chegou a ser anunciada, mas Lula não a quis. Preferiu estabelecer uma união informal com os peemedebistas, a ser comandada pelos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL).

À época, um ministro petista chegou a classificar Michel Temer como "uma bolha", um derrotado politicamente que se mantinha artificialmente no comando do partido e que, agora, Lula iria "estourar".

Oito anos depois, a "bolha" não "estourou". Após a crise do mensalão, e com os escândalos que envolveram os nomes dos parceiros preferenciais de Lula, Sarney e Renan, o presidente, ao final de seu primeiro mandato, acabou cedendo à ideia inicial de José Dirceu e estabeleceu uma aliança formal com o PMDB. A partir daí, Temer conseguiu unificar de uma forma nunca antes vista seu partido em torno do governo de Lula e do projeto de eleição de Dilma. Com o sucesso dessa costura, impôs-se como o vice de Dilma.

Advogado constitucionalista, Michel Temer presidiu a Câmara dos Deputados por três vezes e preside o PMDB desde 2001. Mais jovem de oito irmãos, Temer vem de uma família maronita que emigrou do norte do Líbano para o Brasil em 1925.

A ESQUADRA PETISTA

ANTONIO PALOCCI (PT)

foto: JoséCruz/Agência Brasil

Ministério da Casa Civil

Queda e ascensão do ministro da Casa Civil
José Dirceu morre de ciúmes. No começo do governo Lula, dois nomes despontavam como prováveis sucessores do presidente: o então todo-poderoso ministro da Casa Civil e o médico de semblante afável que ocupava o Ministério da Fazenda. Ambos acabaram sucumbindo com as crises do primeiro mandato de Lula. Dirceu como o chefe do mensalão, como é descrito no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal. E Palocci acusado de ter cometido um tremendo abuso de poder: usado de suas prerrogativas de ministro para quebrar o sigilo fiscal do caseiro Francenildo Santos, que o acusava de frequentar uma casa de lobby e encontros com prostitutas apelidada de "República de Ribeirão Preto" (por reunir figuras da cidade ligadas aos tempos em que Palocci era prefeito). Palocci foi inocentado pelo STF em agosto de 2009.

Dirceu ainda responde ao inquérito. Palocci foi inocentado. Talvez por conta dessa certidão, o ex-ministro da Fazenda consegue agora voltar ao governo num posto-chave na nova era Dilma. Justamente a Casa Civil que já foi ocupada por José Dirceu. A intenção de Palocci não é, porém, repetir o estilo de superministro de Dirceu, que tentava rivalizar em protagonismo até com o próprio Lula. Dilma aposta no trânsito e na habilidade política de Palocci para conseguir, dali, neutralizar as pressões que virão da ampla base de sustentação que reuniu em torno de si. Nascido no dia 4 de outubro de 1960 em Ribeirão Preto, Palocci é médico e iniciou sua vida política na Libelu, corrente de extrema esquerda de formação trotskista que havia no PT no início da sua formação.

Médico paulista, Palocci, 50 anos, é filiado ao PT desde 1980 e um dos "três porquinhos" de Dilma - apelido dado pela presidente eleita ao trio de coordenação da campanha e da equipe de transição, formado também por José Eduardo Dutra e José Eduardo Cardozo. Ex-prefeito de Ribeirão Preto (SP), ex-deputado federal e ex-ministro da Fazenda, Palocci é visto como um homem de bastidores que une habilidade política, discrição e bom relacionamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empresariado e agentes do mercado financeiro.

JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT)

foto: José Cruz/Agência Brasil

Ministério da Justiça

De dissidente a porquinho. A escolha de José Eduardo Cardozo para o Ministério da Justiça é o ponto em que mais Dilma diferencia-se e afasta-se das vontades do presidente Lula. Quando Lula critica aqueles que "não defenderam seus companheiros" na crise do mensalão refere-se indiretamente a Cardozo e ao governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. Os dois, ao fundarem a corrente "Mensagem ao Partido", defendiam que o PT deveria esclarecer todos os pontos do mensalão, punir os responsáveis e, a partir dali, refundar-se, retornando aos seus ideais e princípios originais. A ideia não foi avante porque José Dirceu, ainda com a força que tinha no partido, conseguiu retirar Tarso Genro da presidência do PT.

Dono de excelente retórica, porém, o advogado paulista conseguiu manter-se como um dos protagonistas do partido. Na negociação para eleger José Eduardo Dutra presidente do PT, Cardozo entra na quota de sua corrente na Secretaria Geral do partido. E, dali, torna-se um dos principais cabos eleitorais de Dilma. Ao final, desponta como parte do triunvirato principal da presidente eleita, formado por ele, Dutra e Palocci.

Advogado e procurador do município de São Paulo, José Eduardo Cardozo, 51 anos, é deputado federal desde 2003. Em 2008, assumiu a Secretaria Geral do PT e foi um dos principais articuladores da campanha de Dilma à Presidência da República, sendo identificado pela presidente eleita como um dos "três porquinhos" - apelido dado a Cardozo, Antonio Palocci e José Eduardo Dutra.

Entre 1995 e 2003, Cardozo foi vereador na Câmara Municipal de São Paulo, da qual ocupou a presidência nos anos de 2001 e 2002. Em 2000, foi reeleito com 229.494 votos, a maior votação obtida por um vereador na história do País.

GUIDO MANTEGA (PT)

foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Continuidade no Ministério da Fazenda

Guido Mantega foi o primeiro ministro anunciado por Dilma. É o traço mais evidente da continuidade do novo governo com relação à era Lula. De origem italiana (nasceu em Gênova, no dia 7 de abril de 1949), chegou com sua família ao Brasil quando tinha 3 anos e cresceu em São Paulo, Mantega sempre foi um dos principais consultores econômicos de Lula, mesmo antes de ele se tornar presidente. No governo Lula, Mantega começou à frente do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, cargo que ocupou até 2004, quando assumiu a presidência do BNDES. Quando Palocci caiu por conta do envolvimento na quebra do sigilo do caseiro Francenildo, em março de 2006 assumiu o Ministério da Fazenda. De perfil mais desenvolvimentista do que Palocci, Mantega garantiu as condições econômicas para os investimentos que Dilma fazia na administração do PAC. É essa sintonia que o mantém agora no ministério.

A manutenção de Mantega à frente da equipe econômica é vista como um dos principais sinais de continuísmo no governo de Dilma Rousseff. Formado em Economia, Mantega, 61 anos, é membro do PT e trabalhou como assessor econômico de Lula a partir de 1993, sendo ainda o articulador do programa econômico das campanhas eleitorais do presidente.

MIRIAN BELCHIOR (PT)

foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Mulher de confiança da presidente. Formada em Engenharia de Alimentos com mestrado em Administração Pública, ex-mulher do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, assassinado em 2002, Mirian Belchior, 52 anos, é o nome mais próximo de Dilma em seu ministério. Foi a ela que Dilma entregou a coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a sua menina dos olhos nos tempos de Casa Civil. Por pouco, Mirian não foi para a Casa Civil depois que estourou o escândalo envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra. Mirian não assumiu o posto por um ponto em comum que tinha com Erenice, depois da ministra que caía, ela era a mais próxima de Dilma e, naquele momento, não era conveniente trocar uma figura de confiança da presidenta eleita por outra.

Paulista de Santo André, nascida em 5 de fevereiro de 1958, Mirian Belchior assume o Ministério do Planejamento para continuar dali a monitorar as obras e investimentos do novo governo.

Depois de atuar como assessora especial da Presidência, Miriam foi levada para a Casa Civil em 2004 pelo então ministro José Dirceu (PT). Ela chegou a ser envolvida nas investigações sobre casos de corrupção na gestão da prefeitura de Santo André, onde foi secretária de Inclusão Social e Habitação de seu ex-marido. Celso Daniel teria sido morto por ter se tornado um obstáculo aos integrantes do esquema. Em depoimento como testemunha, Miriam negou qualquer participação no caso.

GILBERTO CARVALHO (PT)

foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Secretária Geral da Presidência

A sombra de Lula e os movimentos sociais. Nos oito anos em que se manteve como chefe do gabinete pessoal de Lula, Gilberto Carvalho foi uma espécie de sombra do presidente. Era o anteparo por onde obrigatoriamente tinham de passar todos os que procuravam Lula. Sob sua responsabilidade ficaram os despachos, as audiências, a programação de viagens, além do controle de toda a correspondência não-oficial e do acervo de documentos pessoais de Lula.

Paranaense, ex-seminarista, formado em Filosofia e Teologia e com especialização em gerenciamento público, Gilberto Carvalho vem dos braços do PT ligados à Igreja Católica. É um dos mais próximos amigos de Lula. Ao longo de sua trajetória, porém, envolveu-se em episódios polêmicos. É acusado por irmãos de Celso Daniel de comandar um esquema de propina na prefeitura de Santo André, que teria sido a causa do assassinato do ex-prefeito. No novo governo Dilma, ocupará a Secretaria Geral da Presidência, responsável pela articulação com os movimentos sociais.

Antes de chegar ao Planalto, Carvalho desempenhou diversas funções no PT, incluindo a secretaria geral do partido. Entre o final da década de 1990 e o começo dos anos 2000, trabalhou na prefeitura de Santo André (SP), onde ocupou os cargos de secretário de Governo e de Comunicação na gestão de Celso Daniel, morto em janeiro de 2002. Aos 59 anos, Carvalho substitui Luiz Dulci na Secretaria Geral da Presidência.

FERNANDO HADDAD (PT)

foto: Renato Araujo/Agência Brasil

Ministério da Educação

Ainda ministro, apesar do Enem. Quando outra vez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deu problemas este ano, muita gente apostou que os dias de Fernando Haddad à frente do Ministério da Educação desde 2005, quando assumiu o ministério substituindo Tarso Genro que deixou o cargo para ocupar a presidência do Partido dos Trabalhadores em plena crise do escândalo do mensalão, chegariam ao fim. Haddad fica, porém, no ministério. Por um pedido do próprio presidente Lula, que argumentou com Dilma que ela deveria insistir na ideia de manter essa forma nacional de acesso à universidade idealizada pelo ministro. Bacharel em direito e mestre em economia, professor licenciado da Universidade de São Paulo (USP), Haddad é considerado um dos mais bem formados acadêmicos entre os quadros do PT. Na nova fase no Ministério da Educação, deverá, porém, dar mais atenção ao ensino técnico profissionalizante, uma das metas para o setor prometidas por Dilma.

Antes de ser nomeado ministro, Haddad ocupou a secretaria-executiva do ministério. Foi também chefe de gabinete da secretaria de Finanças da prefeitura de São Paulo.

No ministério, enfrentou problemas relacionados à aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em 2009, o exame vazou, obrigando o MEC a reaplicar a prova. Em 2010, alguns cadernos de questões foram impressos com erros. Após a nova polêmica, Lula defendeu a permanência de Haddad, afirmando que não poderia indicar um ministro, mas se pudesse o faria. Na educação, Haddad também esteve à frente de outros programas, como a expansão das universidades federais e o ProUni.

PAULO BERNARDO (PT)

foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Ministério das Comunicações

O coringa. O paranaense Paulo Bernardo, nascido em 1952 em São Paulo, tem sido uma espécie de coringa no governo do PT. Seu nome já foi cotado para lugares tão díspares como o Banco do Brasil e a Casa Civil. Depois da passagem pelo Ministério do Planejamento, segue para o Ministério das Comunicações, com a tarefa de discutir novos marcos regulatórios para o setor, com o desenvolvimento das novas mídias que surgiram após a era da internet.

Paulo Bernardo Silva é bancário. Foi deputado federal pelo Paraná entre 1991 e 1999 e de 2003 a 2005.

Entre 1999 e 2000, Paulo Bernardo assumiu a Secretaria de Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul. Foi ainda secretário de Fazenda do município de Londrina (PR) de 2001 a 2002. Desde 2005 está à frente do Ministério do Planejamento.


FERNANDO PIMENTEL (PT)

foto:Luis Cruvinel/Agência Câmara

Ministério do Desenvolvimento

O amigo de Aécio Neves. À frente do Ministério do Desenvolvimento, Fernando Pimentel poderá cumprir também uma agenda política. Apesar de petista, ele é aliado em Minas Gerais de Aécio Neves, o senador eleito que deverá se tornar o principal nome da oposição ao governo Dilma. Pimentel chegou a fazer dobradinha com Aécio em Minas Gerais. Os dois se uniram para eleger o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda. Nascido em Belo Horizonte no dia 31 de março de 1951, Fernando Pimentel é economista, graduado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de MG e mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas (UFMG), foi vice-prefeito e posteriormente Prefeito de Belo Horizonte (2005-2008) pelo PT. Com 59 anos, casado e pai de dois filhos, Pimentel já atuou na administração municipal de Belo Horizonte exercendo os cargos de secretário da Fazenda (gestão de Patrus Ananias, de 1993 a 1996) e de Governo, Planejamento e Coordenação Geral, no primeiro mandato de Célio de Castro (1996).

Em 2000, foi eleito vice-prefeito de Célio de Castro e, a partir de abril de 2003, assumiu o cargo de prefeito em razão da aposentadoria do titular. Nas eleições de 2004, foi eleito para a prefeitura da capital mineira. Pimentel é um dos fundadores do PT.

ALOIZIO MERCADANTE (PT)

foto: Marcia Kalume/Agência Senado

Ministério de Ciência e Tecnologia

Prêmio de consolação. Candidato a vice-presidente de Lula em 1994, tudo indicava que Aloizio Mercadante seria um dos homens fortes do governo quando o presidente metalúrgico afinal chegasse à Presidência. Embora tenha sido sempre um político de destaque, Mercadante acabou não sendo ministro de Lula. Torna-se ministro agora na equipe de Dilma, mas talvez com menos destaque do que ele mesmo gostaria. Um dos fundadores do PT o economista paulista Aloizio Mercadante Oliva assume o Ministério da Ciência e Tecnologia.

Aloizio Mercadante, 56 anos, nasceu em Santos (SP) e é senador desde 2003. Candidato derrotado ao governo de São Paulo nas eleições de 2006 e 2010, além de senador, ele foi deputado federal entre 1991 e 1994 e de 1999 a 2003, e também ocupou a vice-presidência nacional e a secretaria de relações internacionais do PT. Em 1994, foi vice na chapa de Lula à Presidência da República.

Em fevereiro de 2009, Mercadante foi eleito líder da bancada do PT no Senado e líder do bloco de apoio ao governo na Casa. Atualmente é vice-presidente do Parlamento do Mercosul (Parlasul).

IDELI SALVATTI (PT)

foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Ministério da Pesca

Fiel aliada na pesca. Nascida em São Paulo no dia 18 de março de 1952, Ideli Salvatti se mudou para Santa Catarina em 1976, na cidade de Joinville, começando sua carreira política, sendo uma das fundadoras do PT no Estado. Professora começou a militância na década de 1980, ocupando a presidência do Sindicato dos Trabalhadores em Educação e a tesouraria da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Santa Catarina.

Fiel aliada do governo fez uma defesa por vezes estridente de Lula no Senado. É premiada agora com o Ministério da Pesca e Aquicultura, um cargo que vem sendo da quota petista catarinense no governo

Sua vida parlamentar começou em 1994, quando foi eleita deputada estadual, reeleita no pleito seguinte. Como deputada federal, no final da década de 1990, ela integrou as comissões de Educação e de Trabalho. Em 2002, Ideli Salvatti foi a primeira mulher eleita senadora de Santa Catarina. Foi escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar a função de líder no Senado por três vezes. Por duas vezes, Ideli Salvatti também foi líder do PT na Casa.

MARIA DO ROSÁRIO (PT)

foto: Brizza Cavalcante/Agência Câmara

Secretaria Nacional de Direitos Humanos

Maria do Rosário é pedagoga, especializada em violência contra crianças. É com esse currículo que ela se torna Secretária de Direitos Humanos.

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), 44 anos, é natural de Veranópolis (RS). Professora está em seu segundo mandato na Câmara e foi filiada ao PCdoB antes de ingressar no PT. Ela foi relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Maria do Rosário iniciou sua carreira política como vereadora em Porto Alegre (RS) por dois mandatos, sendo também deputada estadual por um mandato, disputou a prefeitura da capital gaúcha em 2008 e perdeu para o peemedebista José Fogaça.



ALEXANDRE PADILHA (PT)

foto: Agência Brasil

Ministério da Saúde

Alexandre Padilha é médico sanitarista e infectologista tem 39 anos. Apesar de não ser um nome dos mais conhecidos, Padilha tem estreita ligação com o PT e com Lula. Padilha retorna à sua área de origem: antes da Secretaria de Assuntos Institucionais, ele foi diretor de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Com a indicação, o PT retoma a pasta que estava na esfera do PMDB e afasta pretensões do ex-ministro Ciro Gomes (PSB). Militante petista desde o movimento estudantil, Padilha assumiu a pasta das Relações Institucionais em setembro de 2009 e era responsável pela articulação política. Quando ocupava a subchefia de Assuntos Federativos do Planalto, ele acompanhava a então ministra da Casa Civil em reuniões da base aliada. Ficou no posto no período entre 2007 e 2009 e tinha sob sua responsabilidade o relacionamento com prefeitos e governadores. Na eleição presidencial deste ano, Padilha pediu férias do cargo para atuar junto à campanha de Dilma. O novo ministro da Saúde não esconde sua forte ligação com o PT e diz que entrou para a política inspirado na atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi coordenador das campanhas de Lula em 1989 e 1994.

Padilha é ciclista e informa sobre seus roteiros na página que tem no Twitter. Neste final de ano, ele ainda trava batalha junto ao Congresso para segurar pressões de gastos no Orçamento da União de 2011 que possam ficar como herança para o primeiro ano da nova presidente.

JORGE HAGE (sem partido)

foto: Divulgação

Controladoria Geral da União

O baiano Jorge Hage Sobrinho será mantido como ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, cargo que ocupa desde junho de 2006, substituindo Waldir Pires na CGU e manteve o mesmo perfil, centrado principalmente nas auditorias feitas por sorteio nos municípios, que acabaram por ajudar a desvendar esquemas de desvio de verbas no Orçamento, como o recente caso denunciado com as verbas do Turismo.. Bacharelou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestre em Administração Pública pela University of Southern California – Los Angeles e em Direito Público pela Universidade de Brasília – UnB (1998), Hage atuou como advogado em Salvador (BA), entre 1963 e 1970, e foi professor adjunto da UFBA entre 1962 e 1991.

Hage foi prefeito de Salvador, deputado estadual e federal. Atuou também como consultor internacional da Organização dos Estados Americanos (OEA), em missões na Argentina e Venezuela, além de já ter sido consultor também na Bolívia e Colômbia.


TEREZA CAMPELLO (PT)

foto: Divulgação

Ministério do Desenvolvimento social

A economista Tereza Campello é outro nome da quota pessoal de Dilma. Ocupará o Ministério do Desenvolvimento Social, um dos carros-chefes na era Lula.

A paulista de 48 anos, nascida em Descalvado, é subchefe de articulação e monitoramento da Casa Civil, onde se dedica ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e atua desde agosto de 2004. Tereza fez carreira no Rio Grande do Sul, aonde chegou ao final dos anos 1980 para trabalhar na Fazenda durante o primeiro mandato petista em Porto Alegre. Além de cargos na prefeitura, a economista atuou no governo de Olívio Dutra. Ela se formou em Economia pela Universidade Federal de Uberlândia (MG), onde foi líder estudantil.



LUIZ SERGIO (PT)

foto: Agência Brasil

Relações Institucionais

O deputado federal Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira (PT-RJ), 52 anos, assume a Secretaria de Relações Institucionais no lugar de Alexandre Padilha, indicado para o Ministério da Saúde.

Presidente do Diretório Regional do PT do Rio de Janeiro, Luiz Sérgio foi prefeito de Angra do Reis (1993-1996) e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do município fluminense (1987-1988).

Ex-líder da bancada do PT na Câmara, ele cumprirá o papel de articulador político no governo de Dilma Rousseff.



AFONSO BANDEIRA FLORENCE (PT)

foto: Divulgação

Ministério do Desenvolvimento Agrário

Eleito deputado federal em 2010 pelo PT da Bahia, com mais de 143 mil votos, Afonso Florence não começará exercendo seu mandato. Será o novo ministro do Desenvolvimento Agrário. Historiador é especialista nas lutas antiescravagistas ocorridas no Brasil. Foi secretário de Desenvolvimento Urbano do governo da Bahia.

Afonso Florence, 60 anos, integrou a equipe do governador Jaques Wagner como secretário estadual de Desenvolvimento Urbano de 2007 até o início de 2010, quando se desincompatibilizou para concorrer a um cargo na Câmara Federal.

Ele é casado e pai de dois filhos. Filho de professores da rede pública estadual estudou história na UFBA. Esteve à frente do Centro Acadêmico de História e logo após presidiu o DCE da UFBA. Servidor da UFBA, Afonso Florence se envolveu intensamente com a organização sindical e a vida acadêmica. Sua indicação mantém a Democracia Socialista (DS), tendência do PT, à frente da pasta que cuida da reforma agrária, repetindo medida do governo Lula. Afonso elegeu-se deputado federal neste ano.

ANA DE HOLLANDA

foto: Divulgação

Ministério da Cultura

Irmã menos conhecida do compositor Chico Buarque, Ana de Hollanda comandará a pasta da Cultura.

Filha do historiador Sérgio Buarque de Holanda e irmã do músico Chico Buarque de Hollanda, Anna de Hollanda atuou no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como diretora da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Nascida em 1948, começou a carreira artística aos 16 anos de idade, acompanhando Chico Buarque. Entre 1986 e 1988, foi secretária de Cultura de Osasco (SP). Gravou discos solo, incluindo no repertório músicas consagradas de Bossa Nova e da Música Popular Brasileira (MPB).



Luís Inácio Adams (sem partido)

foto: Agência Brasil

Advogacia Geral da União

Na chefia da Advocacia-Geral da União (AGU) desde outubro de 2009, Luís Inácio Adams foi mantido pela presidente Dilma Rousseff no cargo, onde substituiu o atual ministro do Supremo Tribunal Federal, Antonio Dias Toffolli. Natural de Porto Alegre, Adams tem 45 anos e entrou para a AGU como procurador da fazenda nacional em 1993. Em 2001, se mudou para Brasília e entre 2003 e 2006 atuou no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão como consultor e depois como secretário executivo adjunto. Em 2006, assumiu o cargo de procurador-geral da Fazenda Nacional, onde ficou até 2009 para assumir a chefia da AGU.




IRINY LOPES (PT)

foto: Divulgação

Secretaria de Política para as Mulheres

A deputada do PT do Espírito Santo assumirá a Secretaria de Política para as Mulheres.

Iriny Lopes (PT-ES), 54 anos, é filiada ao PT desde 1984. Deputa federal, foi eleita para o terceiro mandato em 2010. Iriny nasceu na cidade de Lima Duarte, em Minas Gerais, mas fez carreira política no Espírito Santo. Na Câmara, Iriny Lopes teve atuação de destaque nas áreas de direitos humanos, políticas para as mulheres e minorias. Ela está em seu segundo mandato como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Ela também foi relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas, quando pediu o indiciamento do banqueiro Daniel Dantas. Iriny já presidiu o PT no Espírito Santo e ocupou a vice-liderança do partido na Câmara dos Deputados.

OS PEEMEDEBISTAS

NELSON JOBIM (PMDB)

foto: Fabio Rodrigus Pozzebom/Agência Brasil

Ministério da Defesa

Um civil que os militares respeitam. O perfil do advogado gaúcho Nelson Jobim pode parecer excessivamente conservador para boa parte dos petistas. Ele é, por exemplo, um dos maiores obstáculos dentro do governo para a abertura completa dos arquivos da ditadura militar. Jobim, no entanto, tem uma vantagem que o sustenta: desde que a área da Defesa passou a ser comandada por um civil no governo Fernando Henrique Cardoso, Nelson Jobim é o primeiro que os comandantes militares, ligados a ele, realmente respeitam. A falta de sintonia entre os civis que passaram pela pasta e os militares já foi fator de diversas crises. Jobim vai mantendo os militares unidos sob suas ordens. E é assim que permanece. Por ele passarão algumas escolhas importantes: a principal delas, quem fornecerá os caças supersônicos que a Aeronáutica irá adquirir.

Nelson Jobim é ex-deputado federal pelo Rio Grande do Sul e foi ministro da Justiça durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, que o nomeou ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - corte da qual foi presidente. Desde junho de 2007 está à frente do Ministério da Defesa, cargo que manterá no governo de Dilma Rousseff. Apesar de Jobim ser filiado ao PMDB, sua indicação faz parte da cota individual de Dilma, segundo o partido, que espera indicar cinco nomes para o ministério da presidente eleita.

Recentemente, Jobim foi citado em correspondências de diplomatas americanos divulgadas pelo site WikiLeaks. Segundo os documentos, Jobim teria afirmado que o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Samuel Guimarães, "odeia os Estados Unidos" e estava tentando criar problemas na relação entre os dois países. Jobim nega as afirmações.

WAGNER ROSSI (PMDB)

foto: Antonio Cruz?Agência Brasil

Ministério da Agricultura

O homem de Temer. Ex-deputado federal ligado à bancada ruralista, ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi assumiu o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em março de 2010, após a saída de Reinhold Stephanes, e permanecerá no cargo no governo de Dilma Rousseff na quota do vice-presidente Michel Temer. Nascido em São Paulo no dia 27 de janeiro de 1943, Rossi vive desde a década de 1970 em Ribeirão Preto (SP), onde iniciou sua carreira política é do grupo diretamente ligado a Temer. Já por indicação dele, comandou a Companhia Docas de São Paulo, administradora do porto de Santos, durante o governo Fernando Henrique. Deputado federal por três legislaturas e deputado estadual por duas em São Paulo, Rossi já passou por diversas secretarias paulistas, como Transportes, Infraestrutura Viária, Educação, entre outras. Rossi faz parte da cota do PMDB no novo governo.

EDISON LOBÃO (PMDB)

foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ministério de Minas e Energia

O homem de Sarney. Ministro de Minas e Energia entre janeiro de 2008 e março de 2010, o senador Edison Lobão (PMDB-MA), 74 anos, volta ao comando da pasta no governo de Dilma Rousseff. Ligado ao grupo político do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-MA), Lobão faz parte da cota peemedebista na distribuição de cargos.

Maranhense, nascido na cidade de Mirador, em 5 de dezembro de 1936, Lobão é advogado e jornalista.

Ex-deputado federal, Lobão tornou-se senador em 1986 pelo extinto PFL, hoje DEM. O político interrompeu seu mandato no Senado para ser eleito governador do Maranhão, entre 1991 e 1994. Ao deixar o governo, retornou ao Senado. Em 2001, assumiu a presidência do Senado após a renúncia de Jader Barbalho (PMDB-PA), envolvido em denúncias de corrupção. Para voltar ao comando do Ministério de Minas e Energia, Lobão teve a seu favor o fato de que, em sua passagem anterior pela pasta, se aproximou de Dilma.

GARIBALDI ALVES FILHO (PMDB)

foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Ministério da Previdência Social

Ele ainda está aprendendo. O bonachão senador do Rio Grande do Norte Garibaldi Alves surpreendeu com sua sinceridade. Ao ser anunciado ministro da Previdência, admitiu que pouco sabia sobre os problemas da pasta que vai exercer. Membro de uma das famílias mais influentes do Rio Grande do Norte, Garibaldi Alves Filho foi governador do Estado entre 1995 e 2002 e senador em dois períodos - de 1991 a 1994 e de 2003 até 2010. Nascido em Natal no dia 4 de fevereiro de 1947, Garibaldi é jornalista e foi presidente do Senado entre 2007. Como senador, foi um dos relatores da CPI do Orçamento, responsável pelos trabalhos da subcomissão de emendas. Chega ao ministério como indicação da bancada peemedebista do Senado.

Primo do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), sua indicação para ocupar a Previdência coube ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Garibaldi deixa a porta aberta para que José Sarney (PMDB-AP) volte a concorrer à presidência do Senado em 2011, já que pretendia disputar o posto caso não assumisse o ministério.

PEDRO NOVAIS (PMDB)

foto: Saulo Cruz/Agência Câmara

Ministério do Turismo

Do motel ao Turismo. O maranhense Pedro Novais chega ao Ministério do Turismo no centro de uma inusitada polêmica, especialmente por conta da sua idade avantajada. Indicação de José Sarney, Pedro Novais, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, usou dinheiro da sua verba como deputado federal para pagar uma festa para vários casais num motel próximo a São Luís.

O deputado federal Pedro Novais Lima (PMDB-MA), 80 anos, é natural do município de Coelho Neto (MA) e ligado à família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-MA). Sua carreira política teve início em 1979, quando foi eleito deputado estadual pela extinta Arena. É deputado federal desde 1991, por seis mandatos consecutivos.

Na década de 1990, Novais chegou a ser citado na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Anões do Orçamento, que investigou fraudes e esquema de desvio de recursos por meio de emendas parlamentares. Em seu atual mandato na Câmara, Novais é titular da Comissão de Finanças e Tributação e suplente na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

MOREIRA FRANCO (PMDB)

foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Secretaria de Assuntos Estratégicos

Mais um da quota de Temer. A Secretaria de Assuntos Estratégicos já ganhou o apelido de Sealopra, por causa de seu nome original, Secretaria de Assuntos de Longos Prazos. Para alguns, trata-se apenas de uma pasta criada para acomodar aliados sem lugar. Foi inventada para dar um posto ao ex-ministro Mangabeira Unger, uma indicação do vice-presidente José Alencar. Ex-assessor de Fernando Henrique Cardoso na Presidência, o piauiense Moreira Franco fez sua carreira política no Rio, estado que governou, e é ligado no PMDB ao grupo de Michel Temer.

Wellington Moreira Franco, 66 anos, nasceu em Teresina (PI) e foi governador do Rio de Janeiro entre 1987 e 1991. Além de ter sido prefeito de Niterói (RJ) e deputado federal por três mandatos, Moreira Franco também ocupou a vice-presidência de Fundos e Loterias da Caixa Econômica Federal. Ele deixou a Caixa para participar, como representante do PMDB, da coordenação da campanha Dilma Rousseff à Presidência da República. Ele é um dos homens de confiança do vice-presidente eleito Michel Temer.

OS DEMAIS ALIADOS

ALFREDO NASCIMENTO (PR)

foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Mantido no Ministério dos Transportes

O amazonense Alfredo Nascimento prosseguirá no Ministério dos Transportes, na quota do PR, seu partido. Nascimento tentou eleger-se governador do Amazonas nas eleições deste ano, mas foi derrotado pelo atual governador, Omar Aziz, reeleito. Ministério dos Transportes

Anunciado por Dilma como futuro ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento ocupou a pasta no governo Lula, deixando o cargo em 2010 para concorrer ao governo do Amazonas, quando perdeu para Omar Aziz (PMN). Natural de Martins (RN), Nascimento, 58 anos, foi superintendente da Zona Franca de Manaus e secretário de Fazenda e de Administração do governo de Amazonino Mendes, entre 1987 e 1990. Em 1994, foi eleito vice-governador na chapa liderada por Amazonino.

Em 1996, foi eleito prefeito de Manaus, sendo reeleito em 2000. Em 2004, renuncia ao mandato após ser convidado por Lula para assumir o Ministério dos Transportes. Em 2006, Nascimento ganhou as eleições para o Senado, licenciando-se logo em seguida para reassumir o ministério.

CARLOS LUPI (PDT)

foto: Elza Fiuza/Ag~encia Brasil

Ele se mantém no Ministério do Trabalho e Emprego

Presidente do fato do PDT, o ex-jornaleiro carioca autoindicou-se para permanecer como ministro do Trabalho na quota de seu partido.

Seguidor do ex-governador Leonel Brizola, Carlos Lupi está no comando do Ministério do Trabalho e Emprego desde 2007. Graduado em administração, em 1983 assumiu a coordenação das regiões administrativas da cidade do Rio de Janeiro, no governo do então prefeito Marcelo Alencar. Em 1990, foi eleito deputado federal pelo PDT. Deixou o Congresso em 1992 para assumir a secretaria municipal de Transportes do Rio de Janeiro, e, em 1999, foi secretário de Governo do Estado do Rio. Em 2004, com a morte de Brizola, foi escolhido presidente do PDT, cargo do qual se licenciou para ocupar o ministério.

Lupi foi um dos principais articuladores do apoio do partido à candidatura da petista Dilma Rousseff à presidência. Cotado para compor uma chapa com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), ele defendeu a união em torno da candidatura da “companheira desde os tempos de fundação do PDT”.

ORLANDO SILVA (PCdoB)

foto: Agência Brasil

Ministério dos Esportes

Rumo à Copa e Olimpíadas. Dilma também pensou em colocar uma mulher à frente da pasta. A presidenta chegou a pensar em criar uma pasta específica dos Jogos Olímpicos para abrigar Orlando Silva. Mas o PCdoB, dono da vaga, optou por mantê-lo à frente do ministério, que Orlando Silva assumiu quando Agnelo Queiroz deixou o cargo em 2003. O baiano Orlando Silva envolveu-se no escândalo dos cartões corporativos quando usou o seu para pagar uma tapioca numa lanchonete de Brasília. À frente do ministério, ele viu o Brasil conseguir se tornar sede da próxima Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016. A administração dos dois eventos é o seu principal desafio.

Baiano de Salvador, Orlando Silva Jr. chegou ao comando da pasta em 2006. Aos 39 anos, leva no currículo a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, e a conquista dos direitos para sediar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio. Ele será o responsável do governo por esses dois grandes eventos mundiais. Além de ser ministro, ele foi secretário Nacional de Esporte, secretário Nacional de Esporte Educacional e secretário-executivo do Ministério do Esporte. Com a saída de Agnelo Queiroz para tentar uma vaga no Senado, ele assumiu o comando do ministério. Orlando Silva também se envolveu em polêmicas, como o escândalo dos cartões corporativos, em 2008, que resultou na saída da ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro. Segundo as investigações, ele teria usado o cartão de crédito corporativo para a compra de uma tapioca no valor de R$ 8,30. Na época, ele alegou que realizou o gasto por engano, pois seu cartão pessoal seria parecido com o corporativo, e decidiu devolver mais de R$ 30 mil ao Tesouro Nacional. Ele também se envolveu na polêmica do orçamento dos Jogos Pan-Americanos.

MÁRIO NEGROMONTE (PP-BA)

foto: Divulgação

Ministério das Cidades

O deputado federal é a indicação do PP, para o Ministério das Cidades, que permanece na quota do partido.

Deputado federal eleito pela Bahia desde 1995 e advogado. Ele já foi filiado ao PMDB, PSDB, PPB e está no PP desde 2003. Na última eleição, foi o sexto deputado federal mais votado da Bahia, com 169 mil votos. Também foi um dos principais articuladores da campanha do governador reeleito Jacques Wagner (PT) e da candidatura de Dilma Rousseff na Bahia. Conhecido como bom articulador, Negromonte foi líder do PP na Câmara por quase cinco anos e é um dos principais nomes do partido. Ele já havia sido cotado para assumir o Ministério das Cidades no governo Lula. A mulher de Mário, Vilma Negromonte, é prefeita de Glória (BA) e o filho, Mário Negromonte Júnior, foi eleito deputado estadual.


FERNANDO BEZERRA COELHO (PSB)

foto: Roberto Pereira/Divulgação

Ministério da Integração Nacional

Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) será o novo ministro da Integração Nacional. Ele substitui João Santana, que assumiu a pasta em março deste ano.

Secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, e presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Fernando Bezerra Coelho é a indicação do PSB e de seu presidente, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, para o governo Dilma.

Ex-deputado federal, Fernando Bezerra Coelho, 53 anos, também foi prefeito de Petrolina (PE) por três mandatos. É sobrinho do ex-governador de Pernambuco, Nilo Coelho.

Com sua indicação, o PSB demarca espaço no governo de Dilma Rousseff.


LEÔNIDAS CRISTINO (PSB)

foto: Divulgação

Secretaria Especial de Portos

Prefeito de Sobral (CE), o engenheiro José Leônidas de Menezes Cristino, 53 anos, é outro nome da quota do PSB, que assume a Secretaria Especial de Portos. É indicação do governador do Ceará, Cid Gomes.

Ele substitui Pedro Britto, também indicação do PSB, partido do governador reeleito do Estado, Cid Gomes, irmão de Ciro.

Casado e pai de dois filhos, Leônidas Cristino foi eleito deputado federal por duas vezes. No primeiro mandato, em 1995, elegeu-se com a segunda maior votação do Ceará. Foi secretário dos Transportes, Energia, Comunicações e Obras do Estado, entre 1991 e 1995, no governo de Ciro Gomes.

OS TÉCNICOS


ALEXANDRE TOMBINI (sem partido)

foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Um funcionário de carreira na Presidência do Banco Central
Servidor de carreira do Banco Central, Alexandre Tombini deixa a diretoria de Normas da instituição para se tornar seu presidente.

Economista, formado pela Universidade de Brasília, Alexandre Tombini nasceu em Porto Alegre (RS), em 9 de dezembro de 1963. Tombini não tem filiação partidária e é servidor concursado do Banco Central (BC) desde 1998, tendo ocupado diversos cargos no BC até assumir a diretoria de Normas e Sistema Financeiro do banco. Segundo analistas, sua linha de pensamento é bem próxima a do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, o que o diferencia do atual presidente do BC, Henrique Meirelles. Entre as principais contribuições de Tombini está a formulação do regime de metas de inflação criado pelo BC em 1999.





HELENA CHAGAS (sem partido)

foto: Luis Cruvinel?Agência Câmara

Tradição de família na Secretaria de Comunicação Social da Presidência

Ao assumir o posto de Franklin Martins, a jornalista Helena Chagas exercerá um papel curioso. Assumirá um cargo no primeiro escalão da Presidência que já foi ocupado por seu pai, o jornalista Carlos Chagas. Carlos Chagas foi o assessor de comunicação do ex-presidente Costa e Silva. A tarimbada jornalista carioca tem passagens importantes por alguns dos principais órgãos de comunicação do país. Chefiou a sucursal de Brasília do jornal O Globo. Helena também dirigiu a área de jornalismo da sucursal de Brasília do SBT, após deixar o jornal O Globo, em 2006, depois que seu nome foi citado no escândalo de quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, que culminou com a saída de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda. Em depoimento à PF à época, Palocci afirmou ter sido informado pela jornalista de que o caseiro havia recebido uma grande quantia de dinheiro. Helena nega o diálogo. Saiu da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) para chefiar a assessoria de imprensa da campanha de Dilma. E de lá salta para a Secretaria de Comunicação da Presidência.

ANTONIO PATRIOTA (sem partido)

foto: Fabio Rodrigus Pozzebom/Agência Brasil

Ministério de Relações Exteriores

Dilma Rousseff queria indicar uma mulher do quadro de diplomatas do Itamaraty para o Ministério das Relações Exteriores. Sem, porém, conseguir encontrar o perfil adequado, optou por Antonio de Aguiar Patriota, Bacharel em Filosofia e diplomata formado pelo Instituto Rio Branco, 56 anos, para substituir Celso Amorim. Secretário Geral do Itamaraty, Patriota é da chamada turma dos "barbudinhos" da diplomacia brasileira, um grupo mais de esquerda que tem o atual ministro, Celso Amorim, como um de seus principais expoentes. Assim, ele deverá manter os mesmos pressupostos da atual política externa do governo Lula.

Patriota teve entre suas posições de destaque o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, entre 2007 e 2009.


ISABELA TEIXEIRA (sem partido)

foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Técnica no Ministério do Meio Ambiente

Funcionária de carreira do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) desde 1984, Isabela Teixeira chegou ao ministério, como secretária-executiva do ex-ministro Carlos Minc. Tornou-se ministra quando Minc desincompatibilizou-se para disputar o cargo de deputado estadual pelo PT do Rio de Janeiro. Sua condição de técnica pode acabar sendo uma desvantagem na queda-de-braço com o setor ruralista em torno da aprovação do novo Código Florestal.

Nascida em Brasília, Izabella é bióloga, com mestrado em Planejamento Energético e doutorado em Planejamento Ambiental. Ela também atuou como secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente, de 2008 a 2009, e como secretária do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro.


LUIZA BAIRROS (PT)

foto: Divulgação

Secretaria da Igualdade Racial

Gaúcha radicada na Bahia, a socióloga Luiza Bairros era secretária de Promoção da Igualdade Racial no governo de Jaques Wagner no estado. Chega ao Ministério da Igualdade Racial por indicação de Wagner, com o apoio das entidades ligadas ao movimento negro.

A indicação é mérito do governador Jaques Wagner, que se comprometeu com o movimento negro baiano antes das eleições em fazer gestões junto à presidente eleita. A nomeação do primeiro nome da Bahia para o ministério atende à exigência de gênero feita pela presidente, pois Luiza Bairros será a primeira mulher negra do governo Dilma.



JOSÉ ELITO CARVALHO SIQUEIRA

foto: Divulgação

Gabinete de Segurança Institucional da Presidência


Ex-comandante das Forças de Paz da ONU no Haiti, o general José Elito Carvalho Siqueira comandará o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, que tem status de Ministério, substituindo Jorge Armando Felix.
Nascido em Aracajú (SE), o general de Exército José Elito Carvalho Siqueira, comandou a VI Região Militar na Bahia, as forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti foi instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras, da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e atualmente ocupava a chefia de Preparo e Emprego do Ministério da Defesa.
Em maio de 2009, o general foi chefe do Estado-Maior de Defesa, atual Chefia de Preparo e Emprego. Sua experiência inclui os cargos de comandante da força de estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH) e comandante militar da Região Sul do país.
Após deixar o Comando Militar do Sul, o general Elito assumiu, em dezembro de 2008, o cargo de secretário de Ensino, Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia (Selom), do Ministério da Defesa. O comando desta secretaria é ocupado por um oficial general de quatro estrelas (general-de-exército) de uma das três Forças.
Em sua carreira militar, o general foi: oficial do Gabinete do Ministro do Exército; comandante do 28º Batalhão de Caçadores - Aracaju-SE; comandante geral da Polícia Militar de Alagoas; adido do Exército e da Aeronáutica (ADIExAer) na África do Sul; oficial do Gabinete da Casa Militar da Presidência da República; comandante da 16ª Brigada de Infantaria de Selva - Tefé-AM; comandante da Aviação do Exército.

Referências: http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/primeiro-escalao-dilma/01.htm

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_canal=21&cod_publicacao=35709

http://noticias.uol.com.br/album/101130ministros_album.jhtm#fotoNav=34

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